{"id":8388,"date":"2024-09-10T12:03:43","date_gmt":"2024-09-10T12:03:43","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8388"},"modified":"2024-09-10T12:03:44","modified_gmt":"2024-09-10T12:03:44","slug":"supremo-tribunal-anuncia-que-maduro-e-o-vencedor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/09\/10\/supremo-tribunal-anuncia-que-maduro-e-o-vencedor\/","title":{"rendered":"Supremo Tribunal anuncia\u00a0que Maduro \u00e9 o vencedor"},"content":{"rendered":"\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o saiu muito fragilizada depois da absurda entroniza\u00e7\u00e3o de Juan Guaid\u00f3 por parte do Ocidente, sem qualquer processo eleitoral, uma prova mais de que os advers\u00e1rios de Nicol\u00e1s Maduro estavam dispostos a tudo para o derrubar. Desde que Nicol\u00e1s Maduro foi eleito presidente da Venezuela em 2013, o cen\u00e1rio complicou-se. Os Estados Unidos agravaram as san\u00e7\u00f5es, com graves consequ\u00eancias para a economia venezuelana e para a popula\u00e7\u00e3o, e apoiaram a oposi\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias tentativas de golpes e assassinatos para derrubar o sucessor de Hugo Ch\u00e1vez. Prova disso foram os v\u00e1rios mercen\u00e1rios norte-americanos capturados na costa da Venezuela que tentavam promover uma incurs\u00e3o militar a partir da Col\u00f4mbia, em 2020, e o atentado falhado contra Maduro com recurso a dois drones com explosivos, em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Acusado de desvio de fundos, Guaid\u00f3 fugiu da Venezuela depois de se tornar&nbsp;<em>persona non grata<\/em>&nbsp;para os opositores com cenas de pancadaria que ficar\u00e3o nos anais da hist\u00f3ria. A oposi\u00e7\u00e3o acabou por escolher Maria Corina Machado, uma hist\u00f3rica advers\u00e1ria do chavismo que assinou um manifesto ao lado da extrema-direita, onde se destacava Georgia Meloni, Javier Milei e Jair Bolsonaro, que apoiou san\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos sobre o seu pr\u00f3prio povo e sugeriu de forma velada que Washington fizesse com a Venezuela aquilo que fez com a S\u00edria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Impedida de se candidatar devido a acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o apoiou&nbsp;Edmundo Gonz\u00e1lez, que rejeitou um acordo com Maduro para que os resultados fossem reconhecidos, independentemente do vencedor. \u00c9 imposs\u00edvel ler as elei\u00e7\u00f5es presidenciais venezuelanas sem ter em conta estes e outros elementos. A falta de contexto tem sido uma pr\u00e1tica constante nos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social. Sem diversidade de \u00e2ngulos, a cobertura medi\u00e1tica ocidental esteve alinhada em perman\u00eancia contra o atual presidente do pa\u00eds. Disso \u00e9 exemplo a manipula\u00e7\u00e3o das palavras de Nicol\u00e1s Maduro quando afirmou que se o povo \u201cn\u00e3o quiser um banho de sangue numa guerra fraticida, produto dos fascistas\u201d h\u00e1 que garantir \u201ca maior vit\u00f3ria eleitoral da hist\u00f3ria\u201d. Este alerta era uma refer\u00eancia \u00e0quilo que acontecera depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2013 quando a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana provocou um banho de sangue nas ruas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pol\u00e9mica das atas eleitorais<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda antes da ida \u00e0s urnas, a oposi\u00e7\u00e3o anunciou que s\u00f3 reconheceria as suas pr\u00f3prias c\u00f3pias das atas e, no dia de reflex\u00e3o, criou site pr\u00f3prio que viria a albergar dias depois as atas que diz serem verdadeiras. No dia das elei\u00e7\u00f5es, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirmou que a sua p\u00e1gina tinha sofrido um ataque e que n\u00e3o conseguia apresentar devidamente os resultados. Segundo os dados a que teve acesso, o CNE anunciou Nicol\u00e1s Maduro como vencedor. Apesar de legalmente ter 30 dias para apresentar as atas, v\u00e1rios pa\u00edses exigiram imediatamente a apresenta\u00e7\u00e3o destes documentos acusando o governo venezuelano de estar a cometer fraude. Com o site do CNE em baixo, a oposi\u00e7\u00e3o apresentou o seu pr\u00f3prio site com alegadas c\u00f3pias das atas que mostrariam que Edmundo Gonz\u00e1lez era o vencedor. Contudo, o chavismo denuncia que milhares destes documentos s\u00e3o forjados.