{"id":7301,"date":"2023-10-25T11:41:21","date_gmt":"2023-10-25T11:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7301"},"modified":"2023-11-08T22:34:49","modified_gmt":"2023-11-08T22:34:49","slug":"alcina-lourenco-uma-vida-despejada-em-10-minutos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/10\/25\/alcina-lourenco-uma-vida-despejada-em-10-minutos\/","title":{"rendered":"Alcina Louren\u00e7o. Uma vida despejada em 10 minutos"},"content":{"rendered":"\n<p>Lisboa amanhece de lavado depois de um dia passado a chuva. Depois de dar banho ao pai, de 89 anos, Alcina Louren\u00e7o aquece \u00e1gua e prepara-lhe o pequeno almo\u00e7o e a medica\u00e7\u00e3o quando \u00e9 surpreendida por fortes murros na porta. A pol\u00edcia avisa-a de que se n\u00e3o a abrir t\u00eam de a arrombar \u00e0 for\u00e7a. Do lado de fora, mais de uma dezena de homens fardados e um agente de execu\u00e7\u00e3o, segundo Alcina, que d\u00e1 10 minutos para abandonarem a casa. Do lado de dentro, uma vida inteira para despejar num piscar de olhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando A Voz do Oper\u00e1rio chega ao n\u00famero 34 da Rua de Arroios, esta mulher \u00e9 uma ilha de l\u00e1grimas rodeada de caixotes na entrada do pr\u00e9dio. Acaba de cruzar pela \u00faltima vez a porta da casa onde vivia desde os seis anos de idade. O pai, de cadeira de rodas, aguarda no apartamento de uma vizinha depois de ter sido posto no hall de entrada. De acordo com Alcina, n\u00e3o apareceu nenhum assistente social nem ningu\u00e9m da autarquia esta manh\u00e3 que pudesse garantir uma alternativa a esta fam\u00edlia. N\u00e3o sabe onde \u00e9 que v\u00e3o dormir esta noite.<\/p>\n\n\n\n<p>O despejo estava inicialmente marcado para 3 de outubro e foi cancelado devido \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de movimentos como a STOP Despejos, a Habita e o Porta a Porta que se juntaram no local para impedir a interven\u00e7\u00e3o policial. \u201cAndei a pedir ajuda a associa\u00e7\u00f5es e mandei v\u00e1rias cartas ao senhorio mas n\u00e3o me respondeu. Hoje, veio o tribunal e disse-me que tinha de sair\u201d, afirma Alcina \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio. \u201c[H\u00e1 semanas], propuseram uma solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o dava condi\u00e7\u00f5es ao meu pai e eu recusei\u201d, justifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Alcina vivia com o pai e uma tia desde pequena. A familiar morreu h\u00e1 cinco anos e, como a casa estava arrendada no nome da tia, o propriet\u00e1rio decidiu despejar o resto da fam\u00edlia. Quando a pol\u00edcia lhe bateu \u00e0 porta, preparava-se para trabalhar. \u201cFa\u00e7o umas horas para poder sobreviver, al\u00e9m da reforma do meu marido e do meu pai\u201d. O propriet\u00e1rio pediu um aumento da renda e Alcina fez uma contraproposta explicando que tinha o marido doente. Segundo a pr\u00f3pria, nunca ter\u00e1 deixado de pagar o aluguer, mesmo com o contrato em nome da tia. Do outro lado da rua, do Areeiro at\u00e9 ao Martim Moniz, sobretudo na Avenida Almirante Reis, multiplicam-se as tendas com pessoas sem abrigo, muitas vezes apenas com um saco-cama. <\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, o P\u00fablico noticiava que os pedidos de despejo por parte de propriet\u00e1rios tinham aumentado 22,6% no primeiro semestre de 2023 face a igual per\u00edodo do ano anterior. Foram 1412 os requerimentos de procedimento especial de despejo que deram entrada no Balc\u00e3o Nacional de Arrendamento entre janeiro e junho deste ano. Em quatro anos, segundo o Expresso, o n\u00famero de sem abrigo cresceu 78%. S\u00e3o 10.773 pessoas a viver na rua face aos 6044 de 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alcina Louren\u00e7o, despejada esta manh\u00e3, encontra-se neste momento, com associa\u00e7\u00f5es, dentro do Minist\u00e9rio da Habita\u00e7\u00e3o para exigir uma reuni\u00e3o com a ministra.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7302,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7301"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7301"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7389,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7301\/revisions\/7389"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7301"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}