{"id":7269,"date":"2023-10-10T10:55:22","date_gmt":"2023-10-10T10:55:22","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7269"},"modified":"2023-10-25T11:49:21","modified_gmt":"2023-10-25T11:49:21","slug":"francisco-geraldes-a-financeirizacao-do-futebol-poe-em-causa-a-essencia-do-jogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/10\/10\/francisco-geraldes-a-financeirizacao-do-futebol-poe-em-causa-a-essencia-do-jogo\/","title":{"rendered":"Francisco Geraldes. A financeiriza\u00e7\u00e3o do futebol p\u00f5e em causa a ess\u00eancia do jogo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">Passou por clubes, entre outros, como o Sporting, Rio Ave, Estoril e agora o Baniyas. Como \u00e9 que chega ao futebol?<\/h2>\n\n\n\n<p>O meu col\u00e9gio tinha uma esp\u00e9cie de equipa que participava em alguns torneios de fim de semana ou de ver\u00e3o. Lembro-me que a primeira vez que tive um torneio foi no Col\u00e9gio S\u00e3o Jo\u00e3o de Brito, onde jog\u00e1mos contra o Sporting, Benfica e por a\u00ed. Acho que ficou sinalizado eu ir treinar ao clube e, entretanto, as coisas acabaram por n\u00e3o acontecer. Eu tamb\u00e9m treinava numas escolinhas s\u00f3 como desporto ali na Cidade Universit\u00e1ria, em que um dos treinadores era pr\u00f3ximo de outro treinador do Sporting, o mister Tiago Capaz e o mister Hugo Cruz. Fui fazer um treino ao Sporting e fiquei. A partir da\u00ed \u2013 tinha oito anos ou sete, j\u00e1 nem me lembro \u2013 nunca mais sa\u00ed do Sporting at\u00e9 aos 23 ou 24 quando fui para o Rio Ave.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">Acha dif\u00edcil gerir as expetativas, sobretudo dos mais jovens, mas tamb\u00e9m dos pais, quando muitas vezes h\u00e1 a ideia de que o futebol \u00e9 um investimento de futuro?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu acho que isso tem muitas camadas. A minha vida no futebol, se eu pensar desde que comecei, desde os oito, at\u00e9 \u00e0 fase final de forma\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aos dezoito\u2026 Se eu lhe disser que [fui o \u00fanico que] acabei, que conseguiu profissionalizar-se, dessa minha equipa\u2026 Foram entrando outros jogadores ao longo do tempo que tamb\u00e9m terminaram, mas se eu pensar que, desde que comecei, quem foram os jogadores que me acompanharam, eu n\u00e3o me lembro de ningu\u00e9m. Obviamente que, l\u00e1 est\u00e1 novamente, com doze, com treze j\u00e1 h\u00e1 alguns \u2013 o Daniel Podence, o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Palhinha que fez outro percurso mas tamb\u00e9m chegou l\u00e1 \u2013 mas isto para dizer que a malha \u00e9 muito apertada, a maioria, sei l\u00e1, diria que 95% dos mi\u00fados n\u00e3o chegam a patamares, quer profissionais e obviamente que isso ter\u00e1 sempre as suas condicionantes muito particulares, dependendo de caso a caso, mas gerir isso n\u00e3o \u00e9 de todo uma quest\u00e3o f\u00e1cil, principalmente porque eu vejo muitos pais que colocam uma press\u00e3o muito grande que n\u00e3o condiz com a realidade. N\u00f3s vemos no futebol muita dificuldade de gest\u00e3o nesse sentido porque os pais querem participar muito, metem-se muito nas quest\u00f5es relacionadas com treinadores, das equipas e pronto, no final deposita-se muita esperan\u00e7a numa coisa que estatisticamente, \u00e0 partida, n\u00e3o vai correr bem sequer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">Pegando nessa quest\u00e3o das expetativas, tem falado muito da import\u00e2ncia da sa\u00fade mental. \u00c9 dif\u00edcil gerir a parte psicol\u00f3gica quando se joga no primeiro escal\u00e3o do futebol profissional?