{"id":7001,"date":"2023-06-05T11:37:23","date_gmt":"2023-06-05T11:37:23","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=7001"},"modified":"2023-08-04T15:04:43","modified_gmt":"2023-08-04T15:04:43","slug":"guerra-no-sudao-sem-fim-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/06\/05\/guerra-no-sudao-sem-fim-a-vista\/","title":{"rendered":"Guerra no Sud\u00e3o sem fim \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"\n<p>Os violentos combates abrandaram de intensidade em algumas zonas de Cartum, a capital, e noutras cidades do Sud\u00e3o, nos \u00faltimos dias de Maio, permitindo a chegada de algum aux\u00edlio humanit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as fac\u00e7\u00f5es em guerra se acusem mutuamente de violar as tr\u00e9guas acordadas, organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas para assuntos humanit\u00e1rios indicam que t\u00eam conseguido fazer chegar ajuda alimentar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, esporadicamente, em diversos pontos onde o cessar-fogo foi respeitado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo testemunhos locais, s\u00e3o constantes as viola\u00e7\u00f5es das tr\u00e9guas, as mais recentes das quais negociadas em Jeddah, na Ar\u00e1bia Saudita, com media\u00e7\u00e3o internacional, entre representantes dos dois lados do confronto armado. As partes comprometeram-se a permitir a abertura de corredores humanit\u00e1rios e a respeitar hospitais e outras instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes m\u00e9dicas no terreno indicam que, em cerca de m\u00eas e meio de combates, o n\u00famero de mortos civis aproxima-se de um milhar, havendo mais de seis mil feridos e muitos desaparecidos. Nas grandes cidades, n\u00e3o h\u00e1 abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel nem de electricidade, outros servi\u00e7os essenciais n\u00e3o funcionam e o acesso aos v\u00edveres \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os confrontos, ferozes, com utiliza\u00e7\u00e3o de avia\u00e7\u00e3o, blindados e armas pesadas, mesmo em zonas residenciais, come\u00e7aram no dia 15 de Abril, alegadamente por contradi\u00e7\u00f5es no processo de integra\u00e7\u00e3o no seio das For\u00e7as Armadas das mil\u00edcias de Interven\u00e7\u00e3o R\u00e1pida, lideradas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, vice-presidente do Conselho Soberano de Transi\u00e7\u00e3o, que rompeu com o chefe do Ex\u00e9rcito e presidente do conselho, general Abdel Fattah al-Burhan. Mas, de acordo com fontes sudanesas, as verdadeiras causas do conflito n\u00e3o t\u00eam a ver com a integra\u00e7\u00e3o dos paramilitares nas for\u00e7as armadas mas antes com a luta de fac\u00e7\u00f5es pelo poder, luta que envolve alian\u00e7as e compromissos com pot\u00eancias estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois generais eram, at\u00e9 agora, aliados na junta militar que governa o pa\u00eds desde o derrubamento do presidente Omar al-Bashir, em 2019, que se seguiu a grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares contra a carestia de vida e a pobreza, contra a ditadura, por um poder democr\u00e1tico \u2013 movimento iniciado em finais de 2018 e que a esquerda sudanesa celebra como Revolu\u00e7\u00e3o de Dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al-Burhan e Dagalo, agora em guerra aberta, mantiveram-se \u00e0 frente da junta militar golpista, recusando sempre entregar o poder aos civis, como era exigido nas ruas por milhares e milhares de pessoas, e foram arrastando as negocia\u00e7\u00f5es para uma \u00abtransi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u00bb, que nunca aconteceu. Negocia\u00e7\u00f5es mediadas pela \u00abcomunidade internacional\u00bb \u2013 Na\u00e7\u00f5es Unidas, Estados Unidos da Am\u00e9rica e aliados \u00abocidentais\u00bb, Egipto, Ar\u00e1bia Saudita e Emiratos \u00c1rabes Unidos \u2013 e por organiza\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial, que, ali\u00e1s, j\u00e1 h\u00e1 muito operavam no Sud\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resist\u00eancia popular contra junta militar golpista<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Outubro de 2021, ap\u00f3s um breve per\u00edodo em que os golpistas permitiram um governo de tecnocratas, dirigido por um civil,&nbsp;Abdal\u00e1 Hamdok, submetido aos militares, os generais organizaram novo golpe de Estado e consolidaram o seu poder. Sempre com \u00abapoio\u00bb da \u00abcomunidade internacional\u00bb, negociaram com partidos da direita sudanesa a