{"id":7200,"date":"2023-09-05T11:48:52","date_gmt":"2023-09-05T11:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7200"},"modified":"2023-10-10T11:29:00","modified_gmt":"2023-10-10T11:29:00","slug":"a-morte-saiu-a-rua-no-chile-ha-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/09\/05\/a-morte-saiu-a-rua-no-chile-ha-50-anos\/","title":{"rendered":"A morte saiu \u00e0 rua no Chile h\u00e1 50 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Zillah Branco vai a caminho do trabalho quando \u00e9 surpreendida pelo ambiente pesado de soldados que procuram impor o recolher obrigat\u00f3rio e perseguir apoiantes do governo. De imediato, tenta dirigir-se de carro \u00e0 escola onde estudam os filhos mas n\u00e3o consegue. Dezenas de pessoas desesperadas entram na viatura em fuga dos militares. A exilada brasileira, que fugira da ditadura no seu pa\u00eds quatro anos antes, via-se, novamente, no centro da barb\u00e1rie.<br>No centro de Santiago, Alicia Lira vai a caminho da livraria da sede da Juventude Comunista. Na Rua Alonso Valle, os soldados param o autocarro onde segue e ordenam a sa\u00edda de todos os passageiros. Da\u00ed, v\u00ea-se obrigada a tomar uma carrinha de caixa aberta como tantas outras que transportam trabalhadores de regresso a casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em casa, o estudante universit\u00e1rio Alejandro Kirk, de 17 anos, tamb\u00e9m militante da Juventude Comunista, forjado na Brigada Ramona Parra, grupo muralista que se evidenciou na campanha que deu a vit\u00f3ria a Allende, prepara-se para uma reuni\u00e3o de propaganda quando se d\u00e1 conta que havia rebentado um golpe.<br>\u201cTrabalhadores da minha p\u00e1tria, tenho f\u00e9 no Chile e no seu destino. Outros homens superar\u00e3o este momento cinzento e amargo sobre o qual a trai\u00e7\u00e3o se pretende impor. Continuem sabendo que muito mais cedo que tarde se abrir\u00e3o novamente as grandes alamedas pelas quais passar\u00e3o homens livres para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas s\u00e3o minhas \u00faltimas palavras e tenho certeza de que o meu sacrif\u00edcio n\u00e3o ser\u00e1 em v\u00e3o. Tenho a certeza de que, pelo menos, ser\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o moral que castigar\u00e1 a perf\u00eddia, a cobardia e a trai\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c0s 10.15 em ponto, os tr\u00eas, sem se conhecerem, como tantos outros milh\u00f5es, est\u00e3o agarrados \u00e0s telefonias e ouvem a voz calma de Salvador Allende que transmite a partir do pal\u00e1cio presidencial, j\u00e1 assediado pelas tropas golpistas. Quinze minutos depois, a artilharia come\u00e7a a disparar contra as janelas do edif\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO golpe n\u00e3o foi uma surpresa. A Bol\u00edvia tinha sofrido um golpe [no m\u00eas anterior] e a Argentina tamb\u00e9m [1966]. Foi uma \u00e9poca em que a CIA e os Estados Unidos formavam militarmente os ex\u00e9rcitos da Am\u00e9rica Latina\u201d, recorda Zillah Branco. \u201cEsse golpe era esperado mas t\u00ednhamos sempre esperan\u00e7a porque a coliga\u00e7\u00e3o Unidade Popular era bastante ampla, tinha muita gente, as manifesta\u00e7\u00f5es estavam sempre cheias de trabalhadores e estudantes. Pens\u00e1vamos que era poss\u00edvel evitar o golpe\u201d, descreve.<br>Zillah Branco chegara ao Chile em 1970 e trazia na pele a experi\u00eancia da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Militante comunista desde muito jovem, recorda que a ditadura brasileira espoletou a viol\u00eancia e o \u00f3dio. \u201cOs meus primos, reacion\u00e1rios, passaram a usar rev\u00f3lver porque faziam parte do Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas. Eu nem pude avisar os meus pais que ia fugir do Brasil. Inventei que ia me demitir do emprego, vender o carro e comprar uma passagem tur\u00edstica para conhecer a Am\u00e9rica Latina. Na verdade, eles ficaram contentes porque tinham medo do que