{"id":6988,"date":"2023-06-05T11:43:17","date_gmt":"2023-06-05T11:43:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6988"},"modified":"2023-06-05T11:43:18","modified_gmt":"2023-06-05T11:43:18","slug":"urbano-tavares-rodrigues-escritor-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/06\/05\/urbano-tavares-rodrigues-escritor-de-abril\/","title":{"rendered":"Urbano Tavares Rodrigues, escritor de Abril"},"content":{"rendered":"\n<p>A 3 de Dezembro cumprir-se-\u00e3o 100 sobre o nascimento de Urbano Tavares Rodrigues, um dos autores fundamentais da segunda metade do s\u00e9culo XX. Independentemente de outras abordagens mais longas e profundas em torno da vasta obra do autor de&nbsp;<em>A Porta dos Limites.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Generoso e solit\u00e1rio, estimado e admirado pelos seus pares, dele disse Fernando Dacosta: \u201dNa vanguarda da oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura, \u00e0 censura, Urbano serviu-se, como ningu\u00e9m, da escrita, da palavra, da coragem para defender as suas utopias\u201d.&nbsp;Basta-nos percorrer, em voo de p\u00e1ssaro, 3 dos t\u00edtulos publicados por U.T.R. entre 2005 e 2008&nbsp;<em>(O Eterno Ef\u00e9mero, Os Cadernos Secretos do Prior do Crato&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>A \u00daltima Colina)<\/em>&nbsp;para que esse atento olhar aos rumores da vida, aos seus mais \u00ednfimos, secretos sinais (mesmo quando carregados de cepticismo ou da imanente presen\u00e7a da morte), nos continuem a seduzir pela assertividade do que nos \u00e9 narrado, pelo fant\u00e1stico, pelo h\u00famus discursivo de uma po\u00e9tica carregada de signos, de jogos de sedu\u00e7\u00e3o, de analogias entre o corpo, o desejo e a transgress\u00e3o, essa plena, rumorosa<em>&nbsp;constela\u00e7\u00e3o do sangue<\/em>&nbsp;de que nos fala Herberto H\u00e9lder<strong>,&nbsp;<\/strong>onde permanece, nessa simbiose entre real e fic\u00e7\u00e3o, a fecunda an\u00e1lise das grandezas e das mis\u00e9rias humanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Urbano foi um ex\u00edmio contador de est\u00f3rias, um autor em que o gozo pelo discurso narrativo, pela efabula\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente e tocante. Da\u00ed a sua escrita ser torrencial, poderosa de resson\u00e2ncias sem\u00e2nticas, vibr\u00e1til, imersa no territ\u00f3rio do po\u00e9tico, espa\u00e7o onde a vida age como afirma\u00e7\u00e3o e identidade colectiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, quase cinco d\u00e9cadas volvidas sobre&nbsp;<em>a madrugada que sonh\u00e1mos,<\/em>&nbsp;os senhores que se v\u00e3o revezando nas cadeiras do poder t\u00eam vindo meticulosa e paulatinamente a criar novas formas de cerco e de opress\u00e3o. A nova sujei\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria est\u00e1 ao alcance de uma simples liga\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;<em>Internet,&nbsp;<\/em>como Urbano denunciou em&nbsp;<em>O Eterno Ef\u00e9mero<\/em>. Esse novo e pouco admir\u00e1vel mundo, que Orwell j\u00e1 adivinhava, est\u00e1 agora dispon\u00edvel e \u00e0 m\u00e3o de todos os tiranos, tiranetes e suced\u00e2neos, estejam eles no Pent\u00e1gono, em Bruxelas ou nos alcatifados&nbsp;<em>bunkers<\/em>&nbsp;modernos da banca e das multinacionais. Da\u00ed que o seu&nbsp;<em>Canto do Soldado no Cerco do Porto,&nbsp;<\/em>que C\u00edlia musicou e Adriano cantou como s\u00f3 ele sabia, seja ainda uma can\u00e7\u00e3o actual, a lembrar aqui, num Junho de festas populares, que Urbano tanto quis que fossem plenas, cr\u00edticas e livres:&nbsp;<em>Sete balas s\u00f3 na m\u00e3o\/j\u00e1 come\u00e7a a amanhecer\/Sete flores de lim\u00e3o\/Para lutar at\u00e9 vencer\/\/J\u00e1 estremece a tirania\/J\u00e1 o sol amanheceu\/Mil olhos tem o drag\u00e3o\/H\u00e1 chamas d\u2019oiro no c\u00e9u\/\/Abre no peito o luar\/Companheiros acercai-vos\/Arde em n\u00f3s a luz do dia\/Companheiros revezai-vos\/\/J\u00e1 o rouxinol cantou\/Tomai o nosso estandarte\/No seu sangue misturado\/J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 desigualdade.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sete flores de lim\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Pra lutar at\u00e9 morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 estremece a tirania<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o sol amanheceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Mil olhos tem o drag\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 chamas d\u2019oiro no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Cres\u00e7am monstros e canh\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 3 de Dezembro cumprir-se-\u00e3o 100 sobre o nascimento de Urbano Tavares Rodrigues, um dos autores fundamentais da segunda metade do s\u00e9culo XX. 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