{"id":6969,"date":"2023-06-05T11:00:40","date_gmt":"2023-06-05T11:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6969"},"modified":"2023-07-04T14:12:39","modified_gmt":"2023-07-04T14:12:39","slug":"fazer-se-esta-celebracao-na-rua-e-um-belo-sinal-para-os-dias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/06\/05\/fazer-se-esta-celebracao-na-rua-e-um-belo-sinal-para-os-dias-de-hoje\/","title":{"rendered":"Cl\u00e3: \u201cFazer-se esta celebra\u00e7\u00e3o na rua \u00e9 um belo sinal para os dias de hoje\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">O&nbsp;<em>V\u00e9spera<\/em>&nbsp;sai numa altura muito&nbsp;complicada. Como \u00e9 que est\u00e1 a ser voltar&nbsp;aos palcos nesta altura?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manuela Azevedo (MA)<\/strong>&#8211; Na verdade, a coisa acabou por nos correr bem. Na altura em que a pandemia chegou, arrisc\u00e1mos. O disco tinha acabado de sair da f\u00e1brica e decidimos lan\u00e7\u00e1-lo mesmo durante o confinamento, sem saber quando \u00e9 que regressar\u00edamos a palco. Depois tivemos ocasi\u00e3o, em cada pequena abertura que foi sendo feita, de o poder tocar. Em junho [2020] fizemos um concerto em Almada, numa iniciativa muito simp\u00e1tica de solidariedade, organizada pela Uni\u00e3o Audiovisual. V\u00e1rios teatros espalhados pelo pa\u00eds tinham, no mesmo dia, bandas e artistas a tocar para recolher alimentos para serem entregues a fam\u00edlias de t\u00e9cnicos, artistas e outras pessoas ligadas ao espet\u00e1culo que ficaram completamente de rastos com a falta de rendimento durante aquela paragem. E depois pudemos fazer a apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum em Vila do Conde e em Lisboa, em julho. Fomos aproveitando todas as pequenas aberturas para ir tocando e, na verdade, desde 2020 j\u00e1 fizemos uma quantidade simp\u00e1tica de concertos. Esta digress\u00e3o acabou por ter uma estrada simp\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Acabou por acontecer, apesar de ser&nbsp;de uma forma invulgar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; Claro, era muito estranho nos primeiros concertos com pessoas sentadas, com duas cadeiras de permeio, todas com m\u00e1scara, muitas regras, muita incerteza sempre se o concerto ia acontecer ou n\u00e3o porque se um adoecesse, tudo era cancelado, havia sempre essa sombra da suspens\u00e3o e do cancelamento por cima das nossas cabe\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"428\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050486.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7013\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050486.jpg 640w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050486-300x201.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050486-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050486-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050486-220x147.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">JOS\u00c9 PEDRO RODRIGUES<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Miguel Ferreira (MF) &#8211;<\/strong>&nbsp;Acima disso tudo, aquela energia que n\u00f3s sent\u00edamos e a emo\u00e7\u00e3o de estar outra vez a partilhar teatros, ou palcos, ou plateias com as pessoas, foi incr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Era importante para toda a gente. Para os m\u00fasicos, para os t\u00e9cnicos, e para o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; A sensa\u00e7\u00e3o que se sentia quando sub\u00edamos para o palco\u2026 as ova\u00e7\u00f5es eram muito mais para o acontecimento em si, do que para as can\u00e7\u00f5es. Era muito mais a alegria de estarmos todos juntos, de haver o regresso a alguma normalidade, embora com as m\u00e1scaras, com todos aqueles protocolos sanit\u00e1rios esquisitos, mas est\u00e1vamos juntos, acabava o isolamento, ali, um bocadinho. E isso foi muito bom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Numa \u00e9poca dominada pelos grandes&nbsp;festivais de m\u00fasica e pela corpora\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, o que \u00e9 que sentem por estarem a tocar nesta festa dos 140 anos d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, uma festa popular, de acesso para toda a gente, no meio da cidade, gratuita. Acham que isto \u00e9 uma coisa necess\u00e1ria para a nossa cultura?