{"id":8182,"date":"2024-07-10T15:16:36","date_gmt":"2024-07-10T15:16:36","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8182"},"modified":"2024-08-10T10:20:36","modified_gmt":"2024-08-10T10:20:36","slug":"hans-melo-o-que-eles-nos-pagam-mal-da-para-comer-e-pagar-o-arrendamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/07\/10\/hans-melo-o-que-eles-nos-pagam-mal-da-para-comer-e-pagar-o-arrendamento\/","title":{"rendered":"Hans Melo: \u201cO que eles nos pagam\u00a0mal d\u00e1 para comer\u00a0e pagar o arrendamento\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Quantas horas de trabalho \u00e9 que um estafeta pode chegar a fazer?<\/p>\n\n\n\n<p>O estafeta que realmente tem isto como primeira atividade, como primeiro sustento, na verdade, n\u00e3o tem um hor\u00e1rio definido. O que ele tem em mente \u00e9: eu preciso de voltar para casa com dinheiro. Ent\u00e3o, o normal \u00e9 que a gente passe das oito horas. Trabalhamos 10, 12, 14 e, \u00e0s vezes, at\u00e9 16 horas. Porque a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 bater aquela meta e a meta \u00e9: eu preciso de voltar com o suficiente para casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Teve de pagar o seu equipamento para trabalhar?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, estafetas, pagamos muita coisa. Por exemplo, pagamos o telem\u00f3vel, pagamos a internet desse telem\u00f3vel, a manuten\u00e7\u00e3o\u2026 j\u00e1 que o tempo todo ele est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 roupa, por exemplo, elas desgastam-se muito r\u00e1pido. Sai tudo do nosso bolso, combust\u00edvel, troca de \u00f3leo, troca de pneu. Absolutamente tudo. O estafeta \u00e9 que paga isso. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mota, eu comecei alugando, como a maioria dos estafetas come\u00e7am. E depois comprei, e foi quando a situa\u00e7\u00e3o melhorou um pouco, porque, em m\u00e9dia, o aluguer delas anda por volta dos 50 euros por semana. Ent\u00e3o, estamos falando por volta de 200 euros por m\u00eas. A m\u00e9dia do pre\u00e7o das mochilas varia por volta dos trinta e poucos euros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tem uma ideia de quantos quil\u00f3metros faz por dia?<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, med\u00edamos isso, at\u00e9 pela curiosidade. Logo quando come\u00e7amos a profiss\u00e3o. Hoje, n\u00e3o recordo, mas\u2026 com certeza, mais do que uns 100 quil\u00f3metros dentro da cidade. Pode ir a 150 km\u2026 J\u00e1 cheguei a trabalhar 200 km, entre becos e ruas estreitas, todos os dias e atr\u00e1s dos carros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 muitos acidentes no vosso setor?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, acidente \u00e9 com muita frequ\u00eancia. Normalmente, n\u00e3o h\u00e1 acidentes fatais, mas j\u00e1 tivemos alguns. Os estafetas passam semanas ou meses para ter uma recupera\u00e7\u00e3o. No meu caso, dois. Num deles, fiquei mais ou menos 60 dias praticamente sem poder trabalhar. E as empresas n\u00e3o cobrem nada disso. Elas at\u00e9 t\u00eam um seguro e quando \u00e9 acionado ele cobre, vamos dizer, aquelas coisas superficiais como arranh\u00f5es, um incha\u00e7o, um rem\u00e9dio para a dor. No meu caso, n\u00e3o precisei de cirurgia. Mas em casos mais graves, onde o estafeta precisa de cirurgia, s\u00e3o muitos os relatos de que as empresas ignoram e depois eles descobrem que o plano de assist\u00eancia que elas oferecem n\u00e3o cobre todas essas medidas necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Que tipo de v\u00ednculo t\u00eam com empresas como a Uber, a Glovo ou a Bolt?<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais distante poss\u00edvel, na verdade. Porque, por exemplo, se eu precisar agora de falar com a Uber ou a Glovo, n\u00e3o consigo, tinha que mandar um e-mail e aguardar. N\u00e3o consigo ter uma liga\u00e7\u00e3o direta com a empresa para resolver um problema urgente. \u201cAconteceu agora aqui um problema e preciso de falar com a empresa\u201d, n\u00e3o tem como, a n\u00e3o ser quando estou realmente com um pedido nas costas. S\u00f3 que, mesmo sem estar com esse pedido nas costas, por exemplo, digamos que eu esteja agora em frente a um McDonald\u2019s, eu j\u00e1 estaria ao servi\u00e7o dessas empresas e ao servi\u00e7o do cliente. Direta e indiretamente ao servi\u00e7o dessas empresas, porque j\u00e1 estou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Sen\u00e3o, eu estaria em casa, aguardando, assistindo um filme, mas eu n\u00e3o posso fazer isso. Porque elas chamam quem est\u00e1 no ponto e o ponto \u00e9 em frente \u00e0s lojas, n\u00e3o \u00e9? Elas v\u00e3o chamando