{"id":8452,"date":"2024-10-07T10:51:24","date_gmt":"2024-10-07T10:51:24","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8452"},"modified":"2024-10-24T12:14:29","modified_gmt":"2024-10-24T12:14:29","slug":"nos-bastidores-do-maior-jornal-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/10\/07\/nos-bastidores-do-maior-jornal-operario\/","title":{"rendered":"Nos bastidores do maior jornal Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Raul Esteves dos Santos (1889-1954), escritor, jornalista e diretor do Jornal A Voz do Oper\u00e1rio entre 1931 e 1933 e de 1945 a 1947, citado no Livro dos 135 anos desta institui\u00e7\u00e3o, da autoria de Alberto Franco, tra\u00e7a o quadro das vidas de fam\u00edlias oper\u00e1rias que geravam a riqueza que era acumulada \u00e0 fortuna dos patr\u00f5es, fossem eles a Coroa portuguesa &#8211; sobretudo na d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo XVII, assumindo o monop\u00f3lio daquela ind\u00fastria \u2013 ou patr\u00f5es privados a quem a Coroa, a partir da d\u00e9cada de 30 do mesmo s\u00e9culo, arrendava o neg\u00f3cio, a troco de uma renda anual que continuava a dar ao Estado a sua receita mais choruda.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Estudo da Hist\u00f3ria Empresarial de Portugal, Tabacos, de Ana Tom\u00e1s e Nuno Val\u00e9rio, do Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o da Universidade de Lisboa, \u201cdesde a implanta\u00e7\u00e3o da Monarquia Constitucional, as receitas dos tabacos mantiveram regularmente um peso da ordem de 10% nas receitas efetivas do Estado portugu\u00eas at\u00e9 \u00e0s v\u00e9speras da Primeira Guerra Mundial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Era esta gorda receita produzida, at\u00e9 1865, por 1235 oper\u00e1rios, incluindo crian\u00e7as, da Companhia de F\u00e1brica de Tabaco de Xabregas, segundo o Inqu\u00e9rito Industrial de 1852, que das 7 da manh\u00e3 em jornadas de 14 a 15 horas di\u00e1rias, trabalhavam compulsivamente em sil\u00eancio, pagando a ousadia de o quebrar com umas poucas chibatadas &#8211; \u201csendo rapaz, levava com umas cordas alcatroadas, e cheia de n\u00f3s, e outras vezes com uma chibata\u201d, conta Ra\u00fal Esteves dos Santos \u2013 manipulavam diariamente mat\u00e9ria-prima nociva para a sua sa\u00fade, desenvolvendo doen\u00e7as pulmonares como a tuberculose. Os \u201cEscravos Brancos\u201d, assim se chamavam os que trabalhavam nas oficinas que produziam rap\u00e9, sangravam dos olhos com a poeira da moagem do tabaco.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se refere o livro de Alberto Franco, citando de novo Raul Esteves dos Santos, com a liberaliza\u00e7\u00e3o surgiam mais f\u00e1bricas, e muitas \u201cfechavam t\u00e3o depressa como abriam\u201d, somando o desemprego \u00e0 carteliza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios de mis\u00e9ria. Em 1881, contavam-se j\u00e1 4021 oper\u00e1rios origin\u00e1rias de meios rurais, acantonados em \u201cVilas, ilhas p\u00e1tios e bairros insalubres das zonas pobres de Lisboa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"856\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Fabrica-de-tabaco-xabregas_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8454\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Fabrica-de-tabaco-xabregas_300cmyk.jpg 856w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Fabrica-de-tabaco-xabregas_300cmyk-300x207.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Fabrica-de-tabaco-xabregas_300cmyk-768x530.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Fabrica-de-tabaco-xabregas_300cmyk-220x152.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Era esta a miser\u00e1vel vida de quem constru\u00eda as fortunas de algumas fam\u00edlias, a do Jos\u00e9 Ferreira Pinto Basto, conde de Farrobo, a do Joaquim Ferreira dos Santos, conde Ferreira, Jo\u00e3o Paulo Cordeiro. E se na verdade tamb\u00e9m havia lugar \u00e0 filantropia, como Jo\u00e3o Paulo Cordeiro que \u201creservou parte da sua heran\u00e7a para o financiamento de uma caixa de benefic\u00eancia destinada aos tabaqueiros\u201d, ou o conde Ferreira, instituindo \u201c120 escolas e um hospital para doentes mentais\u201d no Porto, ou Jos\u00e9 Maria Eug\u00e9nio de Almeida \u201ccedendo \u00e0 C\u00e2mara lisboeta os terrenos do futuro Parque Eduardo VII\u201d, ou o caso de 6 grandes negociantes tabaqueiros que financiaram o Teatro de S. Carlos, bem se pode dizer que tudo isto se deve aos oper\u00e1rios do Tabaco que em condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria geravam dinheiro suficiente at\u00e9 para a filantropia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo V\u00edtor de S\u00e1, (\u201cEsquema Hist\u00f3rico do Movimento Oper\u00e1rio Portugu\u00eas\u201d) que, \u201cRelativamente ao Movimento Oper\u00e1rio, a burguesia adopta, em Portugal, em meados do s\u00e9culo, uma pol\u00edtica de dureza legal combinando com o fomento da filantropia\u201d, pro\u00edbe legalmente e reprime as greves, mas \u201cpromove e enquadra o associativismo oper\u00e1rio (\u2026) procurando atrair a si a classe oper\u00e1ria e suscitar-lhe objetivos meramente reformistas e mutualistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim acontece em 1839 com a Sociedade dos Artistas Lisbonenses, de Alexandre Fernandes da Fonseca, ou em 1840 com o \u201cProjecto de Associa\u00e7\u00e3o para o Melhoramento da Sorte das Classes Industriosas\u201d de Silvestre Pinheiro Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExpress\u00f5es desta mesma natureza tiveram os jornais dos primeiros setores profissionais que tomaram a iniciativa de fundar \u00f3rg\u00e3os pr\u00f3prios\u201d, sustenta Jos\u00e9 Tengarrinha (\u201cHist\u00f3ria da Imprensa Peri\u00f3dica Portuguesa\u201d), dando como exemplo \u201cO Eco Metal\u00fargico (Lisboa, 1850), Jornal da Associa\u00e7\u00e3o Fraternal dos Sapateiros e Artes que Trabalham o Cabedal (Lisboa, 1853), Jornal da Associa\u00e7\u00e3o dos Professores (Lisboa, 1856) Associa\u00e7\u00e3o Fraternal dos Fabricantes de Tecidos e Artes Correlativas (Lisboa, 1858) e o Jornal do Centro Promotor de Melhoramento das Classes Laboriosas (Lisboa 1853) que teve consider\u00e1vel expans\u00e3o e influ\u00eancia, como suporte da ac\u00e7\u00e3o de natureza mutualista que era a dessa associa\u00e7\u00e3o\u201d. Mas, acrescenta Tengarrinha, \u00e9 a partir de 1871 que o Movimento Oper\u00e1rio Portugu\u00eas, abandonando a fase mutualista, entra em ruptura com a sociedade\u201d e, precisa V\u00edtor de S\u00e1, a partir de 1870, \u201cpor influ\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, A.I.T., (Londres 1864)\u201d e, no ano seguinte pelos reflexos da Comuna de Paris que \u201ca agita\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria recobra for\u00e7as em Portugal e rompe com o paternalismo burgu\u00eas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Citando, mais uma vez Jos\u00e9 Tengarrinha, \u201cNesta fase, os jornais oper\u00e1rios tomam nova fei\u00e7\u00e3o, orientados por duas preocupa\u00e7\u00f5es centrais: a doutrina\u00e7\u00e3o em torno da liberta\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e o apoio \u00e0s lutas oper\u00e1rias, quer defendendo a sua justeza, quer lan\u00e7ando campanhas de ajuda material e moral aos grevistas\u201d. S\u00f3 nesta altura os oper\u00e1rios tomam consci\u00eancia da import\u00e2ncia da imprensa \u201ccomo instrumento da sua organiza\u00e7\u00e3o e da sua luta\u201d. O Pensamento Social (Lisboa, 1872) que teve na sua reda\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Fontana, Antero de Quental, Oliveira Martins, Te\u00f3filo Braga, Azedo Gneco, Eduardo Maia e Nobre Fran\u00e7a, \u201cserviu de \u00f3rg\u00e3o fundador da Internacional\u201d. Refere V\u00edtor de S\u00e1 tratar-se de \u201cuma publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica que exibe no seu cabe\u00e7alho uma legenda t\u00edpica da Internacional: N\u00e3o mais deveres sem direitos, n\u00e3o mais direitos sem deveres\u201d. E que, nesse mesmo jornal, no mesmo ano, ir\u00e1 aparecer a primeira tradu\u00e7\u00e3o portuguesa do Manifesto do Partido Comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, refere Jos\u00e9 Tengarrinha, \u201co jornal que exerceu influ\u00eancia mais direta, mais longa e mais ampla sobre as lutas oper\u00e1rias foi A Voz do Oper\u00e1rio (Lisboa, 1879, semanal) \u00f3rg\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Tabaqueiros de Lisboa que desempenhou de certo modo a fun\u00e7\u00e3o de central das associa\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias.\u201d Acrescenta Tengarrinha, \u201ca sua tiragem atingiu 40.000 a 50.000, o que se multiplicarmos por um \u00edndice m\u00e9dio m\u00ednimo de 4 a 5 leitores por exemplar, nos dar\u00e1 a no\u00e7\u00e3o da sua larga audi\u00eancia\u201d, conclui. Para se perceber a dimens\u00e3o da import\u00e2ncia de A Voz do Oper\u00e1rio, \u201cem fins de 1869\u201d, citando Tengarrinha, \u201cpublicavam-se em Lisboa, diariamente, 50.000 exemplares de jornais, dos quais 17.000 pertenciam ao Di\u00e1rio de Not\u00edcias; Em 1885 a tiragem m\u00e9dia deste jornal [DN] sobe para 26.000 exemplares.