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; Sim, \u00e9 fundamental, n\u00e3o s\u00f3 haver esta oferta cultural para todos, e ser uma oferta variada em tudo, porque o dia come\u00e7ou cedo com atividades, com oficinas, com muita coisa a acontecer naquele espa\u00e7o, e temos o Sebasti\u00e3o Antunes e a Quadrilha antes de n\u00f3s. Haver essa variedade e pluralidade no que se oferece \u00e9 muito importante. E fazer-se esta celebra\u00e7\u00e3o na rua, acho mesmo muito bom. \u00c9 um belo sinal para os dias de hoje, em que as pessoas est\u00e3o um bocadinho fechadas, cada uma no seu cantinho. H\u00e1 pouca comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pouco esp\u00edrito c\u00edvico e a Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o que trabalha muito nesse aspeto, n\u00e3o s\u00f3 na divulga\u00e7\u00e3o cultural, mas muito na educa\u00e7\u00e3o, nas escolas que tem, em todo o trabalho de associativismo que faz. Para n\u00f3s foi a oportunidade de nos podermos juntar a esse trabalho e a essa luta e foi por isso, embora sabendo que ia ser uma coisa complicada \u2014 porque a log\u00edstica de uma banda como os Cl\u00e3 \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil para uma festa assim de boa \u2014 mas eles [organiza\u00e7\u00e3o] foram geniais na maneira como conseguiram adaptar-se \u00e0s nossas exig\u00eancias e n\u00f3s tamb\u00e9m acomod\u00e1mos algumas coisas, para que tudo pudesse acontecer, para podermos estar c\u00e1 hoje a fazer a festa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Os Cl\u00e3 t\u00eam um disco incr\u00edvel para crian\u00e7as,&nbsp;o&nbsp;<em>Disco Voador<\/em>, um disco super ternurento. A Voz faz muito esta liga\u00e7\u00e3o entre as&nbsp;crian\u00e7as e os mais velhos. \u00c9 uma din\u00e2mica que vos interessa explorar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; Eu n\u00e3o sei se h\u00e1 um pensamento muito organizado e muito program\u00e1tico naquilo que n\u00f3s fazemos. O que nos inquieta mesmo \u00e9 fazer m\u00fasica. Nesse aspecto somos bastante ego\u00edstas [risos]. O que \u00e9 inevit\u00e1vel \u00e9 que n\u00f3s tamb\u00e9m somos gente do mundo, pessoas que t\u00eam as suas fam\u00edlias, come\u00e7\u00e1mos a ter filhos, estamos no mundo em que estamos, e o facto de sermos permeados por isso, por essa experi\u00eancia como gente, como cidad\u00e3os do mundo de hoje, acaba por contaminar o trabalho que vamos fazendo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e9lder Gon\u00e7alves (HG)<\/strong> &#8211;<strong> <\/strong>E mudando tamb\u00e9m, e vamos evoluindo \u00e0 custa disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA <\/strong>&#8211; E perceber que h\u00e1 uma camada, um trabalho para l\u00e1 do trabalho art\u00edstico, que \u00e9 importante conseguir participar e transportar no que vamos fazendo durante a nossa carreira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"584\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050372.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7012\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050372.jpg 640w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050372-300x274.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050372-197x180.jpg 197w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">JOS\u00c9 PEDRO RODRIGUES<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Acham que h\u00e1 alguma coisa que pode ser transformadora nesta festa d\u2019A Voz do&nbsp;Oper\u00e1rio? Precisamos de mais rua e de mais artistas na rua, ou \u00e9 dif\u00edcil competir com os grandes festivais?