{"id":8536,"date":"2024-11-14T10:54:16","date_gmt":"2024-11-14T10:54:16","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8536"},"modified":"2024-11-14T10:54:17","modified_gmt":"2024-11-14T10:54:17","slug":"justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/11\/14\/justica\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>A morte de Odair Moniz \u00e9 a prova de que a cor de pele e o lugar onde se mora continuam a ser fatores de risco para quem \u00e9 abordado pelas for\u00e7as policiais. A constru\u00e7\u00e3o de uma mentira com o benepl\u00e1cito da Dire\u00e7\u00e3o Nacional da PSP sobre a exist\u00eancia de uma arma branca para justificar um assassinato, involunt\u00e1rio ou n\u00e3o, \u00e9 mais uma p\u00e1gina negra na hist\u00f3ria das for\u00e7as de seguran\u00e7a. Para v\u00e1rias for\u00e7as pol\u00edticas e meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a queima de caixotes e contentores do lixo pareceu ser mais importante do que a morte de um cidad\u00e3o, esquecendo at\u00e9 que, esses atos, podendo ser conden\u00e1veis, acabaram por dar \u00e0 luz o debate sobre a atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais nas zonas urbanas sens\u00edveis. Ou seja, podemos antecipar, sem grande dificuldade, que sem protestos, a morte de Odair Moniz teria ca\u00eddo, como tantas outras, no esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 estarrecedor pensarmos que a esmagadora maioria das interven\u00e7\u00f5es policiais violentas acontece nas periferias das grandes cidades contra a popula\u00e7\u00e3o mais pobre quando os respons\u00e1veis por graves e avultados crimes dormem no sossego das suas casas em bairros como a Quinta da Marinha. Isto n\u00e3o \u00e9, naturalmente, alheio a uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica que tem apostado numa interven\u00e7\u00e3o musculada, descartando o policiamento de proximidade atrav\u00e9s do desinvestimento em meios, e a uma estrat\u00e9gia econ\u00f3mica que mant\u00e9m e aprofunda as desigualdades e as car\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para l\u00e1 dos discursos decorativos, a identifica\u00e7\u00e3o de determinadas \u00e1reas das nossas cidades como zonas urbanas sens\u00edveis em fun\u00e7\u00e3o da classe social e da nacionalidade, permitindo fazer de cidades como a Amadora um faroeste policial em que agentes julgados ou condenados continuam em fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o que merece a nossa rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe-nos, enquanto classe trabalhadora, independentemente da cor, da nacionalidade ou do sexo, compreender que a extrema-direita usa o racismo e a xenofobia para virar trabalhadores contra trabalhadores. No bairro do Zambujal, onde vivia Odair Moniz, vivem negros, ciganos e brancos. Vivem sob a sombra da culpa. Mesmo que trabalhem nas obras ou nas limpezas, mesmo que estudem na universidade, vivem ali e, como tal, at\u00e9 prova em contr\u00e1rio s\u00e3o considerados suspeitos. E isso permite todo o tipo de dislates policiais. N\u00e3o pode ser. N\u00e3o podemos permitir. \u201cJusti\u00e7a\u201d foi o que milhares gritaram na manifesta\u00e7\u00e3o do movimento Vida Justa. \u201cJusti\u00e7a\u201d foi o que gritaram quando enterraram Odair Moniz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte de Odair Moniz \u00e9 a prova de que a cor de pele e o lugar onde se mora continuam a ser fatores de risco para quem \u00e9 abordado pelas for\u00e7as policiais. 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