{"id":8292,"date":"2024-08-10T10:05:34","date_gmt":"2024-08-10T10:05:34","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8292"},"modified":"2024-08-10T10:05:36","modified_gmt":"2024-08-10T10:05:36","slug":"o-acumulador-de-joao-melo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/08\/10\/o-acumulador-de-joao-melo\/","title":{"rendered":"O Acumulador,\u00a0de Jo\u00e3o Melo"},"content":{"rendered":"\n<p>Este novo livro de contos de Jo\u00e3o de Melo,&nbsp;<em>O Acumulador,&nbsp;<\/em>insere-se numa nova vaga da literatura angolana, muito cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social daquela grande na\u00e7\u00e3o africana, gerada na sequ\u00eancia da independ\u00eancia, em 1975 e concretizada na p\u00f3s-guerra civil, com a vit\u00f3ria do MPLA. O p\u00edcaro, o humor que atravessam textos como os de Pepetela, nomeadamente os que s\u00e3o protagonizados pelo detective Jaime Bunda, ou de Ondjaki, sobre uma nova vaga de meninos-fam\u00edlia e dos seus tiques de novo-riquismo, ou, numa vis\u00e3o mais s\u00e9ria e comprometida a de Jos\u00e9 Eduardo Agualusa. A escrita de Jo\u00e3o Melo balan\u00e7a entre estes dois territ\u00f3rios narrativos: a an\u00e1lise mais s\u00e9ria da realidade angolana e da sua hist\u00f3ria recente, ou o desarmante p\u00edcaro com que desconstroi alguns figur\u00f5es da cena pol\u00edtica actual.<\/p>\n\n\n\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, a vertigem pelo dinheiro f\u00e1cil e pela opul\u00eancia que o poder permite, a mediocridade, a emp\u00e1fia de algumas criaturas que se passeiam pelas passadeiras da governan\u00e7a, fazem a subst\u00e2ncia de uma escrita poderosa e l\u00facida, que viaja pelos caminhos de um humor sadio, demolidor e cr\u00edtico, tendo como alvos privilegiados alguns t\u00edteres que ocupam as cadeiras do poder. \u00c9 uma forma de escrut\u00ednio dos abusos do poder, que entre n\u00f3s teve os seus cultores, como E\u00e7a, dos&nbsp;<em>Abranhos&nbsp;<\/em>e Jos\u00e9 Cardoso Pires e o seu&nbsp;<em>Dinossauro Excelent\u00edssimo,&nbsp;<\/em>e que a nova novel\u00edstica angolana prossegue com brilho.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Acumulador,&nbsp;<\/em>de Jo\u00e3o Melo, abre com um belo conto nost\u00e1lgico, sobre a inf\u00e2ncia do autor nos velhos bairros de Luanda, ainda ao tempo colonial, Kinaxixe, Maianga, Cazenga, Sambizanga, ao qual segue o conto que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 colect\u00e2nea, e que \u00e9, no seu p\u00edcaro de boa linhagem, uma reflex\u00e3o cr\u00edtica do passado colonial e suas feridas, e do pragmatismo que hoje comanda os destinos de Angola:&nbsp;<em>Quando, em 92, abandon\u00e1mos a maluquice de querer implantar o dito socialismo marxismo-leninismo nos tr\u00f3picos, a fim de regressarmos ao capitalismo, descobrimos que, afinal, n\u00e3o t\u00ednhamos capitalistas\u2026&nbsp;<\/em>Neste imbr\u00f3glio estrutural, o Estado tratou de criar, entre os seus apaniguados, uma s\u00e9rie de capitalistas, em estado novo. Eis a tese de Jo\u00e3o Melo, n\u00e3o isenta de atropelos e inusitados finais &#8211; que o n\u00e3o s\u00e3o, de todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um livro que olha para a realidade pol\u00edtica e social de Angola, com um discurso divertidamente cr\u00edtico, que se l\u00ea com prazer.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Acumulador,&nbsp;<\/em>de Jo\u00e3o Melo \u2013 Editorial Caminho\/2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Melo \u00e9 dos autores de maior prest\u00edgio da nova gera\u00e7\u00e3o da novel\u00edstica angolana. Nascido em Luanda, em 1955, estudou advocacia e jornalismo, foi um dos fundadores da Uni\u00e3o de Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras e Ci\u00eancias Sociais. Escritor profissional desde 2020, Jo\u00e3o Melo j\u00e1 publicou at\u00e9 este seu recente livro de contos, O Acumulador, mais de 26 t\u00edtulos, divididos entre poesia, conto, ensaio e um romance.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":8293,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8292"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8295,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8292\/revisions\/8295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8292"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}