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG<\/strong>&nbsp;&#8211;<strong>&nbsp;<\/strong>S\u00e3o coisas muito diferentes, diria. Acho que \u00e9 mais importante o papel, em si, d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, e estas festas de celebra\u00e7\u00e3o desse papel s\u00e3o importantes para mostrar que h\u00e1 muita gente a trabalhar, que h\u00e1 muita gente \u00e0 volta, que A Voz do Oper\u00e1rio continua a existir e associa\u00e7\u00f5es como ela. Quanto mais se conseguir juntar<strong>&nbsp;<\/strong>artistas \u00e0 volta disso, e todo o tipo de cultura, melhor, mais valor se vai dar a este tipo de festas e movimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; Mas eu acho mesmo que a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo vital e infelizmente \u00e9 uma coisa que est\u00e1 em crise em Portugal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Vamos a esse ponto.&nbsp;<em>Menos cegueira,&nbsp;economia e mais educa\u00e7\u00e3o<\/em>, foi assim que&nbsp;voc\u00eas abriram o primeiro single do&nbsp;<em>Luso&nbsp;Qualquer Coisa<\/em>, em 1995, v\u00e3o quase 30 anos.&nbsp;Como \u00e9 que, passado este tempo, olham para o estado atual da nossa vida colectiva?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA &#8211;<\/strong> Acho que pouca gente ouviu o <em>Luso Qualquer Coisa <\/em>[risos].&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211; <\/strong>Mas n\u00e3o fomos s\u00f3 n\u00f3s a falar sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;O facto de n\u00e3o se investir decentemente na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 lament\u00e1vel porque \u00e9 uma coisa que n\u00e3o permite que o pa\u00eds evolua, que as pessoas estejam mais ligadas umas \u00e0s outra&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; \u00c9 uma quest\u00e3o antiga e uma quest\u00e3o actual. O facto de n\u00e3o se investir decentemente na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 lament\u00e1vel porque \u00e9 uma coisa que n\u00e3o permite que o pa\u00eds evolua, que as pessoas estejam mais ligadas umas \u00e0s outras e que continuem a pensar s\u00f3 em dinheiro e na economia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG&nbsp;<\/strong>&#8211; E quando se diz investir, n\u00e3o \u00e9 mandar dinheiro para cima das escolas. \u00c9 pensar numa educa\u00e7\u00e3o mais profunda, como \u00e9 que se deve educar. Sair deste sistema educativo que j\u00e1 vem desde a revolu\u00e7\u00e3o industrial e que j\u00e1 n\u00e3o faz sentido h\u00e1 muito tempo e \u00e9 isso que tem de se pensar. Eu n\u00e3o me lembro de ver um programa de televis\u00e3o onde se fale sobre a educa\u00e7\u00e3o, sobre o sistema educativo, sobre o que \u00e9 que se deve fazer. \u00c9 sempre para onde \u00e9 que h\u00e1-de ir o dinheiro, como \u00e9 que h\u00e1-de ser a carreira dos professores, como \u00e9 que o ministro h\u00e1-de \u201cn\u00e3o sei o qu\u00ea\u201d, e n\u00e3o pensar a educa\u00e7\u00e3o em si, como \u00e9 que devemos tratar a educa\u00e7\u00e3o, como devemos criar pessoas mais informadas, atentas, criativas, que acho que \u00e9 um dos maiores males dos \u00faltimos anos, porque a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 completamente formatada e as crian\u00e7as n\u00e3o pensam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA &#8211;<\/strong> Elas pensam mas n\u00e3o lhes deixam espa\u00e7o. A quest\u00e3o \u00e9 sempre a de ser bem sucedido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211;<\/strong> Acho que isso j\u00e1 est\u00e1 a criar muitos problemas na nossa organiza\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o vejo mudan\u00e7as para breve e isso \u00e9 preocupante. \u00c9 mesmo preocupante. E n\u00e3o vejo pol\u00edticos a falarem sobre isso. Nunca. \u00c9 uma coisa que nos preocupa bastante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ao longo da vossa carreira, foram tendo sempre parcerias, convidando outros&nbsp;autores. Parece que essas parcerias s\u00e3o uma decorr\u00eancia l\u00f3gica de um namoro que iam celebrando com outras pessoas. Estou a lembrar-me do S\u00e9rgio Godinho, do Carlos T\u00ea, do Manel Cruz, do Arnaldo Antunes. Acham que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre a l\u00edngua portuguesa e os vossos convidados? Voc\u00eas convidam as pessoas, namoram com elas na l\u00edngua portuguesa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG<\/strong>&nbsp;&#8211;<strong>&nbsp;<\/strong>N\u00e3o est\u00e1 muito longe disso, sim. Sendo que \u00e0s vezes isso \u00e9 um&nbsp;<em>blind date&nbsp;<\/em>[encontro \u00e0s cegas], porque, em alguns casos, n\u00e3o