{"id":7887,"date":"2024-04-14T16:27:25","date_gmt":"2024-04-14T16:27:25","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7887"},"modified":"2024-05-03T13:22:02","modified_gmt":"2024-05-03T13:22:02","slug":"a-voz-que-faz-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/04\/14\/a-voz-que-faz-abril\/","title":{"rendered":"A Voz que faz Abril"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Porqu\u00ea cultura?<\/h2>\n\n\n\n<p>A ideia de cultura tem sido confundida com duas acep\u00e7\u00f5es que devemos questionar e rebater. A primeira, enquanto sin\u00f3nimo de express\u00f5es culturais, tipicamente as de \u201calta cultura\u201d. A segunda, cultura enquanto sistema de produ\u00e7\u00e3o, constitu\u00eddo por tr\u00eas v\u00e9rtices, que se relacionam e interdependem, sem, no entanto, se misturarem: produtores (criadores, artistas), consumidores (espectadores\/visitantes) e produto (a \u201cobra\u201d).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as v\u00e1rias problem\u00e1ticas que daqui resultam, poder\u00edamos destacar as decorr\u00eancias produzidas pelo hiato entre o acto de pensar\/produzir\/criar e o acto de usufruir\/ver: o espectador \u00e9, assim, o resultado \u00faltimo desta triangula\u00e7\u00e3o, mediado por uma atitude tipicamente pouco mais que passiva, onde, tamb\u00e9m por isso, arte e entretenimento j\u00e1 pouco diferem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que \u00e9 no combate a estas duas acep\u00e7\u00f5es e na cria\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o alternativa &#8211; emancipat\u00f3ria, dir\u00edamos &#8211; que a Voz do Oper\u00e1rio tem vindo a conduzir a sua interven\u00e7\u00e3o cultural. Em primeiro, porque nos \u00e9&nbsp;<em>intuitivo<\/em>&nbsp;perceber cultura enquanto qualquer resultado do que \u00e9 produzido e significado pelo Homem. Assim, interessa-nos que c\u00e1 tenham lugar o maior n\u00famero de express\u00f5es, com as suas complexidades destapadas. A t\u00edtulo de exemplo: quando pass\u00e1mos a organizar (2018) uma gala dedicada ao fado, invoc\u00e1mos a sua g\u00e9nese popular, n\u00e3o por mero fetiche mas, pelo contr\u00e1rio, por liga\u00e7\u00e3o \u00e0 vida; faz-nos tanto ou mais sentido galardoar grandes nomes, como reconhecer as colectividades, a partir das quais uma express\u00e3o ancestral n\u00e3o cristaliza e se reinventa, como resultado \u00fanico poss\u00edvel do que \u00e9 o produzir cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, n\u00e3o dissoci\u00e1vel da anterior, \u00e9 a necessidade de contribuir para a dilui\u00e7\u00e3o de fronteiras entre quem faz e quem v\u00ea; por compreendermos que s\u00f3 pertence \u00e0 cultura o que \u00e9 transformado pela vida, por n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 por isso oportuno invocar dois s\u00f3cios honor\u00e1rios d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio que deram sentido, com a sua obra e reflex\u00f5es ao que tent\u00e1mos aqui expor: Siza Vieira (2024), no seu discurso de aceita\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de s\u00f3cio honor\u00e1rio diz \u201d A Voz do Oper\u00e1rio compreendeu que a beleza n\u00e3o \u00e9 luxo. \u00c9 a s\u00edntese que inclui com harmonia todos os contributos pr\u00f3prios do servi\u00e7o que \u00e9 a Arquitectura: a beleza para todos (&#8230;)\u201d e acrescenta. \u201cSe a beleza da Arquitectura n\u00e3o consegue existir para todos n\u00e3o consegue existir para nenhum.\u201d.&nbsp;<br>Vamos um pouco mais atr\u00e1s, a Manuel Gusm\u00e3o (2015), que intitulou o seu discurso \u201cComo as Artes nos tornam Humanos\u201d. Entre muitas ideias preciosas, diz-nos: \u201c(&#8230;) a democratiza\u00e7\u00e3o da cultura n\u00e3o \u00e9 tanto a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 frui\u00e7\u00e3o cultural mas sim um processo de democratiza\u00e7\u00e3o estrategicamente orientado por um objectivo principal, que \u00e9 a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 cria\u00e7\u00e3o cultural.