{"id":6782,"date":"2023-04-06T15:09:48","date_gmt":"2023-04-06T15:09:48","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6782"},"modified":"2023-05-05T11:56:55","modified_gmt":"2023-05-05T11:56:55","slug":"os-rappers-resgataram-a-tradicao-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/04\/06\/os-rappers-resgataram-a-tradicao-de-abril\/","title":{"rendered":"Capicua: \u201cOs rappers resgataram a tradi\u00e7\u00e3o de Abril\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quem \u00e9 a Ana Matos Fernandes?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma mulher portuense da gera\u00e7\u00e3o de 80, que estudou sociologia, mas que acabou por se profissionalizar na m\u00fasica, mais concretamente no rap, e que tem uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura hip-hop desde a adolesc\u00eancia. Que gosta muito da escrita, acima de tudo, e que trabalha al\u00e9m da m\u00fasica, com todas as possibilidades de desdobramentos para a sua escrita. Desde letras para outras pessoas, cr\u00f3nicas, recentemente texto para teatro, um livro que editei, m\u00fasica para crian\u00e7as e todo o tipo de outras coisas que possam surgir da escrita. E para terminar, diria que a experi\u00eancia recente da maternidade tamb\u00e9m acabou por ter um impacto muito profundo na minha identidade e, portanto, tamb\u00e9m diria que, al\u00e9m de todas essas coisas, sou m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A&nbsp;Ana encontrou-se com a Capicua.&nbsp;Como aconteceu?<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a fazer graffiti aos 15 anos, interessei-me pela cultura hip-hop, que tem v\u00e1rias dimens\u00f5es: graffiti, breakdance, DJ &#8211; a arte de manipular o gira-discos &#8211; e o rap &#8211; essa forma de debitar rimas cadenciadas em cima de uma base instrumental bastante minimalista. Comecei ent\u00e3o a frequentar um bar que havia no Porto, o Comix, onde se encontrava toda a gente da cultura hip-hop. Era uma fase embrion\u00e1ria, sou da segunda gera\u00e7\u00e3o. Havia o Mind da Gap, Dealema, a banda Matooso e pouco mais. Quando encontrei o rap, n\u00e3o s\u00f3 percebi que pela democraticidade do registo e pelo facto de estar perante rappers praticamente da minha idade, que faziam m\u00fasica a partir das suas emo\u00e7\u00f5es, das suas hist\u00f3rias, da linguagem de todos os dias, do nosso cal\u00e3o, com o nosso sotaque, percebi que tamb\u00e9m podia fazer aquilo, que tinha muito a ver com a minha rela\u00e7\u00e3o com a escrita, a \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que seria aplicada \u00e0 m\u00fasica. Nunca pensei fazer m\u00fasica. N\u00e3o sabia tocar nenhum instrumento, n\u00e3o tinha voz para cantar e, a partir da escrita, pude ambicionar essa possibilidade. Por outro lado, encontrei um sentido de identifica\u00e7\u00e3o com aquele estilo de m\u00fasica muito a partir do que ouvia na inf\u00e2ncia, as m\u00fasicas que os meus pais ouviam: Zeca Afonso, Z\u00e9 M\u00e1rio Branco, Fausto, S\u00e9rgio Godinho. Senti ali uma liga\u00e7\u00e3o \u00f3bvia, porque, esteticamente n\u00e3o tendo nada a ver, havia um protagonismo da palavra \u00f3bvio como objeto est\u00e9tico, e tamb\u00e9m como ve\u00edculo de discurso, como ferramenta para a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Na minha conce\u00e7\u00e3o de m\u00fasica, em que a palavra estava no centro, o rap dava continuidade a isso. Tamb\u00e9m por uma quest\u00e3o de poder desenvolver a partir dessa democraticidade do g\u00e9nero a minha escrita, comecei a escrever e passei de consumidor do rap a aprendiz de rapper. Fui levando aquilo mais a s\u00e9rio e, a partir de 2004, quando fundei a minha primeira banda, nunca mais parei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O&nbsp;Rap pode ser um dos herdeiros da m\u00fasica de interven\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que durante muitos anos foi o \u00fanico. A sua raiz era uma m\u00fasica de celebra\u00e7\u00e3o de festa e de unifica\u00e7\u00e3o dos bairros da Nova Iorque afro-americana e latina, bastante marginalizada. Estabeleceu-se pela via da festa e da celebra\u00e7\u00e3o, para tentar essa unifica\u00e7\u00e3o dos grupos e dos gangs e dos bairros rivais. Depois, uma parte dos rappers dedicaram-se \u00e0 can\u00e7\u00e3o de protesto, de den\u00fancia, de reportagem daquilo que se passava nos bairros: da viol\u00eancia policial ao racismo. Fizeram do rap uma importante forma de