sabemos muito bem o que \u00e9 que vai acontecer, mas gostamos muito da pessoa e achamos que ela \u00e9 muito atraente [risos] e isso motiva-nos muito a experimentar, a ter essa curiosidade, do que \u00e9 que aconteceria se nos junt\u00e1ssemos. O que \u00e9 que pode sair&nbsp;<em>daqui<\/em>. E temos tido alguma sorte, t\u00eam corrido muito bem todas as experi\u00eancias. Acho que ainda nunca aconteceu de decidirmos trabalhar com algu\u00e9m e a coisa n\u00e3o ter dado certo. \u00c0s vezes, mais dificilmente, \u00e0s vezes \u00e9 uma coisa que demora tempo. O trabalho espec\u00edfico de uma letra,de uma can\u00e7\u00e3o, \u00e9 um trabalho de alguma paci\u00eancia, \u00e9 polir um diamante e andar \u00e0 volta, porque nunca \u00e9 uma coisa exacta, n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia muito simples. Mas o trabalho, esse amor pela l\u00edngua que essas pessoas t\u00eam e que n\u00f3s tamb\u00e9m temos \u00e9 muito importante. \u00c9 a\u00ed que a gente se encontra, realmente. \u00c9 nessa vontade de pensar a l\u00edngua, o que \u00e9 que podemos trazer da l\u00edngua portuguesa para uma coisa muito simples que \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o, como dizia o Z\u00e9 M\u00e1rio Branco, a \u201carte menor da can\u00e7\u00e3o\u201d. S\u00e3o tr\u00eas minutos, mas conseguir trazer a l\u00edngua portuguesa para uma coisa interessante, que fique para al\u00e9m de s\u00f3 uma coisa musical, para al\u00e9m de uma can\u00e7\u00e3o, que seja forte e emocione as pessoas. \u00c9 uma arte bem delicada, muito espec\u00edfica, \u00e9 verdade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"428\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050454.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7014\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050454.jpg 640w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050454-300x201.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050454-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050454-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/L1050454-220x147.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">JOS\u00c9 PEDRO RODRIGUES<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 uma coisa que se nota muito na discografia dos Cl\u00e3: percorremos a hip\u00f3tese do amor. H\u00e1 uma hip\u00f3tese do amor, um conjunto de coisas que s\u00e3o ditas e que andam mais ou menos entre a ternura e a ang\u00fastia, um jogo constante, em concorr\u00eancia. Este conceito de amor dos Cl\u00e3 \u00e9 um manifesto?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA&nbsp;<\/strong>&#8211; N\u00e3o direi que seja um manifesto e \u00e9 dif\u00edcil falar disto e dar muitas certezas porque muitas dessas palavras que falam do amor, de uma forma mais ternurenta ou mais angustiada, n\u00e3o foram escritas por n\u00f3s. Se calhar os seus autores defenderiam isto melhor ou at\u00e9 diriam que \u00e9 um manifesto. Mas acho que o que h\u00e1 sempre, e por isso \u00e9 que a gente se encontra nas can\u00e7\u00f5es, apesar de virem escritas por parceiros que n\u00e3o pertencem \u00e0 banda, \u00e9 um reconhecimento daquilo que \u00e9 comum a esta coisa de ser humano, que \u00e9 a tentativa de chegar ao outro e de esse caminho nem sempre ser f\u00e1cil e de a comunica\u00e7\u00e3o ser um exerc\u00edcio dif\u00edcil. \u00c0s vezes a gente entende-se, outras n\u00e3o, outras vezes a gente explica-se, outras vezes ficam coisas por dizer, mas acho que tem mais a ver com esse espelho dessa humanidade e o que o amor e os diferentes amores nos fazem s\u00e3o esse ser humano, que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa luta entre a ternura e ang\u00fastia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Estava a pensar na&nbsp;<em>Paz N\u00e3o te Cai Bem<\/em>.