{"id":7959,"date":"2024-04-29T18:08:12","date_gmt":"2024-04-29T18:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7959"},"modified":"2024-04-29T18:10:47","modified_gmt":"2024-04-29T18:10:47","slug":"karl-marx-e-deturpado-mas-esta-sempre-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/04\/29\/karl-marx-e-deturpado-mas-esta-sempre-vivo\/","title":{"rendered":"\u201cKarl Marx \u00e9 deturpado, mas est\u00e1 sempre vivo\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Marx \u00e9 uma s\u00famula hist\u00f3rica do melhor da filosofia, economia, pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pr\u00f3prio \u00e9 uma s\u00famula inacabada. Quando Marx morreu, em 1883, estava a aprofundar o estudo das ci\u00eancias da natureza\u2026 Ele beneficiou de Darwin, de Adam Smith\u2026 beneficiou de tudo o que lhe foi anterior e transmitiu-nos, \u00e0 sua luz, tudo a que foi chegando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele\u2026 e o companheiro \u201cc\u00famplice\u201d Engels, uma figura que, na pr\u00f3pria vida, \u00e9 um exemplo de continuidade e de mudan\u00e7a, de altero e auto-cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Engels \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental nesta vida?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Capital<\/strong> \u00e9 o exemplo disso. Marx s\u00f3 publicou o primeiro livro. Os outros foram todos editados por Engels a partir de apontamentos, notas, cadernos\u2026 uma s\u00e9rie de documentos que Marx deixou, mas n\u00e3o em estado de serem publicados. S\u00e3o tr\u00eas volumes em oito tomos<s>,<\/s> e foi Engels que tudo organizou a partir da base material que Marx deixou. Foi fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, o <strong>Manifesto do Partido Comunista<\/strong>, em 1848, \u00e9 da autoria dos dois. Al\u00e9m de que tamb\u00e9m h\u00e1 algumas obras s\u00f3 dele. \u00c9 uma figura important\u00edssima no marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Qual \u00e9 a vig\u00eancia de Marx atualmente? H\u00e1 quem tente escond\u00ea-lo, arrum\u00e1-lo na hist\u00f3ria\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Tem a vig\u00eancia da vida! Porque as coisas v\u00e3o acontecendo por forma que fazem desmentir todos esses esfor\u00e7os de tirar valor ao contributo de Marx. O pensamento de Marx tem a import\u00e2ncia imprescind\u00edvel, para n\u00f3s percebermos hoje o que se est\u00e1 a passar, de ter descoberto tr\u00eas ou quatro coisas que s\u00e3o fundamentais. E teve a mod\u00e9stia de dizer <em>\u2018o que fiz de importante foi isto\u2026\u2019<\/em> mas n\u00e3o falava n\u2019<strong>O Capital<\/strong>, no <strong>Manifesto<\/strong>\u2026, falava em tr\u00eas ou quatro ideias que n\u00e3o atribuiu a si, que atribuiu a ter tido a capacidade de pegar em ideias de outros e transform\u00e1-las em novas, juntando a todas as outras. Num momento hist\u00f3rico, Marx teve a capacidade de apanhar tudo o que recolheu dos outros e dar-lhe um salto qualitativo. Ali\u00e1s, isso tem a ver com a dial\u00e9tica, com a filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tendo Marx descoberto elementos chave para interpretar a realidade, tamb\u00e9m dizia que mais importante \u00e9 transformar o mundo, quais s\u00e3o os contributos nesse aspecto?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a sua \u00faltima tese sobre Feuerbach. Porque \u00e9 que eu estou a sublinhar isto? \u00c9 que Marx, numa fase de descoberta, deu com a filosofia e \u00e9 com Feuerbach que se torna materialista porque at\u00e9 a\u00ed estava influenciado pelo idealismo hegeliano. Quando passa por Feuerbach, elabora uma s\u00e9rie de teses em que a \u00faltima \u00e9 essa, e torna-se materialista. Essa frase passa a ser c\u00e9lebre num momento ainda recuado do pensamento de Marx. Em que est\u00e1 longe de dizer <strong>como<\/strong> passar da especula\u00e7\u00e3o sobre o mundo \u2013 sobre a sociedade, sobre o homem, sobre o ser humano\u2026 \u2013 para a sua transforma\u00e7\u00e3o mas afirma a sua necessidade. S\u00f3 mais tarde, no seu percurso, \u00e9 que chega \u00e0 economia, \u00e0 economia pol\u00edtica, a come\u00e7ar com os <strong>manuscritos<\/strong> e a acabar n\u2019<strong>O Capital<\/strong>. Esta fase ser\u00e1 a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica num pensamento integrado e que n\u00e3o existiria sem o que a antecede.