{"id":7852,"date":"2024-03-27T15:22:43","date_gmt":"2024-03-27T15:22:43","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7852"},"modified":"2024-04-15T08:10:30","modified_gmt":"2024-04-15T08:10:30","slug":"as-mulheres-do-meu-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/03\/27\/as-mulheres-do-meu-tempo\/","title":{"rendered":"As mulheres do meu tempo"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cOlhei \u00e0 minha volta e comecei a reparar nas outras mulheres\u201d <br><\/p>\n<cite>Maria Lamas in As Mulheres do Meu Pa\u00eds<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Cresci em redes de solidariedade informal, familiar, feminina, com marcada divis\u00e3o sexual do trabalho. Se eu olhasse \u00e0 minha volta, s\u00f3 podia reparar nas outras mulheres! A minha investiga\u00e7\u00e3o resulta do cruzamento desses alicerces pessoais e afetivos com a pertin\u00eancia cient\u00edfica do meu tema, a viuvez feminina. Se esse \u2018atentar\u2019 \u00e9 o gesto inicial deste trabalho sobre mulheres, velhas e vi\u00favas, a lacuna de conhecimento<strong> <\/strong>sobre as suas experi\u00eancias \u00e9 o combust\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de entrevistas, tento revelar e discutir aquilo que Maria Lamas registou em fotografias h\u00e1 mais de 50 anos: as experi\u00eancias das mulheres, as suas rela\u00e7\u00f5es sociais e o seu papel na produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o social. As mulheres entrevistadas no meu estudo nasceram entre a d\u00e9cada de 30 e a d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado. Abrig\u00e1-las num mesmo grupo et\u00e1rio \u00e9 uma categoriza\u00e7\u00e3o \u00fatil em termos demogr\u00e1ficos e metodol\u00f3gicos. No entanto, assim que acedo aos seus percursos de vida, percebo que coberto pela categoria +65 est\u00e1 um grupo de pessoas muito diverso, que nasceu, cresceu, viveu e vive num arco temporal muito vasto e acelerado em transforma\u00e7\u00f5es sociais e culturais. S\u00e3o as mulheres do meu pa\u00eds, mas de que tempo?<\/p>\n\n\n\n<p>Sobretudo a partir dos anos 60, e um pouco por toda a Europa, a produ\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica come\u00e7a a registar e discutir as in\u00fameras transforma\u00e7\u00f5es do per\u00edodo p\u00f3s segunda guerra mundial, com as teorias sociol\u00f3gicas da fam\u00edlia a tratar mais especificamente as mudan\u00e7as na estrutura\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e das rela\u00e7\u00f5es familiares. Embora atrasado, porque ref\u00e9m de longos anos de ditadura, Portugal tamb\u00e9m integrou esse caminho no sentido da mudan\u00e7a social apontada para os pa\u00edses ocidentais, hoje consolidada no aumento das taxas de div\u00f3rcio, a descida da natalidade e da nupcialidade, o adiamento do casamento e do primeiro filho, a perda da import\u00e2ncia do casamento religioso. Estes comportamentos demogr\u00e1ficos revelam-nos n\u00e3o s\u00f3 o sentido desse caminho percorrido nos \u00faltimos 50 anos, como tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel dos valores que o orientam e sustentam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>A difus\u00e3o de ideias como a liberdade, autonomia e igualdade de oportunidades no monop\u00f3lio imagin\u00e1rio e discursivo coletivo teve, de facto, consequ\u00eancias no estatuto social das mulheres, alastrando-se at\u00e9 ao seio familiar. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Num n\u00edvel simb\u00f3lico, ganharam centralidade na discuss\u00e3o as mudan\u00e7as nos pap\u00e9is de g\u00e9nero, apesar de lentas e ainda hoje marcadas por um desfasamento entre valores e pr\u00e1ticas, assim como entre direitos formais e reais. A difus\u00e3o de ideias como a liberdade, autonomia e igualdade de oportunidades no monop\u00f3lio imagin\u00e1rio e discursivo coletivo teve, de facto, consequ\u00eancias no estatuto social das mulheres, alastrando-se at\u00e9 ao seio familiar. A\u00ed, podemos pelo menos encontrar a tradu\u00e7\u00e3o dessas ideias em algumas reformas jur\u00eddicas \u2013 n\u00e3o \u00e9 o mesmo que encontrar a sua incorpora\u00e7\u00e3o na vida das pessoas \u2013, como o reconhecimento da igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres enquanto c\u00f4njuges, enquanto pais e m\u00e3es e os seus respetivos pap\u00e9is na fam\u00edlia e a reposi\u00e7\u00e3o do direito ao div\u00f3rcio, com o casamento cat\u00f3lico sujeito \u00e0 lei do Estado e n\u00e3o \u00e0 lei da Igreja. A abertura da vida familiar com a emerg\u00eancia de novas configura\u00e7\u00f5es familiares, e a transfer\u00eancia para a vida privada de ideias como a igualdade de oportunidades e de maior autonomia, realiza\u00e7\u00e3o e liberdade pessoal \u2013 significativamente associadas \u00e0 inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho formal \u2013 \u00e9 hoje identificada em in\u00fameros trabalhos. Mostram como as mudan\u00e7as que se deram nos anos 60 em diversos dom\u00ednios da vida social se fizeram sentir, particularmente, no seio das fam\u00edlias, na vida privada e na vida em casal. No entanto, a coexist\u00eancia dessas mudan\u00e7as com a persist\u00eancia de pr\u00e1ticas e valores \u2018antigos\u2019 evidenciam como h\u00e1 mais uma diversifica\u00e7\u00e3o dos modelos familiares e menos uma rutura com os modelos mais tradicionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os discursos das mulheres que entrevistei mostram como \u00e9 incorporada na sua vida \u00edntima e familiar essa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre passado e presente, com efeitos complexos e, at\u00e9, contradit\u00f3rios. Essas transforma\u00e7\u00f5es sociais, apesar de n\u00e3o discutidas diretamente, s\u00e3o identificadas pelas entrevistadas e atravessam as suas narrativas com refer\u00eancias ao passado, seja o mais long\u00ednquo da inf\u00e2ncia, seja o mais recente da vida conjugal, constantemente feitas com recurso \u00e0 express\u00e3o \u2018outro tempo\u2019, uma express\u00e3o que n\u00e3o se limita a referir apenas a passagem do tempo. \u2018Naquela \u00e9poca\u2019, \u2018antigamente era assim\u2019, \u2018n\u00e3o era como agora\u2019, \u2018nessa altura era o normal\u2019 revelam como todas reconhecem a exist\u00eancia de transforma\u00e7\u00f5es nos contextos em que se inserem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dos seus percursos de vida s\u00e3o caracterizados pelo abandono escolar para cuidar dos irm\u00e3os, pela mudan\u00e7a de local de resid\u00eancia para acompanhar os maridos no percurso profissional ou pela interrup\u00e7\u00e3o ou abandono das suas trajet\u00f3rias profissionais para cuidar dos maridos e dos netos. \u00c9 raro o percurso que n\u00e3o tenha um destes movimentos, que revelam como as trajet\u00f3rias de vida se constitu\u00edram orientadas para os outros. Na maior parte das vezes, essas decis\u00f5es e esses momentos n\u00e3o s\u00e3o narrados com ressentimento, pelo contr\u00e1rio. S\u00e3o discursos de aceita\u00e7\u00e3o, enquadrados no \u00e2mbito das obriga\u00e7\u00f5es familiares, quase nunca colocadas em causa. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o constatem a dureza do trabalho de cuidado e as dificuldades na altera\u00e7\u00e3o das rotinas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>A maior parte dos seus percursos de vida s\u00e3o caracterizados pelo abandono escolar para cuidar dos irm\u00e3os, pela mudan\u00e7a de local de resid\u00eancia para acompanhar os maridos no percurso profissional ou pela interrup\u00e7\u00e3o ou abandono das suas trajet\u00f3rias profissionais para cuidar dos maridos e dos netos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em diferentes momentos perguntei se gostariam que as suas vidas fossem diferentes. Deparei-me com uma rela\u00e7\u00e3o de aceita\u00e7\u00e3o e de n\u00e3o arrependimento com essas trajet\u00f3rias que consideram ser \u2018normais\u2019 e que n\u00e3o s\u00e3o questionadas, mesmo reconhecendo atualmente a exist\u00eancia de outras din\u00e2micas na vida em casal que se traduzem, nas suas opini\u00f5es, em menos obriga\u00e7\u00f5es para as mulheres \u2013 por compara\u00e7\u00e3o com as suas obriga\u00e7\u00f5es \u2018naquele tempo\u2019. Algumas entrevistadas mant\u00eam essa resposta, mesmo admitindo que hoje \u2018a vida\u2019 \u00e9 diferente e que, pelas lentes da atualidade, a vida que viveram dificilmente poderia ser considerada \u2018boa\u2019.