me pudesse acontecer no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegou ao Chile, o cora\u00e7\u00e3o rebentou-lhe de felicidade ao ver as sedes abertas do Partido Comunista e as suas bandeiras em liberdade. Ali, passou a trabalhar para um organismo criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) em conjunto com os movimentos sociais e o governo para potenciar a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Zillah Branco e Alejandro Kirk, Alicia Lira, agora presidente do Agrupamento de Familiares de Executados Pol\u00edticos (AFEP), participou tamb\u00e9m na campanha que elegeu Salvador Allende para a presid\u00eancia do pa\u00eds. \u201cOuvimos o discurso e fic\u00e1mos paralisados. A minha atitude ao ouvi-lo pela r\u00e1dio foi indescrit\u00edvel. A voz dele, essa tranquilidade\u2026eu por exemplo pensava que o que estava a acontecer n\u00e3o era t\u00e3o grave at\u00e9 saber que estavam a disparar sobre o pal\u00e1cio e at\u00e9 ouvir Allende. A\u00ed percebemos que era muito s\u00e9rio\u2026\u201d<br>\u201cEu estava na campanha de Allende quando ainda estudava na escola secund\u00e1ria. Eu fazia parte da Brigada Ramona Parra. Foi muito impactante. Era uma guerra permanente com os outros candidatos. Havia muros que eram pintados duas ou tr\u00eas vezes por noite. \u00c0s vezes havia batalhas f\u00edsicas e at\u00e9 disparos entre estudantes e trabalhadores do lado da Unidade Popular e homens contratados pelos candidatos da direita. Foi um per\u00edodo muito intenso porque havia uma grande esperan\u00e7a e um movimento popular muito forte\u201d, descreve Alejandro Kirk, hoje jornalista da Telesur. \u201cNo dia da vit\u00f3ria, houve cerca de um milh\u00e3o de pessoas nas ruas para ouvir Allende\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o rec\u00e9m eleito presidente do Chile, que defendia uma via democr\u00e1tica e pac\u00edfica para o socialismo num pa\u00eds perif\u00e9rico, estava aberto o caminho para uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o com sabor a vinho tinto e empanadas\u201d como proclamou num dos seus discursos. A nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria do cobre, a reforma agr\u00e1ria e um conjunto de outras medidas eram propostas que abriam um caminho alternativo ao Chile.<br>\u201cO governo come\u00e7ou a cumprir o seu programa em pouco tempo e o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o melhorou substancialmente. Em cada escola, as crian\u00e7as recebiam meio litro de leite por dia. Num pa\u00eds empobrecido pela explora\u00e7\u00e3o dos nossos recursos, havia um elevado n\u00edvel de desnutri\u00e7\u00e3o e isso mudou\u201d, explica Alejandro Kirk. Entretanto, o governo multiplicou o sal\u00e1rio m\u00ednimo e as pessoas passaram a ter mais poder aquisitivo. Constru\u00edram-se casas, eram mudan\u00e7as reais e n\u00e3o cosm\u00e9ticas. Para al\u00e9m disso, houve um c\u00e2mbio cultural. Eu era adolescente e foi muito bonito s\u00ea-lo nessa \u00e9poca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os Estados Unidos e a oligarquia chilena come\u00e7aram a planear a queda de Allende desde o primeiro momento. Dias antes da tomada de posse do socialista, com o apoio da CIA, um grupo de extrema-direita sequestra o comandante m\u00e1ximo do ex\u00e9rcito, Ren\u00e9 Schneider, com o objectivo de que houvesse uma interven\u00e7\u00e3o militar que evitasse que Allende chegasse \u00e0 presid\u00eancia. Durante a tentativa de sequestro, o general \u00e9 assassinado.