<\/p>\n\n\n\n<p>A crescente hostilidade dos jornais conservadores e uma certa indiferen\u00e7a face ao movimento reivindicativo suscita por parte do movimento oper\u00e1rio a necessidade de desenvolver a sua pr\u00f3pria imprensa, \u00e9 essa tamb\u00e9m uma das raz\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o do jornal A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Refere Tengarrinha que \u201cO Di\u00e1rio de Not\u00edcias, por exemplo, em geral descrevia objetivamente as lutas oper\u00e1rias, mas com frequ\u00eancia desenvolvia coment\u00e1rios desfavor\u00e1veis. O Di\u00e1rio Popular, um dos mais influentes jornais lisboetas entre 1886 e 1896, manifesta por vezes simpatia pelos oper\u00e1rios, mas n\u00e3o apoia as suas reivindica\u00e7\u00f5es. O Jornal de Com\u00e9rcio (Lisboa 1853) \u00e9 abertamente desfavor\u00e1vel com apelos \u00e0 boa ordem\u201d. Se h\u00e1 jornais Republicanos, como O Pa\u00eds, de Alves Corr\u00eaa e Pinheiro Chagas, onde se manifesta, por vezes, uma \u201creservada simpatia\u201d, outros h\u00e1, como o S\u00e9culo, jornal Republicano de maior expans\u00e3o, \u201cem que se nota uma evolu\u00e7\u00e3o no sentido de desapoio e at\u00e9 hostiliza\u00e7\u00e3o das lutas oper\u00e1rias\u201d, refere Tengarrinha. Talvez isso explique, sustenta, \u201co crescente distanciamento entre o movimento oper\u00e1rio e o movimento republicano, traduzido por vezes em \u00e1speras pol\u00e9micas (\u2026) um dos factos mais expressivos \u00e9-nos dado pela forma como o maior jornal oper\u00e1rio, A Voz do Oper\u00e1rio, acolhe a revolu\u00e7\u00e3o republicana: no primeiro n\u00famero, ap\u00f3s a revolta de 5 de Outubro, publica uma not\u00edcia discreta, a uma coluna e em tipo pequeno sob o t\u00edtulo: \u201cOs \u00faltimos acontecimentos na capital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De resto, refere Victor de S\u00e1, proclamada a Rep\u00fablica, a guerra social intensifica-se, com a burguesia republicana a afirmar-se claramente anti oper\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A promessa de sufr\u00e1gio universal, adianta Victor de S\u00e1, \u201cn\u00e3o \u00e9 cumprida e as greves passam a ser reprimidas com mais viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este o ber\u00e7o do jornal A Voz do Oper\u00e1rio que, h\u00e1 145 anos, o oper\u00e1rio tabaqueiro Cust\u00f3dio Gomes imaginou e que, no dia seguinte, os seus camaradas aprovaram. Nascia num s\u00e1bado, a 11 de outubro de 1879, o maior Jornal Oper\u00e1rio. Teve como primeiro diretor Cust\u00f3dio Braz Pacheco, que num texto publicado no jornal e intitulado \u201cOs oper\u00e1rios\u201d escrevia: \u201cQueremos, por\u00e9m, como oper\u00e1rios, levar \u00e0 evid\u00eancia que nos assiste o direito de, pelos meios legais, pugnarmos pelos nossos interesses materiais e morais, fazermos sentir aos nossos opressores que, pelo trabalho e pela palavra, temos a for\u00e7a precisa para sacudirmos o jugo de ferro que nos quiseram impor, e bem assim demonstrarmos, com argumentos indestrut\u00edveis, que a classe oper\u00e1ria desempenha um importante papel no teatro do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida do jornal e da institui\u00e7\u00e3o que haveria de ser criada mais tarde, gravariam pelo exemplo, a mensagem que ainda hoje perdura na parede do Sal\u00e3o Nobre da institui\u00e7\u00e3o: Trabalhadores, uni-vos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a 11 de Outubro de 1879, h\u00e1 145 anos, que se publicou o primeiro n\u00famero do jornal A Voz do Oper\u00e1rio. \u201cO homem por ser oper\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 escravo\u201d, proclamara-se no primeiro editorial como um grito de revolta de oper\u00e1rios manipuladores de tabaco que, contribuindo para a maior fonte de riqueza do pa\u00eds dos s\u00e9culos XVIII e XIX, tinham como paga a mis\u00e9ria, pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pela doen\u00e7a profissional de que muitos padeciam e pelo magro sal\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":8453,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8452"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8452"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8524,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8452\/revisions\/8524"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8452"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}