{"id":8362,"date":"2024-09-10T11:36:07","date_gmt":"2024-09-10T11:36:07","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8362"},"modified":"2024-10-07T09:32:47","modified_gmt":"2024-10-07T09:32:47","slug":"carlos-lopes-pereira-a-independencia-nacional-nao-e-apenas-ter-uma-bandeira-e-um-hino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/09\/10\/carlos-lopes-pereira-a-independencia-nacional-nao-e-apenas-ter-uma-bandeira-e-um-hino\/","title":{"rendered":"Carlos Lopes Pereira: \u201cA independ\u00eancia nacional n\u00e3o \u00e9 apenas ter uma bandeira e um hino\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Quais diria que s\u00e3o os pontos mais atuais do legado de&nbsp;Am\u00edlcar Cabral?<\/p>\n\n\n\n<p>Desde logo, o seu exemplo: o revolucion\u00e1rio que tudo sacrificou \u2013 a fam\u00edlia, a carreira profissional, o bem-estar material e, at\u00e9, a vida \u2013 pelos seus ideais e entregou-se totalmente \u00e0 luta pela independ\u00eancia dos seus povos.<\/p>\n\n\n\n<p>O valioso legado de Cabral s\u00e3o os dois novos Estados nascidos e as duas na\u00e7\u00f5es forjadas na luta pol\u00edtica e armada que dirigiu. A conquista da independ\u00eancia nacional da Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde foi a maior revolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria dos povos guineense e cabo-verdiano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No plano te\u00f3rico, s\u00e3o muitas as contribui\u00e7\u00f5es de Cabral plenas de atualidade, a principal delas a ideia de que a independ\u00eancia nacional n\u00e3o \u00e9 apenas ter uma bandeira e um hino mas uma etapa da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o social dos povos. Ou seja: no quadro da luta anti-imperialista, \u00e0 luta contra o colonialismo segue-se a luta contra o neocolonialismo, por uma verdadeira independ\u00eancia e soberania nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">De que forma \u00e9 que est\u00e1&nbsp;presente na mem\u00f3ria dos povos africanos?<\/p>\n\n\n\n<p>Pan-africanista, anti-colonialista, anti-fascista, anti-racista, anti-imperialista \u2013 um revolucion\u00e1rio \u2013, Am\u00edlcar Cabral \u00e9 hoje evocado como um dos her\u00f3is da \u00c1frica combatente. De uma pl\u00eaiade de que tamb\u00e9m fazem parte Nelson Mandela, Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Modibo Keita, Thomas Sankara, Agostinho Neto, Samora Machel e outros, cujos exemplos e ideais iluminam as novas gera\u00e7\u00f5es nas lutas do nosso tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">\u00c9 poss\u00edvel olhar para a&nbsp;revolu\u00e7\u00e3o de Abril sem entender o papel de Cabral e outros&nbsp;dirigentes na fa\u00edsca que&nbsp;espoletou a luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional nas ex-col\u00f3nias?<\/p>\n\n\n\n<p>As lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional dos povos de Angola, da Guin\u00e9 e Cabo Verde e de Mo\u00e7ambique, dirigidas respectivamente pelo PAIGC, pelo MPLA e pela Frelimo, entre 1956 e 1974, foram um contributo importante para o eclodir da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril e o derrubamento do fascismo em Portugal pelo povo portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve \u201cuma \u00edntima associa\u00e7\u00e3o da luta contra o colonialismo e contra o fascismo que tornou poss\u00edvel a conflu\u00eancia de hist\u00f3ricas vit\u00f3rias comuns coroando a her\u00f3ica luta dos nossos povos: a liberta\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas da ditadura fascista com a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril de 1974 e a conquista da independ\u00eancia pelos povos ent\u00e3o submetidos ao jugo colonial portugu\u00eas\u201d, como afirmou \u00c1lvaro Cunhal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um facto hist\u00f3rico: as lutas contra o fascismo e contra o colonialismo, que tinham inimigos comuns e amigos comuns, foram aliadas e contribu\u00edram para os avan\u00e7os uma da outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que olha para o&nbsp;desinteresse dos governos&nbsp;cabo-verdiano e guineense&nbsp;no centen\u00e1rio do nascimento&nbsp;de Cabral?<\/p>\n\n\n\n<p>Os princ\u00edpios ideol\u00f3gicos e a pr\u00e1tica pol\u00edtica da maioria das for\u00e7as que governam hoje a Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde s\u00e3o o contr\u00e1rio do que defendeu Cabral: liberdade e independ\u00eancia em vez de domina\u00e7\u00e3o estrangeira; democracia para a maioria do povo em vez de ditadura de uma minoria; emancipa\u00e7\u00e3o social em vez de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem; desenvolvimento soberano em vez de neocolonialismo; paz em vez de guerra. Por isso, esses governos, de direita, colocaram obst\u00e1culos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es estatais dos 100 anos do nascimento de Cabral. Eles procuram \u2013 numa opera\u00e7\u00e3o mais ampla e que n\u00e3o come\u00e7ou agora \u2013 falsificar e silenciar a hist\u00f3ria da luta contra a domina\u00e7\u00e3o colonialista portuguesa, da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o nacional e social dos povos dos dois pa\u00edses. Em v\u00e3o: Am\u00edlcar Cabral e a gesta independentista vitoriosa dirigida pelo PAIGC vivem na mem\u00f3ria hist\u00f3rica e nos cora\u00e7\u00f5es dos guineenses e cabo-verdianos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Carlos Lopes Pereira, natural de Bissau, \u00e9 especialista no continente africano e viveu tanto na Guin\u00e9 como em Cabo Verde. Fez parte do Partido Africano para a Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde (PAIGC), durante a luta contra o colonialismo, integrando a R\u00e1dio Liberta\u00e7\u00e3o, emissora da organiza\u00e7\u00e3o armada que transmitia a partir de Conacri.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8364,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8362"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8362"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8437,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8362\/revisions\/8437"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8362"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}