\u201d Como tamb\u00e9m a\u00ed nos lembrou, n\u00e3o h\u00e1 \u201cimpossibilidades reais numa dada rela\u00e7\u00e3o entre um humano e uma obra de arte. As dificuldades, por vezes inultrapass\u00e1veis s\u00e3o imput\u00e1veis a raz\u00f5es econ\u00f3micas, sociais, pol\u00edticas e culturais. Essas raz\u00f5es s\u00e3o consequ\u00eancias de um sistema de injusti\u00e7a generalizada que \u00e9 o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Abril foi um momento fundacional para a populariza\u00e7\u00e3o destas reflex\u00f5es, para o rompimento de falsas dicotomias, de resgate das v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida para quem a vida produz &#8211; o povo. A forma como perspectivamos e vivemos a cultura \u00e9, pois, uma forma de combater um sistema injusto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Porqu\u00ea educa\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Por vezes, os temas que parecem ser os mais f\u00e1ceis de abordar, pelo \u00f3bvio que comportam, tornam-se, pela mesma raz\u00e3o, os mais desafiantes. Escrever sobre a import\u00e2ncia de Abril, nas escolas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, parece daqueles temas que quase n\u00e3o \u00e9 preciso referir. Porque Abril est\u00e1 subjacente a tudo o que fazemos e tudo o que fazemos tem Abril no horizonte. Mas de tudo o que se fez, quase tudo continua por fazer e talvez por isso importe voltar a diz\u00ea-lo em voz alta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que n\u00e3o haja aqui o distanciamento necess\u00e1rio, mas arrisco a dizer que ser\u00e1 na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o que Abril se vive de forma mais profunda, consequente e intensa, na nossa institui\u00e7\u00e3o. Nas escolas da Voz do Oper\u00e1rio, de forma mais ou menos consciente para adultos e crian\u00e7as, Abril continua a ser constru\u00eddo, todos os dias.&nbsp;<em>Mas, que significa ent\u00e3o \u201cAbril\u201d e porque o afirmamos como nosso, em cada escola?&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Abril \u00e9 representativo de um momento concreto na nossa hist\u00f3ria, onde a mudan\u00e7a de paradigma, de facto, aconteceu. A transi\u00e7\u00e3o de um sistema, em que a concentra\u00e7\u00e3o e o controlo dos meios de produ\u00e7\u00e3o e os processos e instrumentos de cria\u00e7\u00e3o estavam nas m\u00e3os de uma pequena minoria, para um sistema onde o acesso, a participa\u00e7\u00e3o, o controlo, a decis\u00e3o, passaram, pelo menos durante algum tempo, a pertencer a quem efectivamente produzia e trabalhava. O avan\u00e7o, num processo revolucion\u00e1rio como aquele que o nosso povo fez nascer em Abril de 74, desenvolveu-se por vezes de forma extraordinariamente r\u00e1pida, outras, de forma desajeitadamente (<em>porque experimental<\/em>) lenta. E, ainda assim, nunca antes ou depois, o nosso pa\u00eds se desenvolveu de forma t\u00e3o profunda, totalizante e abrangente. Todos os que antes n\u00e3o ousavam sequer pensar em dizer, podiam agora participar e decidir. Pass\u00e1mos de uma l\u00f3gica de existir para servir um interesse que em nada se ligava a n\u00f3s, para passar a fazer parte de um todo que se iniciava e terminava em cada um, fazendo-nos parte intr\u00ednseca do todo. J\u00e1 antes de Abril, A Voz do Oper\u00e1rio se pautava por marcar a diferen\u00e7a que urgia. Por representar, desde sempre, as dores de parto, que s\u00f3 o nascimento da revolu\u00e7\u00e3o poderia p\u00f4r termo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"789\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/educa_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7889\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/educa_300cmyk.jpg 789w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/educa_300cmyk-300x225.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/educa_300cmyk-768x575.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/educa_300cmyk-220x165.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 789px) 100vw, 789px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nas nossas escolas, essa transforma\u00e7\u00e3o do paradigma pol\u00edtico e social que se viveu em Abril, foi a alavanca fundamental para a mudan\u00e7a de pr\u00e1ticas educativas e pedag\u00f3gicas que viriam a redefinir a rela\u00e7\u00e3o com as muitas crian\u00e7as que connosco j\u00e1 faziam vida. Da l\u00f3gica da&nbsp;<em>Instru\u00e7\u00e3o e Benefic\u00eancia<\/em>&nbsp;que deu nome aos que viam como fundamental a escolariza\u00e7\u00e3o dos filhos da classe oper\u00e1ria, pass\u00e1mos para uma l\u00f3gica de materializa\u00e7\u00e3o do trabalho educativo dos filhos dos trabalhadores, baseado na coopera\u00e7\u00e3o e no di\u00e1logo, como forma predominante de aprender e ensinar.