{"id":8366,"date":"2024-09-10T11:41:07","date_gmt":"2024-09-10T11:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8366"},"modified":"2024-10-07T10:03:04","modified_gmt":"2024-10-07T10:03:04","slug":"o-sns-e-um-dos-pilares-da-nossa-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/09\/10\/o-sns-e-um-dos-pilares-da-nossa-democracia\/","title":{"rendered":"\u201cO SNS \u00e9 um dos pilares\u00a0da nossa democracia\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Hoje, uma mulher gr\u00e1vida corre mais&nbsp;risco do que em anos anteriores de n\u00e3o ter&nbsp;a assist\u00eancia necess\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Esse servi\u00e7o degradou-se bastante, tem vindo a degradar-se, e este Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de Ana Paula Martins, nada fez para reverter a situa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, at\u00e9 a agravou.&nbsp;Temos uma falta enorme de m\u00e9dicos obstetras porque, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nada fez para garantir mais m\u00e9dicos obstetras no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e em termos da ginecologia-obstetr\u00edcia. H\u00e1 uma car\u00eancia em todas as \u00e1reas mas, na ginecologia-obstetr\u00edcia, que \u00e9 uma \u00e1rea t\u00e3o sens\u00edvel, h\u00e1 uma car\u00eancia enorme. Isto faz com que haja encerramentos dos servi\u00e7os de urg\u00eancia de forma muito, muito frequente, em v\u00e1rios pontos do pa\u00eds, mas, sobretudo, em Lisboa e Vale do Tejo, onde a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior e as gr\u00e1vidas est\u00e3o em risco permanente. T\u00eam de ser atendidas a muitos e muitos quil\u00f3metros da sua \u00e1rea de resid\u00eancia e isso \u00e9 um risco para a gr\u00e1vida e para os seus beb\u00e9s. Se lhes acontecer alguma fatalidade ou alguma situa\u00e7\u00e3o nefasta, quer para si quer para os seus beb\u00e9s, a responsabilidade \u00e9 deste Minist\u00e9rio de Ana Paula Martins que, de facto, n\u00e3o reverteu a situa\u00e7\u00e3o. E a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito pior do que em anos anteriores, n\u00e3o h\u00e1 qualquer tipo de d\u00favida. Antes, t\u00ednhamos uma m\u00e9dia de um nascimento por m\u00eas em situa\u00e7\u00e3o de transporte, pontualmente poderia acontecer. S\u00f3 no m\u00eas de julho h\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o de 13. Isto \u00e9 um n\u00famero\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Uma subida espetacular\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, isto \u00e9 grav\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quais s\u00e3o os problemas mais graves que identifica atualmente no SNS?<\/p>\n\n\n\n<p>Tem a ver, sobretudo, com a falta de recursos humanos. E s\u00e3o nas v\u00e1rias profiss\u00f5es. Nos m\u00e9dicos \u00e9 particularmente grave porque, h\u00e1 estes encerramentos de servi\u00e7os de urg\u00eancia por falta de m\u00e9dicos. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o da urg\u00eancia. Faltam tamb\u00e9m m\u00e9dicos de fam\u00edlia nos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios. N\u00f3s continuamos com 1,6 milh\u00f5es de utentes sem m\u00e9dico de fam\u00edlia. E, portanto, tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 garantida nenhuma medida que atraia mais m\u00e9dicos para o SNS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m devido \u00e0 falta de m\u00e9dicos, temos cirurgias e consultas adiadas. Ou melhor, atrasadas. E, portanto, os doentes ficam um bocadinho aqui a descoberto, n\u00e3o \u00e9? Isto tamb\u00e9m \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o para que a FNAM tem vindo a alertar o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade pelo menos nos \u00faltimos dois anos e meio e temos vindo a apresentar v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es, acima de tudo, para trazermos mais m\u00e9dicos para o SNS. Porque n\u00e3o h\u00e1 falta de m\u00e9dicos em Portugal. N\u00f3s temos 60 mil m\u00e9dicos, mais ou menos, inscritos na Ordem dos M\u00e9dicos, mas s\u00f3 metade, 31 mil, \u00e9 que est\u00e3o no SNS. Sendo que destes 31 mil, 10 mil s\u00e3o m\u00e9dicos internos e s\u00f3 temos 21 mil especialistas nas v\u00e1rias \u00e1reas, apenas, a garantir os cuidados no SNS, de norte a sul do pa\u00eds e nas ilhas. Isto \u00e9 claramente insuficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">PS e PSD prometem sempre nas campanhas eleitorais resolver os problemas na sa\u00fade&nbsp;e acusam-se mutuamente de serem os&nbsp;respons\u00e1veis pelo que se passa. O SNS vive em crise permanente. O que \u00e9 preciso fazer?