prometida \u00abtransi\u00e7\u00e3o\u00bb, ao mesmo tempo que continuavam a reprimir brutalmente manifesta\u00e7\u00f5es populares que exigiam o regresso dos militares aos quart\u00e9is, um governo civil democr\u00e1tico e o fim das inger\u00eancias estrangeiras no Sud\u00e3o. Manifesta\u00e7\u00f5es essas organizadas por partidos de esquerda, incluindo o Partido Comunista Sudan\u00eas, sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es como os Comit\u00e9s de Resist\u00eancia, respons\u00e1veis pelo amplo movimento pol\u00edtico e social que nunca aceitou negociar com os militares golpistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A actual guerra civil sudanesa eclodiu precisamente em v\u00e9speras da assinatura de acordos entre a junta militar, partidos da direita coniventes com os golpistas e representantes da \u00abcomunidade internacional\u00bb, todos actores antes muito \u00abpreocupados\u00bb com a crise social e econ\u00f3mica no Sud\u00e3o \u2013 pa\u00eds rico em petr\u00f3leo e, sobretudo, com localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estrat\u00e9gica, junto do Mar Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ajuda de emerg\u00eancia<\/strong> <strong>para 25 milh\u00f5es de pessoas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos milhares de mortos e feridos e dos deslocados para \u00e1reas do pa\u00eds n\u00e3o tocadas pelos confrontos armados, provocados pela guerra civil no Sud\u00e3o, registam-se j\u00e1 milhares de refugiados no Sud\u00e3o do Sul, Rep\u00fablica Centro-Africana e Chade, todos eles fazendo fronteira com a regi\u00e3o sudanesa do Darfur. O Egipto, a norte, e a Eti\u00f3pia, a sudeste, tamb\u00e9m acolheram milhares de pessoas que fogem da guerra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es e outras ag\u00eancias da ONU calculam que, em fins de Maio, haja um milh\u00e3o de deslocados internos e pelo menos 300 mil refugiados nos pa\u00edses vizinhos. Advertem que carecem de recursos indispens\u00e1veis para prestar ajuda humanit\u00e1ria aos sudaneses deslocados e refugiados, que \u00abest\u00e3o esfomeados, sedentos e cansados, (\u2026) e necessitam de comida, \u00e1gua, aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, necessitam de tudo\u00bb. E alertam para uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria iminente: a maior parte da popula\u00e7\u00e3o sudanesa, 25 milh\u00f5es de um total de 45 milh\u00f5es, precisa de ajuda humanit\u00e1ria de emerg\u00eancia para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Por muito sombria que seja a situa\u00e7\u00e3o actual no Sud\u00e3o, o povo sudan\u00eas erguer-se-\u00e1 de novo, tal como aconteceu em diversos momentos da sua longa hist\u00f3ria. Saber\u00e1 combater e derrotar os seus inimigos, aliados a pot\u00eancias estrangeiras com des\u00edgnios imperialistas. E saber\u00e1 conquistar a paz, refor\u00e7ar a unidade nacional e construir um pa\u00eds pr\u00f3spero e justo, em que o aproveitamento das suas riquezas naturais beneficie a larga maioria dos sudaneses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra no Sud\u00e3o continua, apesar das tr\u00e9guas negociadas com a media\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias estrangeiras e em grande parte violadas. O conflito, que deflagrou a 15 de abril e em finais de maio n\u00e3o dava sinais de abrandar, op\u00f5e as for\u00e7as armadas regulares ao corpo de mil\u00edcias de interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, umas e outras chefiadas por generais ex-aliados no seio da junta militar golpista que dirige o pa\u00eds. Violentos combates, na \u00e1rea de Cartum e em outras regi\u00f5es, em especial o Darfur, incluem a utiliza\u00e7\u00e3o de avia\u00e7\u00e3o, blindados e artilharia pesada. S\u00e3o noticiados assaltos a embaixadas e hospitais, pilhagens e raptos. Regista-se um n\u00famero elevado de mortos e feridos, havendo centenas de milhares de deslocados no Sud\u00e3o e de refugiados em pa\u00edses vizinhos. <\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":7002,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"coauthors":[163],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7001"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7001"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7169,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7001\/revisions\/7169"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7001"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=7001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}