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que uma das grandes mistifica\u00e7\u00f5es ou aldrabices contra Marx tem a ver com a preocupa\u00e7\u00e3o de o dividir em duas fases: o jovem Marx e o Marx revolucion\u00e1rio. N\u00e3o! Nessa passagem que tu referiste est\u00e1 em evolu\u00e7\u00e3o do especulativo para o transformador. Transformar, como? E a\u00ed aparece a apreens\u00e3o do funcionamento da economia. \u00c9 a fase final do percurso que acabou com a morte dele, mas que continuou com Engels e que tem de continuar connosco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Mas que aspectos da vida e da obra de Marx \u00e9 que contribu\u00edram para a transforma\u00e7\u00e3o daquele tempo?<\/p>\n\n\n\n<p>Claramente a no\u00e7\u00e3o de mais-valia. A partir da teoria do valor e do car\u00e1cter dual do trabalho; da leitura hist\u00f3rica de que os seres humanos, pela sua posi\u00e7\u00e3o no processo de aproveitar os recursos pelo trabalho criador para satisfazer necessidades, h\u00e1 um momento em que se dividem em classes sociais. E como \u00e9 que elas v\u00e3o mudando. Como \u00e9 que a classe burguesa, desde o final do s\u00e9culo XVIII, \u00e9 predominante, e \u00e9 dominante atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o de mais-valia por ser propriet\u00e1ria de meios de produ\u00e7\u00e3o, e criou a classe oper\u00e1ria e o assalariato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ainda hoje a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 central do poder pol\u00edtico econ\u00f3mico<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9. Mas com dados novos e facetas novas. N\u00e3o \u00e9 evidente porque, como resposta de um processo hist\u00f3rico, que corresponde \u00e0quilo que \u00e9 a leitura hist\u00f3rica que colhemos em Marx, h\u00e1 que perceber como \u00e9 que neste processo, em que o motor ser\u00e1 a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades \u2013 como seres humanos temos necessidades: de comer, de nos abrigar, de lutar contra outros animais, de preservar o meio-ambiente &#8230; \u2013, como \u00e9 que este processo tende a evoluir atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de meios e, para isso, sabendo que esses meios se v\u00eam transformando a cada momento. Era muito claro e era muito evidente, na altura do Marx, que o oper\u00e1rio, com os meios de produ\u00e7\u00e3o de que foi desapossado e de que outros se apropriaram, produzia aquilo de que necessitava.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente porque se criaram meios de produ\u00e7\u00e3o muito mais elaborados em que o corpo humano foi substitu\u00eddo por pe\u00e7as cada vez mais complexas. Se n\u00f3s pensarmos que o sucessor da enxada \u00e9 o computador, se pensarmos que o telem\u00f3vel \u00e9 o que prolonga a nossa voz para comunicar com os outros, e como \u00e9 que isso complexificou, vemos como \u00e9 que os meios de produ\u00e7\u00e3o se transformaram tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ainda assim, os detentores do poder pol\u00edtico continuam a ser os detentores dos meios de produ\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Diria o contr\u00e1rio\u2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece \u00e9 que tudo se tornou menos evidente, menos (ou mais\u2026) aparente. Marx tem uma frase interessante onde diz que se a ess\u00eancia fosse igual \u00e0 apar\u00eancia n\u00e3o havia ci\u00eancia. \u00c9 curioso como a apar\u00eancia se tem vindo a sobrepor \u00e0quilo que era evidente, n\u00e3o apagando a ess\u00eancia. H\u00e1 um aparelho ideol\u00f3gico. N\u00e3o h\u00e1 \u00e9 a certeza de que esse aparelho ideol\u00f3gico esteja consciente da ideologia. As coisas correm, h\u00e1 quem as aproveite sem ver a ess\u00eancia desse aproveitamento. Parece interessante, como contributo de Marx, ele ser muito cr\u00edtico mas n\u00e3o ser juiz. Isto quer dizer que o que n\u00f3s temos de condenar ideologicamente \u00e9 um sistema e n\u00e3o os seus fautores porque se n\u00e3o pode entrar-se numa via que me parece ser perigosa que \u00e9 a de se estar contra os capitalistas e n\u00e3o se ser contra o capital como rela\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Porque \u00e9 que Marx reaparece sempre?