{"id":8050,"date":"2024-06-05T08:32:24","date_gmt":"2024-06-05T08:32:24","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8050"},"modified":"2024-07-10T15:51:18","modified_gmt":"2024-07-10T15:51:18","slug":"fayez-badawi-a-uniao-europeia-e-cumplice-do-genocidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/06\/05\/fayez-badawi-a-uniao-europeia-e-cumplice-do-genocidio\/","title":{"rendered":"Fayez Badawi: \u201cA Uni\u00e3o Europeia \u00e9 c\u00famplice do genoc\u00eddio\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Onde nasceu?<\/p>\n\n\n\n<p>No L\u00edbano, em 1955. Nasci numa barraca. As barracas eram feitas de lata. Quando chovia, a \u00e1gua ca\u00eda em cima de mim. N\u00e3o havia luz no campo de refugiados de Tel al-Zaatar. Andei no liceu com um candeeiro a petr\u00f3leo. Nesse campo, dormia no ch\u00e3o. S\u00f3 soube o que era uma cama quando tinha 18 anos. Sou o mais novo de 10 filhos. Naquela altura, \u00e9ramos cinco. Um dos problemas era que os palestinianos no L\u00edbano n\u00e3o tinham direito a trabalhar, mas n\u00f3s trabalh\u00e1vamos na mesma. Os meus irm\u00e3os trabalhavam nos arredores do campo e o maior complexo industrial liban\u00eas ficava ao lado dos campos. Os meus irm\u00e3os trabalhavam do nascer ao p\u00f4r do sol, sem seguran\u00e7a social e com um sal\u00e1rio reduzido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E de onde vem a sua fam\u00edlia?<\/p>\n\n\n\n<p>A minha m\u00e3e era de uma aldeia nos arredores de Heifa, no norte da Palestina, que \u00e9 a cidade da minha camarada Leila Khaled. O meu pai da Galileia, de uma cidade chamada Shefahab. A aldeia da minha m\u00e3e foi destru\u00edda em 1948 e hoje em dia \u00e9 uma zona tur\u00edstica importante. Chama-se Kiryat Yam. Aquando da funda\u00e7\u00e3o, Israel destruiu 531 povoa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Os seus pais foram for\u00e7ados a partir?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, durante a Nakba [cat\u00e1stofre, em \u00e1rabe]. Eram camponeses. N\u00f3s somos bedu\u00ednos. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o palestiniana \u00e9 bedu\u00edna. A maioria trabalhava no campo. Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia muitos oper\u00e1rios porque n\u00e3o havia um desenvolvimento da classe trabalhadora como se conheceu na Europa. A minha fam\u00edlia participava na resist\u00eancia mas de forma clandestina. A opress\u00e3o brit\u00e2nica naqueles tempos era terr\u00edvel. Havia assassinatos continuamente. O meu irm\u00e3o mais velho era membro do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. A minha m\u00e3e participou na primeira revolu\u00e7\u00e3o palestiniana em 1929 e, com o meu pai, participaram na greve geral mais importante na Palestina, que foi em 14 de abril de 1936 e durou seis meses. E como consequ\u00eancia, veio a grande revolu\u00e7\u00e3o palestiniana que durou de 1936 a 1939. E por casualidade, o grande l\u00edder dessa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o era palestiniano. Era s\u00edrio. Vinha de Alepo e lutava contra o colonialismo franc\u00eas. Chamava-se Izzedin al-Qassam. \u00c9 por isso que o movimento Hamas tem brigadas armadas com o nome desse grande l\u00edder amado pelo povo palestiniano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como se conheceram os seus pais?<\/p>\n\n\n\n<p>O meu av\u00f4 era latifundi\u00e1rio. A minha m\u00e3e nasceu em 1901, como o meu pai. E a minha m\u00e3e apaixonou-se pelo meu pai e decidiu casar-se com ele. O meu av\u00f4 rejeitou. Como \u00e9 que a filha de um rico se vai casar com um pobre? E casou-se na mesma. A mulher tinha capacidade de decus\u00e3o j\u00e1 naquela \u00e9poca. Ela tinha o apoio dos vizinhos e casou-se contra a vontade do meu av\u00f4.