{"id":7530,"date":"2024-01-09T11:12:50","date_gmt":"2024-01-09T11:12:50","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7530"},"modified":"2024-01-09T12:54:16","modified_gmt":"2024-01-09T12:54:16","slug":"lenine-na-voz-do-operario-1911-12-evocacao-no-centenario-da-sua-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/01\/09\/lenine-na-voz-do-operario-1911-12-evocacao-no-centenario-da-sua-morte\/","title":{"rendered":"L\u00e9nine n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio (1911-12): evoca\u00e7\u00e3o no centen\u00e1rio da sua morte"},"content":{"rendered":"\n<p>L\u00e9nine \u00e9 uma figura maior na hist\u00f3ria do marxismo. E A Voz do Oper\u00e1rio foi pioneira na divulga\u00e7\u00e3o da sua obra, em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1911 e 1912, este jornal publicou dois relat\u00f3rios dele para a \u201c2\u00aa Internacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2\u00aa Internacional<\/h2>\n\n\n\n<p>Naqueles anos, o jornal A Voz do Oper\u00e1rio era publicado semanalmente, com uma tiragem acima dos 50 mil exemplares.<\/p>\n\n\n\n<p>E era um foco na difus\u00e3o do marxismo em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava a publicar, em formato de folhetim, duas obras ent\u00e3o em voga:&nbsp;<em>O Capital<\/em>, de Karl Marx, na vers\u00e3o resumida por Gabriel Deville; e&nbsp;<em>A mulher e o socialismo<\/em>, de August Bebel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente da reda\u00e7\u00e3o tinha um veterano socialista, Jos\u00e9 Fernandes Alves. E um dos principais colaboradores era C\u00e9sar Nogueira, dirigente respons\u00e1vel pelas rela\u00e7\u00f5es internacionais do antigo Partido Socialista Portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com essas liga\u00e7\u00f5es que A Voz do Oper\u00e1rio publicou dois relat\u00f3rios de L\u00e9nine ao organismo coordenador da \u201c2\u00aa Internacional\u201d &#8211; o \u201cComit\u00e9 Socialista Internacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e9nine vivia ent\u00e3o exilado em Paris e era uma presen\u00e7a ass\u00eddua nas reuni\u00f5es desse comit\u00e9, no qual cumpria \u201crigorosamente\u201c as suas fun\u00e7\u00f5es de delegado do \u201cPartido Oper\u00e1rio Social Democrata da R\u00fassia\u201d. Segundo relata o historiador Georges Haupt, num estudo sobre \u201cL\u00e9nine, os bolcheviques e a 2\u00aa Internacional\u201d [Haupt (1980),&nbsp;<em>L\u2019historien et le mouvement social<\/em>, p.133].<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Massacre do Lena<\/h2>\n\n\n\n<p>S\u00e3o textos sobre a R\u00fassia numa fase de rea\u00e7\u00e3o, depois de o regime czarista ter esmagado a primeira revolu\u00e7\u00e3o russa, de 1905.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas estava-se na v\u00e9spera de uma viragem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Abril de 1912, as tropas do czar assassinam cerca de 200 trabalhadores das minas de ouro, em Bodaybo. Uma povoa\u00e7\u00e3o perto do rio Lena, na Sib\u00e9ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim se respondeu a uma greve, no que ficou conhecido como \u201cMassacre do Lena\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamanha viol\u00eancia gerou uma onda de protestos e reavivou a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1\u00aa Guerra Mundial<\/h2>\n\n\n\n<p>Por outro lado, s\u00e3o textos anteriores ao grande desafio que L\u00e9nine enfrentou na sua vida: a 1\u00aa guerra mundial (e o descalabro que provocou na 2\u00aa Internacional).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi perante esse conflito que L\u00e9nine produziu alguns dos seus livros mais relevantes, como&nbsp;<em>O imperialismo<\/em>,&nbsp;<em>O direito das na\u00e7\u00f5es a disporem de si pr\u00f3prias<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>E que se lan\u00e7ou numa nova revolu\u00e7\u00e3o russa, em 1917.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Deputados presos<\/h2>\n\n\n\n<p>No primeiro relat\u00f3rio, L\u00e9nine&nbsp;<em>\u201cdirige-se aos socialistas de todos os pa\u00edses\u201d<\/em>, pedindo a sua solidariedade em apoio dos deputados social-democratas russos que estavam presos h\u00e1 v\u00e1rios anos. E contava o que lhes tinha acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tivesse conseguido sufocar a revolu\u00e7\u00e3o de 1905, o regime czarista viu-se for\u00e7ado a encenar algumas reformas. No ano seguinte, permitiu a elei\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de parlamento, sem poder efetivo. Mas dissolveu-o logo, em menos de tr\u00eas meses.<\/p>\n\n\n\n<p>As for\u00e7as mais \u00e0 esquerda tinham boicotado essas primeiras elei\u00e7\u00f5es. Mas decidiram participar num novo sufr\u00e1gio, em 1907.