&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim, primeiro porque, obviamente, isto assenta tudo numa quest\u00e3o de competitividade e por muito que as pessoas digam \u201cok, mas isto \u00e9 um trabalho de equipa e tal\u201d, mas tu acabas at\u00e9 por competir com os teus colegas de equipa e tentas sempre fazer tudo o que seja poss\u00edvel para estares \u00e0 frente e seres melhor e treinares mais. Abdicas \u2013 posso falar at\u00e9 no meu caso particular, abdiquei de tudo e mais alguma coisa \u2013 e depois as coisas se calhar n\u00e3o correm da forma como tu idealizavas, e isso tem um pre\u00e7o a pagar. Umas vezes mais alto do que outras, depende de pessoa para pessoa tamb\u00e9m, mas tem sempre o seu peso. E se n\u00e3o h\u00e1 esse acompanhamento, que falha muito no futebol, tanto nos clubes grandes como nos clubes mais pequenos principalmente \u2013 obviamente porque nem sequer h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o grande com a exist\u00eancia de psic\u00f3logos, ainda \u00e9 um pouco um tabu, por isso o jogador, o atleta, o mi\u00fado fica sempre deixado a si mesmo, \u00e0quilo que pode sentir ou n\u00e3o sentir, e a forma como lida com isso, na maioria das vezes, \u00e9 prejudicial e n\u00e3o tem ajuda profissional para saber lidar com isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">Hoje, muitas vezes, mais do que apenas jogadores, alguns futebolistas s\u00e3o tamb\u00e9m marcas. T\u00eam uma vida empresarial extra-futebol. Isto afecta o pr\u00f3prio jogo?<\/h2>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 verdade a partir do momento em que tudo se mercantiliza, n\u00e3o \u00e9? Tudo se vende, tudo se compra. Agora vemos pela quest\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita. N\u00e3o interessa muito se o jogador \u00e9 bom ou n\u00e3o, ou se j\u00e1 foi muito bom, se foi menos bom, o que interessa \u00e9 a hist\u00f3ria que deixou, aquilo que fez, o seu nome, por isso, nessa perspetiva acaba por ter impacto. Novamente essa quest\u00e3o da mercantiliza\u00e7\u00e3o, se muda o jogo? Sim, obviamente que sim porque, primeiro, os atletas fazem cada vez mais jogos, n\u00e3o est\u00e3o obviamente com capacidades finitas, do ponto de vista f\u00edsico. Os melhores jogadores do mundo fazem entre 60 a 70 jogos por \u00e9poca e isso obviamente que tem o seu impacto na performance dos jogadores, at\u00e9 na pr\u00f3pria sa\u00fade mental dos pr\u00f3prios \u2013 para al\u00e9m da f\u00edsica, obviamente \u2013 por isso h\u00e1 aqui uma esp\u00e9cie de uma din\u00e2mica diferente a acontecer. O pr\u00f3prio Pedro Proen\u00e7a, o presidente da Liga [de Clubes], falou disso em coment\u00e1rios recentes sobre aquilo que os adeptos procuram hoje, que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam paci\u00eancia para ver um jogo. Por isso toda esta envolv\u00eancia das coisas terem que ser feitas mais r\u00e1pido para vender e esta obsolesc\u00eancia programada de que o que foi feito ontem j\u00e1 n\u00e3o vale tamb\u00e9m serve para o futebol.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">A financeiriza\u00e7\u00e3o do futebol elevou o neg\u00f3cio do desporto a n\u00edveis estratosf\u00e9ricos. Recordo a proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma Superliga Europeia para os clubes mais ricos. No caso de Portugal, tem levado a graves problemas em v\u00e1rios clubes atrav\u00e9s das SAD que os usam apenas enquanto d\u00e1 lucro. V\u00ea isto como um problema?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei, eu acho que o problema ser\u00e1 sempre estrutural. Ou seja, haver\u00e1 sempre maneira de contornar essa quest\u00e3o porque, como o objetivo \u00e9 a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro\u2026 A ferida \u00e9 t\u00e3o profunda que ser\u00e1 sempre p\u00f4r um penso por cima e n\u00e3o corrigir na totalidade. Em Portugal, temos exemplos disso em clubes que abrem, que constituem SAD e depois ningu\u00e9m sabe quem \u00e9 o dono, e que de repente desaparece e o clube tamb\u00e9m desaparece em si. O Aves \u00e9 um exemplo disso e h\u00e1 muitos. E, obviamente, que essa quest\u00e3o da Superliga Europeia acho que \u00e9 uma tend\u00eancia natural, vai acontecer porque, l\u00e1 est\u00e1, se o objetivo \u00e9 vender e maximizar o lucro, as pessoas n\u00e3o v\u00e3o querer ver jogos \u2013 como aquilo de que est\u00e1vamos a falar ainda h\u00e1 pouco \u2013 entre equipas ditas pequenas e criando uma Superliga Europeia as melhores jogam sempre contra as melhores. O p\u00fablico quer \u00e9 ver isso, por isso acho que \u00e9 um passo natural, infelizmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">H\u00e1 cada vez mais leis repressivas contra as claques. Acha que \u00e9 poss\u00edvel um futebol sem adeptos, como se as pessoas fossem a um concerto? Recordo o caso da B-SAD com bancadas vazias.