&nbsp;H\u00e1 um conjunto de desencontros entre n\u00f3s e a m\u00fasica parece que, \u00e0s vezes, \u00e9 um mapa para o nosso encontro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; Pode ser. Por momentos \u00e9. Essa \u00e9 a coisa m\u00e1gica que nos faz subir a palco e continuar este trabalho depois de trinta anos. \u00c9 esse encontro extraordin\u00e1rio quando est\u00e1s num palco, em frente a uma data de desconhecidos e no tempo de uma can\u00e7\u00e3o estamos ali, todos a falar da mesma coisa. D\u00e1 vontade de pensar que o milagre acontece ali, e a gente vai para casa e est\u00e1 tudo igual, e continua o mesmo milagre, vamos estar todos juntos e perceber que fazemos parte da mesma casa, do mesmo mundo. Mas na verdade acaba o concerto, cada um vai para as suas vidas e para os seus problemas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;Em algumas ocasi\u00f5es, ouvir can\u00e7\u00f5es de outros mexeu comigo, fez-me pensar em coisas, se calhar mudar o rumo de algumas decis\u00f5es e tornar-me uma pessoa melhor. Se n\u00f3s pudermos fazer isso, em alguma medida\u2026&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dias em que estou mais c\u00ednica e acho que n\u00e3o faz diferen\u00e7a nenhuma e que a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma arma. Mas h\u00e1 outros em que apetece acreditar que sim, que pode fazer alguma diferen\u00e7a. Em algumas ocasi\u00f5es, ouvir can\u00e7\u00f5es de outros mexeu comigo, fez-me pensar em coisas, se calhar mudar o rumo de algumas decis\u00f5es e tornar-me uma pessoa melhor. Se n\u00f3s pudermos fazer isso, em alguma medida\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">As vers\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m um caminho para isso. Lembro-me que da primeira vez que ouvi o <em>Conta-me Hist\u00f3rias<\/em> fiquei deslumbrado. Nunca tinha ouvido uma vers\u00e3o t\u00e3o bem feita, respeitando a ess\u00eancia da can\u00e7\u00e3o. Pensam nisso, na forma como a vers\u00e3o se adapta \u00e0 vossa linguagem e respeita o artista?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211;<\/strong> Sempre. Logo na escolha, quando se pensa na can\u00e7\u00e3o. Mesmo quando \u00e9 uma encomenda, normalmente temos algum controlo. No caso dessa, foi escolha nossa. \u00c9 pensar primeiro no que \u00e9 que n\u00f3s, com aquilo que fazemos, com a nossa banda, podemos dar a essa m\u00fasica, o que podemos trazer de diferente a essa m\u00fasica. \u00c9 cavar fundo e ir ao osso da m\u00fasica, tentar perceber a ess\u00eancia da can\u00e7\u00e3o original, ter esse grande respeito por quem comp\u00f4s a m\u00fasica e tentar tirar dali outras coisas ou uma vis\u00e3o diferente. Pode ser a nossa vis\u00e3o, sem nunca deturpar o que \u00e9 mais importante na composi\u00e7\u00e3o. Acho que \u00e9 sempre isso que fazemos.: pegar na can\u00e7\u00e3o, p\u00f4-la no zero, e pensar como \u00e9 que a far\u00edamos. Imaginar que eu acabei de compor a m\u00fasica, no piano ou na guitarra, e como \u00e9 que evolu\u00edmos com essa can\u00e7\u00e3o. \u00c9 este pensamento que faz com que, para n\u00f3s, uma vers\u00e3o seja uma composi\u00e7\u00e3o. Nunca vejo as vers\u00f5es como uma <em>cover.<\/em> Acho que para toda a gente da banda \u00e9 como se fosse uma m\u00fasica nossa, j\u00e1 veio \u00e9 com uma letra e com uma ideia mel\u00f3dica e harm\u00f3nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 uma caracter\u00edstica no trabalho dos&nbsp;Cl\u00e3 que \u00e9 ser extremamente meticuloso.&nbsp;O&nbsp;<em>V\u00e9spera<\/em>&nbsp;demorou tr\u00eas anos para sair.&nbsp;O que nos chega \u00e9 uma coisa muito bem&nbsp;trabalhada. Isto \u00e9 uma das raz\u00f5es para a longevidade dos Cl\u00e3?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG<\/strong>&nbsp;&#8211; Acho que \u00e9 uma das raz\u00f5es, mas isso tem mais a ver com o facto de realmente acharmos que \u00e9 muito importante, quando temos alguma coisa para por c\u00e1 fora, faz\u00ea-lo o melhor poss\u00edvel, e o tempo que demora\u2026 na realidade n\u00e3o estamos tr\u00eas anos a compor nem tr\u00eas anos em est\u00fadio. Estamos muitas vezes na estrada. \u00c9 at\u00e9 antes do est\u00fadio, o pensar no que queremos fazer, se \u00e9 o caminho certo. Temos um bocadinho esta tend\u00eancia, talvez por curiosidade comum, de experimentarmos coisas novas, n\u00e3o nos queremos repetir. Normalmente os discos s\u00e3o sempre o reflexo do disco anterior, no sentido em que queremos mudar. J\u00e1 estamos a pensar como \u00e9 que queremos fazer o pr\u00f3ximo. H\u00e1 sempre essa curiosidade, de como \u00e9 que a gente sai deste campo e vai para outro. Mas no momento em que decidimos isso e come\u00e7amos a depurar as can\u00e7\u00f5es, a\u00ed h\u00e1 um trabalho meticuloso, sim. