{"id":6879,"date":"2023-05-05T11:25:43","date_gmt":"2023-05-05T11:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6879"},"modified":"2023-06-05T11:37:21","modified_gmt":"2023-06-05T11:37:21","slug":"trabalhar-a-autonomia-para-construir-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/05\/05\/trabalhar-a-autonomia-para-construir-a-liberdade\/","title":{"rendered":"Trabalhar a autonomia para construir a liberdade"},"content":{"rendered":"\n<p>Numa pequena mesa, duas crian\u00e7as dialogam, sobretudo com gestos, enquanto almo\u00e7am. Uma delas come com as m\u00e3os enquanto a outra lhe diz para comer com a colher, dando o exemplo. De seguida, os dois meninos est\u00e3o a comer com talheres. A meio, uma menina levanta-se da mesa e arruma a sua pr\u00f3pria loi\u00e7a.&nbsp;<br><br>Entrar no espa\u00e7o educativo d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio na Baixa da Banheira \u00e9 um hino \u00e0 humanidade. O riso das crian\u00e7as \u00e9 o compasso desorganizado de uma banda sonora que acompanha uma ideia fundamental: o crescimento livre e aut\u00f3nomo em aprendizagem dial\u00e9tica com a vida. Num espa\u00e7o sem portas fechadas para as fam\u00edlias, \u00e9 Elsa Madeira, coordenadora da creche deste espa\u00e7o educativo, que nos guia pelo pr\u00e9-escolar explicando que estas meninas e meninos arrumam, desde pequenos, pratos e talheres com o objetivo, tamb\u00e9m, de que este trabalho tenha continuidade em casa. Algumas fam\u00edlias t\u00eam receio de que as crian\u00e7as possam sujar a casa, mas Elsa Madeira sustenta que o objetivo \u00e9 que aprendam percebendo que s\u00e3o capazes. \u201c\u00c9 preciso fazer este trabalho com as fam\u00edlias, dar \u00e0s crian\u00e7as a oportunidade de terem o tempo deles, o espa\u00e7o deles e a oportunidade de, em casa, tamb\u00e9m fazerem o que fazem aqui na escola\u201d, afirma.<br><br>Mas o papel das fam\u00edlias \u00e9 fundamental no processo de aprendizagem fora, mas tamb\u00e9m dentro deste espa\u00e7o educativo. Nesse aspecto, Elsa reconhece que o envolvimento dos pais ainda n\u00e3o regressou ao n\u00edvel pr\u00e9-pandemia. Descreve que dantes \u201cficavam um bocadinho, participavam nas din\u00e2micas, vinham contar coisas da vida deles ou mesmo relacionadas com as profiss\u00f5es, trazer conhecimento ao grupo\u201d. Agora h\u00e1 ainda algum receio mas, passo a passo, as fam\u00edlias est\u00e3o a reaproximar-se. Revela que \u00e9 \u201cuma diferen\u00e7a enorme\u201d porque antes sentiam que as fam\u00edlias entravam no espa\u00e7o \u201ccomo se fosse a sua casa\u201d. O \u201cposso entrar?\u201d, explica, \u00e9 agora um h\u00e1bito a derrubar. \u201cClaro que sim, abra a porta, entre e fique, o espa\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 seu, costumo dizer-lhes\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Finalmente, a heterogeneidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Estender a heterogeneidade ao espa\u00e7o educativo da Baixa da Banheira era um objetivo j\u00e1 anunciado e concretiza-se agora, completando um ciclo que liga todo o modelo educativo d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, atrav\u00e9s da diversidade et\u00e1ria em cada grupo de crian\u00e7as.