{"id":7732,"date":"2024-03-05T12:44:33","date_gmt":"2024-03-05T12:44:33","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7732"},"modified":"2024-03-20T13:02:54","modified_gmt":"2024-03-20T13:02:54","slug":"um-partido-antifascista-sobre-o-1o-congresso-do-pcp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/03\/05\/um-partido-antifascista-sobre-o-1o-congresso-do-pcp\/","title":{"rendered":"Um partido antifascista: sobre o 1\u00ba congresso do PCP"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um coletivo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Dessa dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 usual falar-se apenas do primeiro dos tr\u00eas secret\u00e1rios-gerais que ela teve: o ins\u00f3lito Carlos Rates, que mais tarde aderiu \u00e0 ditadura de Salazar. Mas foi uma dire\u00e7\u00e3o coletiva. Que continuou depois de Rates se afastar, na primavera de 1925. E que concluiu o seu mandato no 2\u00ba congresso, na primavera de 1926. At\u00e9 se reconciliou com o anterior secret\u00e1rio-geral, Jos\u00e9 de Sousa, da dire\u00e7\u00e3o que tinha sido eleita na confer\u00eancia nacional de mar\u00e7o de 1923. O qual era um cr\u00edtico de Rates, desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os nomes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No 1\u00ba congresso do PCP foram oito os eleitos para a \u201cComiss\u00e3o Central\u201d: Carlos Rates, com 70 votos; Jos\u00e9 Gr\u00e1cio Ramos e Francisco Rodrigues Loureiro, ambos com 68 votos; Salvaterra Junior, 67 votos; Ant\u00f3nio Rodrigues Gra\u00e7a, 64 votos, Manuel Martins, 63 votos; Alberto Monteiro, 62 votos; e Raul Lavado, 60 votos.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixamos aqui de lado Salvaterra Junior e Manuel Martins. Eram figuras interessantes. O primeiro oper\u00e1rio e poeta, o segundo trabalhador rural. Mas n\u00e3o chegaram a participar efetivamente na dire\u00e7\u00e3o central do PCP. Desde logo pela dist\u00e2ncia a que viviam de Lisboa: o primeiro no Porto, o outro em Beja.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixamos tamb\u00e9m de lado o sucessor de Rates como secret\u00e1rio-geral: Manuel Ferreira Quartel, pois ele n\u00e3o foi eleito no congresso, sendo cooptado mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sindicalistas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Dos seis dirigentes em foco, a primeira coisa a dizer \u00e9 que todos eram destacados sindicalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Rates, funcion\u00e1rio p\u00fablico, teve um papel muito ativo entre 1910 e 1914, tendo sido um dos principais fundadores da central sindical \u00abUni\u00e3o Oper\u00e1ria Nacional\u00bb, depois designada como \u00abConfedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho\u00bb &#8211; a CGT.<\/p>\n\n\n\n<p>Loureiro tinha liderado o sindicato dos caixeiros de Lisboa e a \u00abFedera\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Empregados no Com\u00e9rcio\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Monteiro era dirigente do sindicato dos oper\u00e1rios alfaiates e tinha sido secret\u00e1rio-geral da uni\u00e3o de sindicatos de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>Lavado era um ex-presidente do sindicato dos sapateiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues Gra\u00e7a tinha sido dirigente do sindicato dos tip\u00f3grafos.<\/p>\n\n\n\n<p>E Gr\u00e1cio Ramos era dirigente do sindicato dos \u201cempregados do Estado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Note-se que nem todos eram oriundos do anarquismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Loureiro era um ex-republicano, do partido \u201cunionista\u201d; enquanto Monteiro provinha do Partido Socialista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Antifascistas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pacheco Pereira afirma que esta dire\u00e7\u00e3o do PCP&nbsp;<em>\u201cparticipou em todas as tentativas\u201d&nbsp;<\/em>de golpe contra os governos da 1\u00aa rep\u00fablica, em 1924\/25 [Estudos sobre o comunismo, 11\/1983, p.15].<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso \u00e9 falso.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio: at\u00e9 tomou uma posi\u00e7\u00e3o bem clara, ao lado do governo do partido \u201cdemocr\u00e1tico\u201d, perante a tentativa de golpe militar \u201cdas direitas\u201d em 18 de Abril de 1925.