{"id":7437,"date":"2023-12-05T00:53:13","date_gmt":"2023-12-05T00:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7437"},"modified":"2024-01-09T12:38:04","modified_gmt":"2024-01-09T12:38:04","slug":"heterogeneidade-em-creche-um-passo-para-a-autonomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/12\/05\/heterogeneidade-em-creche-um-passo-para-a-autonomia\/","title":{"rendered":"Heterogeneidade em creche:\u00a0um passo para a autonomia"},"content":{"rendered":"\n<p>Esta heterogeneidade et\u00e1ria reflete-se na diversidade das fam\u00edlias, das crian\u00e7as e das viv\u00eancias e interesses, o que tem demonstrado contributos a diferentes n\u00edveis no desenvolvimento das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel&nbsp;emocional, destacamos a estimula\u00e7\u00e3o da empatia, que promove a entreajuda; o sentimento de perten\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o;&nbsp;a autoconfian\u00e7a e a autoestima que se desenvolvem a partir da explora\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o preparado para desafiar crian\u00e7as em diferentes fases do seu desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel social, as crian\u00e7as mais capazes tornam-se o modelo, o exemplo, para as outras e a partilha de uns suscita novos pontos de interesse nos outros, por exemplo, o gosto pelos livros e pela leitura. Esta intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as de diferentes idades estimula a linguagem e a comunica\u00e7\u00e3o, a curiosidade, o esp\u00edrito cr\u00edtico e o respeito pelo outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a entrada da crian\u00e7a na creche, o meio que a rodeia deixa de ser apenas os familiares mais pr\u00f3ximos (pai, m\u00e3e, av\u00f3s e irm\u00e3os), passando a existir outros adultos e outras crian\u00e7as com os quais ir\u00e1 interagir. Nestes grupos heterog\u00e9neos, a intera\u00e7\u00e3o social com os pares e os adultos, estimula, por exemplo, a autonomia e \u00e9 nesta compet\u00eancia que nos vamos focar neste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A autonomia \u00e9 fundamental no desenvolvimento da crian\u00e7a, no seu dia-a-dia, e adv\u00e9m da vida em sociedade. Com a experi\u00eancia que temos vivido na creche, podemos observar que o desenvolvimento da autonomia acontece por fases. As crian\u00e7as come\u00e7am por desenvolver compet\u00eancias nos cuidados b\u00e1sicos de higiene e alimenta\u00e7\u00e3o, como agarrar a colher e comerem sozinhas, recusam ajuda do adulto e afirmam a sua autonomia dizendo \u201ceu consigo\u201d. Posteriormente, come\u00e7am a ser capazes de fazer escolhas do que querem ou n\u00e3o querem fazer, se querem ou n\u00e3o mais comida ou para onde querem ir. Mais tarde come\u00e7am a olhar para os pares e a ajud\u00e1-los no que precisam, por exemplo, dar-lhes a sua chucha quando est\u00e3o a chorar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o desenvolvimento da autonomia, as crian\u00e7as come\u00e7am a querer participar nas tarefas e responsabilidades do grupo e, ao realizarem estas tarefas, sentem-se mais \u201ccrescidas\u201d e refor\u00e7am a sua autoestima, autoconfian\u00e7a e autonomia.&nbsp;Muitas destas a\u00e7\u00f5es de autonomia s\u00e3o reflexo do que observam ao longo do tempo na creche. Quando uma crian\u00e7a est\u00e1 preparada e demonstra interesse em ir \u00e0 sanita, muitas vezes observou anteriormente outras crian\u00e7as a faz\u00ea-lo, portanto, quando chega a sua vez, \u00e9 algo que j\u00e1 viu como fazer e j\u00e1 sabe como \u00e9. A aprendizagem por observa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as j\u00e1 com certas compet\u00eancias adquiridas, \u00e9 outra caracter\u00edstica fundamental na promo\u00e7\u00e3o da autonomia, nos grupos heterog\u00e9neos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta forma de ver a crian\u00e7a como um ser capaz, competente e de ter um adulto que permite este espa\u00e7o de liberdade \u00e0 crian\u00e7a, demonstra tamb\u00e9m um grande respeito por ela. Tudo isto, fomenta a autonomia e transmite confian\u00e7a necess\u00e1ria \u00e0 cont\u00ednua explora\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E qual o papel do adulto neste processo? O adulto tem