num raio maior conforme n\u00e3o v\u00e3o encontrando algu\u00e9m dispon\u00edvel no raio mais pr\u00f3ximo \u00e0quele ponto. Ent\u00e3o, isso significa que eu tenho que estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o deles, obrigatoriamente, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do cliente, dos restaurantes e das empresas. S\u00f3 que essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito distante, com todos, absolutamente todos. Eles nos tratam realmente como prestadores de servi\u00e7os mas em rela\u00e7\u00e3o a todo o resto, na pr\u00e1tica, \u00e9 como se n\u00f3s fossemos funcion\u00e1rios. N\u00f3s pagamos por todo esse material e esses custos para manter a viatura, quando na verdade o dinheiro que eles nos pagam n\u00e3o \u00e9 suficiente, mal d\u00e1 para comer e pagar o arrendamento. Ent\u00e3o, o estafeta quase que vive para pagar o pr\u00f3prio trabalho, \u00e9 mais ou menos assim\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O estafeta pode recusar algum servi\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, como trabalhadores independentes, dever\u00edamos poder escolher realmente qualquer entrega, e termos os detalhes dessas entregas. Mas n\u00e3o colocam os detalhes das entregas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. A Glovo detalha um pouco mais a entrega, por exemplo, quanto paga por quil\u00f3metro, quanto paga por uma espera, mas detalha tudo s\u00f3 depois que voc\u00ea termina a entrega. Por exemplo, se ainda jogam uma segunda entrega eles n\u00e3o dizem quanto v\u00e3o pagar, fica tudo \u201cmascarado\u201d, s\u00f3 aparece a mensagem \u201ctem um nova entrega\u201d e sup\u00f5e-se que \u00e9 a mesma rota. Mas muitas vezes n\u00e3o \u00e9. \u00c9 um pedido para o norte e outro para o sul. E o cliente do norte vai ficar aguardando e n\u00e3o vai entender porque \u00e9 que eu recolhi o pedido dele primeiro, mas fui entregar ao cliente l\u00e1 do sul da cidade. E pensa: por que est\u00e1 indo ele para o lado errado, o lado contr\u00e1rio? E o estafeta s\u00f3 vai saber quanto vai receber pelos dois depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se vai reclamar, eles dizem: \u201cN\u00e3o, est\u00e1 correto, \u00e9 isso mesmo, \u00e9 tudo informatizado, o sistema j\u00e1 entende isso automaticamente e o computador n\u00e3o erra\u201d. Essa \u00e9 a resposta deles. S\u00f3 que a gente sabe que tem interven\u00e7\u00e3o humana o tempo todo, \u00e0s vezes eles corrigem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E h\u00e1 consequ\u00eancias quando recusam v\u00e1rios pedidos?<\/p>\n\n\n\n<p>No meu caso, eles nunca chegaram a bloquear a minha conta. Mas outros colegas contam que j\u00e1 receberam a advert\u00eancia e at\u00e9 j\u00e1 me enviaram&nbsp;<em>prints&nbsp;<\/em>dizendo \u201colha a minha conta foi sinalizada\u201d. Dantes, bloqueavam a pessoa por uma semana. A conta ficava realmente bloqueada, o acesso negado, e dizia: \u201cA sua conta estar\u00e1 bloqueada at\u00e9 ao dia tal porque voc\u00ea recusou muitas entregas\u201d. Com essa press\u00e3o que n\u00f3s estamos fazendo como estafetas e com a comunica\u00e7\u00e3o social junto, isso pressiona-os muito. Eles recuaram um pouco. Ent\u00e3o agora eles dizem: \u201cn\u00e3o, n\u00f3s damos autonomia porque s\u00e3o trabalhadores independentes, eles rejeitam quando querem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 f\u00e1cil rejeitar uma quarta seguida num hor\u00e1rio de muito movimento. Noutras vezes, estou parado uma hora e querem que eu saia por dois ou tr\u00eas euros. N\u00f3s muitas vezes n\u00e3o conseguimos tirar 4 euros por hora, nem 3 euros por hora. Por isso \u00e9 que o estafeta \u00e9 obrigado a escolher um pouco tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes est\u00e1 chovendo o dia todo e a Glovo implanta naquele momento o b\u00f3nus de chuva durante aquela uma ou duas horas, mas j\u00e1 choveu o dia todo. Eu n\u00e3o sei se eles est\u00e3o ali cobrando j\u00e1 do cliente por essa chuva durante todo o dia, mas para o estafeta esse valor n\u00e3o \u00e9 repassado. Por exemplo, digamos que o senhor pediu um kebab simples a 4,50 euros e a entrega foi de mais 4 euros. A pessoa olha e diz: \u201cCaramba, pedi um kebab de 4,50 euros e vou pagar mais 4 pela entrega. Tudo bem. Coitadinho do estafeta que est\u00e1 vindo nessa chuva, ele merece\u201d. S\u00f3 que \u00e0s vezes para o estafeta \u00e9 repassado apenas 2 euros. As empresas lucram em cima da entrega e lucram em cima do que elas cobram dos restaurantes, que vai ali por volta dos 20 ou 30%. At\u00e9 brinco dizendo que se os lojistas parassem para pensar eles deveriam estar junto connosco, com os estafetas, e fazer tamb\u00e9m as suas greves, porque \u00e9 absurdo, por exemplo, ter um restaurante, e deixar tanto \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Considera que os trabalhadores deviam ter um v\u00ednculo est\u00e1vel com essas plataformas?