<strong> <\/strong>O que as mulheres entrevistadas contam sobre a sua trajet\u00f3ria conjugal e familiar \u00e9 que princ\u00edpios como a realiza\u00e7\u00e3o pessoal, o bem-estar individual e a autonomia n\u00e3o tomaram o lugar de protagonismo das obriga\u00e7\u00f5es, necessidades e rela\u00e7\u00f5es familiares. E revelam tamb\u00e9m como, n\u00e3o se arrependendo, ainda valorizam esse modelo mais pr\u00f3ximo do tradicional, rejeitando aquele apontado nas sociedades contempor\u00e2neas como mais democr\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando enunciam o que desejam e rejeitam para o seu futuro \u2013 sobretudo no que diz respeito \u00e0 dimens\u00e3o amorosa das suas vidas \u2013 afirmam que uma das raz\u00f5es para a recusa da possibilidade de um novo relacionamento amoroso passa por n\u00e3o desejarem para si rela\u00e7\u00f5es que as remetam novamente para a esfera do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado. Mesmo as entrevistadas que dizem aceitar a possibilidade de um novo relacionamento amoroso n\u00e3o deixam de salvaguardar condi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o no sentido da recusa da perda de autonomia e liberdade individual. Dizem n\u00e3o estar agora dispostas a abdicar dos seus interesses, vontades e desejos pessoais a favor de obriga\u00e7\u00f5es e destapam, assim, um rompimento com a experi\u00eancia vivida (passado). Ao aceder a essa experi\u00eancia desejada e imaginada (futuro), manifestam como afinal refletem sobre outras configura\u00e7\u00f5es, normas e regras da vida conjugal e \u00edntima que rompem com o modelo daquelas vividas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7853\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-150x100.jpeg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-370x247.jpeg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1-220x147.jpeg 220w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-27-at-14.57.45-1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tomelloso (Ciudad Real), Ram\u00f3n Masats, 1960. ARCHIVO RAM\u00d3N MASATS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sobre os filhos e os netos, manifestam outras expectativas e exig\u00eancias aplicados \u00e0 vida conjugal e familiar ao expor diferentes formas de pensar e agir, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas configura\u00e7\u00f5es familiares dos filhos, como se nesses momentos mobilizassem recursos de um quadro de valores diferentes. Mostram como vis\u00f5es diferentes e n\u00e3o convergentes podem ser mobilizadas para responder a cen\u00e1rios\/quest\u00f5es diferentes. A aus\u00eancia de arrependimento em rela\u00e7\u00e3o a acontecimentos da experi\u00eancia pessoal n\u00e3o significa que mais tarde \u2013 no dia-a-dia, hoje ou amanh\u00e3 ou depois \u2013 os princ\u00edpios orientadores dessas decis\u00f5es no passado n\u00e3o venham a ser repensados, \u00e0 luz das configura\u00e7\u00f5es atuais e transformadas dos contextos em se inserem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m atrav\u00e9s do que dizem direta ou indiretamente sobre os seus filhos que se percebe que os percursos dos seus descendentes s\u00e3o em regra geral mais qualificados, mais especializados e mais aprofundados do que os seus. Entre esses descendentes, sobressaem as mulheres que quebraram com as trajet\u00f3rias femininas de abandono do percurso profissional por causa do trabalho de cuidado, como as que as suas m\u00e3es e sogras protagonizaram. No entanto, a rutura da predomin\u00e2ncia das obriga\u00e7\u00f5es familiares ou, pelo menos, do impacto das mesmas nas suas trajet\u00f3rias est\u00e1 associada \u00e0 transfer\u00eancia ascendentes dessas obriga\u00e7\u00f5es, precisamente, para as suas m\u00e3es e sogras. As mulheres entrevistadas referiram n\u00e3o poucas vezes, utilizando diferentes formula\u00e7\u00f5es, o condicionamento das suas rotinas por tarefas associadas ao apoio que prestam aos filhos \u2013 sobretudo na prepara\u00e7\u00e3o de refei\u00e7\u00f5es e no cuidado dos netos.