{"id":8201,"date":"2024-07-10T15:25:19","date_gmt":"2024-07-10T15:25:19","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8201"},"modified":"2024-07-10T15:25:19","modified_gmt":"2024-07-10T15:25:19","slug":"maduro-maio-e-outros-contos-de-nuno-gomes-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/07\/10\/maduro-maio-e-outros-contos-de-nuno-gomes-dos-santos\/","title":{"rendered":"Maduro maio e outros contos,\u00a0de Nuno Gomes dos Santos"},"content":{"rendered":"\n<p>A narrativa&nbsp;<em>Maduro Maio,&nbsp;<\/em>passa pelo frustrado Golpe das Caldas, esp\u00e9cie de ensaio para o dia pleno que viria meses ap\u00f3s, e embala ancorado em personagem central do conto \u00e9 Jo\u00e3o, pintor da constru\u00e7\u00e3o civil, que a malta do reviralho estudantil confundir\u00e1 com um tipo&nbsp;<em>pintor das Belas Artes,&nbsp;<\/em>quem o mandou misturar-se com a matula das letras e das leis e sujeito a levar umas valentes cacetadas dos aprumados c\u00edvicos do fascismo salazarento.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o e os amigos, o T\u00f3, que morrer\u00e1 cedo, o Joaquim, a Lu\u00edsa, o Carlos, a Aida, gente simples de uma Lisboa de enrasques e desenrasques, a dados a tert\u00falias no sossego das tascas do bairro, a falar da vida e de outras quest\u00f5es mais largas e secretas, pelas quais tamb\u00e9m a vida concreta e vigiada das pessoas, que n\u00e3o nasceram com o traseiro virado pr\u00e1 Lua, tamb\u00e9m vinha \u00e0 li\u00e7a. Do Partido, quase todos, mas em modo de conversa de&nbsp;<em>faz-de-conta<\/em>, que a met\u00e1fora, nesses tempos, fazia agitar as meninges. A amizade, a camaradagem, a entreajuda, eram moeda de troca. At\u00e9 que surge Abril e o alvoro\u00e7o, a malta a fazer a festa e a ariscar em cima das chaimites, barreira intranspon\u00edvel para os que, meses antes, tinham ido ao beija-m\u00e3o a S. Bento jurar fidelidade a um Marcelo a tentar equilibra-se em ch\u00e3o podre. E Jo\u00e3o, o t\u00edmido Jo\u00e3o, a chegar atrasado \u00e0 festa maior, a esse Maio que inundou as ruas de Lisboa e onde Soares e Cunhal, ainda irmanados no mesmo prop\u00f3sito de fazer de Portugal algo de decente e justo, falaram \u00e0s massas num est\u00e1dio baptisado de 1\u00ba. de Maio, pleno de povo, de palavras de ordem, de esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O conto,&nbsp;<em>O Adeus \u00e0s Armas,&nbsp;<\/em>diz-nos da desobedi\u00eancia, do direito c\u00edvico de desobedecer a ordens de caserna, desobedecer no dia em que se soube, pela r\u00e1dio, que Salvador Allende tinha morrido. O cadete Gentil gritou,&nbsp;<em>alto e bom som, MERDA!&nbsp;<\/em>Depois deixou no ch\u00e3o a G-3, e afastou-se, o alferes ainda quis ir atr\u00e1s dele,&nbsp;<em>mas n\u00e3o lhe foi poss\u00edvel passar por uma barreira de cinco cadetes decididos, adultos, revoltados e muito, muito tristes.&nbsp;<\/em>O \u00faltimo conto do livro fala-nos de Etelvina, a jovem Etelvina que viu o seu companheiro ser preso pela Pide e lhe continuou a luta. Ser\u00e1 tamb\u00e9m presa, brutalmente torturada. E n\u00e3o disse nada, nunca falou. Sofreu \u00e0s m\u00e3os dos algozes a mais duras sev\u00edcias. E n\u00e3o falou. Passaram, os camaradas, a chamar-lhe, A Muda.<\/p>\n\n\n\n<p>Este livro de Nuno Gomes dos Santos aparece no tempo dos&nbsp;<em>monstros ressurectos.&nbsp;<\/em>Daqueles que, como escreveu Ary,&nbsp;<em>Abril venceu!<\/em>&nbsp;Dos que querem ocultar o Sol de Abril e ungir a noite das trai\u00e7\u00f5es e da perf\u00eddia que Novembro foi. Um livro que nos fala dos que lutaram e sofreram para que Abril acontecesse. Dos que n\u00e3o querem que o fascismo regresse, com outras m\u00e1scaras, mas com os mesmos prop\u00f3sitos e consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este novo livro, um conto longo, de 80 p\u00e1ginas, que d\u00e1 t\u00edtulo ao volume, e 3 contos, percorre com um verso \u00e1gil e solto os dias amplos de Abril e faz, em analepses breves, alus\u00f5es ao tempo do fascismo, nomeadamente as lutas estudantis dos anos 1960, as pris\u00f5es pol\u00edticas, a bufaria e os Pides pesquisadores de pepitas e utopias em mentes claras e livres.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":8202,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8201"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8201\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8204,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8201\/revisions\/8204"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8201"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}