<\/p>\n\n\n\n<p>Para o problema da falta de m\u00e9dicos em espec\u00edfico o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 que haja melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, que sejam dignas para os m\u00e9dicos quererem ficar e escolherem o SNS como o seu local de trabalho e fazerem ali a sua carreira. E tamb\u00e9m melhores sal\u00e1rios, sal\u00e1rios justos. Os m\u00e9dicos foram das classes profissionais que mais poder de compra perderam na \u00faltima d\u00e9cada e n\u00e3o foi reposto de forma alguma. Pelo que n\u00f3s, como Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos, reivindicamos que o sal\u00e1rio seja justo. Porque continuamos a ser um dos pa\u00edses que est\u00e1 na cauda da Europa no sentido negativo, em que temos os sal\u00e1rios mais baixos. Por isso, o que \u00e9 que acontece? Sa\u00edmos do SNS. Os m\u00e9dicos saem para o estrangeiro, para v\u00e1rios pa\u00edses europeus, saem tamb\u00e9m para o setor privado. Estas duas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais, o direito a termos condi\u00e7\u00f5es de trabalho que sejam dignas e sal\u00e1rios que sejam justos para podermos estar a trabalhar no SNS. Se isto fosse garantido, seguramente ter\u00edamos mais m\u00e9dicos no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade. \u00c9 esta a solu\u00e7\u00e3o. E \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o capaz de garantir cuidados de sa\u00fade m\u00e9dicos justos e corretos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Houve v\u00e1rios respons\u00e1veis pol\u00edticos que deram a entender que as reivindica\u00e7\u00f5es dos m\u00e9dicos s\u00e3o excessivas. \u00c9 mesmo assim?<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto n\u00e3o \u00e9 que o resultado est\u00e1 \u00e0 vista. E a falta de m\u00e9dicos tem provocado o caos que existe, n\u00e3o \u00e9? Voltando ao mesmo, seja no servi\u00e7o de urg\u00eancia, sobretudo a n\u00edvel de obstetr\u00edcia, a n\u00edvel da pediatria, a n\u00edvel da falta de m\u00e9dicos de fam\u00edlia, tamb\u00e9m h\u00e1 poucos m\u00e9dicos de sa\u00fade p\u00fablica, que tamb\u00e9m s\u00e3o m\u00e9dicos muito necess\u00e1rios no SNS. E n\u00f3s sabemos qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para ter mais m\u00e9dicos, mas\u2026 excessivas s\u00e3o as ina\u00e7\u00f5es ou as ina\u00e7\u00f5es nefastas, nomeadamente que este Minist\u00e9rio de Ana Paula Martins tem tido rela\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Os m\u00e9dicos realizaram no fim de julho uma greve com 75% de ades\u00e3o no SNS, sente que os m\u00e9dicos est\u00e3o unidos em torno destas reivindica\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, os m\u00e9dicos est\u00e3o extremamente revoltados e tamb\u00e9m cansados desta falta de vontade pol\u00edtica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em resolver a sua situa\u00e7\u00e3o. Mas mais importante do que a percentagem da ades\u00e3o \u00e0 greve, n\u00f3s sentimos que foi forte, com manifesta\u00e7\u00f5es no Porto, em Coimbra, em Lisboa, bastante participadas e tamb\u00e9m com m\u00e9dicos de todas as idades, mas com muitos m\u00e9dicos jovens. Infelizmente \u00e9 uma forma de luta que n\u00f3s n\u00e3o gostamos de ver ou at\u00e9 de a fazer, mas voltamos ao mesmo: o respons\u00e1vel \u00e9 unicamente o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, neste caso de Ana Paula Martins que tem sido sempre muito intransigente e inflex\u00edvel para com os m\u00e9dicos, para os ouvir, ouvir as suas solu\u00e7\u00f5es e adotar algumas delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Esta luta mostra tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do papel dos sindicatos?