<\/p>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o de que falamos come\u00e7ou por assumir o materialismo dial\u00e9tico enquanto base filos\u00f3fica de onde parte toda a reflex\u00e3o e pr\u00e1ticas que lhe sucedem. Deix\u00e1mos de basear a rela\u00e7\u00e3o educativa na mera transmiss\u00e3o da ideia abstrata de determinado objecto, que se quer aprendido e posteriormente aplicado na pr\u00e1tica, para passar a uma l\u00f3gica que parte da viv\u00eancia pr\u00e1tica e concreta, da mat\u00e9ria que se assume como ponto de partida, para um progressivo movimento de cria\u00e7\u00e3o de conceitos e ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta perspectiva tornou obrigat\u00f3rio passar a&nbsp;<em>diferenciar&nbsp;<\/em>o trabalho pedag\u00f3gico com as crian\u00e7as n\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio, de forma a integrar, na vida do colectivo, a experi\u00eancia concreta de cada um, em benef\u00edcio de todos. O Professor, antes dono do grupo, passou a desempenhar outro papel, o de membro do grupo com mais responsabilidades e experi\u00eancia. Foi poss\u00edvel assim caminhar no sentido de ver a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho com as diferentes idades numa l\u00f3gica profundamente inovadora no nosso pa\u00eds. Desde a necessidade de termos as fam\u00edlias a participar na vida das escolas, trazendo consigo conhecimento e experi\u00eancia fundamentais para melhor conhecermos as diferentes realidades que caracterizam as respectivas comunidades, passando pela exist\u00eancia de conselhos de coopera\u00e7\u00e3o a partir do pr\u00e9-escolar, onde as crian\u00e7as discutem juntas a melhor forma de organizar o trabalho em sala, passando pela experi\u00eancia de acampamento em que o trabalho de campo \u00e9 o motor de infinitos projectos de aprendizagem, s\u00e3o exemplos centrais de uma organiza\u00e7\u00e3o que foi e \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de paradigma que Abril nos trouxe.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do que acima afirmamos, A Voz do Oper\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma bolha \u00e0 margem da realidade do pa\u00eds. O impacto dos retrocessos mencionados e que h\u00e1 anos o povo vem sentindo, sentem-se tamb\u00e9m no seio da nossa Institui\u00e7\u00e3o. Os desafios que encontramos s\u00e3o hoje t\u00e3o grandes como poucas vezes ter\u00e3o sido. Desafios que s\u00f3 a vis\u00e3o clara de que s\u00f3 a reafirma\u00e7\u00e3o e o aprofundamento dos nossos princ\u00edpios poder\u00e3o garantir o caminho que, cada vez mais, se exige de todos n\u00f3s. Para j\u00e1, o momento ser\u00e1 de resist\u00eancia. Mas essa, faz parte da nossa identidade h\u00e1 141 anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Porqu\u00ea a\u00e7\u00e3o social?<\/h2>\n\n\n\n<p>O Departamento de A\u00e7\u00e3o Social nasceu com A Voz do Oper\u00e1rio. Revisitar a sua hist\u00f3ria implica conhecer a aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, seja na assist\u00eancia funer\u00e1ria presente na origem da institui\u00e7\u00e3o, seja no balne\u00e1rio p\u00fablico inaugurado em meados do s\u00e9culo XX, em resposta \u00e0s parcas condi\u00e7\u00f5es habitacionais a que o fascismo nos habituou. O Servi\u00e7o de Apoio Ambulat\u00f3rio Local (SAAL) lan\u00e7ado em 1974 herdou um pa\u00eds que, n\u00e3o obstante as habita\u00e7\u00f5es em falta, possu\u00eda 60% das mesmas sem rede de esgotos, ou 67% sem instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. A assist\u00eancia na gravidez e a garantia de enxovais para rec\u00e9m-nascidos facilmente nos soaria a uma medida da atualidade, mas ainda n\u00e3o t\u00ednhamos chegado \u00e0 d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado e j\u00e1 A Voz do Oper\u00e1rio anunciava a sua a\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sa\u00fade materno-infantil. A separa\u00e7\u00e3o entre um dos tr\u00eas D\u2019s de Abril e a a\u00e7\u00e3o social n\u2019A Voz n\u00e3o \u00e9 clara porque comungam de uma mesma origem: a interven\u00e7\u00e3o do povo e dos trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Abril