{"id":7880,"date":"2024-04-14T16:07:40","date_gmt":"2024-04-14T16:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7880"},"modified":"2024-04-14T16:07:41","modified_gmt":"2024-04-14T16:07:41","slug":"dar-abril-de-troco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/04\/14\/dar-abril-de-troco\/","title":{"rendered":"Dar Abril de troco"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando h\u00e1 50 anos, os militares sa\u00edram dos quart\u00e9is n\u00e3o sabiam duas coisas: se o levantamento ia ser bem sucedido e, a s\u00ea-lo, que rumo tomariam os acontecimentos. A revolu\u00e7\u00e3o de Abril \u00e9, por isso, obra, em primeira m\u00e3o, dos soldados, mas, sobretudo, dos trabalhadores e do povo que imprimiram \u00e0 revolta um car\u00e1cter popular e progressista. \u00c9 tamb\u00e9m fruto dos que durante 48 anos lutaram contra o fascismo, muitos deles pagando com a pr\u00f3pria vida. E, naturalmente, dos povos que nas col\u00f3nias encetaram o combate pela liberta\u00e7\u00e3o nacional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se a nossa ditadura tivesse acabado como em Espanha, teria sido apenas uma mudan\u00e7a cosm\u00e9tica. Em Portugal, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as social, pol\u00edtica e militar permitiu ao povo e \u00e0s suas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos altera\u00e7\u00f5es significativas em todas as esferas da vida do pa\u00eds. A intensa participa\u00e7\u00e3o, verdadeiramente democr\u00e1tica, era um perigo para as elites econ\u00f3micas e, nesse sentido, partidos como o PS, PSD e CDS, de onde derivaram entretanto IL e Chega, puseram-se ao servi\u00e7o do passado. Hoje, 50 anos depois, a maioria das fam\u00edlias que dominava Portugal com o benepl\u00e1cito de Salazar e Caetano, p\u00f5e e disp\u00f5e dos poderes que lhes de devolveram, incluindo o de continuarem a determinar de que forma se comporta o poder pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 pois estranho que sejam as mesmas elites econ\u00f3micas a patrocinar a extrema-direita portuguesa. Depois de destru\u00edrem o processo revolucion\u00e1rio, n\u00e3o conseguiram, ainda assim, evitar uma Constitui\u00e7\u00e3o progressista. O trauma dos grandes grupos econ\u00f3micos e financeiros e da direita com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril \u00e9 consequ\u00eancia deste processo ter posto em xeque muitos dos seus privil\u00e9gios. A \u00faltima vit\u00f3ria eleitoral da direita e a subida exponencial da extrema-direita representam um retrocesso para os trabalhadores e o povo. Qual a resposta? Sempre as ruas. \u00c9 o poder dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es organizadas nos seus sindicatos, movimentos sociais, comiss\u00f5es de moradores e coletividades que pode impor-se nas ruas. N\u00e3o nos esque\u00e7amos nunca de que somos n\u00f3s a maioria e que eles precisam dos nossos bra\u00e7os para p\u00f4r as suas empresas a funcionar. Somos n\u00f3s que lhes pagamos os iates, as f\u00e9rias nas Maldivas, os torneios de padel e as casas de campo. A revolu\u00e7\u00e3o de Abril tamb\u00e9m foi isso: o tempo em que percebemos que t\u00ednhamos de ser n\u00f3s a encher-lhes os bolsos com a nossa mis\u00e9ria e a nossa fome. Eles querem esse tempo de volta. Demos-lhe Abril como troco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 50 anos, os militares sa\u00edram dos quart\u00e9is n\u00e3o sabiam duas coisas: se o levantamento ia ser bem sucedido e, a s\u00ea-lo, que rumo tomariam os acontecimentos. 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