{"id":7454,"date":"2023-12-05T01:13:07","date_gmt":"2023-12-05T01:13:07","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7454"},"modified":"2024-01-09T12:32:37","modified_gmt":"2024-01-09T12:32:37","slug":"com-a-luta-dos-trabalhadores-mudar-de-rumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/12\/05\/com-a-luta-dos-trabalhadores-mudar-de-rumo\/","title":{"rendered":"Com a luta dos trabalhadores, mudar de rumo!"},"content":{"rendered":"\n<p>J\u00e1 ningu\u00e9m nega que vivemos e trabalhamos num pa\u00eds onde os baixos sal\u00e1rios e as baixas pens\u00f5es imperam. H\u00e1, at\u00e9, aqueles que se passeiam pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social desfiando as suas boas inten\u00e7\u00f5es e manifestando os seus sentimentos caritativos para com a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o em que vive grande parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o discurso altera-se quando se passa para a discuss\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es e caminhos a seguir para garantir um futuro para o pa\u00eds. A\u00ed, \u00e9 v\u00ea-los a repetirem o discurso das \u201cinevitabilidades\u201d, \u201cimpossibilidades\u201d e da \u201cpaci\u00eancia\u201d que todos t\u00eam de ter (leia-se: quem trabalha e trabalhou), para um dia, sempre mais \u00e0 frente, poderem ver a luz ao fundo do t\u00fanel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na actual situa\u00e7\u00e3o que vivemos, decorrente da anunciada dissolu\u00e7\u00e3o da Assembleia da Rep\u00fablica e a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es para 10 de Mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano, n\u00e3o faltam essas mesmas vozes a procurar convencer os mais distra\u00eddos de que este n\u00e3o \u00e9 o tempo de confrontos, de exig\u00eancias, de reivindica\u00e7\u00f5es. Para esses &#8211; os protagonistas das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que nos trouxeram at\u00e9 \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que hoje vivemos, fa\u00e7am eles parte do actual governo, ou dos partidos da direita que ora passivamente, ora activamente, convergiram nessas op\u00e7\u00f5es &#8211; o melhor era que todos fic\u00e1ssemos sossegados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o ficamos. Os trabalhadores sabem que \u00e9 poss\u00edvel um outro caminho. Porque existe riqueza suficiente, produzida por quem trabalha, para garantir uma vida digna a todos os que c\u00e1 vivem e trabalham. Porque \u00e9 poss\u00edvel evitar a degrada\u00e7\u00e3o e garantir um futuro para os servi\u00e7os p\u00fablicos e fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado, assim se invista nos mesmos e se valorizem os seus trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem-nos que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro? Ent\u00e3o e os dados da economia que abrilhantam a imagem do pa\u00eds nos corredores de Bruxelas? Ent\u00e3o e os lucros dos grandes grupos econ\u00f3micos anunciados com pompa e circunst\u00e2ncia? Por exemplo, no 1\u00ba semestre, 20 grandes grupos econ\u00f3micos e financeiros, arrecadaram lucros l\u00edquidos superiores a 25 milh\u00f5es de euros di\u00e1rios! Entre estes 20, 5 dos maiores bancos do pa\u00eds enchiam os cofres com lucros l\u00edquidos di\u00e1rios de 11 milh\u00f5es de euros. \u00c9 de referir que estes valores tiveram um crescimento de mais de 52% entre 2021 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, no crescendo dos lucros de uns poucos, por via da explora\u00e7\u00e3o de quem trabalha, da especula\u00e7\u00e3o e do tanto que temos pago pelos bens essenciais \u2013 alimenta\u00e7\u00e3o, energia, combust\u00edveis, bem como pelo aumento nas rendas e na presta\u00e7\u00e3o ao banco &#8211; est\u00e3o as dificuldades e os sacrif\u00edcios dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, das fam\u00edlias, dos jovens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A propaganda que procuram impingir, pintando um pa\u00eds que a maioria n\u00e3o reconhece no seu dia a dia, de grandes sucessos e desenvolvimento, choca com a dura realidade que revela que mais de 70% do emprego criado \u00e9 com v\u00ednculos prec\u00e1rios e que 2 em cada 3 trabalhadores recebem um sal\u00e1rio bruto at\u00e9 1000\u20ac; que 43% recebem um sal\u00e1rio bruto at\u00e9 800 euros; que cerca de 1 milh\u00e3o de trabalhadores recebe o Sal\u00e1rio M\u00ednimo Nacional &#8211; 760 euros que se traduzem em 667 euros a cada final do m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este o n\u00edvel de desigualdades que urge inverter.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente aumentar significativamente os sal\u00e1rios para todos os trabalhadores, para melhorar de imediato as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e garantir o futuro do pa\u00eds. \u00c9 necess\u00e1rio p\u00f4r fim \u00e0 especula\u00e7\u00e3o que beneficia os grandes grupos econ\u00f3micos, controlar e reduzir os pre\u00e7os de bens e servi\u00e7os essenciais, taxar os lucros das grandes empresas, p\u00f4r os lucros da banca a suportar os aumentos da taxa de juro dos cr\u00e9ditos da habita\u00e7\u00e3o e alterar o rumo da pol\u00edtica que tem vindo a ser seguida e que empurra um n\u00famero crescente de trabalhadores para a pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta tem-se travado todos os dias, nos locais de trabalho e servi\u00e7os, em todos os sectores, em todo o pa\u00eds. S\u00e3o lutas cujo tempo de antena \u00e9 diminuto ou mesmo nenhum, mas que t\u00eam a for\u00e7a e o poder de alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor de quem trabalha, de garantir melhores sal\u00e1rios, direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 com estas lutas di\u00e1rias, das mais pequenas \u00e0s de maior envergadura, com confian\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o na for\u00e7a colectiva, que se abre o caminho para acabar com as injusti\u00e7as e desigualdades sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que escrevo este texto, decorre a discuss\u00e3o das propostas de altera\u00e7\u00e3o ao Or\u00e7amento do Estado (OE). Um OE que n\u00e3o responde aos problemas e n\u00e3o serve os trabalhadores nem o pa\u00eds, cuja op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 de manter o modelo de baixos sal\u00e1rios com ainda maior perda de poder de compra para os trabalhadores, nomeadamente para os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Por outro lado, deixa intocados os grandes grupos econ\u00f3micos, oferecendo-lhe mais possibilidades para continuarem a acumular riqueza. E enquanto assumem como prioridade a cria\u00e7\u00e3o de excedentes para abater a d\u00edvida respondendo \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es da UE, faltam nas medidas urgentes para responder aos sal\u00e1rios, \u00e0s pens\u00f5es, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste tempo que agora corre, os trabalhadores est\u00e3o em luta. Por um outro OE, que responda aos problemas, que valorize o trabalho e os trabalhadores, quest\u00e3o central para o desenvolvimento do pa\u00eds, por uma pol\u00edtica alternativa em que os interesses nacionais se sobreponham aos interesses do grande capital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que se coloca aos trabalhadores hoje, como ontem e nos dias que est\u00e3o para vir, \u00e9 a necessidade de intensificar a ac\u00e7\u00e3o e a interven\u00e7\u00e3o organizada em torno das suas justas reivindica\u00e7\u00f5es, pelo direito a trabalhar e a receber um sal\u00e1rio que permita viver com dignidade, pela distribui\u00e7\u00e3o da riqueza por quem a produz e pela defesa e investimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos e nas fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 ningu\u00e9m nega que vivemos e trabalhamos num pa\u00eds onde os baixos sal\u00e1rios e as baixas pens\u00f5es imperam. 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