<br>\u201cDurante a presid\u00eancia de Allende houve muitas tentativas de sabotagem. Havia paralisa\u00e7\u00f5es de camionistas, dos transportes de alimentos, desaparecia comida dos mercados. Sent\u00edamos a presen\u00e7a imperialista\u201d, explica Zillah Branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo documentos norte-americanos classificados, publicados muitas d\u00e9cadas depois, Richard Nixon, Presidente dos Estados Unidos, pedira ao ent\u00e3o conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional, Henry Kissinger, \u201cfazer gemer a economia\u201d chilena e solicitara \u201cdar um pontap\u00e9 no rabo do Chile\u201d devido \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o do cobre. \u201cO exemplo de um bem sucedido governo marxista eleito no Chile certamente teria um impacto noutras partes do mundo, principalmente em It\u00e1lia. A propaga\u00e7\u00e3o imitativa de fen\u00f3menos similares noutros lugares, por sua vez, afetaria significativamente o equil\u00edbrio mundial e a nossa pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o nele\u201d, alertou Kissinger. \u201cSe houver uma forma de fazer cair Allende, \u00e9 melhor fazer isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta do meio dia, a for\u00e7a a\u00e9rea come\u00e7a a bombardear o pal\u00e1cio presidencial. Salvador Allende, como prometera na emiss\u00e3o de r\u00e1dio, n\u00e3o se rende. Zillah, Alicia e Alejandro ouvem as explos\u00f5es. \u00c0s 14.38, um dos golpistas respons\u00e1veis pelo assalto \u00e0 sede presidencial informa Pinochet de que Salvador Allende estava morto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um terror que durou d\u00e9cada e meia<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cHavia um recolher obrigat\u00f3rio que come\u00e7ava \u00e0s seis da tarde e acabava \u00e0s seis da manh\u00e3. Matavam nas ruas e n\u00e3o queriam que a gente assistisse. Foi uma chacina muito violenta. Uma das belezas de Santiago era o rio Mapocho que passa pelo meio da cidade e v\u00edamos os corpos no rio\u201d, descreve Zillah Branco. Muitos dos brasileiros que conhecia e que haviam fugido da ditadura no Brasil foram presos e torturados. Conseguiu que o pai dos seus filhos os viesse buscar e no dia seguinte a casa foi invadida pela pol\u00edcia. \u201cBebi um whiskey que me ofereceram e acordei de madrugada com a pol\u00edcia dentro de casa. Entraram super armados. Instalaram uma metralhadora apontada para o meu quarto e abriram gavetas, jogando tudo no ch\u00e3o. Foi uma coisa terr\u00edvel. Ouv\u00edamos passos de gente correndo nas ruas e disparos\u201d. Muitos corriam para as embaixadas. Mais de 200 mil pessoas fugiram do pa\u00eds. Foi o caso de Zillah Branco. \u201cPeguei o primeiro avi\u00e3o que foi poss\u00edvel pegar. Os avi\u00f5es escasseavam e escolhi Lima porque era o mais barato. Cheguei bastante abalada sem saber o que estava a fazer\u201d. Mais tarde, j\u00e1 no Brasil, depois de ser despedida do jornal em que trabalhava por ser comunista, partiu para Lisboa. \u201cEst\u00e1vamos a ouvir a r\u00e1dio de manh\u00e3 e ouvimos a not\u00edcia do 25 de Abril. O meu filho mais pequeno disse que dev\u00edamos ir para Portugal. E assim foi\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alejandro Kirk tamb\u00e9m acabou no ex\u00edlio. \u201cDevo confessar que para os jovens, aquele era o momento de responder com a for\u00e7a. Pens\u00e1vamos que vinha uma guerra civil. Para os mais velhos, foi um momento triste porque se davam conta da magnitude do que estava a acontecer. N\u00e3o havia qualquer possibilidade de responder. Acredit\u00e1vamos que sim. Depois veio uma grande frustra\u00e7\u00e3o\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo no dia do golpe, o agora jornalista saiu de casa com outros camaradas para ver se havia algum tipo de resist\u00eancia. \u201cT\u00ednhamos um plano para estes casos e havia uma lista de casas seguras mas foi aned\u00f3tico porque fomos parar ao apartamento de um italiano que queria expulsar-nos de casa em pleno recolher obrigat\u00f3rio\u201d, recorda. Mais tarde, os militares invadiram-lhe a casa. \u201cFui denunciado por vizinhos, por gente que me viu crescer. A m\u00e3e de um amigo gritava pela janela: \u2018agarrem esse comunista, matem-no\u2019\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pai, vice-reitor de uma universidade noutra regi\u00e3o, foi expulso da profiss\u00e3o. Muitas das pessoas que lhe estavam pr\u00f3ximas foram assassinadas durante a chamada Caravana da Morte. Em 1975, decidiram fugir do pa\u00eds para a Venezuela. At\u00e9 esse momento, Alejandro Kirk foi um dos muitos que ajudavam na prote\u00e7\u00e3o de dirigentes comunistas que estavam em fuga.