<\/p>\n\n\n\n<p>Como em Portugal, as atas, documentos assinados por todos os membros da mesa que atestam o resultado de cada m\u00e1quina eletr\u00f3nica, nunca s\u00e3o apresentadas publicamente. O que acontece \u00e9 que os organismos eleitorais publicam os resultados e se houver queixa de alguma das candidaturas, as atas est\u00e3o dispon\u00edveis para que se fiscalize o que de facto se passou em cada mesa. Em Portugal, quem tem acesso a tais documentos \u00e9 a CNE, os tribunais e as for\u00e7as pol\u00edticas em caso de reclama\u00e7\u00e3o sobre o resultado de alguma mesa ou v\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o candidato Nicol\u00e1s Maduro pediu a interven\u00e7\u00e3o do Tribunal Supremo para que as atas oficiais fossem apresentadas e contabilizadas. Os ju\u00edzes avan\u00e7aram com audi\u00eancias com todos os candidatos e exigiram a entrega de todos os documentos na sua posse para aferir os resultados atrav\u00e9s de uma auditoria. O Conselho Nacional Eleitoral entregou todas as atas oficiais ao tribunal e compareceram todos os candidatos menos Edmundo Gonz\u00e1lez, alegando que n\u00e3o reconhece idoneidade aos membros daquele \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, v\u00e1rios dos pa\u00edses que haviam reconhecido Edmundo Gonz\u00e1lez como presidente recuam quando Nicol\u00e1s Maduro amea\u00e7a romper acordos petrol\u00edferos e passar esses contratos para os pa\u00edses dos BRICS.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto o Brasil como a Col\u00f4mbia propuseram novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais para&nbsp;resolver o diferendo, algo que tanto a oposi\u00e7\u00e3o como Nicol\u00e1s Maduro recusam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um dos pa\u00edses com mais elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de ser eleito presidente da Venezuela em 1998, Hugo Ch\u00e1vez prometeu referendar uma nova constitui\u00e7\u00e3o e convocar imediatamente novas elei\u00e7\u00f5es para todos os cargos, incluindo o seu. Dois anos depois de chegar \u00e0 presid\u00eancia com 56% dos votos, cumpriu o prometido. Foi reeleito em 2000, subindo para os 60%. Desde ent\u00e3o, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, entre outras, assumiram uma carga dram\u00e1tica para uma oposi\u00e7\u00e3o desesperada em devolver o poder aos grandes grupos econ\u00f3micos e financeiros, mas, sobretudo, devolver o pa\u00eds do mundo com as maiores reservas de petr\u00f3leo \u00e0 esfera dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem conseguir convencer os venezuelanos, perante a subida dos \u00edndices sociais, a oposi\u00e7\u00e3o apostou na viol\u00eancia e em manobras anti-democr\u00e1ticas. Em 2002, a direita encabe\u00e7ou um golpe de Estado que foi derrotado pela mobiliza\u00e7\u00e3o popular em alian\u00e7a com os setores progressistas das for\u00e7as armadas. Desde ent\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 reconhece resultados eleitorais quando ganha. Apesar das acusa\u00e7\u00f5es sobre a falta de liberdade no pa\u00eds caribenho, a oposi\u00e7\u00e3o ganhou as legislativas em 2015, governa, hoje, em 4 dos 23 estados e det\u00e9m 125 autarquias das 335 existentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o reconhece os resultados e afirma que as atas eleitorais dizem o contr\u00e1rio. Instados a apresentar provas da alegada fraude, os opositores faltaram \u00e0 audi\u00eancia do Supremo Tribunal e n\u00e3o entregaram qualquer documento.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":8389,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8388"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8388"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8388\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8391,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8388\/revisions\/8391"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8388"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}