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Depois de fugirem da Palestina, alguma vez viveram fora do acampamento?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, viveram ali at\u00e9 \u00e0 morte do meu pai. O meu pai morreu aos 71 anos. Precisamente em 1972. E aconteceu algo curioso. Depois da morte, chegaram os meus camaradas da Frente Popular para me dar os p\u00easames. Eu tinha apenas 17 anos. Descobri que estavam ali por ele e n\u00e3o por mim. O meu pai era respons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es da guerrilha clandestina do sul do L\u00edbano \u00e0 Galileia. Era membro do partido e eu n\u00e3o sabia. Isso deixou-me ainda mais triste. S\u00f3 soube depois da sua morte. Isso afetou-me. Era meu camarada e eu n\u00e3o sabia [emociona-se].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quando \u00e9 que se comprometeu a lutar pelo seu povo?<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me exatamente da data. Foi a 15 de maio de 1967. Nesse dia, estava a ir para a escola. Estava no sexto ano da escola prim\u00e1ria. E vi um rapaz cair no ch\u00e3o. Estava a ser agredido pela pol\u00edcia. E esse rapaz estava a distribuir propaganda a apelar a uma greve geral para o anivers\u00e1rio da Nakba, a cat\u00e1strofe, e os panfletos ca\u00edram e a pol\u00edcia secreta libanesa levou-o preso. Isso foi no campo de refugiados de Tel al-Zaatar. Comecei a distribuir essa propaganda. E foi assim que me envolvi na luta do meu povo. Depois de distribuir estes panfletos, conheci os camaradas do Movimento Nacionalista \u00c1rabe e comecei a faz\u00ea-lo regularmente. A Frente Popular nasceu a 11 de dezembro do mesmo ano. Quando nasceu, eu j\u00e1 era membro da organiza\u00e7\u00e3o. Era um mi\u00fado de 12 anos que trabalhava para a Frente. O meu primeiro trabalho foi como estafeta. Era um elemento de liga\u00e7\u00e3o. Quero dizer com isto que transportava propaganda do centro de Beirute para o acampamento, ou transportava armas ligeiras como granadas de m\u00e3o e pistolas. E foi assim que comecei na Frente Popular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E quando passou a incorporar a resist\u00eancia armada?<\/p>\n\n\n\n<p>A minha incorpora\u00e7\u00e3o na guerrilha foi em 1968. Tinha 13 anos. Tive a sorte de ser treinado por gente muito preparada. Foi assim que se deu o meu processo como guerrilheiro dentro da Frente Popular. Eu cresci com os fundadores. Era como um filho para George Habash [secret\u00e1rio-geral da FPLP], era como um irm\u00e3o para a Leila Khaled, era amigo de Ghassan Kanafani. Eu cresci naquele ambiente de camaradagem e amizade. Tamb\u00e9m eram duros comigo. Tampouco eram meigos [ri-se]. Por isso, at\u00e9 aos dias de hoje continuo a dar tudo pela nossa causa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Estava no L\u00edbano, em 1982, quando se deu a invas\u00e3o isralita.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, o partido chamou-me para que me incorporasse na guerrilha. Eu vinha da ala militar. Isto foi em janeiro desse ano. Estava em Beirute. Esper\u00e1vamos que Israel atacasse mas n\u00e3o atacava. Ia viajar no dia 8 de junho mas Israel atacou no dia 6. Juntei-me imediatamente \u00e0 luta armada. Eu pertencia ao Quartel-General da resist\u00eancia mas ao mesmo tempo participava no eixo da defesa de Beirute desde o aeroporto at\u00e9 um acampamento palestiniano que se chama Mar Elias, at\u00e9 \u00e0 f\u00e1brica de Coca-Cola e at\u00e9 \u00e0 Universidade \u00c1rabe de Beirute. T\u00ednhamos uma coluna de choca contra os israelitas. Estive na resist\u00eancia at\u00e9 ao fim, quando houve um acordo para a sa\u00edda da resist\u00eancia palestiniana para o I\u00e9men, S\u00edria ou Arg\u00e9lia. Eu pedi ao partido para ficar. Eu sou do L\u00edbano e n\u00e3o vou sair. Os meus pais est\u00e3o no L\u00edbano e prefiro continuar na resist\u00eancia clandestina armada. Foi assim at\u00e9 \u00e0 matan\u00e7a de Sabra e Chatila quando j\u00e1 perdi os nervos. Tive de sair de forma clandestina do L\u00edbano e tive de passar com documenta\u00e7\u00e3o falsa oito postos de controlo militares israelitas e fascistas libaneses, refiro-me ao Partido Falangista Liban\u00eas. Cheguei ao Vale do Beqaa rumo \u00e0 S\u00edria, tinha os nervos destru\u00eddos. Ainda que sejas muito forte, \u00e9s um ser humano. Quando enterras gente da matan\u00e7a de Sabra e Chatila, como no meu caso em que enterrei 26 pessoas da minha fam\u00edlia com as minhas pr\u00f3prias m\u00e3os, isso afeta-te muito. Cheguei \u00e0 S\u00edria e disse que n\u00e3o aguentava mais. Estive quase dois anos sem qualquer atividade pol\u00edtica. Foi ent\u00e3o que parti para a Europa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quando come\u00e7ou a atividade na Europa?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu cheguei \u00e0 Europa de forma clandestina. Assim estive at\u00e9 2002. Assumi publicamente a minha milit\u00e2ncia na Europa precisamente quando metem a FPLP na lista de organiza\u00e7\u00f5es terroristas. Com que direito a Europa nos metia em tal lista? Com que direito? Terrorista \u00e9 o Estado de Israel, o sionismo, o imperialismo. N\u00e3o n\u00f3s. Rejeit\u00e1mos que nos chamassem terroristas. Um exemplo muito claro foi Nelson Mandela que tamb\u00e9m era considerado terrorista e depois deram-lhe o Nobel da Paz. A n\u00f3s n\u00e3o nos d\u00e1 medo porque estamos num momento em que tanto nos d\u00e1 a vida como a morte. Mas prefiro morrer com dignidade, morrer de p\u00e9, n\u00e3o viver ajoelhado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Foi o porta-voz da FPLP na Europa durante d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, mas hoje dou confer\u00eancias j\u00e1 n\u00e3o como porta-voz, apenas como membro do partido. Como membro do povo palestiniano. Porque a resist\u00eancia palestiniana hoje \u00e9 quem manda. Se n\u00e3o fosse pela for\u00e7a do povo, n\u00e3o duravamos nem uma semana. A resist\u00eancia em Gaza dura h\u00e1 mais de sete meses. Por que \u00e9 forte a resist\u00eancia? Porque h\u00e1 um povo detr\u00e1s. A resist\u00eancia s\u00e3o os filhos do povo. N\u00e3o \u00e9 uma resist\u00eancia desconectada de quem ali vive.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Mas houve muitas cr\u00edticas e condena\u00e7\u00f5es \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia palestiniana no 7 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, quero deixar algo muito claro. Todos os que criticaram a resist\u00eancia palestiniana, ou n\u00e3o conhecem a hist\u00f3ria do povo palestiniano ou \u00e9 c\u00famplice dos crimes de Israel. Por acaso, o mundo n\u00e3o sabia que h\u00e1 7 milh\u00f5es de refugiados? Por acaso, o mundo n\u00e3o sabia que Gaza \u00e9 o maior campo de concentra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria? Por acaso, o mundo n\u00e3o sabia que a Cisjord\u00e2nia se transformou num gueto? Por acaso, n\u00e3o sabia que Israel entra quando quer na Cisjord\u00e2nia, assassina e destr\u00f3i casas e ataca fam\u00edlias? Quem nos ataca n\u00e3o conhece a