{"id":8015,"date":"2024-05-03T13:06:17","date_gmt":"2024-05-03T13:06:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8015"},"modified":"2024-05-03T13:06:18","modified_gmt":"2024-05-03T13:06:18","slug":"em-choque-com-o-choque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/05\/03\/em-choque-com-o-choque\/","title":{"rendered":"Em choque com o choque"},"content":{"rendered":"\n<p>Sendo honestos, n\u00e3o podemos estar surpreendidos com o que foi proposto pelo atual governo. Uma devolu\u00e7\u00e3o de 2,16 euros mensais para quem ganha at\u00e9 1.000 euros de sal\u00e1rio bruto, ao passo que, quem ganha 5.000 euros ter\u00e1 um desagravamento de 42,66 euros. De acordo com a proposta da AD, quem ganha cinco vezes mais do que quem ganha 1.000 euros ter\u00e1 um retorno quase 20 vezes superior. Nada disto \u00e9 novo. Sempre que a direita anuncia um choque, uma reforma estrutural, um livro branco, j\u00e1 sabemos que quem menos tem e menos ganha, ser\u00e1 sempre prejudicado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em ponto morto\u2026<\/h2>\n\n\n\n<p>Com elei\u00e7\u00f5es Europeias \u00e0 porta, o governo est\u00e1 a empurrar com a barriga uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que se comprometeu a resolver rapidamente. O suplemento para as for\u00e7as e servi\u00e7os de seguran\u00e7a, as carreiras e sal\u00e1rios dos trabalhadores do SNS, dos trabalhadores da \u00e1rea da Justi\u00e7a, bem como a recupera\u00e7\u00e3o do tempo de servi\u00e7o dos professores, que h\u00e1 de vir, faseada em quatro anos, l\u00e1 para 2025. Pelo meio, apresenta na Assembleia da Rep\u00fablica um Pacto de Estabilidade e Crescimento que \u00e9 o do anterior governo. Vamos tendo, quase dois meses depois das elei\u00e7\u00f5es, um governo sem maioria que quer esperar pelo Or\u00e7amento do Estado de 2025 para resolver problemas que, at\u00e9 dia 10 de mar\u00e7o, eram de resolu\u00e7\u00e3o urgente, havendo mesmo quem avan\u00e7asse com a possibilidade de ser apresentado um or\u00e7amento retificativo para comodar estas reivindica\u00e7\u00f5es. Pelo caminho, fica o circo montado em torno da presid\u00eancia da Assembleia da Rep\u00fablica, com o governo a demonstrar uma inabilidade chocante, mais a novela em torno do cabe\u00e7a de lista da AD \u00e0s elei\u00e7\u00f5es Europeias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u2026 ou em marcha-atr\u00e1s\u00a0<\/h2>\n\n\n\n<p>O programa de governo, cuja rejei\u00e7\u00e3o apresentada por PCP e BE acabou por ser inviabilizada, prepara-se j\u00e1 para andar para tr\u00e1s no que respeita \u00e0s quest\u00f5es da habita\u00e7\u00e3o. O programa +Habita\u00e7\u00e3o era extremamente insuficiente, na sua globalidade, mas tinha, aqui e ali, alguns m\u00e9ritos, por exemplo, no que respeita aos alojamentos de curta dura\u00e7\u00e3o, fator de enorme press\u00e3o para o aumento brutal das rendas. Logo nos primeiros conselhos de ministros, a direita decidiu que o liberalismo que nos trouxe at\u00e9 \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica que vivemos, ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">50 anos de liberdade<\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto no parlamento a extrema-direita fugia da Gr\u00e2ndola, por todo o pa\u00eds preparavam-se os desfiles do 25 de Abril. Outros, os chamados liberais, decidiram desfilar com a palavra de ordem \u201c25 de Abril sempre! Comunismo nunca mais\u201d, demonstrando n\u00e3o s\u00f3 um enorme desrespeito para os que sofreram e morreram \u00e0s m\u00e3os do fascismo, mas tamb\u00e9m uma tentativa desesperada de reescrever a Hist\u00f3ria, com uma esp\u00e9cie de daltonismo pol\u00edtico que os fez usar cravos brancos. Foram tantos os milhares de cravo em punho erguido que encheram pra\u00e7as e avenidas, incluindo na Galiza, onde os nossos irm\u00e3os do norte sa\u00edram \u00e0 rua para celebrarem Zeca Afonso e o 25 de Abril, fosse em Santiago ou em Pontevedra. Foi uma tarde de enorme mobiliza\u00e7\u00e3o popular em torno dos ideais de Abril, numa \u00e9poca de agravamento do ambiente pol\u00edtico em Portugal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As datas redondas<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que meio s\u00e9culo de liberdade ter\u00e1 feito com que mais gente tenha sa\u00eddo \u00e0 rua nas celebra\u00e7\u00f5es deste ano. Falta perceber e, provavelmente, s\u00f3 o saberemos para o ano, se ser\u00e1 conjuntural ou estrutural. Ou seja, se os avan\u00e7os da extrema-direita dentro e fora do parlamento despertaram consci\u00eancias para a necessidade de defender a liberdade e a democracia. Se a consci\u00eancia de que a liberdade n\u00e3o \u00e9 um dado adquirido, que agora vemos agora diante dos nossos olhos, fez acordar tamb\u00e9m as gera\u00e7\u00f5es mais novas para aquela frase batida que diz que quem adormece em democracia acorda em ditadura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O genoc\u00eddio invis\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p>Nas comemora\u00e7\u00f5es do 25 de Abril viram-se, tamb\u00e9m, bandeiras da Palestina, onde continua o genoc\u00eddio promovido por Israel, sem que as pot\u00eancias ocidentais sejam capazes de mexer um dedo para travar os massacres. Nos \u00faltimos dias, foram encontradas valas comuns com palestinianos assassinados junto ao hospital de Al-Shifa, o tal que era, como pelos vistos todo o territ\u00f3rio de Gaza, uma base do Hamas. Da vala comum foram retirados profissionais de sa\u00fade ainda com bata vestida e as m\u00e3os amarradas. Nos telejornais, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 clamor, passou para os minutos finais e talvez volte a merecer destaque quando o ex\u00e9rcito colonial de Israel avan\u00e7ar sobre Raffah. Os mais de 34.000 mortos, mais de metade mulheres e crian\u00e7as, continuar\u00e3o esquecidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds ficou em choque com a perce\u00e7\u00e3o de que, afinal, o grande choque fiscal da AD era um complemento ao outro choque, mas o do PS. Este choque anunciado pela AD faz lembrar quando, em mi\u00fados, p\u00fanhamos a l\u00edngua numa pilha de nove volts, para ver estava carregada. Pelo menos para os sal\u00e1rios mais baixos.<\/p>\n","protected":false},"author":70,"featured_media":8016,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[54],"tags":[],"coauthors":[166],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8015"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/70"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8015"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8015\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8018,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8015\/revisions\/8018"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8015"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}