<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, sim, porque a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos \u00e9 uma federa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas sindicatos: Sindicatos M\u00e9dicos do Norte, Sindicato M\u00e9dicos da Zona Centro e o Sindicato dos M\u00e9dicos da Zona Sul. E n\u00f3s somos os representantes dos m\u00e9dicos. O que n\u00f3s aqui defendemos acima de tudo s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de trabalho melhores, que sejam justas e dignas para os m\u00e9dicos e defendemos tamb\u00e9m o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e queremos ter m\u00e9dicos no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, porque tamb\u00e9m acreditamos num Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade que seja p\u00fablico, que seja universal, que seja de qualidade e acess\u00edvel a toda a popula\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 um dos pilares tamb\u00e9m da nossa sociedade, da nossa democracia. Isto \u00e9 que est\u00e1 garantido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Passam 50 anos da revolu\u00e7\u00e3o de Abril&nbsp;e o SNS acaba por ser uma conquista dentro desse contexto hist\u00f3rico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade foi uma das conquistas desta nossa democracia que celebra este ano os seus 50 anos e foi uma forma de garantir no seu esp\u00edrito universal, acess\u00edvel, p\u00fablico e de qualidade para toda a popula\u00e7\u00e3o. Poder garantir esses cuidados de sa\u00fade porque dantes, em tempos de ditadura, isto n\u00e3o estava garantido. E isso fez com que se atirasse Portugal, por exemplo, para os melhores rankings em termos de resultados em sa\u00fade, como por exemplo, na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil, quando \u00e9ramos um dos pa\u00edses do mundo com taxas mais baixas de mortalidade materno-infantil. Foi gra\u00e7as ao SNS. N\u00e3o foi gra\u00e7as a mais nada. E, portanto, \u00e9 um projeto que \u00e9 um pilar b\u00e1sico da nossa democracia, tal como a educa\u00e7\u00e3o. E o que entendemos \u00e9 que, pelo menos do ponto de vista da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos \u00e9 que continuar a defender o SNS, assim como vamos continuar a defender melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses, Portugal ainda tem um modelo p\u00fablico de sa\u00fade que pretende responder de forma democr\u00e1tica aos problemas dos cidad\u00e3os. Corremos o perigo que deixe de ser assim?<\/p>\n\n\n\n<p>Esse perigo, efetivamente, existe e \u00e9 sempre decis\u00e3o, obviamente, de cada governo, como quer fazer. De qualquer forma, seja qual for o modelo adotado, os modelos s\u00f3 fazem se tivermos, nas v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, nas v\u00e1rias unidades de sa\u00fade, equipas completas, motivadas a trabalhar em pleno para conseguirem garantir a melhor resposta aos doentes e aos utentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 presidente do Sindicato dos M\u00e9dicos do Norte e da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos (FNAM). M\u00e9dica no Instituto Portugu\u00eas de Oncologia no Porto, Joana Bordalo e S\u00e1 tem sido um dos rostos da luta dos profissionais de sa\u00fade por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e pela defesa do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS). Com fortes cr\u00edticas \u00e0 ministra da Sa\u00fade, Ana Paula Martins (PSD), entende que a situa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade est\u00e1 pior do que em anos anteriores.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8368,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8366"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8450,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8366\/revisions\/8450"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8366"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}