<\/h2>\n\n\n\n<p>Ser poss\u00edvel em termos pr\u00e1ticos \u00e9, agora se desvirtua aquilo que \u00e9 o jogo pela ess\u00eancia hist\u00f3rica isso \u00e9 mais do que \u00f3bvio. Isso \u00e9 um bom exemplo porque a B-SAD, lembro-me, tinha, sei l\u00e1, 15 adeptos? Deviam ser familiares e amigos. Isso desvirtua muito o jogo. Agora, em rela\u00e7\u00e3o ao tema dos adeptos, eu acho que os jogadores gostam e apoiam, e para eles \u00e9 um valor acrescentado ao jogo, por isso nem sequer faz muito sentido que se termine com esta organiza\u00e7\u00e3o dentro das franjas dos adeptos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">Disse numa entrevista que muito do seu pensamento mais ideol\u00f3gico vinha do futebol. Como aconteceu isso?<\/h2>\n\n\n\n<p>Cresci num col\u00e9gio, s\u00f3 rodeado de gente com muitas possibilidades na sua maioria e, nesse sentido, cresci numa bolha, tamb\u00e9m com a minha fam\u00edlia super estruturada, nunca faltou nada, mas isso era at\u00e9 \u00e0s quatro da tarde. Depois das quatro da tarde, entrava na outra bolha e isso foi uma coisa que eu agrade\u00e7o imenso, em termos gen\u00e9ricos, ter tido essa possibilidade porque mostrou-me o que \u00e9 o mundo real fora daquilo que eu vivia. Criei amigos e cresci com diferentes tipos socioecon\u00f3micos. De fam\u00edlias, de pessoas que passavam mesmo muitas dificuldades. Eu tinha um colega meu que era t\u00e3o magro porque mal comia quando chegava a casa depois dos treinos. Ele era muito mais novo mas eu lembro-me dessa hist\u00f3ria porque foi muito impactante. E ter essa realidade fora da bolha de onde eu vivia fez-me, acima de tudo, colocar muitas quest\u00f5es. Perceber como \u00e9 que as coisas se organizam e o que \u00e9 que leva as pessoas a passarem tantas dificuldades e a viverem o futebol como uma b\u00f3ia de salva\u00e7\u00e3o para a sua vida. Isto responde tamb\u00e9m um bocado \u00e0 sua pergunta inicial e fez-me levar por caminhos completamente opostos \u00e0quilo que era a minha forma de ver e gostar do mundo: \u2018ok, isto n\u00e3o faz sentido e as desigualdades t\u00eam for\u00e7osamente que ser corrigidas\u2019. Isso levou-me ao \u2018como\u2019. E para isso tenho andado a estudar e a consciencializar-me cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">\u00c9 pouco comum que futebolistas usem a visibilidade medi\u00e1tica para defenderem posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Recordo S\u00f3crates, Maradona, Cantona. Vejo-o faz\u00ea-lo muitas vezes nas redes sociais. Quais s\u00e3o as suas refer\u00eancias pol\u00edticas no futebol?<\/h2>\n\n\n\n<p>Mencionou as duas maiores, o S\u00f3crates e o Maradona. O S\u00f3crates obviamente que \u00e9 uma lenda no Brasil, uma voz muito ativa contra a ditadura militar no Brasil, com aquele cl\u00e1ssico da fita na cabe\u00e7a, e o Maradona, pronto, pela sua sempre forma de estar irreverente, tamb\u00e9m com o esp\u00edrito muito exacerbado anti-imperialista. S\u00e3o influ\u00eancias enormes na minha forma de estar e de tamb\u00e9m de encarar o desporto como um ve\u00edculo de consciencializa\u00e7\u00e3o das massas, acima de tudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">Tem havido, ao longo dos anos, alguns casos de racismo, sobretudo das bancadas, contra jogadores em Portugal e noutros pa\u00edses. Sente que \u00e9 poss\u00edvel unir os atletas em torno de quest\u00f5es concretas? Voc\u00eas, no balne\u00e1rio, na vossa vida pessoal, quando saem \u00e0 noite, conversam sobre estas quest\u00f5es?