{"id":6744,"date":"2023-03-15T12:12:00","date_gmt":"2023-03-15T12:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6744"},"modified":"2023-03-15T12:12:01","modified_gmt":"2023-03-15T12:12:01","slug":"sinais-de-fogo-de-jorge-de-sena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/15\/sinais-de-fogo-de-jorge-de-sena\/","title":{"rendered":"Sinais de Fogo,\u00a0de Jorge de Sena"},"content":{"rendered":"\n<p>No romance de Sena,&nbsp;Sinais de Fogo,&nbsp;um dos grandes romances portugueses da segunda metade do s\u00e9culo XX, os graves conflitos dos anos 1930 s\u00e3o apenas o pano de fundo para estabelecer a sucess\u00e3o diacr\u00f3nica em que os acontecimentos que descreve t\u00eam lugar \u2013 o in\u00edcio da&nbsp;Guerra de Espanha&nbsp;e a revolta dos marinheiros da Armada, nos navios&nbsp;D\u00e3o e Afonso de Albuquerque&nbsp;fundeados no Tejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;Sinais de Fogo, Jorge de Sena n\u00e3o se compromete ideologicamente, percorre e descreve a atmosfera social do pa\u00eds, atrav\u00e9s da an\u00e1lise comportamental de um grupo de jovens oriundos da m\u00e9dia\/alta burguesia urbana, em f\u00e9rias na Figueira da Foz.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a guerra existe do outro lado da fronteira e ir\u00e1 condicionar todo o desenrolar da trama romanesca. A quest\u00e3o religiosa, a liga\u00e7\u00e3o da igreja \u00e0s elites conservadoras e latifundi\u00e1rias, a sua participa\u00e7\u00e3o no conflito ao lado das tropas franquistas; o exterm\u00ednio de civis praticado pelas tropas de Franco e Sanjurjo; o envolvimento das pot\u00eancias europeias, como a Fran\u00e7a e Inglaterra, cercando a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica, impondo o embargo de armas enquanto os nacionalistas as recebiam atrav\u00e9s da fronteira portuguesa e de Marrocos, alterando assim a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor de Franco; as Brigadas Internacionais compostas por militantes das frentes socialistas e comunistas de todo o mundo; os v\u00e1rios intelectuais americanos e europeus que apoiaram o governo leg\u00edtimo como Ernest Hemingway, George Orwell, Andr\u00e9 Malraux, Antoine Saint-\u00c9xupery e a cat\u00f3lica, Simone Weil. Tudo isto, bem como as origens pol\u00edticas e sociais do conflito, \u00e9 ignorado por Jorge de Sena, preferindo investir num discurso que visa, no fundamental, explorar as ang\u00fastias existenciais do narrador\/protagonista e os seus particulares processos de aprendizagem e crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge \u00e9 um jovem acabado de sair da adolesc\u00eancia, com uma vis\u00e3o perturbada do seu meio familiar e do mundo, balan\u00e7ando inseguro na sua pr\u00f3pria identidade. No Ver\u00e3o de 1936, Jorge parte para f\u00e9rias na Figueira da Foz, sendo a\u00ed acolhido em casa de um tio materno. Os rumores da&nbsp;guerra em Espanha,&nbsp;a contrainforma\u00e7\u00e3o percorriam j\u00e1 a praia, as esplanadas, as mesas de jogo do casino:&nbsp;a rep\u00fablica comunista estava perdida; a esquadra passara-se toda para os nacionalistas; os altos do Guadarrama tinham sido todos conquistados; as tropas j\u00e1 estavam na Cidade Universit\u00e1ria, \u00e0s portas de Madrid.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cl\u00e1ssico a ler ou a revisitar nestes tempos conturbados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No romance de Sena,&nbsp;Sinais de Fogo,&nbsp;um dos grandes romances portugueses da segunda metade do s\u00e9culo XX, os graves conflitos dos anos 1930 s\u00e3o apenas o pano de fundo para estabelecer a sucess\u00e3o diacr\u00f3nica em que os acontecimentos que descreve t\u00eam lugar \u2013 o in\u00edcio da&nbsp;Guerra de Espanha&nbsp;e a revolta dos marinheiros da Armada, nos navios&nbsp;D\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/15\/sinais-de-fogo-de-jorge-de-sena\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Sinais de Fogo,\u00a0de Jorge de Sena<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":6745,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6744"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6744"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6744\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6747,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6744\/revisions\/6747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6744"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}