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cEl amor de mi vida\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Corre, corre o mais que pode. At\u00e9 deixar de conseguir. Ao longe, v\u00ea a viatura dos militares desaparecer com o seu companheiro. \u201cSequestraram em casa o meu \u2018negro\u2019, era o amor da minha vida. T\u00ednhamos trabalhado juntos, militado juntos, nas campanhas eleitorais, no governo\u201d, lembra Alicia Lira. Foi em 1986. Primeiro prendem-lhe o irm\u00e3o, Diego Lira, que era combatente da Frente Patri\u00f3tica Manuel Rodriguez, bra\u00e7o armado do Partido Comunista para responder \u00e0 ditadura fascista. Nesse mesmo ano, a organiza\u00e7\u00e3o tenta matar o ditador Augusto Pinochet. A resposta do regime foi brutal. No dia seguinte, os militares entraram na casa de Alicia e levaram o amor da sua vida, Felipe Rivera. Vinte e quatro horas depois, estava na morgue para reconhecer o cad\u00e1ver. \u201cTinha 13 orif\u00edcios de bala no corpo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"982\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Alicia-y-Felipe-2-1024x982.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7204\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Alicia-y-Felipe-2-1024x982.jpeg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Alicia-y-Felipe-2-300x288.jpeg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Alicia-y-Felipe-2-768x737.jpeg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Alicia-y-Felipe-2-188x180.jpeg 188w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Alicia-y-Felipe-2.jpeg 1300w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alicia Lira e Felipe Rivera<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1990, o irm\u00e3o de Alicia Lira, Diego, protagoniza, com outros 48 camaradas, a maior fuga da hist\u00f3ria do Chile. Durante um ano, escavam um t\u00fanel e conseguem fugir das garras do regime numa fuga que ficou conhecida como o \u201ct\u00fanel da liberdade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alicia Lira \u00e9 hoje presidente de uma das principais organiza\u00e7\u00f5es que representam os familiares dos executados e desaparecidos. Segundo a ativista, h\u00e1 neste momento ainda 1380 casos abertos na justi\u00e7a. O balan\u00e7o da barb\u00e1rie fascista \u00e9 brutal: mais de 2200 pessoas foram assassinadas, cerca de 30 mil foram presas e torturadas e h\u00e1, ainda hoje, 1280 pessoas desaparecidas. Cinco d\u00e9cadas depois, para esta mulher que viveu em carne pr\u00f3pria a viol\u00eancia do regime, a conclus\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia: \u201cn\u00e3o se fez justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o 7.20 da manh\u00e3 e, debaixo de um c\u00e9u carregado de nuvens, chega ao pal\u00e1cio presidencial em Santiago do Chile um Fiat 125. Com uma kalashnikov ao ombro, sai o socialista Salvador Allende, Presidente da Rep\u00fablica. Com o apoio dos Estados Unidos, h\u00e1 um golpe em marcha para derrubar o governo eleito nas urnas tr\u00eas anos antes. Apenas 18 dias depois de ter sido nomeado por Allende comandante m\u00e1ximo do ex\u00e9rcito chileno, o General Augusto Pinochet lidera os milhares de homens fardados que ocupam agora as ruas da capital.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7202,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[55],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7200"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7291,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7200\/revisions\/7291"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7200"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}