&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais no balne\u00e1rio, \u00e0s vezes. Aqui ainda n\u00e3o tive essa experi\u00eancia mas quando estava no Estoril, num passado mais recente, fal\u00e1vamos disso \u00e0s vezes, sim. Eu lembro-me da quest\u00e3o do Vin\u00edcius. Quando tamb\u00e9m estruturalmente tens o presidente da Liga espanhola a desvalorizar por completo, at\u00e9 com declara\u00e7\u00f5es racistas para com o Vin\u00edcius, percebemos que o problema \u00e9 muito maior do que vinte mil adeptos que est\u00e3o, ou dez ou cinco mil naquele jogo em concreto, em Val\u00eancia, percebemos que o problema \u00e9 muito maior que esse, dos pr\u00f3prios adeptos.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que o mais importante era fazer reformas muito mais estruturais e perceber porque \u00e9 que o racismo \u00e9 uma coisa t\u00e3o premente, que \u00e9 t\u00e3o banal na nossa sociedade e perceber de onde \u00e9 que vem e como corrigir. Isso acima de tudo era o melhor caminho a ser feito, e n\u00e3o uma de \u2018pronto, os jogadores est\u00e3o unidos\u2019 mas antes de o que \u00e9 que estruturalmente te leva a isto? \u00c9 mais por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"pergunta\">H\u00e1 quem o ataque pelas posi\u00e7\u00f5es que assume, claramente de esquerda, ao ter decidido jogar para a Ar\u00e1bia, como se fosse uma contradi\u00e7\u00e3o. Como viu estas cr\u00edticas?<\/h2>\n\n\n\n<p>As cr\u00edticas quando v\u00eam da direita, nesse sentido, d\u00e3o-me vontade de rir porque nota-se perfeitamente que nunca abriram um livro sobre socialismo, nunca leram nada. J\u00e1 sabemos que qualquer coisa que uma pessoa de esquerda fa\u00e7a \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o: ter um telefone, ter uma casa, ter um carro. Uma coisa que \u00e9 perfeitamente aned\u00f3tica porque uma pessoa vive dentro do sistema e n\u00e3o se pode afastar dele. Depois, \u00e9 esta quest\u00e3o do moralismo, n\u00e3o \u00e9? Dos pa\u00edses bons e dos pa\u00edses maus. Nem parece que n\u00f3s fazemos parte de um pa\u00eds que tem imensos sem-abrigo, em que pessoas passam fome. Somos amigos de pa\u00edses como Fran\u00e7a, Inglaterra, Estados Unidos, que s\u00f3 no Iraque [mataram] 400 mil\u2026 Por isso, l\u00e1 est\u00e1, esta perspetiva moralista e idealista, que \u00e9 obviamente oposta \u00e0quilo que \u00e9 o materialismo hist\u00f3rico de Marx, \u00e9 tornar a discuss\u00e3o muito rasa. No outro dia li que na Ar\u00e1bia Saudita executaram 100 pessoas Se n\u00f3s pensarmos \u2013 e isto n\u00e3o \u00e9 uma contraposi\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma defesa da Ar\u00e1bia Saudita, obviamente que isto \u00e9 sempre conden\u00e1vel \u2013 mas se n\u00f3s pensarmos e olharmos para as estat\u00edsticas, em 2022, a pol\u00edcia americana matou 1777 pessoas. Por isso, o pr\u00f3prio Estado americano mata onze vezes mais do que Ar\u00e1bia Saudita num ano. O pr\u00f3ximo mundial ser\u00e1 nos Estados Unidos e n\u00e3o vou ver de certeza absoluta ningu\u00e9m a levantar este tipo de quest\u00f5es da moralidade, direitos humanos, quando falamos de um pa\u00eds que tem a maior percentagem de presos em termos absolutos e em termos relativos do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresceu numa fam\u00edlia economicamente est\u00e1vel e estudou em \u201cbons\u201d col\u00e9gios. Foi o futebol que o p\u00f4s em contacto com as desigualdades sociais. N\u00e3o esquece o colega que passava fome e a partir da\u00ed come\u00e7ou a ganhar consci\u00eancia pol\u00edtica. Formado no Sporting, o jogador passou, para al\u00e9m de Alvalade, por v\u00e1rios clubes do primeiro escal\u00e3o. Agora joga nos Emirados \u00c1rabes Unidos. Tem um livro publicado e est\u00e1 a ler os discursos de Salvador Allende. Anti-imperialista como S\u00f3crates e Maradona, Francisco Geraldes aprendeu que o futebol pode ser uma ferramenta pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7270,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7269"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7269"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7305,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7269\/revisions\/7305"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7269"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}