{"id":7081,"date":"2023-07-20T15:30:09","date_gmt":"2023-07-20T15:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7081"},"modified":"2023-07-20T15:31:16","modified_gmt":"2023-07-20T15:31:16","slug":"eleicoes-no-estado-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/07\/20\/eleicoes-no-estado-espanhol\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es no Estado Espanhol"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p>O PSOE liderava os governos de 9 das 12 regi\u00f5es aut\u00f3nomas que tiveram elei\u00e7\u00f5es no passado dia 28 de maio e perdeu mais de metade, conservando apenas quatro: Ast\u00farias, Can\u00e1rias, Castela-La Mancha e Navarra. Sofreu ainda uma pesada derrota a n\u00edvel municipal, j\u00e1 que perdeu 15 das 22 capitais de prov\u00edncia em que at\u00e9 agora governava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tendo em conta os resultados, podemos concluir que a principal raz\u00e3o que motivou a queda dos governos de esquerda na Comunidade Valenciana, Arag\u00e3o, La Rioja, Cant\u00e1bria, Can\u00e1rias, Estremadura ou Baleares \u00e9, em maior ou menor grau, o colapso do Unidas Podemos &#8211; que se desmoronou de forma geral em todo o Estado Espanhol.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tsunami eleitoral da direita\u00a0e extrema-direita?\u00a0<\/h2>\n\n\n\n<p>A direita e a extrema direita, ajudadas pelo poder medi\u00e1tico, saem refor\u00e7adas destas elei\u00e7\u00f5es. O PP obteve mais 1.9 milh\u00f5es de votos do que nas elei\u00e7\u00f5es de 2019 &#8211; resultado da absor\u00e7\u00e3o dos votos do Ciudadanos, que quase desapareceu, e de uma transmiss\u00e3o de votos do PSOE para o partido de Feij\u00f3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O PP fica assim com o poder em mais da metade dos munic\u00edpios mais povoados do Estado Espanhol. Das 52 capitais, os \u2018populares\u2019 governaram 32, assim como em outros 12 munic\u00edpios dos 28 que contam com mais de 100.000 habitantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O partido de Feij\u00f3, que detinha o poder em apenas 2 regi\u00f5es aut\u00f3nomas em 2019, passa a governar pelo menos 4 &#8211; sendo que est\u00e1 em negocia\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias regi\u00f5es com o partido de extrema-direita, o VOX.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do VOX ter duplicado o n\u00famero de votos e triplicado o n\u00famero de vereadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es municipais de 2019, o partido obteve menos de metade dos votos &#8211; se compararmos com os resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es legislativas. Ainda assim, pode dizer-se que o partido de Abascal se consolidou a n\u00edvel local &#8211; o que lhe permite governar 140 munic\u00edpios com o PP, incluindo cinco capitais de prov\u00edncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria da democracia espanhola, a extrema-direita consegue fazer parte de um governo regional &#8211; fruto do acordo conseguido com o PP na Comunidade Valenciana. Uma das primeiras medidas deste executivo foi proibir bandeiras LGBT em edif\u00edcios p\u00fablicos e manifesta\u00e7\u00f5es contra a viol\u00eancia machista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que correu mal para o Unidas Podemos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos motivos do mau resultado eleitoral do Unidas Podemos (UP) foi, certamente, a desilus\u00e3o provocada pelo n\u00e3o cumprimento dos pontos mais progressistas do pacto de governo entre o PSOE e UP.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O bloqueio constante do PSOE para revogar certas leis, aliados a um certo cansa\u00e7o e falta de vontade pol\u00edtica por parte do Unidas Podemos, podem explicar de certa maneira, o incumprimento de algumas propostas.<\/p>\n\n\n\n<p>A promessa de revoga\u00e7\u00e3o da reforma laboral do PP, ainda que tenham sido retiradas algumas medidas prejudiciais para os trabalhadores, fica muito aqu\u00e9m do prometido.