{"id":7331,"date":"2023-11-08T19:04:51","date_gmt":"2023-11-08T19:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7331"},"modified":"2023-11-08T19:04:52","modified_gmt":"2023-11-08T19:04:52","slug":"manuel-joaquim-de-sousa-secretario-geral-da-cgt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/11\/08\/manuel-joaquim-de-sousa-secretario-geral-da-cgt\/","title":{"rendered":"Manuel Joaquim de Sousa, secret\u00e1rio-geral da CGT"},"content":{"rendered":"\n<p>Passam este m\u00eas 140 anos do nascimento de uma figura cimeira na hist\u00f3ria do sindicalismo em Portugal: Manuel Joaquim de Sousa.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o secret\u00e1rio-geral da CGT no seu apogeu, entre 1919 e 1922. Fez parte do naipe not\u00e1vel de militantes que assumiram esse posto, com Jos\u00e9 Santos Arranha, Manuel da Silva Campos e M\u00e1rio Castelhano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nesse per\u00edodo, dirigiu o jornal&nbsp;<em>A Batalha<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sapateiro<\/h2>\n\n\n\n<p>Manuel Joaquim de Sousa nasceu a 24 de novembro de 1883, num bairro perif\u00e9rico da cidade do Porto. Filho de analfabetos, como a grande maioria dos portugueses de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu pai era um sapateiro, oriundo de uma aldeia da Serra da Estrela. A m\u00e3e era \u201ddistribuidora de p\u00e3o pelas manh\u00e3s e dobadora de algod\u00e3o pelas noites fora\u201d, al\u00e9m dos \u201clabores caseiros\u201d. E provinha do interior rural do distrito do Porto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o futuro l\u00edder da CGT s\u00f3 fez o 2\u00ba ano de escolaridade. Tornou-se trabalhador assalariado quando era crian\u00e7a. Depois de ter sido aprendiz de alfaiate e de torneiro, aos 12 anos de idade abra\u00e7ou o of\u00edcio de sapateiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra nota da sua inf\u00e2ncia foi ter um irm\u00e3o mais velho a ser preso pol\u00edtico, por atividade sindical, sob o regime da monarquia \u2018liberal\u2019.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anarquismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Manuel Joaquim de Sousa abra\u00e7ou em jovem o ideal anarquista. E at\u00e9 ao fim da vida permaneceu fiel \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel sindical, salientou-se logo a seguir \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, em 1910, no \u00abComit\u00e9 de Propaganda Sindicalista do Porto\u00bb. E da\u00ed seguiu um percurso de organizador e porta-voz da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi secret\u00e1rio-geral da \u00abUni\u00e3o Geral dos Trabalhadores da Regi\u00e3o Norte\u00bb e da sec\u00e7\u00e3o norte da \u00abUni\u00e3o Oper\u00e1ria Nacional\u00bb. Antes de se radicar em Lisboa e de assumir a lideran\u00e7a nacional da \u00abConfedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho\u00bb (CGT), em 1919.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto sindicalista, Manuel Joaquim de Sousa dedicou-se a quest\u00f5es laborais como sal\u00e1rios e hor\u00e1rio de trabalho. Mas tamb\u00e9m se consagrou a outras causas, com especial \u00eanfase para a defesa da paz.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto europeu, ele fez parte da minoria de dirigentes oper\u00e1rios que souberam manter os princ\u00edpios de solidariedade internacionalista perante a carnificina da 1\u00aa Guerra Mundial (1914-18).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto tantos outros se renderam \u00e0 influ\u00eancia dos nacionalismos, manipulados por diversos governos para alimentar o conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi inclusivamente preso e expulso de Espanha, em 1915, pelo \u2018delito\u2019 de participar numa confer\u00eancia internacional pela paz. Numa das v\u00e1rias vezes que ele foi preso pol\u00edtico, sob diferentes regimes, em Portugal e em Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltou a ser encarcerado no pa\u00eds vizinho, em 1923. Numa das ocasi\u00f5es que ali se deslocou para contactos com os seus hom\u00f3logos da central sindical CNT (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Trabalho).