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 Marx que aparece sempre, reaparece sempre aquilo que Marx investigou. Reaparece sempre porque houve leis do processo hist\u00f3rico a que Marx chegou atrav\u00e9s do estudo, da reflex\u00e3o, da ac\u00e7\u00e3o e reaparece repetindo-se, repetindo-se sempre como se novo fosse. Particularmente nestes duzentos anos que estamos a atravessar, a luta de contr\u00e1rios pode levar das fric\u00e7\u00f5es \u00e0s agress\u00f5es e como os detentores da predomin\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o social, na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, para manterem a domin\u00e2ncia, podem ser capazes de tudo se n\u00e3o forem travados pelos outros. \u00c9 que vivemos num momento hist\u00f3rico em que se pode comprovar mais uma vez que \u00e0 classe dominante serve a guerra para manter a domin\u00e2ncia, enquanto que \u00e0 classe dominada ou explorada s\u00f3 interessa a paz. S\u00f3 assim \u00e9 que conseguir\u00e1 avan\u00e7ar\u2026 ou ent\u00e3o ganhando o conflito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora estamos perante uma realidade assustadora porque a evolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o foi de tal ordem que podem tornar-se de destrui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana, da humanidade. Fica muito claro que uma luta que se torna vital \u00e9 a luta pela paz. E isto confronta outro aspecto interessante em que, mais uma vez, Marx reaparece que \u00e9 a quest\u00e3o de como \u00e9 que estamos numa fase em que as crises do capitalismo tomam uma express\u00e3o que \u00e9 absurda, atrav\u00e9s de uma forma imaterial. A moeda perdeu materialidade. Marx j\u00e1 previa que o cr\u00e9dito, que o dinheiro sem base material viesse a ter import\u00e2ncia. Naquela altura n\u00e3o tinha. As rela\u00e7\u00f5es materiais foram-se complexificando por forma a que a classe dominante, atrav\u00e9s dos seus meios, imp\u00f4s a desmaterializa\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 poss\u00edvel por quanto tempo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 cada vez mais leituras sobre Marx, nomeadamente no meio acad\u00e9mico, que o afastam do car\u00e1cter revolucion\u00e1rio. Porque \u00e9 que isto acontece?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era estudante, Marx foi-me apresentado por um professor cat\u00f3lico e, na altura, foi uma revela\u00e7\u00e3o. Mas aquele Marx que aquele professor me apresentou n\u00e3o \u00e9 o que eu vim a conhecer, era o primeiro-Marx, o que estava no in\u00edcio do seu percurso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As academias n\u00e3o podem afastar-se de Marx porque n\u00e3o pode acontecer a Marx o mesmo que acontece a Keynes. Keynes fez algumas descobertas interessantes para os economistas, dentro do sistema, dando como adquirido parte da realidade que est\u00e1 em mudan\u00e7a, mas <s>s<\/s>endo for\u00e7ado a aceitar aspectos como o da socializa\u00e7\u00e3o do investimento. Que a classe dominante n\u00e3o pode aceitar. Da\u00ed que Keynes seja banido de vez em quando, ao contr\u00e1rio de Marx. Marx nunca \u00e9 banido, \u00e9 posto de lado, \u00e9 deturpado mas est\u00e1 sempre vivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E a ideia de que se pode construir um sistema capitalista humanizado?