realidade e n\u00f3s, como palestinianos, estamos orgulhosos do 7 de outubro porque foi uma resposta aos crimes de guerra contra n\u00f3s levados a cabo pelo imperialismo encabe\u00e7ado pelos Estados Unidos e a cumplicidade ou a atua\u00e7\u00e3o ou a participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia. A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 c\u00famplice dos assassinatos de Israel. Especialmente, a Alemanha e a Fran\u00e7a. E tamb\u00e9m Inglaterra. O 7 de outubro foi uma a\u00e7\u00e3o bem preparada, n\u00e3o pelo Hamas como todos dizem agora mas por todos os bra\u00e7os armados das organiza\u00e7\u00f5es palestinianas, incluindo o da Fatah.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ainda assim, \u00e9 criticada a morte de civis israelitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem diz isso, n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o conhe\u00e7a a hist\u00f3ria. \u00c9 c\u00famplice. Eu fa\u00e7o distin\u00e7\u00e3o entre meios de comunica\u00e7\u00e3o e jornalistas. Os jornalistas que mostraram o que realmente aconteceu foram assassinados. Israel assassinou 160 jornalistas para que n\u00e3o saiam not\u00edcias de Gaza. A resist\u00eancia palestiniana enganou a CIA e a Mossad. Atacou os arredores de Gaza na opera\u00e7\u00e3o Dil\u00favio Al-Aqsa. A resist\u00eancia atacou atrav\u00e9s de 17 sa\u00eddas de Gaza atrav\u00e9s de parapentes fabricados por n\u00f3s e atacou tamb\u00e9m com motos e camionetas. O primeiro ponto atacado foi o quartel-general do ex\u00e9rcito israelita, tamb\u00e9m o quartel-general da Mossad. E pela primeira vez na hist\u00f3ria, a resist\u00eancia supera a intelig\u00eancia do Estado de Israel. Levaram documenta\u00e7\u00e3o. Assim como levaram presos para libertar os nossos das pris\u00f5es israelitas. Durante 48 horas, eram apenas 1200 guerrilheiros. Muitos iam camuflados com uniformes do ex\u00e9rcito israelita. Foram eles que bombardearam o festival. Para mim e para o meu povo, todo aquele que est\u00e1 no Estado de Israel \u00e9 um colono. Os colonos israelitas andam armados e est\u00e3o contra a popula\u00e7\u00e3o palestiniana. Nesse sentido, consideramo-los militares. Portanto, temos de defender a nossa causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Contudo, h\u00e1 israelitas que est\u00e3o contra a forma como o Estado de Israel atua.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, mas eu convido esses israelitas que est\u00e3o contra a forma como o Estado israelita atua que voltem \u00e0s suas casas. Que voltem \u00e0 Pol\u00f3nia, que voltem \u00e0 Ucr\u00e2nia, que voltem a Espanha, que voltem a Fran\u00e7a. A Palestina est\u00e1 ocupada por um movimento que se chama movimento sionista. Isso \u00e9 o melhor favor que nos fariam. Como se pode ser israelita e ser pela paz? Apoiar a Palestina \u00e9 defender uma Palestina do rio at\u00e9 ao mar. H\u00e1 muitos que nos acusam de ser anti-semitas. Mas se semitas somos precisamente n\u00f3s os palestinianos. Algu\u00e9m da Pol\u00f3nia ou da Argentina n\u00e3o \u00e9 semita. A sociedade israelita \u00e9 fabricada, \u00e9 artificial. Para n\u00f3s, como o cristianismo, o juda\u00edsmo \u00e9 uma religi\u00e3o e n\u00e3o uma entidade popular. N\u00e3o \u00e9 um povo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tamb\u00e9m vos acusam de manter as mulheres sem direitos em Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que n\u00e3o dizem isso da Ar\u00e1bia Saudita e por que temos n\u00f3s na Palestina dirigentes guerrilheiras palestinianas? Temos uma brigada de mulheres. Para al\u00e9m disso, somos um povo