afirma\u00e7\u00e3o daquela comunidade t\u00e3o distante do discurso do poder. O rap tem imensos subg\u00e9neros e nem sempre de protesto, diria at\u00e9 que cada vez menos. Em Portugal, dos anos 90 ao 2000, n\u00e3o era cool cantar em portugu\u00eas e muito menos falar daquilo que se passava nas ruas, nas escolas, nos bairros. Os rappers da periferia de Lisboa &#8211; no Porto n\u00e3o h\u00e1 tanta presen\u00e7a de afro-portugueses &#8211; fizeram o servi\u00e7o p\u00fablico de documentar a d\u00e9cada, cantando em portugu\u00eas, falando do racismo, dos problemas da habita\u00e7\u00e3o, da segrega\u00e7\u00e3o urbana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Onde entrava mais a pol\u00edcia do que a pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia policial, o desamparo identit\u00e1rio de n\u00e3o serem tratados como portugueses, tendo nascido em Portugal, e n\u00e3o serem cabo-verdianos ou angolanos. Se um soci\u00f3logo fizer an\u00e1lises de conte\u00fado dessa m\u00fasica que vem do rap, sobretudo da periferia de Lisboa, ter\u00e1 um retrato muito interessante das margens, das pessoas demasiado distantes dos media, dos partidos pol\u00edticos, sindicatos, do acesso \u00e0 cultura mais prestigiada. Um trabalho de protesto e de den\u00fancia. Durante essa d\u00e9cada a m\u00fasica do pop ao rock n\u00e3o estavam interessados em cantar em portugu\u00eas, muito menos falar de coisas s\u00e9rias. Os rappers resgataram a tradi\u00e7\u00e3o de Abril, contando as micro-hist\u00f3rias que comp\u00f5em a hist\u00f3ria com H grande &#8211; distantes dos discursos dominantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 aqui alguma rela\u00e7\u00e3o entre o Rap e o Fado?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 imensas. N\u00e3o s\u00f3 por ser uma m\u00fasica urbana. O fado ascendeu \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica nacional, o rap n\u00e3o. Mas \u00e9 das m\u00fasicas mais ouvidas do mundo. Ascenderam aos holofotes, vindos da margem. No caso do fado, das casas de prostitui\u00e7\u00e3o, das tascas. No do rap, dos bairros mais perif\u00e9ricos. Al\u00e9m dessa genealogia, ambos os estilos tomam o poema como o centro de tudo. No fado, apesar da guitarra portuguesa ter muito protagonismo, os fados tradicionais s\u00e3o uma esp\u00e9cie de standard de que cada fadista se apropria para cantar o seu poema. Mas o poema mais importante \u00e9 a estrutura do poema que dita a estrutura mel\u00f3dica, \u00e9 o poema que vai fazer com que a interpreta\u00e7\u00e3o do fadista seja ou n\u00e3o memor\u00e1vel. Gosto de escrever para o fado porque os fadistas, tal como os rappers, n\u00e3o cantam, cospem. H\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o de emanar a cada palavra a sua emo\u00e7\u00e3o. E depois o fado tem essa caracter\u00edstica que o rap tem, de contar as pequenas hist\u00f3rias. Muito fado fala de emo\u00e7\u00f5es, mas muito conta a hist\u00f3ria de Lisboa, dos bairros, das tascas, das pessoas, as personagens que, tal como o rap, documenta essas micro-hist\u00f3rias, todas juntas, comp\u00f5em a hist\u00f3ria com H grande que eu falava h\u00e1 pouco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O&nbsp;fado e o Rap contam a hist\u00f3ria de Lisboa?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s pod\u00edamos ir agora analisar o fado sobre Lisboa, sobre as suas personagens, as suas profiss\u00f5es, bairros, tascas, e t\u00ednhamos um retrato, d\u00e9cada ap\u00f3s d\u00e9cada, das din\u00e2micas, das crises. O fado da Am\u00e1lia em que ela cantava que a Mouraria estava degradada e agora estava bonita. Passadas d\u00e9cadas s\u00e3o capaz de cantar que outra vez a Mouraria est\u00e1 degradada. O fado tamb\u00e9m documenta muito a hist\u00f3ria dos bairros, tal como o rap. Quando consegue ser um retrato da sua \u00e9poca, a m\u00fasica fica ancorada no nosso esp\u00edrito, nos pr\u00f3prios ideais, e faz parte da corrente composta por muitos elos da tradi\u00e7\u00e3o oral que carregamos enquanto povo. Se ap\u00f3s cada gera\u00e7\u00e3o renovarmos esse compromisso com quem conta as nossas hist\u00f3rias, falar o que s\u00e3o os ciclos hist\u00f3ricos, pol\u00edticos, sociais e econ\u00f3micos, a m\u00fasica ganha para mim um valor acrescentado. Falando s\u00f3 de amor, de coisas emocionais, muitas vezes s\u00f3 sabemos que aquela can\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma d\u00e9cada pela sua