{"id":7365,"date":"2023-11-08T22:14:20","date_gmt":"2023-11-08T22:14:20","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7365"},"modified":"2023-11-08T22:14:21","modified_gmt":"2023-11-08T22:14:21","slug":"ser-gente-de-ana-abel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/11\/08\/ser-gente-de-ana-abel\/","title":{"rendered":"Ser Gente,\u00a0de Ana Abel"},"content":{"rendered":"\n<p>A poesia que olha, como compromisso e testemunho, para o real, mesmo quando o real que percecionamos nos chega filtrado pelos m\u00e9dia; a poesia que se exp\u00f5e actuando sobre o corpo dos dias insanos, poesia de esconjuro e de revolta, de resist\u00eancia em nome da justi\u00e7a e de um devir mais pr\u00f3digo e igualit\u00e1rio parece, nestes tempos de feroz e suicid\u00e1rio individualismo, condenada ao fracasso. A democracia, mesmo esta burguesa e minguada, ainda atrelada &#8211; gra\u00e7as a alguns&nbsp;<em>valores&nbsp;<\/em>de Abril que ainda se mant\u00eam, dado haver quem por eles lute -, a uma aura de j\u00fabilo e de festa que subsiste nas ruas quando os dias maiores de Abril e Maio nos convocam, permite-nos, mesmo cercada pelos falc\u00f5es do passado e pela usura reinante, algum espa\u00e7o de respira\u00e7\u00e3o, de inconformismo e de esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A poesia, a arte em geral, que pensa o nosso tempo e dele tenta expurgar o lixo que o sufoca, ainda \u00e9 poss\u00edvel? J\u00e1 vivemos tempos bem mais violentos, pol\u00edtica e socialmente ignaros, e sobrevivemos. J\u00e1 n\u00e3o temos a PIDE, mas vivemos numa sociedade, diz-nos o fil\u00f3sofo sul-coreano Byung-Chul Han, \u201cque \u00e9 uma fus\u00e3o de&nbsp;<em>O Admir\u00e1vel Mundo Novo,&nbsp;<\/em>de Huxley, e de&nbsp;<em>1984,&nbsp;<\/em>de Orwell. Estamos sob vigil\u00e2ncia constante mas, paradoxalmente, sentimo-nos livres. Na realidade, o&nbsp;<em>smartphone,&nbsp;<\/em>que promete uma ideia de liberdade, \u00e9 uma pris\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O poeta \u00e9, neste complexo mundo, algu\u00e9m que pensa, que se interroga, que nos questiona, que nos quer libertos de toda a ganga que tende em alienar-nos. Ana Abel traz para este seu livro esse desassossego, essa humana inquieta\u00e7\u00e3o do Ser, logo presente no t\u00edtulo&nbsp;<em>SER GENTE,<\/em>&nbsp;afirma\u00e7\u00e3o que nos coloca \u201cde p\u00e9\u201d, que nos convoca para o mais digno da nossa condi\u00e7\u00e3o. \u00c9 de pessoas e da dignidade de Ser Humano, que estes poemas falam, num tom claro e coloquial. Fala-nos de vidas suspensas, ou \u00e0 margem, da alegria e do amor, fala-nos de Abril, mas de um Abril habitado, sempre como modo de respirar, luz, farol, acto fecundo e libert\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Abel, poeta que traz nas veias o combate urdido em dias cru\u00e9is, a insubmiss\u00e3o como lugar do Ser, n\u00e3o deixa por isso que estes tempos, em que a usura nos fere at\u00e9 aos ossos, lhe tolha a lira e a impe\u00e7a de cantar, de escrever poemas onde expressa o esc\u00e1rnio e a revolta, o amor e a determina\u00e7\u00e3o colectiva, que de longe vem como des\u00edgnio inscrito na pele, de&nbsp;<em>mudar o mundo.<\/em>Estes poemas de Ana Abel, em&nbsp;<em>SER GENTE,&nbsp;<\/em>rumando contra as vergonhas do nosso tempo, s\u00e3o o que dizem, a voz que neles habita \u00e9 uma voz l\u00facida, que olha os \u201coutros\u201d de frente, que dos poderes conhece as manhas, os ardis e os embustes e sobre esse poder e seus sequazes, desfere a lan\u00e7a das palavras as que, por perenes e justas, mais magoam. Partam para este livro de olhos, mente e bra\u00e7os bem abertos. Ver\u00e3o que vale a pena, porque |<em>A Poesia \u00e9 s\u00f3 uma\/Nasce de um olhar que v\u00ea\/De um sentir que se importa\/De um escutar que ouve\/De uma alma que se comove\/e sente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ser Gente, de Ana Abel \u2013 Edi\u00e7\u00e3o MODOCROMIA\/2023.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poesia que olha, como compromisso e testemunho, para o real, mesmo quando o real que percecionamos nos chega filtrado pelos m\u00e9dia; a poesia que se exp\u00f5e actuando sobre o corpo dos dias insanos, poesia de esconjuro e de revolta, de resist\u00eancia em nome da justi\u00e7a e de um devir mais pr\u00f3digo e igualit\u00e1rio parece, &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/11\/08\/ser-gente-de-ana-abel\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Ser Gente,\u00a0de Ana Abel<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7365"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7365"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7365\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7367,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7365\/revisions\/7367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7365"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}