<br><br>\u201cO que n\u00f3s queremos \u00e9 que eles estejam juntos e n\u00e3o que alguma sala, at\u00e9 o pr\u00f3prio ber\u00e7\u00e1rio, esteja isolado, no fundo, de tudo. Por isso, neste momento, s\u00f3 temos duas crian\u00e7as no ber\u00e7\u00e1rio, dentro do espa\u00e7o, porque as outras est\u00e3o juntas\u201d, descreve Elsa Madeira. \u201cApesar de termos grupos homog\u00e9neos antes, j\u00e1 t\u00ednhamos uma grande diferen\u00e7a de idades, j\u00e1 t\u00ednhamos crian\u00e7as quase com um ano e crian\u00e7as que j\u00e1 estavam a fazer dois ou tr\u00eas em janeiro\u201d, descreve, lembrando que \u201ccada crian\u00e7a tem o seu ritmo\u201d. Considera que foi uma importante decis\u00e3o pela \u201cexperi\u00eancia que as colegas [de outras escolas] iam partilhando\u201d e por aquilo que queriam exprimentar, uma vez que sempre trabalharam muito em conjunto. \u201cNo fundo, n\u00f3s estamos em sala mas estamos sempre juntas e sempre com trabalhos entre salas, por isso, tamb\u00e9m j\u00e1 viv\u00edamos diariamente isso, tent\u00e1vamos sempre, de alguma forma, trazer essa heterogeneidade para dentro da creche, n\u00e3o dentro de salas. Senti que est\u00e1vamos preparadas e que gost\u00e1vamos de viver tamb\u00e9m aquilo que elas partilhavam\u201d.<br><br>Para este caminho trilhado em conjunto entre alunos, pais e trabalhadores, Elsa Madeira destaca a import\u00e2ncia da autonomia na aprendizagem. \u201cN\u00f3s temos vindo a refletir muito e a fazer constantes mudan\u00e7as principalmente nos momentos de transi\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, havia a quest\u00e3o de as crian\u00e7as irem lavar as m\u00e3os e irem todas ao mesmo tempo para o refeit\u00f3rio. N\u00f3s n\u00e3o apostamos nessas din\u00e2micas, as crian\u00e7as, individualmente, v\u00e3o lavando as m\u00e3os, v\u00e3o-se sentando, v\u00e3o almo\u00e7ando, enquanto outras brincam. Vamos tendo, obviamente, aten\u00e7\u00e3o sobre quem precisa de almo\u00e7ar mais cedo e quem n\u00e3o precisa. H\u00e1 esse cuidado individual que depois requer toda uma organiza\u00e7\u00e3o diferente. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00e3o todos ao mesmo tempo para a sesta, d\u00e1-nos uma tranquilidade muito maior\u201d.<br><br>A coordenadora do pr\u00e9-escolar deste espa\u00e7o educativo, Ana Jord\u00e3o, sublinha justamente a import\u00e2ncia dos passos dados: \u201cEssa reflex\u00e3o tamb\u00e9m permitiu, aqui na parte do pr\u00e9-escolar, come\u00e7ar a dar esse passo. Sinto que no in\u00edcio o grupo vinha todo junto para o refeit\u00f3rio e sa\u00eda todo junto do refeit\u00f3rio, as crian\u00e7as esperavam muito umas pelas outras. E, neste momento, refletindo aqui nesta din\u00e2mica da creche, \u00e0 medida que as crian\u00e7as v\u00e3o terminando, h\u00e1 um adulto que depois se desloca e eles v\u00e3o deslocando-se pelo espa\u00e7o para a casa-de-banho, portanto, j\u00e1 come\u00e7a a haver aqui mais esta consci\u00eancia de que n\u00e3o t\u00eam de todos esperar por todos. E sendo um espa\u00e7o que eles conhecem, sabem onde \u00e9 a sua sala, sabem onde \u00e9 a casa-de-banho, faz todo o sentido deslocarem-se at\u00e9 \u00e0 casa-de-banho e depois at\u00e9 ao acolhimento, onde fazem a sua sesta porque, no fundo, \u00e9 um espa\u00e7o que lhes transmite seguran\u00e7a e que eles conhecem, e h\u00e1 sempre um adulto dispon\u00edvel \u2013 v\u00e1rios adultos \u2013 que apoiam estas transi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um modelo de auto-organiza\u00e7\u00e3o&nbsp;e participa\u00e7\u00e3o coletiva<\/h2>\n\n\n\n<p>Ana Jord\u00e3o trabalha nesta escola h\u00e1 seis anos e faz parte da constru\u00e7\u00e3o de um modelo pedag\u00f3gico que tem a participa\u00e7\u00e3o