{"id":8006,"date":"2024-05-03T10:19:29","date_gmt":"2024-05-03T10:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8006"},"modified":"2024-05-03T10:19:30","modified_gmt":"2024-05-03T10:19:30","slug":"a-linha-circular-ou-o-carrocel-dos-fundos-imobiliarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/05\/03\/a-linha-circular-ou-o-carrocel-dos-fundos-imobiliarios\/","title":{"rendered":"A Linha Circular ou o carrocel\u00a0dos Fundos Imobili\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando, h\u00e1 aproximadamente um ano, o Metro iniciou as obras da Linha Circular no Campo Grande, solu\u00e7\u00e3o que une as Linhas Amarela e Verde numa s\u00f3, ligando o Rato ao Cais de Sodr\u00e9, milh\u00f5es de pessoas que usam o Metro como principal solu\u00e7\u00e3o de mobilidade viveram um cen\u00e1rio catastr\u00f3fico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos foram muitos, mas a op\u00e7\u00e3o, que tem a chancela da Administra\u00e7\u00e3o do Metro, do PS, ent\u00e3o no governo e na autarquia lisboeta, teimou em fechar a cidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da periferia. O resultado \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do Metro de Lisboa numa solu\u00e7\u00e3o de mobilidade para o turista, dando prioridade aos interesses dos grandes fundos imobili\u00e1rios que v\u00eam transformando Lisboa numa cidade de turistas, com uma popula\u00e7\u00e3o residente cada vez mais reduzida e envelhecida. Com pouco mais de meio milh\u00e3o de pessoas, Lisboa vai-se transformando numa cidade de m\u00e9dia ou pequena dimens\u00e3o. \u00c9 a migra\u00e7\u00e3o pendular, sobretudo da periferia de Lisboa que lhe d\u00e1 a dimens\u00e3o cosmopolita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os Censos de 2021 s\u00e3o claros: a cidade que teve 807 mil residentes em 1980 est\u00e1, neste momento, reduzida a 547 mil. Mostram como a maioria da popula\u00e7\u00e3o ativa, que diariamente p\u00f5e em funcionamento hospitais, escolas, minist\u00e9rios, bancos, restaurantes dando vida e dimens\u00e3o cosmopolita a Lisboa \u00e9 fruto da migra\u00e7\u00e3o pendular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Moita, Seixal e Odivelas s\u00e3o tr\u00eas dos concelhos cujo n\u00edvel de emprego corresponde a menos de metade da popula\u00e7\u00e3o residente ativa empregada, ao contr\u00e1rio de Lisboa e Porto que, como refere o INE, se destacam entre 40 munic\u00edpios, localizados de forma dispersa no pa\u00eds, em que o n\u00famero de empregados \u00e9 superior \u00e0 popula\u00e7\u00e3o residente empregada. Isto \u00e9, no caso da capital, os movimentos pendulares que fornecem a Lisboa trabalhadores e estudantes est\u00e3o e v\u00e3o crescer, e uma das entradas, para al\u00e9m de Sintra e Cascais, s\u00e3o Odivelas e Loures.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Linha Circular olha para o turismo em preju\u00edzo desta popula\u00e7\u00e3o, sobretudo da que reside no bra\u00e7o norte da \u00c1rea Metropolitana de Lisboa, mas tamb\u00e9m desistindo da popula\u00e7\u00e3o da Linha do Estoril, cuja liga\u00e7\u00e3o ferrovia\/Metro beneficiaria com a extens\u00e3o da Linha Amarela do Rato at\u00e9 Alc\u00e2ntara.<\/p>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o da Linha Circular tem muitas outras consequ\u00eancias. Ao prolongar o tempo de viagem casa-trabalho\/escola-casa, convida-se esta popula\u00e7\u00e3o a usar viatura particular, fazendo disparar os n\u00edveis de congestionamento rodovi\u00e1rio e de emiss\u00e3o de gazes poluentes. Somar mais um transbordo num trajeto de metro significa retirar pelo menos meia hora di\u00e1rio \u00e0 fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A contesta\u00e7\u00e3o teve v\u00e1rios momentos e express\u00f5es. Por proposta do PCP, a Assembleia da Rep\u00fablica aprovaria em 2019, uma altera\u00e7\u00e3o ao Or\u00e7amento de Estado, mas nem isso demoveria o governo PS que adjudicou a empreitada. Em fevereiro de 2020 o ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara Municipal de Loures, Bernardino Soares, escreveria uma carta ao ent\u00e3o primeiro-ministro, pressionando-o a avan\u00e7ar com a expans\u00e3o do Metro para Loures aproveitando o quadro comunit\u00e1rio. Em abril de 2020 a C\u00e2mara Municipal de Lisboa aprovaria, por proposta do PCP e votos a favor de CDS, PSD e BE, uma mo\u00e7\u00e3o contra o projeto da Linha Circular. Entretanto, e dado o argumento do risco de se perder os 83 milh\u00f5es de euros de fundos Europeus destinados a esta obra, o deputado da CDU no Parlamento Europeu, Jo\u00e3o Ferreira questionou a Comiss\u00e3o Europeia que, em resposta, garantia que as verbas em causa, poderiam ser transferidos para outros projetos. Face aos constrangimentos das obras da Linha Circular, a Junta de Freguesia do Lumiar reuniria com o Ministro Duarte Cordeiro e este declararia que a Linha em La\u00e7o era uma op\u00e7\u00e3o. Recorde-se que a solu\u00e7\u00e3o da Linha em La\u00e7o permite que a Linha Circular conviva com a Linha Amarela tal como est\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Governo e a autarquia de Lisboa mudaram de cor partid\u00e1ria, mas ainda n\u00e3o foi travada a Linha Circular no respeito pelas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas assumidas anteriormente e pelas popula\u00e7\u00f5es da periferia que trabalham e estudam em Lisboa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando, h\u00e1 aproximadamente um ano, o Metro iniciou as obras da Linha Circular no Campo Grande, solu\u00e7\u00e3o que une as Linhas Amarela e Verde numa s\u00f3, ligando o Rato ao Cais de Sodr\u00e9, milh\u00f5es de pessoas que usam o Metro como principal solu\u00e7\u00e3o de mobilidade viveram um cen\u00e1rio catastr\u00f3fico.&nbsp; Os protestos foram muitos, mas a &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/05\/03\/a-linha-circular-ou-o-carrocel-dos-fundos-imobiliarios\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">A Linha Circular ou o carrocel\u00a0dos Fundos Imobili\u00e1rios<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":8007,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"coauthors":[186],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8006"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8006"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8009,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8006\/revisions\/8009"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8006"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}