{"id":8392,"date":"2024-09-10T12:05:58","date_gmt":"2024-09-10T12:05:58","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8392"},"modified":"2024-09-10T12:05:59","modified_gmt":"2024-09-10T12:05:59","slug":"a-luta-politica-e-social-de-loach","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/09\/10\/a-luta-politica-e-social-de-loach\/","title":{"rendered":"A luta pol\u00edtica e social de Loach"},"content":{"rendered":"\n<p>Ken Loach nunca escondeu o pendor pol\u00edtico na sua extensa filmografia, em prol das classes e grupos sociais mais desfavorecidos. \u201cKes\u201d, de 1969, centra-se na rela\u00e7\u00e3o de Billy Casper com um falc\u00e3o peregrino numa aldeia mineira. O filme, que tem tanto de belo como de tr\u00e1gico, revela a dureza da vida naquela comunidade, onde j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar para uma crian\u00e7a ser livre, sonhar e brincar. Mais recentemente, \u201cEu, Daniel Blake\u201d, vencedor da Palma de Ouro em Cannes (2016), fala da pervers\u00e3o do burocr\u00e1tico sistema de seguran\u00e7a social brit\u00e2nico, pouco tolerante com os trabalhadores inaptos para trabalhar e que ficam sem qualquer apoio. \u00c0 semelhan\u00e7a de outras obras de Loach, \u00e9 a solidariedade entre estranhos que perdura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os filmes do realizador brit\u00e2nico s\u00e3o um espelho sociol\u00f3gico contempor\u00e2neo. Em \u201cPass\u00e1mos por C\u00e1\u201d (2019), o seu pen\u00faltimo filme, assistimos ao drama dos trabalhadores explorados por grandes empresas e considerados \u201cm\u00e1quinas de produ\u00e7\u00e3o\u201d, no advento do capitalismo selvagem. As consequ\u00eancias s\u00e3o pessoais: a explora\u00e7\u00e3o laboral corr\u00f3i o bem-estar familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que \u201cO Pub the Oak Tree\u201d, de 2023, seja o \u00faltimo filme de Loach (que conta j\u00e1 com 88 anos). Loach regressa a uma vila mineira brit\u00e2nica onde uma comunidade sem esperan\u00e7a, se revela intolerante face \u00e0 chegada de refugiados s\u00edrios. Uma jovem e o dono de um bar conseguem temporariamente quebrar os preconceitos e racismo dos habitantes, com a cria\u00e7\u00e3o de uma cantina comunit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cTerra e Liberdade\u201d, o filme sublinha a luta resistente de pessoas que perceberam que, unidas, poderiam derrotar o avan\u00e7o do fascismo \u2013 fosse em Espanha ou em qualquer outro pa\u00eds do mundo. Os milicianos partilham um ideal de liberdade e justi\u00e7a humana. \u00c9 um filme de personagens audazes. Um filme que aprofunda a vis\u00e3o popular face \u00e0 queda dos latifundi\u00e1rios que os exploravam: entre a colectiviza\u00e7\u00e3o e a divis\u00e3o das terras. Lembremos o caso de \u201cTorre Bela\u201d, obra de 1975 realizada por Thomas Harlam, que debate semelhantes quest\u00f5es no Portugal revolucion\u00e1rio do p\u00f3s-25 de Abril.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desfecho: passado e presente na luta\u00a0pelo amanh\u00e3<\/h2>\n\n\n\n<p>Em \u201cTerra e Liberdade\u201d, David reencontra Blanca no seu regresso \u00e0 mil\u00edcia. Depois do que passaram todos juntos, ser\u00e1 dif\u00edcil o regresso a casa, a uma vida que n\u00e3o conta com a luta armada pela liberdade. O atentado fatal contra Blanca vaticina o fim do grupo. Por\u00e9m, a voz que escutamos no funeral da miliciana \u00e9 de resist\u00eancia: \u201cA batalha \u00e9 longa, eles s\u00e3o muitos, mas n\u00f3s somos mais. Seremos sempre muitos mais\u201d. David apanha terra para o seu len\u00e7o vermelho. Passamos para o funeral do pr\u00f3prio David, em Inglaterra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A neta tem agora outro entendimento sobre quem foi o av\u00f4. Leu todas as suas cartas e recortes dos jornais, que David acumulou ao longo daquele que foi o momento mais importante da sua vida. L\u00ea um excerto de um poema de William Morris encontrado entre os pap\u00e9is: \u201cJunta-te \u00e0 \u00fanica batalha em que nenhum homem pode falhar, \/ Onde aquele que desvanece e morre, ainda assim a sua ac\u00e7\u00e3o prevalecer\u00e1.\u201d E atira para a campa de David a terra que este tinha trazido. Terra de Espanha; ou, acima de tudo, a terra que pertence ao povo e \u00e0 luta pela liberdade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTerra e Liberdade\u201d clama, a cada cena, um futuro livre por definir e conquistar. \u201cO amanh\u00e3 \u00e9 nosso, companheiros.\u201d s\u00e3o as derradeiras palavras proclamadas pela resist\u00eancia unida. A luta do amanh\u00e3 nasce hoje. Na esperan\u00e7a, comunh\u00e3o e combate contra qualquer forma de opress\u00e3o \u00e0 liberdade e direitos fundamentais do povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ken Loach nunca escondeu o pendor pol\u00edtico na sua extensa filmografia, em prol das classes e grupos sociais mais desfavorecidos. \u201cKes\u201d, de 1969, centra-se na rela\u00e7\u00e3o de Billy Casper com um falc\u00e3o peregrino numa aldeia mineira. O filme, que tem tanto de belo como de tr\u00e1gico, revela a dureza da vida naquela comunidade, onde j\u00e1 &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/09\/10\/a-luta-politica-e-social-de-loach\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">A luta pol\u00edtica e social de Loach<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":8393,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[177],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8392"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8392"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8395,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8392\/revisions\/8395"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8392"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}