{"id":7380,"date":"2023-11-08T22:31:07","date_gmt":"2023-11-08T22:31:07","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7380"},"modified":"2023-11-08T22:31:08","modified_gmt":"2023-11-08T22:31:08","slug":"esta-noite-grita-se-o-prodigioso-trabalho-da-companhia-cepa-torta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/11\/08\/esta-noite-grita-se-o-prodigioso-trabalho-da-companhia-cepa-torta\/","title":{"rendered":"Esta Noite GRITA-SE:\u00a0o prodigioso trabalho da Companhia Cepa Torta"},"content":{"rendered":"\n<p>Os ensaios acontecem quatro horas antes da estreia da primeira leitura da s\u00e9tima s\u00e9rie do \u201cEsta Noite GRITA-SE\u201d, iniciativa da Companhia Cepa Torta que acontece at\u00e9 Dezembro v\u00e1rios espa\u00e7os culturais de Lisboa (e Faro). O texto \u00e9 \u201cTatuagem\u201d, da dramaturga alem\u00e3 Dea Loher. O grupo criativo, formado em 1999, faz quest\u00e3o de frisar que s\u00e3o leituras interpretadas, e n\u00e3o encenadas. Os actores mudam consoante a pe\u00e7a, mantendo-se Filipe Abreu, um dos mentores do projecto, como narrador. Estamos numa sala da biblioteca do Pal\u00e1cio Galveias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Esta Noite GRITA-SE d\u00e1 a conhecer obras teatrais, salientando sobretudo a palavra e aquilo os actores trazem atrav\u00e9s dela, com a sua voz e o corpo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nos ensaios<\/h2>\n\n\n\n<p>Os actores come\u00e7am a leitura corrida da pe\u00e7a. Jo\u00e3o Lagarto d\u00e1 voz a Wolf do Forno, figura controversa de um texto que aborda a viol\u00eancia sexual e o incesto. J\u00falia dos c\u00e3es (Rita Dur\u00e3o) cala os abusos do marido a uma das filhas, Anita. Ana Cris, a actriz que a interpreta, transmite um lado de revolta e agressividade, resultado do ambiente doentio. A irm\u00e3 mais nova, Lulu (Beatriz Godinho), anda com v\u00e1rios homens, n\u00e3o se comprometendo com nenhum. Neste universo disfuncional, aparece a personagem de Paul (M\u00e1rio Coelho), que traz esperan\u00e7a a Anita para mudar de vida. \u00c9 preciso abandonar aquilo que o pai perpetua. Anita vai viver vida com Paul, mas acaba por n\u00e3o conseguir sair do ciclo vicioso em que cresceu. Entretanto, Lulu \u00e9 agora a presa de Wolf.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o ensaio, Filipe Abreu levanta-se para escutar em v\u00e1rias zonas da plateia. \u00c9 preciso perceber como v\u00e3o ser escutamos. No final, partilha as anota\u00e7\u00f5es que foi tirando com os colegas. Os outros actores escutam, e d\u00e3o as suas sugest\u00f5es. Tudo fica alinhavado para a estreia, que acontece da\u00ed a um par de hora. \u00c9 um ambiente descontra\u00eddo e de simult\u00e2nea concentra\u00e7\u00e3o sobre as personagens e os sentimentos de cada uma delas, momento a momento. Trata-se de aprofundar as palavras que Dea Loher escreveu. Afinal \u00e9 esse o trabalho do actor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O brilho que s\u00f3 o p\u00fablico traz<\/h2>\n\n\n\n<p>Perto da hora marcada, os actores, retomam os seus lugares. Dois minutos antes do arranque, In\u00eas Achando, da produ\u00e7\u00e3o, diz, referindo-se \u00e0s pessoas que esperam para entar, \u201cdevem ser \u00e0 volta de vinte\u201d. \u201cDivirtam-se o mais que puderem. \u00c9 (um texto) s\u00e1dico e negro.\u201d, acrescenta Miguel Abreu. \u201cVamos come\u00e7ar\u201d, termina In\u00eas, e sai para ir buscar os espectadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Miguel Maia, director art\u00edstico da Cepa Torta, observa tudo numa fila no fundo da sala. \u00c0 medida que os espectadores entram e se instalam, cresce o brilho nos olhos dos actores. S\u00e3o muitos mais do que vinte. Filipe Abreu apresenta a pe\u00e7a, as personagens e respectivos actores. N\u00e3o se esquece do baterista Miguel Sobral Curado (que acompanha musicalmente a leitura), nem da int\u00e9rprete de Linguagem Gestual Portuguesa (que traduz em simult\u00e2neo em gestos a palavra falada).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo acontece como no ensaio, mas&#8230; com mais intensidade. \u00c0 frente dos actores, ganham corpo aqueles que s\u00e3o o prop\u00f3sito destas leituras encenadas: os espectadores. No fundo, a raz\u00e3o de ser deste magn\u00edfico trabalho colectivo, que conta ainda S\u00f3nia Godinho (na fotografia), Beatriz Sousa (na produ\u00e7\u00e3o executiva) e James Newitt (no registo audiovisual).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E tudo acontece como se fosse a primeira e a \u00fanica vez.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura termina, e o brilho do olhar de todos mant\u00e9m: actores e as pessoas os foram ver e escutar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguem-se leituras de outras obras dramat\u00fargicas, algumas pouco divulgados. A \u00faltima ser\u00e1 \u201cTanque\u201d, de Sofia Perp\u00e9tua, vencedora do Pr\u00e9mio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina, que a Cepa Torta lan\u00e7a anualmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena estarmos atentos ao \u201cEsta Noite GRITA-SE\u201d: a estes textos e autores (como (David Ives e George Tabori) e actores. E, sobretudo, ao trabalho comunit\u00e1rio que a Companhia Cepa Torta tem desenvolvido nas \u00e1reas do teatro, da forma\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o culturais. Aut\u00eantico servi\u00e7o p\u00fablico para todos, e um pouco por todo o pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ensaios acontecem quatro horas antes da estreia da primeira leitura da s\u00e9tima s\u00e9rie do \u201cEsta Noite GRITA-SE\u201d, iniciativa da Companhia Cepa Torta que acontece at\u00e9 Dezembro v\u00e1rios espa\u00e7os culturais de Lisboa (e Faro). O texto \u00e9 \u201cTatuagem\u201d, da dramaturga alem\u00e3 Dea Loher. 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