{"id":7941,"date":"2024-04-15T08:45:28","date_gmt":"2024-04-15T08:45:28","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7941"},"modified":"2024-05-03T13:22:53","modified_gmt":"2024-05-03T13:22:53","slug":"a-banca-ao-servico-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/04\/15\/a-banca-ao-servico-do-povo\/","title":{"rendered":"A banca ao\u00a0servi\u00e7o do povo"},"content":{"rendered":"\n<p>A decis\u00e3o da nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca aconteceu na sequ\u00eancia do golpe contra-revolucion\u00e1rio spinolista de 11 de mar\u00e7o de 1975, assim como a cria\u00e7\u00e3o do Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o. Ao longo de meses, havia not\u00edcias de sabotagem econ\u00f3mica e financeira por parte de empres\u00e1rios e banqueiros. J\u00e1 se falava ent\u00e3o da nacessidade das nacionaliza\u00e7\u00f5es e, dentro do Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA), uma boa parte apoiava a decis\u00e3o. Sobretudo dos bancos emissores. Tempos antes, o sindicato dos banc\u00e1rios recebeu a informa\u00e7\u00e3o de que a ag\u00eancia do Banco Pinto e Sottomayor se queria transformar num banco franc\u00eas. Nesse sentido, fiz-me acompanhar por um representante dessa estrutura sindical numa viagem at\u00e9 Paris. A meio da noite, conseguimos entrar dentro do banco e fotocopiar documentos com informa\u00e7\u00e3o detalhada. Tamb\u00e9m acedemos ao equivalente franc\u00eas ao Di\u00e1rio da Rep\u00fablica onde dizia que a partir de determinada data o tal banco passaria a ser uma entidade francesa. Foram informa\u00e7\u00f5es que entreg\u00e1mos ao primeiro-ministro, Vasco Gon\u00e7alves, e ao ministro das Finan\u00e7as, Silva Lopes, que afirmou que era importante nacionalizarmos j\u00e1 a banca ou acabar\u00edamos por nacionalizar apenas as paredes. \u00c9, ent\u00e3o, que representantes militares que acompanhavam o setor da banca e dos seguros foram ao conselho de ministros com Silva Lopes explicar esta necessidade urgente. Depois do golpe derrotado, o governo anunciou a decis\u00e3o. Com o apoio do sindicato dos banc\u00e1rios, escolheram-se t\u00e9cnicos habilitados para a gest\u00e3o dos respetivos bancos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, quando se iniciou a privatiza\u00e7\u00e3o da banca, v\u00e1rios destes administradores que haviam sido atacados por alegadamente n\u00e3o terem as qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias passaram a administrar tamb\u00e9m bancos privados sem que se questionasse as suas qualidades nessa fun\u00e7\u00e3o. Em 1983, o setor deixou de estar legalmente vedado \u00e0 iniciativa privada e come\u00e7am a aparecer os primeiros bancos privados. \u00c9 M\u00e1rio Soares (PS) que apoia a revis\u00e3o constitucional de 1982 promovida por um governo encabe\u00e7ado por Francisco Pinto Balsem\u00e3o (PSD) que abriu a porta \u00e0 iniciativa privada ao abolir a irreversibilidade das nacionaliza\u00e7\u00f5es. Enquanto primeiro-ministro, M\u00e1rio Soares fez contactos com banqueiros como Ricardo Salgado e Jardim Gon\u00e7alves, para que estes regressassem ao pa\u00eds ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974 porque, em seu entender, como enfatizou V\u00edtor Ramalho, secret\u00e1rio de Estado do governo de M\u00e1rio Soares, \u201cera inevit\u00e1vel a abertura de setores econ\u00f3micos \u00e0 iniciativa privada\u201d. \u00c9, posteriormente, com Cavaco Silva que se consolida e aprofunda o processo de reprivatiza\u00e7\u00e3o da banca. Hoje, a concentra\u00e7\u00e3o do setor e os lucros astron\u00f3micos mostram que a banca devia estar ao servi\u00e7o do bem comum e n\u00e3o de meia d\u00fazia de acionistas. Com a nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca provou-se que se conseguia melhorar e dirigir os lucros para situa\u00e7\u00f5es de melhorias de situa\u00e7\u00f5es sociais. Esse deve ser o caminho&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2008 e 2015, as opera\u00e7\u00f5es de recapitaliza\u00e7\u00e3o realizadas nos oito maiores bancos nacionais foram de 18 456 mil milh\u00f5es de euros, dos quais 12 250 milh\u00f5es de euros em garantias e empr\u00e9stimos do Estado. Apesar da reprivatiza\u00e7\u00e3o, os portugueses foram chamados a salvar a banca. Mesmo considerando a recapitaliza\u00e7\u00e3o do banco p\u00fablico, a grande fatia foi para a banca privada. A nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos \u00e9 a \u00fanica forma de garantir o interesse p\u00fablico e nacional, de evitar as linhas marcadas pelos centros do capital financeiro transnacional, de limitar as distor\u00e7\u00f5es da concorr\u00eancia pela grande concentra\u00e7\u00e3o da banc\u00e1ria privatizada e de recuperar uma alavanca imprescind\u00edvel para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o da nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca aconteceu na sequ\u00eancia do golpe contra-revolucion\u00e1rio spinolista de 11 de mar\u00e7o de 1975, assim como a cria\u00e7\u00e3o do Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o. Ao longo de meses, havia not\u00edcias de sabotagem econ\u00f3mica e financeira por parte de empres\u00e1rios e banqueiros. J\u00e1 se falava ent\u00e3o da nacessidade das nacionaliza\u00e7\u00f5es e, dentro do &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/04\/15\/a-banca-ao-servico-do-povo\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">A banca ao\u00a0servi\u00e7o do povo<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":126,"featured_media":7942,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[54],"tags":[],"coauthors":[223],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7941"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/126"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7941"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8040,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7941\/revisions\/8040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7941"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}