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim. A nossa principal reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 um tratamento, antes de mais, digno, e tamb\u00e9m uma consciencializa\u00e7\u00e3o. Normalmente, num ch\u00e3o de f\u00e1brica, por exemplo, as pessoas criam um v\u00ednculo, v\u00eaem-se umas \u00e0s outras todos os dias, o problema de uma \u00e9 diretamente o problema da outra. E depois visitam as casas uns dos outros, as pessoas viram amigos. No caso dos estafetas existe uma dificuldade nova. A rotatividade da profiss\u00e3o \u00e9 muito grande e n\u00e3o d\u00e1 tempo de criar um v\u00ednculo como numa empresa normal. Temos essa dificuldade para juntar os estafetas e um empenho muito grande em criar amizade com eles, em tentar conversar. Muitas vezes, deixamos de trabalhar para estar ali conversando, trocando ideias e ganhar confian\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Deveria haver um valor fixo m\u00ednimo imposto a estas empresas?<\/p>\n\n\n\n<p>Deve haver porque sen\u00e3o eles v\u00e3o continuar a nos explorar com essa ideia de que o estafeta escolhe o valor. Na verdade, s\u00e3o eles que escolhem quanto nos querem pagar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A maioria dos estafetas \u00e9 imigrante?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vou dizer 90% porque talvez seja um valor muito exato, mas com certeza mais de 80% \u00e9 imigrante. A esmagadora maioria \u00e9 brasileira. Talvez n\u00e3o em Lisboa porque h\u00e1 muitos asi\u00e1ticos. Mas no resto do pa\u00eds somos muitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Sente que as plataformas se sentem confort\u00e1veis por serem maioritariamente imigrantes e assim poderem pagar menos?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, por exemplo, depois das manifesta\u00e7\u00f5es que fizemos em Braga, os estafetas queixam-se de que os pagamentos diminu\u00edram ainda mais. Em Coimbra tamb\u00e9m. Digamos que eu vim sem a chamada manifesta\u00e7\u00e3o de interesse, agora j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais acesso. Consigo trabalhar no pa\u00eds? Consigo. Chego a uma frota, que vai ter um contato dentro da Uber e da Bolt. Se eu tiver 150 euros, passo a um dono de frota, ele passa uma parte a algu\u00e9m dentro da Uber, pegam documentos falsos. N\u00f3s lev\u00e1mos isso ao parlamento e dissemos que est\u00e3o ocorrendo muitos crimes. \u00c9 a\u00ed onde entra a lavagem de dinheiro, que acontece muito dentro dessas frotas, a sonega\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico humano, at\u00e9. Porque eles trazem pessoas, principalmente do M\u00e9dio Oriente, que t\u00eam dificuldades com a l\u00edngua, t\u00eam dificuldades com tudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles trazem essas pessoas para c\u00e1 prometendo emprego, prometendo um futuro. Quando chegam aqui, essas pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso mais aos documentos, eles ficam com os documentos dessas pessoas, e elas v\u00e3o para o delivery. Passam tr\u00eas, quatro meses ali no balc\u00e3o atendendo, dentro de uma loja de kebabs. Depois, t\u00eam contas e motas numa frota que t\u00eam ali entre eles e dizem: \u201cOlha, voc\u00eas v\u00e3o trabalhar, vamos dar a voc\u00eas alojamento, vamos dar a mota, vamos dar o combust\u00edvel\u2026 Agora no final do dia, voc\u00eas v\u00e3o dividir com a gente tudo o que voc\u00eas fizerem, a conta tamb\u00e9m \u00e9 minha. Voc\u00eas s\u00f3 v\u00e3o fazer a entrega\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hans Melo \u00e9 brasileiro, tem 38 anos e veio para Portugal h\u00e1 dois anos, \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. \u00c9 um dos milhares de estafetas que fazem entregas, sobretudo de refei\u00e7\u00f5es, em nossas casas. Num setor em que trabalham principalmente trabalhadores imigrantes, a precariedade e os baixos rendimentos levaram-nos a encabe\u00e7ar algumas formas de luta por dignidade e melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8183,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8182"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8182"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8319,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8182\/revisions\/8319"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8182"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}