um papel fulcral no refor\u00e7o positivo que dirige \u00e0s crian\u00e7as; em estimular, apoiar a crian\u00e7a a fazer por si pr\u00f3pria; em criar oportunidades para que isso aconte\u00e7a e em criar um espa\u00e7o de liberdade e de livre acesso aos materiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo isto, desde o in\u00edcio da creche que os adultos enfrentam o desafio de responder \u00e0s necessidades de cada umas das crian\u00e7as; a dificuldade em balancear-se entre os mais pequenos que precisam de colo e aten\u00e7\u00e3o e os mais aut\u00f3nomos que requerem grande disponibilidade do adulto, porque est\u00e3o interessados, curiosos, com o sistema cognitivo mais desenvolvido e que precisam que o adulto lhes provoque novos est\u00edmulos. A gest\u00e3o entre estes dois polos \u00e9 talvez a grande inquieta\u00e7\u00e3o que os adultos sentem na pr\u00e1tica com grupos heterog\u00e9neos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Heterogeneidade ainda no ber\u00e7\u00e1rio\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A heterogeneidade e os seus benef\u00edcios est\u00e3o presentes ainda antes da creche, no ber\u00e7\u00e1rio. Se por um lado, recebemos crian\u00e7as que ainda n\u00e3o se sentam e pouco interagem com os outros, por outro lado, existem crian\u00e7as que j\u00e1 gatinham para chegar onde querem e que conseguem, \u00e0 sua maneira, fazer-se entender. Rapidamente se cria um afetuoso esp\u00edrito de grupo e um sentimento de prote\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos mais pequenos, que ajuda na manuten\u00e7\u00e3o de seu bem-estar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m acontece uns magoarem outros, de forma n\u00e3o propositada, e estas situa\u00e7\u00f5es favorecem a sensibiliza\u00e7\u00e3o para o desconforto que podem provocar e ajuda-os a perceber que um pedido de desculpas, traduzido por um abra\u00e7o ou um miminho, pode ter um efeito muito ben\u00e9fico. Assim, v\u00e3o-se apercebendo que os gestos de carinho ajudam a ultrapassar as situa\u00e7\u00f5es mais desagrad\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem in\u00fameras vantagens na conviv\u00eancia entre as crian\u00e7as crescidas, aqueles que j\u00e1 comem \u201csozinhas\u201d, que j\u00e1 s\u00e3o capazes de ajudar a arrumar o que desarrumam, que j\u00e1 se deslocam autonomamente para conseguir os seus objetivos, que j\u00e1 conseguem fazer-se entender, ainda que de forma n\u00e3o verbal, e os beb\u00e9s mais pequeninos, que acabam por adot\u00e1-los como modelo e que os motiva a evoluir.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u201cmistura\u201d de fases do desenvolvimento, ajuda a despertar nas crian\u00e7as a no\u00e7\u00e3o do valor da empatia, do respeito pelo outro, pelo diferente, pelo aparentemente menos capaz, sempre dentro de uma perspetiva em que a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 valorizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclu\u00edmos assim que os aspetos positivos na pr\u00e1tica com os grupos heter\u00f3genos superam todos os desafios que possamos encontrar, por isso continuamos a acreditar que faz todo o sentido a heterogeneidade mesmo com crian\u00e7as t\u00e3o pequenas, pois a import\u00e2ncia dada ao desenvolvimento pessoal e social, o investimento na coopera\u00e7\u00e3o e entreajuda \u00e9 fundamental para as etapas seguintes da vida da crian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Creche da Ajuda foi inaugurada em 2016 e foi pioneira na heterogeneidade dos grupos de creche n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Isto \u00e9, as salas sempre funcionaram com crian\u00e7as de idades compreendidas entre os 12 e os 36 meses. <\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":7438,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[206],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7437"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7437"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7594,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7437\/revisions\/7594"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7438"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7437"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}