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse dia, o secret\u00e1rio-geral do PCP (ainda era Rates), esteve reunido com o \u2018primeiro-ministro\u2019, Vitorino Guimar\u00e3es. E da\u00ed seguiu para um com\u00edcio oper\u00e1rio no Rossio, no qual apelou \u00e0 resist\u00eancia dos&nbsp;<em>\u201crevolucion\u00e1rios sociais\u201d<\/em>, pela&nbsp;<em>\u201cdefesa das suas liberdades\u201d<\/em>&nbsp;[A Capital, 18\/04\/1925, p.1].<\/p>\n\n\n\n<p>Uma posi\u00e7\u00e3o que seria reiterada num manifesto conjunto do PCP com a CGT e o antigo PS. E que j\u00e1 vinha dum com\u00edcio unit\u00e1rio contra \u201cas tentativas que se est\u00e3o esbo\u00e7ando contra as liberdades p\u00fablicas\u201d, em 1924.<\/p>\n\n\n\n<p>E continuaria com \u201csess\u00f5es de propaganda contra as tentativas fascistas em Portugal\u201d, j\u00e1 em 1926.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Persistentes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Afirma Pacheco Pereira que logo a seguir a 1926 acabou o \u201cpapel hist\u00f3rico\u201d desta gera\u00e7\u00e3o [ibidem].<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Raul Lavado? Ainda viria a ser preso pol\u00edtico, numa madrugada de insurrei\u00e7\u00e3o armada contra a ditadura. A 26 de agosto de 1931. E&nbsp;<em>\u201cfoi preso por ser comunista, em cujo partido estava filiado fazendo parte de uma c\u00e9lula\u201d<\/em>, assim diz o \u201ccadastro pol\u00edtico n\u00ba3418\u201d [Arquivo PIDE\/DGS].<\/p>\n\n\n\n<p>Alberto Monteiro? Foi preso na mesma madrugada,&nbsp;com a informa\u00e7\u00e3o de continuar a ser&nbsp;<em>\u201cum dos comunistas mais em evid\u00eancia\u201d<\/em>, segundo o \u201ccadastro pol\u00edtico n\u00ba2835\u201d [Arquivo PIDE\/DGS].<\/p>\n\n\n\n<p>Foram ambos deportados para Timor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao regressar, Lavado retomou a sua a\u00e7\u00e3o como dirigente da cooperativa Caixa Econ\u00f3mica Oper\u00e1ria, onde se manteve ativo enquanto a sa\u00fade lhe permitiu. Vindo a falecer em 1954.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a Monteiro, voltou a ser preso pol\u00edtico mais tr\u00eas vezes: em 1934, 1935 e 1937. Na d\u00e9cada de 1940, foi presidente da Voz do Oper\u00e1rio. E quando faleceu, em 1955, estava na dire\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o das coletividades e presidia \u00e0 Caixa Econ\u00f3mica Oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues Loureiro, derradeiro secret\u00e1rio-geral desta dire\u00e7\u00e3o? Voltou a ser dirigente do PCP, em 1931. At\u00e9 ser preso pol\u00edtico, em 1932.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao sair da pris\u00e3o, regressou logo \u00e0 vanguarda da corrente sindical do PCP. E ainda presidiu ao sindicato dos caixeiros de Lisboa, antes deste ser encerrado pela ditadura, no final de 1933.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, continuou a ser um dos animadores da cooperativa dos trabalhadores dos Armaz\u00e9ns Grandela. Da qual ainda foi presidente aos 75 anos de idade, em 1957.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues Gra\u00e7a? Quando faleceu, em 1958, persistia como uma figura de estatura nacional no movimento cooperativista.<\/p>\n\n\n\n<p>Gr\u00e1cio Ramos? Ainda teve uma interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica de apoio \u00e0 candidatura presidencial de Norton de Matos, em 1949. E, aos 85 anos de idade, ainda empolgou um encontro cooperativo com comunistas e outros antifascistas de uma nova gera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o \u00faltimo a morrer, destes antigos dirigentes eleitos no 1\u00ba Congresso do PCP.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a \u00f3bvia exce\u00e7\u00e3o de Rates, tinham todos aderido ao MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica), em 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nenhum viu o 25 de Abril\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passou recentemente o centen\u00e1rio do 1\u00ba congresso do PCP, realizado em novembro de 1923.<\/p>\n<p>Afloramos aqui a dire\u00e7\u00e3o eleita nesse congresso. Da qual fez parte um futuro presidente de A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":7783,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[54,43],"tags":[],"coauthors":[93],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7732"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7732"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7773,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7732\/revisions\/7773"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7732"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}