de 74 sonhou-se um desenvolvimento comunit\u00e1rio aprofundado, a partir do qual o assistencialismo que marcava as respostas sociais desse lugar a uma interven\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria que inclu\u00edsse e autonomizasse todas as pessoas, grupos e comunidades. A Revolu\u00e7\u00e3o abriu as portas \u00e0 democracia, trouxe progresso social e liberdade. As palavras n\u00e3o est\u00e3o gastas, como no poema, porque se inundam de significado: s\u00e3o as marcas profundas dos valores de Abril que nos permitem continuar a intervir, mesmo que no contexto neoliberal que caracteriza o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existimos isolados. O tempo e o espa\u00e7o que habitamos carregam-se de desafios: falta-nos a paz, o p\u00e3o, a habita\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que, nas atuais respostas de a\u00e7\u00e3o social que asseguramos, ainda procuramos muitas (demasiadas) vezes garantir as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia de quem a n\u00f3s recorre, ao mesmo tempo que tentamos co-construir caminhos de capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"887\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7890\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk.jpg 887w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk-768x512.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/cantar_300cmyk-220x147.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 887px) 100vw, 887px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Seja na garantia de uma refei\u00e7\u00e3o completa e equilibrada no nosso Refeit\u00f3rio Social, na presta\u00e7\u00e3o de cuidados di\u00e1rios do Servi\u00e7o de Apoio Domicili\u00e1rio, ou na interven\u00e7\u00e3o sociocultural do Centro de Conv\u00edvio, A Voz do Oper\u00e1rio constitui-se como elemento significativo da rede social de cada um que nos procura e que lhe pertence. O papel que se assume ultrapassa diariamente aqueles que s\u00e3o os seus objetivos mais evidentes, acima de tudo, desenvolvem-se redes de apoio, seja ele de car\u00e1ter instrumental ou emocional: desde o aconselhamento relativo a processos de despejo habitacional \u00e0 leitura de correspond\u00eancia, passando por todas as formas em que apoio psicossocial se pode desenhar.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o social \u00e9 amplificada quando nos referimos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o idosa mais desprotegida socioeconomicamente. A solid\u00e3o e o isolamento social afeta com maior nitidez aqueles que, devido \u00e0 falta de recursos financeiros, se encontram mais afastados da participa\u00e7\u00e3o plena na sociedade. \u00c9 com este prop\u00f3sito que as nossas respostas sociais assumem o papel crucial de promo\u00e7\u00e3o de oportunidades iguais entre todas as pessoas, atenuando o sentimento de solid\u00e3o e potenciando o bem-estar daqueles que se encontram mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Abril concretizou-se na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa e \u00e9 a partir dela que definimos a nossa a\u00e7\u00e3o, no contributo para a prote\u00e7\u00e3o de todos os cidad\u00e3os \u00abna doen\u00e7a, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situa\u00e7\u00f5es de falta ou diminui\u00e7\u00e3o de meios de subsist\u00eancia ou de capacidade para o trabalho\u00bb (Artigo 63.\u00ba).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u201cOnde estavas no 25 de Abril?\u201d, A Voz do Oper\u00e1rio poder\u00e1 sempre responder: a constru\u00ed-lo. Brindamos aos 50 anos do ponto mais alto da nossa hist\u00f3ria numa retrospetiva em que n\u00e3o \u00e9 clara a separa\u00e7\u00e3o entre o caminho d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio e o \u201cD\u201d de \u201cDesenvolvimento\u201d que Abril preconizou \u2013 que honra.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":7888,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[72,149,109],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7887"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8038,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887\/revisions\/8038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7887"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}