{"id":7784,"date":"2024-03-12T10:31:38","date_gmt":"2024-03-12T10:31:38","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7784"},"modified":"2024-03-26T10:41:52","modified_gmt":"2024-03-26T10:41:52","slug":"donos-do-sofa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/03\/12\/donos-do-sofa\/","title":{"rendered":"Donos do sof\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>Regresso do trabalho, fa\u00e7o qualquer coisa para o jantar (esqueci-me outra vez de comprar legumes!), deito os mi\u00fados. Ele vai para a cama mais cedo e eu digo j\u00e1 vou. Tive um dia dif\u00edcil, preciso deste momento s\u00f3 meu no sof\u00e1, vou s\u00f3 petiscar umas batatas fritas enquanto vejo esta s\u00e9rie. Estou t\u00e3o cansada&#8230; mas \u00e9 o \u00fanico momento do dia que tenho s\u00f3 para mim. Vou dormir, amanh\u00e3 acordo cedo. Ele j\u00e1 est\u00e1 a ressonar. N\u00e3o dormi nada de jeito e acordei novamente com esta dor no pesco\u00e7o que n\u00e3o me larga (n\u00e3o me posso esquecer de falar \u00e0 minha m\u00e9dica disto).\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>As dores cr\u00f3nicas musculo-esquel\u00e9ticas e o sono n\u00e3o reparador s\u00e3o queixas frequentes na consulta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos cheios de tarefas e s\u00e3o poucos aqueles que se sentem donos do seu tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos tempo para praticar atividade f\u00edsica durante a semana e no fim de semana precisamos descansar. Temos menos tempo de qualidade com quem amamos, andamos t\u00e3o cansados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos sentir que controlamos e que temos prazer com alguma coisa na nossa vida. E, frequentemente, isso acontece ao final do dia, depois de todas as tarefas cumpridas, no sof\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E passam anos. E vamos ao m\u00e9dico, queixamo-nos que n\u00e3o dormimos bem, que \u00abest\u00e1 a ser dif\u00edcil concentrar-me no trabalho, ando mais ansiosa porque a minha m\u00e3e est\u00e1 doente e tenho de lhe dar apoio, a minha filha adolescente est\u00e1 numa fase dif\u00edcil e para complicar, acho que posso estar a entrar na menopausa\u00bb. Sa\u00edmos da consulta m\u00e9dica com uma receita com v\u00e1rios medicamentos para adormecer uma dor f\u00edsica e da alma, de forma a continuarmos funcionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Haver\u00e1 alguma coisa neste ciclo que possamos mudar e passar a controlar? Ajudaria se associ\u00e1ssemos a atividade f\u00edsica a uma fonte de prazer e de controlo da nossa vida, algo que escolhemos fazer por n\u00f3s e que nos faz bem, em vez de ser vista como mais uma tarefa a cumprir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade f\u00edsica aer\u00f3bica tem v\u00e1rios benef\u00edcios reconhecidos na sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica, melhora o sono, favorece a auto-estima e consequentemente melhora as rela\u00e7\u00f5es interpessoais. A escolha do tipo de atividade que dar\u00e1 prazer a cada um \u00e9 um processo individual e por isso muitas pessoas n\u00e3o se sentem satisfeitas e n\u00e3o aderem \u00e0s t\u00e3o famosas e gratuitas caminhadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O tema \u00e9 complexo, envolve uma reflex\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, redes eficientes de transporte p\u00fablicos que diminuam o tempo de desloca\u00e7\u00e3o casa-trabalho, acessibilidade a diferentes tipos de atividade f\u00edsica, apoios sociais, custo de vida e da alimenta\u00e7\u00e3o, etc. Tudo tem impacto na nossa sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos e devemos lutar por uma vida mais equilibrada e justa, mas a verdade \u00e9 que muitas vezes n\u00e3o conseguimos mudar os fatores acima descritos. Apesar disso, conseguiremos implementar algumas mudan\u00e7as, pequenas que sejam, que nos deem prazer e sejam ben\u00e9ficas para a nossa sa\u00fade? Que bom seria que pass\u00e1ssemos a ter mais prazer e controlo das nossas vidas fora do sof\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abAcordei cansada (quando foi a \u00faltima noite que dormi bem?), despachei os mi\u00fados, sempre a mesma correria, tentar n\u00e3o chegar atrasada ao trabalho.<\/p>\n","protected":false},"author":121,"featured_media":7785,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[218],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/121"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7784"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7823,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7784\/revisions\/7823"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7784"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}