est\u00e9tica, n\u00e3o pelo conte\u00fado. H\u00e1 m\u00fasicas que vivem dessa intemporalidade. Eu gosto dessa caracter\u00edstica do fado e do rap ancorados no seu tempo. Por exemplo, a Casa da Mariquinhas que eu escrevi para a Gisela Jo\u00e3o, em 2013, \u00e9 uma vers\u00e3o do tema \u201cVou dar de beber \u00e0 dor\u201d da Am\u00e1lia que j\u00e1 por si aludia \u00e0 can\u00e7\u00e3o do Alfredo Marceneiro e depois da Herm\u00ednia Silva que falava da Casa da Mariquinhas. Quando Marceneiro cantou a primeira casa da Mariquinhas, era uma casa de meninas. Depois, quando a Am\u00e1lia canta \u201cVou dar de beber \u00e0 dor\u201d, j\u00e1 era uma casa de penhores e quando eu escrevo a letra, da vers\u00e3o cantada pela Gisela Jo\u00e3o, a casa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de penhores, j\u00e1 est\u00e1 emparedada. Est\u00e1vamos em plena troika. Passado uns anos, reescrevi a letra outra vez, e saiu esta semana, como sendo o hostel da Mariquinhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Falemos da obra. M\u00e3o Verde como nasceu?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou por ser um concerto. O Teatro S\u00e3o Luiz convidou-me, em 2015, para fazer uma temporada de concertos para crian\u00e7as e n\u00e3o tinha um repert\u00f3rio, a n\u00e3o ser uma can\u00e7\u00e3o ou outra que pudesse adaptar ao p\u00fablico mais jovem. Convidei o Pedro Geraldes para fazer a m\u00fasica, escrevi as letras e fizemos meia d\u00fazia de concertos na mesma semana no S. Lu\u00eds. As pessoas gostaram tanto que no final do concerto perguntavam onde podiam comprar o disco. Decidimos gravar, fizemos mais duas can\u00e7\u00f5es e gravamos o disco em 2016. Foi o nosso primeiro disco. \u00c9 um disco que tamb\u00e9m \u00e9 um livro e que n\u00e3o s\u00f3 tem as letras das can\u00e7\u00f5es, com algumas ilustra\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m tem notas informativas que contextualizam cada uma das letras. Decidi fazer do M\u00e3o Verde um espet\u00e1culo, num primeiro momento, e depois um disco e um livro ecologista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Porqu\u00ea?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os meus discos t\u00eam sempre uma boa dose daquilo que me preocupa, daquilo que eu acho que \u00e9 transformar o mundo. As crian\u00e7as t\u00eam um interesse muito espont\u00e2neo nos insetos, nas plantas, na terra, na observa\u00e7\u00e3o do clima. Nesse olhar, nesse encantamento, muitas vezes encontro um atalho muito r\u00e1pido para poesia. Podia ter um caminho para a escrita po\u00e9tica e musical que apelasse ao p\u00fablico infantil, e resgatasse o meu pr\u00f3prio imagin\u00e1rio infantil. Os pais v\u00eam aos concertos porque os professores come\u00e7aram a trabalhar as m\u00fasicas na aula, a fazer trabalhos a partir delas. Depois come\u00e7\u00e1mos a tocar muito e alarg\u00e1mos a banda ao Ant\u00f3nio Sardinha e \u00e0 Francisca Cortes\u00e3o. Em quarteto decidimos fazer um segundo disco-livro. Tem sido um processo muito interessante, do que nos interessa fazer tamb\u00e9m musicalmente. Brincamos muito aos estilos, uma can\u00e7\u00e3o \u00e9 inspirada na m\u00fasica mexicana, a seguir rap puro e duro, \u00e9 punk. E vamos brincando e falando coisas s\u00e9rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 agora uma peti\u00e7\u00e3o contra a redu\u00e7\u00e3o da quota da m\u00fasica portuguesa na r\u00e1dio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um retrocesso num caminho que vinha a ser positivo para todas as partes. A quota come\u00e7ou em 2005, numa altura em que as grandes r\u00e1dios passavam cerca de 3 a 5% de m\u00fasica portuguesa, e desde que passou a existir uma quota de 25%, as audi\u00eancias das r\u00e1dios s\u00f3 subiram. Gerou mais p\u00fablico, mais concertos e mais postos de trabalho, mais riqueza. Num pa\u00eds em que est\u00e1 provado que n\u00e3o havendo quota a tend\u00eancia \u00e9 para diminuir o n\u00famero de can\u00e7\u00f5es de m\u00fasica portuguesa que passam na r\u00e1dio, ainda faz sentido ter esse tipo de incentivo legal. Se fazemos campanhas para as pessoas comprarem fruta portuguesa, t\u00eaxtil de produ\u00e7\u00e3o portuguesa, n\u00e3o faz sentido n\u00e3o o fazermos com a produ\u00e7\u00e3o cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O 25 de Abril \u00e9 um momento hist\u00f3rico para todos, mesmo para os que nasceram depois. H\u00e1 um conjunto de valores