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es dos contextos hist\u00f3ricos s\u00e3o incorporadas nas experi\u00eancias destas mulheres de forma complexa, n\u00e3o linear e imediata, o que explica o sentimento de \u2018n\u00e3o pertencimento\u2019 a um tempo presente, para a constru\u00e7\u00e3o do qual contribuem ativamente e que, afinal, tamb\u00e9m \u00e9 o delas! <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A persist\u00eancia em idade avan\u00e7ada do peso significativo das obriga\u00e7\u00f5es familiares na vida destas mulheres parece ser essencial para que os seus filhos tenham uma vida familiar e conjugal mais pautada pela realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional e, assim, mais pr\u00f3xima das configura\u00e7\u00f5es familiares apontadas para as sociedades tidas como modernas. As mulheres manifestam apoiar as trajet\u00f3rias dos seus filhos \u2013 em termos simb\u00f3licos e pr\u00e1ticos \u2013, que se desenvolvem com filhos\/filhas e genros\/noras igualmente investidos nas suas carreiras profissionais, aparentemente no sentido da maior igualdade entre os membros do casal dentro da configura\u00e7\u00e3o familiar \u2013 enquanto sustentam a responsabilidade que assumem na concretiza\u00e7\u00e3o das trajet\u00f3rias dos seus filhos num quadro de valores que se insere numa vis\u00e3o mais tradicional \u2013 nomeadamente enquadrando esse trabalho de cuidado como uma obriga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o equacionam recusar ou delegar.<\/p>\n\n\n\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es dos contextos hist\u00f3ricos s\u00e3o incorporadas nas experi\u00eancias destas mulheres de forma complexa, n\u00e3o linear e imediata, o que explica o sentimento de \u2018n\u00e3o pertencimento\u2019 a um tempo presente, para a constru\u00e7\u00e3o do qual contribuem ativamente e que, afinal, tamb\u00e9m \u00e9 o delas! Perceber as diferentes formas como as pessoas incorporam as transforma\u00e7\u00f5es sociais e hist\u00f3ricas nas suas vidas, e as interdepend\u00eancias entre essas diferentes formas de ser e de estar, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de uma sociologia capaz de olhar a organiza\u00e7\u00e3o e da mudan\u00e7a social ao n\u00edvel das pessoas e da transforma\u00e7\u00e3o das suas vidas. Esse olhar s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da leitura da transforma\u00e7\u00e3o social articulada com uma an\u00e1lise dial\u00e9tica da vida das pessoas \u2013 o quotidiano \u2013 ao longo do tempo \u2013 as trajet\u00f3rias de vida. \u00c9 essa a minha proposta para aceder \u00e0 experi\u00eancia das mulheres do meu pa\u00eds e do meu tempo!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ana Rita Br\u00e1s<\/em><\/strong><em> \u00e9 Doutoranda em Sociologia na FEUC, onde desenvolve a investiga\u00e7\u00e3o &#8216;Morte do c\u00f4njuge e redes relacionais: um estudo sobre a viuvez feminina&#8217;, financiada pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia e pelo Fundo Social Europeu (2020.05032.BD), com acolhimento no CES. Os seus interesses de investiga\u00e7\u00e3o centram-se nos estudos sobre Mulheres, Fam\u00edlias, Cuidado e Pol\u00edticas Sociais.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresci rodeada de mulheres que passaram a vida a fazer o que me diziam ser coisas de mulheres. Fui levada por elas para os lugares que eram seus e que passaram a ser meus. Chamava-as e ouvia cham\u00e1-las pelos pap\u00e9is \u2013 a m\u00e3e, a tia, a av\u00f3, a vizinha \u2013 e pelos of\u00edcios \u2013 a professora, a educadora, a costureira, a mulher do p\u00e3o, a mulher do peixe, a mulher dos frangos, a mulher da fruta. Quando n\u00e3o podiam fazer o que tinha de ser feito, eram substitu\u00eddas por outras.<\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":7854,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[220],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7852"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7852"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7907,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7852\/revisions\/7907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7852"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}