{"id":8461,"date":"2024-10-16T10:52:39","date_gmt":"2024-10-16T10:52:39","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8461"},"modified":"2024-10-16T10:52:40","modified_gmt":"2024-10-16T10:52:40","slug":"145o-aniversario-do-jornal-a-voz-do-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/10\/16\/145o-aniversario-do-jornal-a-voz-do-operario\/","title":{"rendered":"145\u00ba Anivers\u00e1rio do Jornal\u00a0\u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o do nosso Jornal \u00e9 sobejamente conhecida, mas nunca \u00e9 demais record\u00e1-la, tanto mais que, por estarmos no in\u00edcio do ano letivo, contamos com um conjunto importante de novos s\u00f3cios que eventualmente a n\u00e3o conhecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrava-se no \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XIX e os oper\u00e1rios tabaqueiros, viviam tempos muito dif\u00edceis, trabalhando em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es higi\u00e9nicas, com mat\u00e9rias que lhes danificavam fortemente a sa\u00fade, sofrendo de doen\u00e7as pulmonares, como a tuberculose, auferindo vencimentos insignificantes, em que apenas uma \u00ednfima parte da riqueza gerada pelo tabaco chegava aos seus bolsos. Como foi na altura descrito, a vida dos oper\u00e1rios tabaqueiros resumia-se a \u201ctrabalho, fome, nudez e desabrigo, desde que nascem at\u00e9 que morrem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os oper\u00e1rios contestavam as condi\u00e7\u00f5es a que estavam sujeitos e aproveitavam a folga de almo\u00e7o para falar dos seus problemas laborais e numa delas, em agosto de 1879, Cust\u00f3dio Gomes, lamentou o facto de os jornais de ent\u00e3o terem recusado a publica\u00e7\u00e3o de um artigo com os seus problemas e reivindica\u00e7\u00f5es e proferiu a c\u00e9lebre frase: \u201cSoubesse eu escrever, que n\u00e3o estava com demoras. J\u00e1 h\u00e1 muito que t\u00ednhamos Jornal; bem ou mal, o que l\u00e1 se disser \u00e9 o que \u00e9 a verdade. Amanh\u00e3 re\u00fane a nossa Associa\u00e7\u00e3o e hei de propor que se publique um peri\u00f3dico que nos defenda a todos e mesmo aos nossos companheiros de outras classes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa reuni\u00e3o Cust\u00f3dio Gomes transmitiu a sua ideia e foi Cust\u00f3dio Braz Pacheco, que a desenvolveu, relembrando os problemas da classe e a aus\u00eancia de um Jornal dedicado \u00e0s batalhas laborais e \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Um Jornal onde n\u00e3o fosse preciso mendigar um espa\u00e7o para a publica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias, porque ele pr\u00f3prio estava ao servi\u00e7o da causa oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, em 11 de outubro de 1879 foi publicado o primeiro n\u00famero do Jornal \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d, identificado como \u201c\u00d3rg\u00e3o dos manipuladores de tabacos\u201d. Cust\u00f3dio Braz Pacheco assinou o editorial, no qual s\u00e3o delineadas as diretrizes do Jornal, designadamente: \u201cpugnar denodadamente pelos interesses materiais e morais da classe que representa; concorrer quanto poss\u00edvel para a educa\u00e7\u00e3o e moral da classe oper\u00e1ria e instru\u00e7\u00e3o do povo, defender os que sofrerem injusti\u00e7as\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o Jornal enfrentava muitas dificuldades, tanto organizativas como econ\u00f3micas, pelo que na sequ\u00eancia de v\u00e1rias reuni\u00f5es, foi decidido criar uma Institui\u00e7\u00e3o que lhe desse suporte e assim, em 13 de fevereiro de 1883, numa assembleia geral de assinantes, foi fundada a Sociedade \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Jornal viveu a luta contra a monarquia e nas suas p\u00e1ginas ecoou a alegria da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de 5 de outubro e consequente instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, bem como depois a preocupa\u00e7\u00e3o com o seu desmoronamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Viveram-se tempos dif\u00edceis durante a ditadura fascista, mas houve sempre um grande esfor\u00e7o para que o Jornal fosse fiel aos seus princ\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Saliente-se que sequ\u00eancia do golpe fascista de 28 de maio de 1926, o jornalista Jos\u00e9 Fernandes Alves escreveu no Jornal que \u201ca ditadura militar n\u00e3o a aceitaremos n\u00f3s, n\u00e3o a aceitar\u00e1 o povo portugu\u00eas, cioso da sua liberdade e das suas regalias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a funda\u00e7\u00e3o do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica) foi devidamente destacada nas suas p\u00e1ginas, tendo estado presente na reuni\u00e3o que lhe deu origem, em 8 de outubro de 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril de 1974 mereceu, naturalmente, um grande destaque e regozijo no Jornal. Nele se deu conta dos avan\u00e7os da revolu\u00e7\u00e3o e das inerentes melhorias das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e do povo, como se combateram os recuos contrarrevolucion\u00e1rios da pol\u00edtica de direita que se seguiu, a qual restringiu muitas das conquistas alcan\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Jornal mantem a publica\u00e7\u00e3o regular ao longo dos seus 145 anos de exist\u00eancia, sendo o mais antigo Jornal oper\u00e1rio em publica\u00e7\u00e3o, constituindo um important\u00edssimo instrumento para o conhecimento da hist\u00f3ria do movimento social em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido da luta dos oper\u00e1rios, para dar voz aos que a n\u00e3o tinham, o Jornal cumpre os des\u00edgnios dos seus fundadores, mantendo-se irredut\u00edvel na defesa dos justos interesses dos trabalhadores, constituindo um espa\u00e7o onde as suas aspira\u00e7\u00f5es, reivindica\u00e7\u00f5es e lutas continuam a ter um profundo eco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Jornal \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d est\u00e1 de parab\u00e9ns, comemora no pr\u00f3ximo dia 11 de outubro o seu 145\u00ba anivers\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":8462,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[84],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8461"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8461"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8464,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8461\/revisions\/8464"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8461"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}