{"id":7361,"date":"2023-11-08T22:10:15","date_gmt":"2023-11-08T22:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7361"},"modified":"2023-12-05T10:39:10","modified_gmt":"2023-12-05T10:39:10","slug":"margarida-tengarrinha-a-voz-das-camaradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/11\/08\/margarida-tengarrinha-a-voz-das-camaradas\/","title":{"rendered":"Margarida Tengarrinha, a voz das camaradas"},"content":{"rendered":"\n<p>Margarida Tengarrinha nasceu em Portim\u00e3o a 7 de maio de 1928&nbsp;e vem para Lisboa para estudar pintura na Escola Superior de Belas Artes (ESBAL) \u2013 uma escola onde imperava um academicismo conservador e onde o regime de Salazar n\u00e3o deixava de ter m\u00e3o. Inspirada pelas greves dos anos 30 e, posteriormente, pela derrota do nazi-fascismo (como sempre se referiu a essa nuvem que assombrou o mundo da sua inf\u00e2ncia) em 1945, Margarida Tengarrinha d\u00e1 os seus primeiros passos na atividade pol\u00edtica quando se junta, j\u00e1 no final dos anos de 1940 ao MUD Juvenil, acompanhada por muitos escritores e artistas ligados a um ainda jovem movimento Neorrealista.<\/p>\n\n\n\n<p>Da sua carreira art\u00edstica, nessa \u00e9poca, destaca-se a sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 gravura \u2013 t\u00e9cnica que n\u00e3o era lecionada nas escolas de artes e que proporcionava a democratiza\u00e7\u00e3o da arte, permitindo aos artistas uma produ\u00e7\u00e3o significativa das suas obras e uma aproxima\u00e7\u00e3o maior ao povo. Tengarrinha v\u00ea na gravura uma ferramenta t\u00e9cnica fundamental para a concretiza\u00e7\u00e3o dos objetivos a que o pr\u00f3prio Neorrealismo se propunha e assume, com outros artistas, como Cipriano Dourado ou o seu companheiro de ent\u00e3o, Jos\u00e9 Dias Coelho, um papel determinante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m com estes e outros artistas que Margarida Tengarrinha vai organizar as Exposi\u00e7\u00f5es Gerais de Artes Pl\u00e1sticas, na Sociedade Nacional de Belas Artes &#8211; um acontecimento que iria demonstrar a resist\u00eancia dos artistas portugueses ao modelo cultural imposto pelo fascismo atrav\u00e9s do Secretariado Nacional de Informa\u00e7\u00e3o, criado por Ant\u00f3nio Ferro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sua milit\u00e2ncia e a forma corajosa como se manifestou pela paz e contra a ades\u00e3o de Portugal \u00e0 NATO v\u00e3o valer-lhe a expuls\u00e3o da ESBAL. Pouco depois, Margarida Tengarrinha adere ao Partido Comunista Portugu\u00eas, assume tarefas de redatora de um boletim chamado \u201cA Voz das Camaradas\u201d, dedicado \u00e0s mulheres comunistas, e mergulha na clandestinidade, com Jos\u00e9 Dias Coelho, integrando a dire\u00e7\u00e3o do jornal Avante! Ap\u00f3s o assassinato de Dias Coelho, parte para Moscovo com \u00c1lvaro Cunhal e, com passagem pela Rom\u00e9nia, integra o corpo redatorial da R\u00e1dio Portugal Livre.<\/p>\n\n\n\n<p>A milit\u00e2ncia de Margarida Tengarrinha fez com que, abnegadamente, desse menos prioridade ao seu trabalho art\u00edstico e fosse uma das grandes construtoras do caminho para a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, ap\u00f3s a qual continuou uma prof\u00edcua atividade pol\u00edtica, fosse como dirigente do PCP, fosse como uma personalidade de grande prest\u00edgio, requisitada para v\u00e1rias palestras, entrevistas e iniciativas pol\u00edtico-culturais, onde nunca desligou a milit\u00e2ncia comunista da luta das mulheres e de uma conce\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para as artes e para a cultura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Partilhou a sua vida com o seu companheiro de muitos anos, o militante comunista e resistente antifascista Carlos Costa, que viu partir em 2021. Voltou a dar aulas, tendo nos \u00faltimos anos dado um contributo para a Universidade S\u00e9nior do Algarve e continuando a sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, com uma linha fina e ensombrada, quase que anunciando o fim de um ciclo, quase como se se despedisse de n\u00f3s, mas sem nunca perder a alegria e o desassombro na voz \u2013 essa voz erguida para o futuro como um punho emancipador e revolucion\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da democracia portuguesa n\u00e3o pode ser contada sem a hist\u00f3ria da resist\u00eancia portuguesa ao fascismo e a hist\u00f3ria da resist\u00eancia portuguesa n\u00e3o se pode contar sem uma das muitas mulheres que, com coragem e esperan\u00e7a, deu um contributo insubstitu\u00edvel para a constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds que quisemos inventar. <\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":7362,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[54],"tags":[],"coauthors":[92],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7361"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7361"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7492,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7361\/revisions\/7492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7361"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}