<\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o de uma lei de habita\u00e7\u00e3o, apesar de ter trazido alguns benef\u00edcios, na realidade pouco serve para parar a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria ou controlar a subida das rendas. Segundo os sindicatos de inquilinos, a nova Lei da Habita\u00e7\u00e3o cont\u00e9m algumas \u201cimprecis\u00f5es\u201d que permitem aos senhorios \u201cesquivar-se da regulamenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A chamada lei Morda\u00e7a, aprovada pelo PP em 2015, que visa reprimir protestos atrav\u00e9s de fortes multas e penas de pris\u00e3o &#8211; n\u00e3o foi alterada porque o PSOE se recusou a modificar os pontos mais contestados desta lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o das controversas leis \u201csolo si es si\u201d e \u201cTrans\u201d, por parte do minist\u00e9rio da Igualdade, provocaram uma divis\u00e3o profunda no movimento feminista. Irene Montero (Podemos), ministra da igualdade, \u00e9 criticada por n\u00e3o ouvir o sector abolicionista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Galiza e Pa\u00eds Basco: resist\u00eancia contra o avan\u00e7o da direita<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do descalabro geral em quase todo o Estado espanhol, a esquerda teve algumas excep\u00e7\u00f5es: na Galiza o BNG e no Pa\u00eds Basco o EH Bildu.<\/p>\n\n\n\n<p>O EH Bildu obteve um resultado hist\u00f3rico. Foram a segunda for\u00e7a pol\u00edtica mais votada em toda a Euskadi, conseguindo eleger um total de 1050 vereadores, mais 120 que em 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Galiza, a esquerda consegue alcan\u00e7ar o poder em 5 das 7 cidades &#8211; fruto de um resultado eleitoral bastante positivo do BNG. Os independentistas obtiveram mais 54 mil votos que em 2019, o que se traduz em mais 134 vereadores eleitos &#8211; num total de 590.<\/p>\n\n\n\n<p>A aposta, tanto da parte do BNG como do EH Bildu, na apresenta\u00e7\u00e3o de propostas, na organiza\u00e7\u00e3o da base social ajudam a explicar &#8211; em parte &#8211; estes resultados positivos para a esquerda. Ou como diz N\u00e9stor Rego do BNG: \u201cQuando for\u00e7as que se dizem de esquerda quebram os seus compromissos e decepcionam o seu eleitorado, desmobilizando assim os seus pr\u00f3prios votantes, quem se aproveita \u00e9, justamente, a direita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sumar: a esperan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>A coliga\u00e7\u00e3o Sumar, liderada por Yolanda D\u00edaz &#8211; a ministra com melhor avalia\u00e7\u00e3o nas sondagens -, apresenta-se como a \u00fanica esperan\u00e7a para a esquerda obter um resultado positivo nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. O prazo apertado para o registo das coliga\u00e7\u00f5es fez com que, apesar de diverg\u00eancias profundas &#8211; principalmente com o Podemos-, se chegasse a um acordo entre v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em tempo recorde.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o ficou marcada por reuni\u00f5es \u00e0 porta fechada, com a milit\u00e2ncia a ser posta de lado neste debate crucial. Veremos se a aposta da esquerda espanhola, novamente pelo marketing pol\u00edtico e pelo \u201cmessianismo\u201d das suas figuras, ser\u00e1 a mais acertada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sequ\u00eancia do mau resultado do PSOE nas elei\u00e7\u00f5es municipais e regionais em todo o Estado espanhol, Pedro Sanchez anunciou, no passado dia 29 de Maio, a dissolu\u00e7\u00e3o do parlamento e a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es legislativas para o pr\u00f3ximo domingo, 23 de julho.<\/p>\n","protected":false},"author":99,"featured_media":7084,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"coauthors":[196],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/99"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7081"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7088,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7081\/revisions\/7088"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7081"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}