{"id":8492,"date":"2024-10-16T11:21:09","date_gmt":"2024-10-16T11:21:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8492"},"modified":"2024-10-16T11:21:11","modified_gmt":"2024-10-16T11:21:11","slug":"transportes-publicos-a-revolucao-as-energias-que-libertou-os-avancos-que-permitiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/10\/16\/transportes-publicos-a-revolucao-as-energias-que-libertou-os-avancos-que-permitiu\/","title":{"rendered":"Transportes P\u00fablicos: a Revolu\u00e7\u00e3o, as energias que libertou,\u00a0os avan\u00e7os que permitiu"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1975 d\u00e1-se a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos sectores estrat\u00e9gicos \u2013 onde se incluiu toda a Ferrovia, a Carris, a Rodovi\u00e1ria Nacional (foram nacionalizadas todas as empresas com mais de 100 autocarros), o transporte fluvial \u2013 que inicia um conjunto de processos de reorganiza\u00e7\u00e3o, saneamento financeiro, moderniza\u00e7\u00e3o e reorienta\u00e7\u00e3o das empresas para o servi\u00e7o p\u00fablico, e de moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura e do material (acaba o comboio a vapor, por exemplo).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1976 e 1980, vai ser criado o passe social intermodal em Lisboa e concelhos lim\u00edtrofes (os passes L, reunindo o conjunto dos transportes nacionalizados &#8211; Carris, ML, Transtejo, CP, Rodovi\u00e1ria Nacional), e v\u00e3o ser introduzidos passes na generalidade do sistema nacional de transportes. A intermodalidade e a significativa redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o na utiliza\u00e7\u00e3o regular v\u00e3o levar a um aumento muito significativo da mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1976 toma posse o primeiro Governo Constitucional, e inicia-se o processo contra-revolucion\u00e1rio. Ao mesmo tempo que em quest\u00f5es estrat\u00e9gicas \u2013 a Ind\u00fastria, a Banca e a Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 os governos avan\u00e7avam para a acelerada reconstru\u00e7\u00e3o do capitalismo monopolista, continuavam a ser concretizados avan\u00e7os nas \u00e1reas dos servi\u00e7os p\u00fablicos, cujo car\u00e1cter social n\u00e3o foi colocado em causa inicialmente. Realizam-se um conjunto de investimentos p\u00fablicos nas frotas e na rede de transportes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o do processo contra-revolucion\u00e1rio e a entrada na Uni\u00e3o Europeia \u2013 ent\u00e3o CEE \u2013 em 1986 os pr\u00f3prios servi\u00e7os p\u00fablicos ficam colocados em causa, e come\u00e7am os processos de liberaliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o. O passe social intermodal come\u00e7a a ser desvalorizado, aparecendo os passes combinados, que reduziam muito a oferta a troco de uma ligeira redu\u00e7\u00e3o no custo. A CP come\u00e7a a ser desmantelada, seguindo o esquema imposto a partir de Bruxelas. A Rodovi\u00e1ria Nacional \u00e9 privatizada e pulverizada. Intensificam-se os processos de redu\u00e7\u00e3o de trabalhadores \u2013 com externaliza\u00e7\u00e3o crescente de fun\u00e7\u00f5es e o aumento da explora\u00e7\u00e3o e da precariedade \u2013 com a correspondente redu\u00e7\u00e3o na qualidade e fiabilidade da oferta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 90 do s\u00e9culo passado o poder contra-revolucion\u00e1rio come\u00e7a a assumir que os transportes devem ser apenas uma mercadoria mais: os transportes p\u00fablicos s\u00e3o algo de secund\u00e1rio, um neg\u00f3cio que o Estado deve procurar apoiar. A prioridade \u00e9 dada \u00e0 rede vi\u00e1ria, ao transporte individual. O Estado come\u00e7a a assumir o objectivo de privatizar o conjunto das empresas p\u00fablicas de transportes p\u00fablicos. Os apoios v\u00e3o sendo reduzidos e substitu\u00eddos por empr\u00e9stimos para fazer crescer a d\u00edvida. Os investimentos na infraestrutura destinam-se, quase sempre, a apoiar processos de liberaliza\u00e7\u00e3o. Surgem as PPP. A nova linha sobre o Tejo, constru\u00edda pela REFER p\u00fablica vai ser entregue \u00e0 explora\u00e7\u00e3o privada. Centenas de quil\u00f3metros de ferrovia s\u00e3o desactivados. O objectivo formal \u00e9 colocar as empresas a dar lucro para as poder entregar \u00e0 gest\u00e3o privada. Caem a pique os \u00edndices de utiliza\u00e7\u00e3o dos transportes.