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;Demoramos dois ou tr\u00eas dias para gravar um sonzinho. &#8220;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Logo no princ\u00edpio com os textos, compor as s\u00edlabas todas no s\u00edtio certo, \u00e9 tudo trabalhado, sendo que, com o tempo e a experi\u00eancia, cada vez fazemos isso mais rapidamente e de uma forma mais natural. Mas depois da\u00ed come\u00e7amos em est\u00fadio, a depurar, e a ir ao pormenor. Demoramos dois ou tr\u00eas dias para gravar um sonzinho. Tamb\u00e9m temos um est\u00fadio pessoal, que facilita esse tempo. Se tiv\u00e9ssemos que ir gravar para um est\u00fadio seria feito de maneira diferente. Ir\u00edamos ensaiar muito mais, como faz\u00edamos no in\u00edcio, at\u00e9 ao&nbsp;<em>Lustro<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MF &#8211;<\/strong> Acho que essa fase inicial \u00e9 muito importante, da defini\u00e7\u00e3o do conceito. De onde \u00e9 que viemos e para onde vamos, toda essa l\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211;<\/strong>&nbsp; Claro que isso nos ajuda a ficar, em cada trabalho, satisfeitos. \u00c0s vezes perguntam-nos \u201cdepois de um disco ficam muito ansiosos com a cr\u00edtica, com o que as pessoas pensam?\u201d Eu respondo sempre muito francamente, n\u00e3o. Deu tanto trabalho a pensar naquilo. Para chegarmos \u00e0quele resultado, aquela m\u00fasica passa para a\u00ed por vinte, trinta vers\u00f5es, experimentamos tantas hip\u00f3teses, isto foi o melhor que conseguimos fazer. Naquele momento, com o tempo que tivemos, naquele m\u00eas, com aquela chuva, isto foi o melhor que conseguimos fazer. E n\u00e3o h\u00e1 nada que possa ir contra isso. As pessoas podem depois odiar, n\u00f3s estamos em paz e tranquilos. Se as pessoas gostarem, muito bem, ficamos contentes, se n\u00e3o gostarem, paci\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MG &#8211;<\/strong> Se n\u00e3o ficamos agradados, a coisa tamb\u00e9m n\u00e3o entra no disco. Isso tamb\u00e9m acontece. \u00c9 importante. Se achamos que a m\u00fasica n\u00e3o est\u00e1 no ponto, sai fora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;A can\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa morta.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211;<\/strong> Algumas m\u00fasicas muito famosas nossas estiveram quase para n\u00e3o entrar no disco. Foram muito dif\u00edceis de fazer, como o Problema de Express\u00e3o ou o Sopro no Cora\u00e7\u00e3o. Foi muito dif\u00edcil de gravar. Isto porque t\u00ednhamos uma maquete da m\u00fasica, t\u00ednhamos uma ideia com que est\u00e1vamos muito contentes, e depois na grava\u00e7\u00e3o do disco nunca sentimos a mesma fluidez, a mesma sensa\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos, e isso estava-nos a causar muitas d\u00favidas. Depois, com algum trabalho, acab\u00e1mos por chegar ao ponto melhor poss\u00edvel, mais uma vez, e ficou forte. Tamb\u00e9m \u00e9 importante e com a experi\u00eancia chegas a esses compromissos. T\u00ednhamos na cabe\u00e7a uma coisa, n\u00e3o cheg\u00e1mos l\u00e1, mas est\u00e1 forte, est\u00e1 uma coisa s\u00f3lida e consistente. Como tocamos muito ao vivo, depois vamos descobrir o ponto de rebu\u00e7ado para l\u00e1 chegar. A can\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa morta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Estavas a dizer que de um disco para o outro h\u00e1 um reflexo e voc\u00eas incorporam muito a linguagem do tempo. H\u00e1 uma grande sofistica\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do disco e isto pode ser tamb\u00e9m resultado da m\u00fasica que voc\u00eas v\u00e3o ouvindo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211;<\/strong> Tem sempre um pouco, fazer m\u00fasica, ou qualquer arte, \u00e9 sempre um reflexo daquilo que vais aprendendo e ouvindo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA &#8211;<\/strong>&nbsp; E ouvir m\u00fasica \u00e9 fundamental. Ouvir m\u00fasica, ir ao cinema, ler livros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG &#8211;<\/strong> Eu n\u00e3o diria que \u00e9 a m\u00fasica do tempo. Tenho alguma dificuldade com isso porque muitas vezes, e acho que n\u00f3s todos, estamos a ouvir m\u00fasica de h\u00e1 dez, cinco, vinte anos, n\u00e3o temos muito essa coisa do <em>trend,<\/em> do que \u00e9 que est\u00e1 na moda, acho que de alguma forma isso n\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MF &#8211;<\/strong> Mas estamos atentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MA &#8211;<\/strong> Nesse caso serei eu a excep\u00e7\u00e3o, que sou muito distra\u00edda da parte das tecnologias e das \u00faltimas coisas ligadas ao som. Sou um bocadinho mais intuitiva nesse lado. Mas toda a gente na banda \u00e9 muito atenta ao seu instrumento, \u00e0quilo que o instrumento tem de poder ser desenvolvido, come\u00e7ando no baterista, a passar pelos dois teclistas, o nosso baixista Pedro Santos tamb\u00e9m \u00e9 um rapaz muito antenado em tudo o que \u00e9 sons novos, instrumentos novos, o H\u00e9lder tamb\u00e9m \u00e9 um <em>geek <\/em>dos pedais, das tecnologias e das grava\u00e7\u00f5es. Acho que haver esse gosto pelo som, pela produ\u00e7\u00e3o do som puro, tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa que ajuda a que na produ\u00e7\u00e3o do disco consigamos chegar de forma mais eficaz \u00e0s ideias art\u00edsticas, e essas sim podem vir de inspira\u00e7\u00f5es que v\u00eam mais de tr\u00e1s ou que sejam mais atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">J\u00e1 est\u00e3o a fazer outro tipo de espet\u00e1culos a pensar num caminho futuro?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HG<\/strong>&nbsp;&#8211; Neste momento ainda estamos na digress\u00e3o do&nbsp;<em>V\u00e9spera.&nbsp;<\/em>Como em quase em todas as digress\u00f5es de um disco &#8211; acho que neste at\u00e9 foi mais exagerado &#8211; temos tocado quase sempre o disco todo. E depois procuramos sempre algumas m\u00fasicas do passado que se relacionem bem em termos de universo liter\u00e1rio, sonoro. H\u00e1 pequenas excep\u00e7\u00f5es de alinhamentos de concertos, quando s\u00e3o coisas como hoje, um concerto \u00e0 tarde ao ar livre. O alinhamento \u00e9 um bocadinho diferente, n\u00e3o recai tanto sobre o \u00faltimo disco, \u00e9 uma coisa um bocadinho mais h\u00edbrida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7023\" width=\"840\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-768x512.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41-220x147.jpg 220w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Imagem-WhatsApp-2023-05-20-as-21.45.41.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">JOS\u00c9 PEDRO RODRIGUES<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>MA<\/strong>&nbsp;&#8211; Ali\u00e1s pelo facto de ser a celebra\u00e7\u00e3o dos 140 anos d\u2019A voz do Oper\u00e1rio, trouxemos tr\u00eas can\u00e7\u00f5es quase de homenagem ao trabalho d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, uma can\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Godinho, do Zeca Afonso e do Z\u00e9 M\u00e1rio Branco. Normalmente n\u00e3o as tocamos nos nossos concertos, mas ach\u00e1mos por bem traz\u00ea-las. \u00c9 um alinhamento um bocadinho particular, o deste concerto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na alvorada de uma pandemia editaram V\u00e9spera, o seu mais recente registo de originais. Foram espreitando os palcos sempre que poss\u00edvel e agora continuam a sua volta, pisando tamb\u00e9m a festa de Rua dos 140 anos d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Foi nesse mesmo dia que fal\u00e1mos com os Cl\u00e3, sobre estes tempos, a sua participa\u00e7\u00e3o neste dia, sobre cria\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o musical e encontros.<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":6953,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[92],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6969"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7057,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969\/revisions\/7057"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6969"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}