como refer\u00eancia. Com o Movimento da Escola Moderna como farol, o esfor\u00e7o de todos por melhorar \u00e9 permanente. \u201cExiste aqui, dentro da rotina, v\u00e1rios momentos em que eles t\u00eam oportunidade de estar num grupo alargado e partilhar experi\u00eancias, aprendizagens, coisas que v\u00e3o acontecendo, n\u00e3o s\u00f3 l\u00e1 fora\u2026 Por exemplo, o momento da manh\u00e3, no acolhimento, as crian\u00e7as trazem coisas de casa e partilham entre elas, grupo, objetos que alimentam muito os interesses do grupo e que alimentam muito o planeamento, a aprendizagem que vamos fazendo. Ou seja, s\u00e3o, no fundo, o fio condutor daquilo que vamos promovendo em termos de aprendizagem e de desenvolvimento que \u00e9, neste caso, o acolhimento em conselho. Depois, no final da manh\u00e3, existe aqui um tempo que \u00e9 o tempo de comunica\u00e7\u00f5es em que eles partilham aquilo que aprenderam, alguma aprendizagem que fizeram, alguma brincadeira que aconteceu, ou at\u00e9 mesmo n\u00f3s adultos, alguma coisa que observ\u00e1mos e que acabamos por trazer ao grupo alargado para fazer esse momento de partilha\u201d, descreve. Outro momento destacado por esta coordenadora \u00e9 o balan\u00e7o em conselho em que avaliam o que foi planeado e se o que foi feito est\u00e1 de acordo com esse plano.<\/p>\n\n\n\n<p><br>As duas coordenadoras trabalharam noutras escolas e sentem diferen\u00e7as no modelo pedag\u00f3gico utilizado. Ana Jord\u00e3o refere que \u00e9 importante haver uma identifica\u00e7\u00e3o pessoal com o modelo explicando que, ainda assim, n\u00e3o adianta acreditar nele se n\u00e3o se souber levar \u00e0 pr\u00e1tica. J\u00e1 Elsa Madeira tem a experi\u00eancia de ter sido aluna d\u2019A Voz do Oper\u00e1ria e diz que \u00e9 algo que n\u00e3o desaparece. \u201cPor exemplo, comparando at\u00e9 com aquilo que eu vejo na escola p\u00fablica, \u00e9 uma diferen\u00e7a enorme, principalmente na participa\u00e7\u00e3o ativa que as crian\u00e7as t\u00eam, de poderem dar a sua opini\u00e3o, de poderem participar, de poderem ser cr\u00edticas naquilo que est\u00e3o a observar dentro do seu espa\u00e7o\u201d. A participa\u00e7\u00e3o e a emancipa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as enquanto agentes cr\u00edticos na sociedade \u00e9 algo muito valorizado por estas duas trabalhadoras d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. \u201cEm 2022, juntamente com as fam\u00edlias, trabalhou-se no sentido de melhorar o contexto exterior. Fizemos mesmo aqui uma interven\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias, e este ano queremos dar continuidade porque n\u00e3o houve respostas, tamb\u00e9m n\u00e3o houve melhorias, desde o lixo, desde o coc\u00f3 no ch\u00e3o, desde o estacionamento, e ent\u00e3o \u00e9 algo pelo qual n\u00f3s queremos continuar a batalhar, e acho que isso tamb\u00e9m transmite \u00e0s fam\u00edlias que n\u00e3o podemos parar, no fundo, de lutar pelos nossos direitos\u201d, defende Elsa Madeira. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, Ana Jord\u00e3o considera que n\u00e3o acontece o mesmo em muitas outras escolas. \u201cSe calhar, os professores est\u00e3o t\u00e3o preocupados em cumprir o programa que n\u00e3o h\u00e1 essa oportunidade, esse tempo, essa possibilidade\u201d, sugere. \u201cOs interesses das crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o ouvidos, a voz das crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 ouvida. E aqui, apesar de existirem orienta\u00e7\u00f5es curriculares, tentamos sempre que os interesses deles sejam ouvidos e por detr\u00e1s disso est\u00e1 o nosso conhecimento, enquanto educadores, dessas orienta\u00e7\u00f5es e daquilo que \u00e9 importante trabalhar nestas idades\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O impacto na comunidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Com uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade com o exterior, A Voz do Oper\u00e1rio tem procurado, desde sempre, estender o seu trabalho para l\u00e1 das suas portas e viver em comunidade. De acordo com Ana Sofia Cardoso, diretora pedag\u00f3gica e de equipamentos d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio da Margem Sul, a escola tem um grande impacto na \u00e1rea envolvente. \u201cN\u00e3o temos muitas escolas que trabalhem assim com um modelo como o nosso, que consigam ir ao encontro das necessidades das crian\u00e7as e, ao mesmo tempo, aqui n\u00e3o s\u00f3 das viv\u00eancias que trazem e do que t\u00eam, mas como ajud\u00e1-las a levarem isso ainda mais al\u00e9m\u201d, explica. Este espa\u00e7o educativo est\u00e1 inserido num contexto socioecon\u00f3mico de muitas dificuldades, baixos sal\u00e1rios e precariedade laboral, e a escola n\u00e3o \u00e9 indiferente a essa realidade. \u201cEstas fam\u00edlias trabalham muitas horas e as crian\u00e7as, por vezes, o tempo em que est\u00e3o fora da escola, est\u00e3o entregues a irm\u00e3os que s\u00e3o pouco mais velhos. Portanto, em termos de experi\u00eancias, de viv\u00eancias, em termos de conhecer o mundo de outra forma, estamos a falar de crian\u00e7as muito circunscritas ao seu pr\u00f3prio contexto, \u00e0s coisas que acontecem na sua comunidade. Eu acho que as pessoas da escola acabam por ter um papel muito importante no sentido de trazer outras coisas, de trazermos outros olhares, outras experi\u00eancias, outras viv\u00eancias, coisas que normalmente as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam\u201d, descreve. Nesse trabalho, a escola articula-se com a Junta de Freguesia de forma a terem outro tipo de atividades que tamb\u00e9m existem na rede p\u00fablica, mas o trabalho de contacto com a comunidade vai mais al\u00e9m e o contacto com o movimento associativo \u00e9 permanente. \u201cJ\u00e1 conseguimos que participassem no mercado de natal que fazemos numa associa\u00e7\u00e3o, o Atl\u00e9tico Clube. O Chinquilho colabora connosco nas atividades associativas. Tivemos tamb\u00e9m uma reuni\u00e3o de abertura para conhecer as escolas que existem aqui \u00e0 volta, porque muitas destas crian\u00e7as depois v\u00e3o para outras escolas e h\u00e1 o interesse das outras escolas de nos conhecerem, para perceberem esta din\u00e2mica que, \u00e0s vezes, \u00e9 t\u00e3o diferente\u201d, sublinha.<br>O facto \u00e9 que A Voz do Oper\u00e1rio tem impacto na comunidade, nas fam\u00edlias, nos trabalhadores mas, sobretudo, nos alunos. De tal forma que h\u00e1 quem distinga as crian\u00e7as d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio que chegam \u00e0 escola p\u00fablica pela sua capacidade de estar, pensar e intervir. Essa marca distintiva \u00e9 fruto de um trabalho coletivo que se alicer\u00e7a num modelo pedag\u00f3gico que se quer participativo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa pequena mesa, duas crian\u00e7as dialogam, sobretudo com gestos, enquanto almo\u00e7am. 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