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a via\/desvio social-democrata. H\u00e1 um elemento importante no pensamento de Marx que n\u00e3o \u00e9 considerado como fundamental que \u00e9 o da \u201cditadura do proletariado\u201d. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a passagem de uma rela\u00e7\u00e3o social dominante para outra atrav\u00e9s de um per\u00edodo em que o dominado domine.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tem sido historicamente procurado, atrav\u00e9s do controlo pol\u00edtico e institucional \u2013 de uma democratiza\u00e7\u00e3o parcial \u2013, impor \u00e0 classe que domina a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, regras que n\u00e3o lhe servem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A social-democracia existe e insiste. Mas, dentro do capitalismo, com a classe detentora dos meios de produ\u00e7\u00e3o a dominar o pol\u00edtico, as experi\u00eancias que t\u00eam sido feitas n\u00e3o t\u00eam resultado, na perspectiva revolucion\u00e1ria. Nem poderiam ter. Antes preservam a domina\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O nosso processo revolucion\u00e1rio tamb\u00e9m encarna os princ\u00edpios pol\u00edticos de Marx?<\/p>\n\n\n\n<p>Marx, ao ser guia para a a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ensina <em>como fazer<\/em>. N\u00e3o d\u00e1 respostas dogm\u00e1ticas ao ulterior <em>Que fazer? <\/em>de Lenin.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso processo, demos passos em frente que naquelas condi\u00e7\u00f5es foram poss\u00edveis. A nossa experi\u00eancia foi t\u00e3o importante que continua a ser, apesar de parecer deixar de ser\u2026; t\u00e3o importante que, enquanto que noutras situa\u00e7\u00f5es foram desaparecendo os partidos de classe, os sindicatos de classe, e a classe ficou sem sindicalismo e sem organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em Portugal, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 presente, influentemente, a for\u00e7a que vem de tr\u00e1s e que nasceu em meio s\u00e9culo de fascismo e de resist\u00eancia. \u00c9 condi\u00e7\u00e3o de Marx n\u00e3o deixar de ver o processo hist\u00f3rico no momento em que ele se est\u00e1 a concretizar. H\u00e1 um aspecto muito importante que Marx nos traz como contributo. Se \u00e9 fundamental a exist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es que continuem o seu contributo, quer pol\u00edticas quer sindicais, \u00e9 indispens\u00e1vel que essas organiza\u00e7\u00f5es de nenhuma maneira se transformem em colectivos de elites, devem manter-se vanguarda. As elites separam-se das massas, a vanguarda s\u00e3o a primeira linha das massas e, assim sendo, a vanguarda transforma-se em elites se se afasta das massas. O que eu quero dizer \u00e9 que \u00e9 fundamental a tomada de consci\u00eancia do processo hist\u00f3rico. Do papel das classes, do seu lugar na Hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rgio Ribeiro morreu aos 88 anos. Quando rebentou a revolu\u00e7\u00e3o de 1974 estava atr\u00e1s das grades, em Caxias. Foi assim que lembrou as primeiras horas de Abril \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio numa entrevista em 2018. Doutorado em Economia, foi diretor-geral do Emprego durante o governo encabe\u00e7ado por Vasco Gon\u00e7alves e deputado \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica e ao Parlamento Europeu pelo PCP. Entre livros e recortes de jornais na sua casa, em Our\u00e9m, conversou sobre os contributos e atualidade de Karl Marx no ano em que se comemorava o bicenten\u00e1rio do revolucion\u00e1rio alem\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7962,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7959"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7959"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7959\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7964,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7959\/revisions\/7964"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7962"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7959"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}