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o anos de luta intensa. A cada nova ofensiva privatizadora ou desagregadora a luta dos trabalhadores ergue-se, determinada. A luta dos utentes cresce. As quest\u00f5es ambientais v\u00e3o ganhando peso. A realidade material recoloca os transportes p\u00fablicos como uma necessidade que exige interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o ser\u00e1 \u00abo mercado\u00bb que ir\u00e1 realizar o conjunto de investimentos necess\u00e1rios para alargar e modernizar a rede de transportes p\u00fablicos. Mas o modelo neoliberal s\u00f3 permite ao Estado investir para que o privado explore. Aposta-se no paradigma da concorr\u00eancia quando s\u00f3 o plano e a coordena\u00e7\u00e3o intermodal fazem sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, a derrota eleitoral do Governo PSD\/CDS que executara o Memorando de Entendimento (PS\/PSD\/CDS e BCE\/UE\/FMI), a for\u00e7a da luta dos trabalhadores e dos utentes e a iniciativa pol\u00edtica do PCP, v\u00e3o permitir uma nova mudan\u00e7a de paradigma. S\u00e3o travadas as privatiza\u00e7\u00f5es em curso. O Governo assume a necessidade de refor\u00e7ar o investimento p\u00fablico nos transportes p\u00fablicos. Em 2019 \u00e9 conquistado o alargamento do passe social intermodal a toda a AML e a todos os operadores na AML. Com o PART, esse movimento alarga-se \u00e0 AMP e a todo o pa\u00eds. Uma gigantesca redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o vai voltar a tornar atraente a utiliza\u00e7\u00e3o dos transportes p\u00fablicos e a procura cresce.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento da procura vai no entanto esbarrar numa dificuldade: a incapacidade de fazer crescer a oferta. Nos sectores j\u00e1 liberalizados \u2013 como o transporte rodovi\u00e1rio de passageiros fora das grandes cidades \u2013 o pa\u00eds \u00e9 obrigado a mergulhar em sucessivos e infind\u00e1veis concursos p\u00fablicos, as autarquias s\u00e3o chamadas a investir cada vez mais, e a pulveriza\u00e7\u00e3o e desorganiza\u00e7\u00e3o que da\u00ed resulta esconde a realidade do crescente dom\u00ednio das multinacionais \u2013 e a oferta n\u00e3o corresponde minimamente ao investimento realizado. Nos sectores ainda em processo de liberaliza\u00e7\u00e3o as dificuldades s\u00e3o igualmente gigantescas. Na ferrovia, as obras arrastam-se e os concursos para a compra de comboios s\u00e3o maratonas que muitas vezes acabam mal. As empresas p\u00fablicas tem as m\u00e3os amarradas e os p\u00e9s cortados. A liberaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o caos, a descoordena\u00e7\u00e3o, a submiss\u00e3o nacional ao \u00fanico plano autorizado \u2013 o do capital, o da multinacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril libertou um conjunto de energias que o fascismo, o capitalismo monopolista, a submiss\u00e3o ao imperialismo e a guerra estavam a travar. O car\u00e1cter profundamente democr\u00e1tico das transforma\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias vai evidenciar-se nas dificuldades que a contra-revolu\u00e7\u00e3o teve em inverter o rumo libertador, com alguns dos avan\u00e7os a serem mesmo materializados quando o poder pol\u00edtico j\u00e1 estava colocado ao servi\u00e7o da contra-revolu\u00e7\u00e3o, e com muitas das conquistas alcan\u00e7adas a serem defendidas com sucesso at\u00e9 hoje.<\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":8493,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[119],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8492"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8492\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8495,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8492\/revisions\/8495"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8492"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}