mais civilizado do que muitos na Europa. A viol\u00eancia de g\u00e9nero como h\u00e1 na Europa n\u00f3s n\u00e3o a conhecemos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Acusaram-vos de violar mulheres no \u00e2mbito da opera\u00e7\u00e3o do 7 de Outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que n\u00e3o deixam falar publicamente as mulheres que estavam sequestradas e que foram depois libertadas? Essas mulheres tinham prote\u00e7\u00e3o de mulheres da resist\u00eancia. Eu sou laico e sou marxista mas na religi\u00e3o mu\u00e7ulmana \u00e9 proibido tratar as mulheres de forma violenta. Para al\u00e9m disso, na religi\u00e3o mu\u00e7ulmana, um preso tem de ser tratado com dignidade. N\u00e3o como Israel nos trata nas pris\u00f5es. A CNN dizia que o Hamas tinha decapitado 40 beb\u00e9s israelitas. \u00c9 mentira. At\u00e9 o Le Monde pediu desculpa porque transmitiu uma not\u00edcia falsa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como olha para este genoc\u00eddio em curso e para o papel da comunidade internacional?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 indignante. O direito internacional serve para defender os interesses do imperialismo. O exemplo mais claro \u00e9 que h\u00e1 dois pesos e duas medidas em rela\u00e7\u00e3o ao que se passa na Ucr\u00e2nia. O que acontece ali n\u00e3o chega nem ao 0,1% do que acontece em Gaza. Ainda assim, a Uni\u00e3o Europeia acusa Putin de imperialista, de assassino, de que h\u00e1 que fazer um embargo. E por que n\u00e3o fazem o mesmo com Netanyahu? Simplesmente porque o Estado de Israel \u00e9 um Estado europeu. Foi fundado por colonos europeus. Israel participou no festival da Eurovis\u00e3o, por que n\u00e3o participou tamb\u00e9m a R\u00fassia? Isto \u00e9 a vergonha do chamado mundo livre. Assassinaram 17 mil crian\u00e7as, assassinaram 10 mil mulheres, a maioria m\u00e3es, h\u00e1 mais de 18 mil meninas e meninos \u00f3rf\u00e3os. A comunidade internacional \u00e9 c\u00famplice do que est\u00e1 a acontecer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como olha para os tempos que v\u00eam?<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado de Israel j\u00e1 n\u00e3o tem sentido. Vai cair. Quanto tempo vai durar? Mais 10 ou 20 anos? Fran\u00e7a tinha a Arg\u00e9lia colonizada durante 132 anos e no fim os franceses tiveram de abandonar a Arg\u00e9lia. Isso \u00e9 o que vai acontecer na Palestina. N\u00e3o v\u00e3o conseguir fazer connosco o que fizeram na Austr\u00e1lia. Eliminaram os ind\u00edgenas, os abor\u00edgenes, e fizeram a Austr\u00e1lia. A Palestina vai ser do povo palestiniano e de todos os que queiram viver em paz connosco. Quem decide o futuro do meu povo \u00e9 o meu povo. N\u00e3o vamos tolerar li\u00e7\u00f5es de ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rico da Frente Popular de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, cresceu com George Habash, Leila Khaled e Ghassan Kanafani. O antigo porta-voz da organiza\u00e7\u00e3o, durante d\u00e9cadas, na Europa, aceitou conversar com A Voz do Oper\u00e1rio sobre a sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica, a resist\u00eancia e o assassinato de mais de 35 mil palestinianos em Gaza.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8051,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8050"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8050"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8240,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8050\/revisions\/8240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8050"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}