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antifascismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Manuel Joaquim de Sousa esteve no centro das disc\u00f3rdias que dividiram o movimento sindical portugu\u00eas, nos anos 1920. Entre as correntes anarquista e comunista, e no seio da corrente anarquista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, por outro lado, empenhou-se na defesa da independ\u00eancia de classe do movimento sindical. E bateu-se pela liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esteve na resist\u00eancia antifascista desde a primeira hora. Foi um dos oradores no com\u00edcio oper\u00e1rio contra a ditadura que ainda foi poss\u00edvel realizar, em Lisboa, dias depois do golpe militar de 28 de Maio de 1926.<\/p>\n\n\n\n<p>Regressou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da CGT na clandestinidade, depois dessa central sindical ter sido ilegalizada, em 1927. E foi um impulsionador do movimento anarquista clandestino.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Voz do Oper\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Outubro de 1919, o jornal A Voz do Oper\u00e1rio festejou 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>E deve ter sido, at\u00e9 hoje, o seu anivers\u00e1rio mais radical.<\/p>\n\n\n\n<p>A 1\u00aa guerra mundial tinha deixado quase toda a Europa numa profunda crise social. E a Revolu\u00e7\u00e3o Russa abalava o mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por c\u00e1, tinham so\u00e7obrado a ditadura de Sid\u00f3nio Pais e a breve restaura\u00e7\u00e3o da monarquia no Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>No movimento oper\u00e1rio e sindical, os \u00e2nimos estavam ao rubro. Nesse festejo de A Voz do Oper\u00e1rio, um dos oradores foi J\u00falio Caixinhas, da Uni\u00e3o de Sindicatos Oper\u00e1rios de Lisboa. E ele n\u00e3o fez a coisa por menos: defendeu \u201cque dentro em breve o povo trabalhador se lance na rua, de armas em punho, a fim de destruir por completo a sociedade burguesa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Jos\u00e9 Augusto Machado, do Partido Socialista, falou \u201centusiasticamente sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Social Russa\u201d. E \u201cno fim do seu discurso, foram erguidas delirantes aclama\u00e7\u00f5es \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa e \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Joaquim de Sousa j\u00e1 era o secret\u00e1rio-geral da CGT e usou da palavra em nome do jornal&nbsp;<em>A Batalha<\/em>. Afirmou que estavam \u201cprestes a desaparecer os privil\u00e9gios e desigualdades sociais\u201d [\u00abA Batalha\u00bb, 13.10.1919, p.2].<\/p>\n\n\n\n<p>Esta ret\u00f3rica refletia o contexto internacional, no qual brotaram mesmo situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias anticapitalistas em diferentes pa\u00edses, como Alemanha, Hungria ou It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bairro da Gra\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Lisboa, Manuel Joaquim de Sousa morou aqui perto de A Voz do Oper\u00e1rio, na \u00abVila C\u00e2ndida\u00bb. Na d\u00e9cada de 1930, dinamizou um grupo anarquista clandestino do bairro da Gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, al\u00e9m de ter sido preso, a sa\u00fade faltou-lhe cedo. Faleceu com apenas 61 anos de idade, em 27 de fevereiro de 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>A Voz do Oper\u00e1rio fez-se representar no seu funeral pelo presidente da assembleia geral, Alberto Monteiro.Tamb\u00e9m ele um antigo sindicalista e ex-preso pol\u00edtico antifascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de in\u00fameros artigos de imprensa, Manuel Joaquim de Sousa escreveu alguns livros, como \u00abSindicalismo e A\u00e7\u00e3o direta\u00bb (1911); \u00abO sindicalismo em Portugal\u00bb (1931) e \u00abOs \u00faltimos tempos de a\u00e7\u00e3o sindical livre e do anarquismo militante\u00bb (este \u00faltimo s\u00f3 foi publicado depois do 25 de Abril).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi o secret\u00e1rio-geral da CGT no seu apogeu, entre 1919 e 1922. 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