amea\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem a ver com a pr\u00f3pria ideia de liberdade e os valores associados \u00e0 liberdade, a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, comida no prato, justi\u00e7a e habita\u00e7\u00e3o. Sem isso n\u00e3o h\u00e1 liberdade real e concreta. A Liberdade n\u00e3o \u00e9 um dado adquirido, \u00e9 uma conquista quotidiana e n\u00e3o podemos adormecer \u00e0 sombra das conquistas da Abril ou da civiliza\u00e7\u00e3o. A qualquer momento, qualquer crise, qualquer oportunidade de regresso da extrema direita ou at\u00e9 qualquer outra din\u00e2mica geopol\u00edtica, como agora a guerra da Ucr\u00e2nia, h\u00e1 sempre retrocessos. Os direitos das mulheres s\u00e3o um exemplo. Qualquer oportunidade, tentam retroceder na interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, no acesso ao trabalho, na afirma\u00e7\u00e3o das mulheres no espa\u00e7o p\u00fablico. Acho que o problema menos resolvido pelo 25 de Abril foi o da habita\u00e7\u00e3o que agora nos explode nas m\u00e3os. Perante a din\u00e2mica do crescimento do turismo, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, do investimento em fundos, toda a quest\u00e3o do alojamento local, criou-se uma tempestade perfeita. As pessoas n\u00e3o conseguem ter acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna e v\u00e3o cada vez mais perdendo o acesso \u00e0 cidade. Arrendar j\u00e1 era dif\u00edcil, muitas pessoas foram empurradas a comprar, at\u00e9 porque n\u00e3o havia outra solu\u00e7\u00e3o e agora sobem as taxas de juro e as pessoas deixam de poder pagar a presta\u00e7\u00e3o, num momento em que pagar a conta do supermercado j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil. As cidades passaram a ser um objeto de frui\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e n\u00e3o um local de vida para os seus habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Se tivesse que associar uma m\u00fasica sua ao 25 de Abril que m\u00fasica escolheria?<\/p>\n\n\n\n<p>Medusa. Fala da viol\u00eancia contra as mulheres. Acho que na gera\u00e7\u00e3o da Abril, onde houve muitas mulheres fortes do lado da resist\u00eancia, na clandestinidade, como muitas perseguidas, as tr\u00eas Marias por exemplo, mas o cancioneiro de Abril n\u00e3o deu protagonismo \u00e0s vozes das mulheres e \u00e0s suas causas &#8211; uma lacuna importante. Se tivesse de acrescentar uma m\u00fasica acrescentaria a Medusa, por falar das v\u00e1rias formas de viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">J\u00e1 fez um espet\u00e1culo n\u2019A Voz de Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, foi com a Sara Tavares e com a Eva RapDiva no espet\u00e1culo \u201cAs mulheres da Lusofonia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E quando pensa voltar?<\/p>\n\n\n\n<p>Adoro aquela sala. Gostava muito de voltar agora com a M\u00e3o Verde. A Voz do Oper\u00e1rio tem um grande papel na Educa\u00e7\u00e3o e as crian\u00e7as d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio seriam uma boa plateia. Numa institui\u00e7\u00e3o que trabalha em prol da educa\u00e7\u00e3o com esp\u00edrito cr\u00edtico, a favor da liberdade, acho que a ecologia faz todo o sentido a acrescentar ao trabalho que A Voz do Oper\u00e1rio j\u00e1 faz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 conversa com A Voz do Oper\u00e1rio, palco onde gostava de voltar, Capicua fala do encontro com o hip-hop, das suas semelhan\u00e7as com o fado e de o rap ter sido, durante muitos anos, o grande herdeiro da m\u00fasica de interven\u00e7\u00e3o. Manifesta-se totalmente contra a redu\u00e7\u00e3o da quota de m\u00fasica portuguesa na r\u00e1dio, lamenta que as cidades tenham passado a ser \u201cum objeto de frui\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e n\u00e3o um local de vida para os seus habitantes\u201d e se tivesse de inscrever uma das suas m\u00fasicas no cancioneiro de Abril escolhia o seu tema \u201cMedusa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":6784,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[186],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6782"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6782"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6910,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6782\/revisions\/6910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6782"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}