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todas as restri\u00e7\u00f5es do processo eleitoral, o Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata, numa fase de unidade entre as suas correntes menchevique e bolchevique, conseguiu eleger dezenas de deputados e at\u00e9 ter\u00e1 sido a for\u00e7a mais votada na Ge\u00f3rgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa bancada&nbsp;<em>\u201cera n\u00e3o s\u00f3 numerosa mas tamb\u00e9m uma das mais brilhantes\u201d<\/em>, dizia L\u00e9nine:&nbsp;<em>\u201cfilha da revolu\u00e7\u00e3o, vinha cheia de entusiasmo [\u2026] ainda toda vibrante da grande luta que vinha de atravessar o pa\u00eds\u201d<\/em>. E&nbsp;<em>\u201cera a mais revolucion\u00e1ria, a mais consequente e a mais consciente das fra\u00e7\u00f5es da esquerda\u201d<\/em>, as quais arrastava na sua \u00f3rbita. Tornou-se assim um&nbsp;<em>\u201cderradeiro foco da revolu\u00e7\u00e3o, o seu \u00faltimo s\u00edmbolo, uma prova viva da grande influ\u00eancia da social democracia sobre as massas prolet\u00e1rias\u201d<\/em>&nbsp;[A Voz do Oper\u00e1rio, 31.12.1911, p.1].<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez, o parlamento durou 4 meses at\u00e9 ser dissolvido. E os deputados social-democratas foram o principal alvo a abater. A pol\u00edcia secreta (a \u201cOkhrana\u201d) fabricou uma acusa\u00e7\u00e3o falsa, para os implicar numa suposta conspira\u00e7\u00e3o militar contra o czar.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi abafado com um julgamento \u00e0 porta fechada. E a lei eleitoral foi alterada para cortar ainda mais o direito de voto a oper\u00e1rios e camponeses. Assim se garantiu a \u201celei\u00e7\u00e3o\u201d de um novo parlamento, devidamente conservador e nacionalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, denunciava L\u00e9nine,&nbsp;<em>\u201ch\u00e1 quatro anos que os nossos deputados est\u00e3o encerrados nas ign\u00f3beis pris\u00f5es russas\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Confer\u00eancia no ex\u00edlio<\/h2>\n\n\n\n<p>No segundo relat\u00f3rio, L\u00e9nine exp\u00f5e diversas dificuldades:&nbsp;<em>\u201cDurante tr\u00eas anos o partido n\u00e3o p\u00f4de convocar nem um congresso nem uma confer\u00eancia, e durante dois longos anos o seu comit\u00e9 central n\u00e3o funcionou. O partido continuou a existir, mas sob a forma de grupos esparsos, vivendo um pouco isoladamente\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m apresenta perspectivas de futuro:&nbsp;<em>\u201cultimamente n\u00f3s pudemos, enfim, convocar uma confer\u00eancia do partido\u201d<\/em>, a qual teve lugar fora da R\u00fassia. Concretamente em Praga, atual capital checa e ent\u00e3o cidade do Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo L\u00e9nine,&nbsp;<em>\u201cestiveram representadas as organiza\u00e7\u00f5es das duas capitais&nbsp;<\/em>[Moscovo e S. Petersburgo],&nbsp;<em>das regi\u00f5es do norte, oeste e do sul, do C\u00e1ucaso e da regi\u00e3o industrial do centro &#8211; vinte organiza\u00e7\u00f5es ao todo\u201d<\/em>, que&nbsp;<em>\u201cse solidarizaram com a comiss\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o, que tinha convocado esta confer\u00eancia, isto \u00e9, a maioria das organiza\u00e7\u00f5es mencheviques ou bolcheviques existentes nesta ocasi\u00e3o na R\u00fassia\u201d<\/em>&nbsp;[A Voz do Oper\u00e1rio, 31\/03\/1912, p.1].<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outras quest\u00f5es, a confer\u00eancia de Praga defendeu a necessidade do partido manter a sua organiza\u00e7\u00e3o clandestina dentro da R\u00fassia. Foram eleitos um novo comit\u00e9 central e a reda\u00e7\u00e3o do seu \u00f3rg\u00e3o de imprensa, o \u00abSocial-Democrata\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Breve surgia um novo jornal, chamado \u00abPravda\u00bb\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e9nine \u00e9 uma figura maior na hist\u00f3ria do marxismo. E A Voz do Oper\u00e1rio foi pioneira na divulga\u00e7\u00e3o da sua obra, em Portugal. Em 1911 e 1912, este jornal publicou dois relat\u00f3rios dele para a \u201c2\u00aa Internacional\u201d. 2\u00aa Internacional Naqueles anos, o jornal A Voz do Oper\u00e1rio era publicado semanalmente, com uma tiragem acima dos &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/01\/09\/lenine-na-voz-do-operario-1911-12-evocacao-no-centenario-da-sua-morte\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">L\u00e9nine n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio (1911-12): evoca\u00e7\u00e3o no centen\u00e1rio da sua morte<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":7531,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[93],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7530"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7598,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7530\/revisions\/7598"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7530"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}