{"id":6707,"date":"2023-03-14T16:48:56","date_gmt":"2023-03-14T16:48:56","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6707"},"modified":"2023-03-14T16:48:57","modified_gmt":"2023-03-14T16:48:57","slug":"dialogos-do-patio-e-da-escola-na-calcada-da-ajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/dialogos-do-patio-e-da-escola-na-calcada-da-ajuda\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logos do P\u00e1tio e da Escola na Cal\u00e7ada da Ajuda"},"content":{"rendered":"\n<p>O encontro ficara marcado para o n\u00famero 234 da Cal\u00e7ada da Ajuda. Dois p\u00e1tios interiores fechados por casas que se intercomunicam como espa\u00e7os da mesma comunidade. Este velho p\u00e1tio do segundo quartel do s\u00e9culo XVIII tem uma longa hist\u00f3ria. Constru\u00eddo para servir de guarida \u00e0 Secretaria do Reino, no tempo do Marqu\u00eas de Pombal, que, ali\u00e1s, tinha ali resid\u00eancia num edif\u00edcio cont\u00edguo, teve v\u00e1rias utiliza\u00e7\u00f5es ao longo da sua vida, uma das quais a que lhe deu nome. L\u00e1 viveu tamb\u00e9m Jos\u00e9 L\u00facio Travassos Valdez, bar\u00e3o do Bonfim, estadista, pol\u00edtico e militar, combateu a ocupa\u00e7\u00e3o napole\u00f3nica e foi at\u00e9 ajudante de campo do duque de Wellington. A hist\u00f3ria do espa\u00e7o tem, ali\u00e1s, uma resumida vers\u00e3o num placard afixado na portada. Mas o sil\u00eancio do espa\u00e7o parece conservar o murm\u00fario da sua vida original.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre uma elite iluminada e o Rei medrava a ideia da virtuosa rela\u00e7\u00e3o entre a autoridade e a raz\u00e3o.Ora, o p\u00e1tio \u00e9, por natureza, um espa\u00e7o de partilha, de comunh\u00e3o, s\u00f3 que, neste caso, a comunh\u00e3o fazia-se entre Intendentes, Superintendentes, Inspetores, uma clique burocrata da \u00e9poca, que ascendia politicamente no furor do poder pombalino. Por isso, partilhariam talvez burocracia, v\u00e9nias e outros procedimentos, desde que assegurando ao Marqu\u00eas o controlo pol\u00edtico do reino.<\/p>\n\n\n\n<p>E, est\u00e1vamos n\u00f3s neste di\u00e1logo surdo com as pedras, quando surgiu a professora Dora, assim, do nada. Como um esp\u00edrito de carne e osso arrancado das pedras de um tempo diferente, para nos conduzir ao nosso caminho, a visita \u00e0 escola A Voz do Oper\u00e1rio. E n\u00f3s l\u00e1 seguimos as pegadas, antes que estas se apagassem e nos perdessemos num di\u00e1logo com a hist\u00f3ria. Ora, que escola \u00e9 esta que dialoga com este espa\u00e7o? Era essa a nossa primeira curiosidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Ora, que escola \u00e9 esta que dialoga com este espa\u00e7o? Era essa a nossa primeira curiosidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ultrapassada a porta do n\u00famero 1, est\u00e1vamos num corredor interior. As portas como barreiras impenetr\u00e1veis perdiam o seu sentido. Aqui estava uma resposta surpreendente \u00e0 pergunta anterior. Esse mundo compartimentado, estanque \u00e0 curiosidade exterior, apenas acess\u00edvel a uma elite iluminada, perdia uma das suas refer\u00eancias: as portas fechadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, as crian\u00e7as, ao contr\u00e1rio dos burocratas do reino, n\u00e3o reagiam com surpresa e desconforto \u00e0 devassa do seu espa\u00e7o. Este era o evidente primeiro sinal de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui est\u00e1 a Susana, a \u2018teacher\u2019, como os alunos lhe chamam\u201d, apresentava-nos Dora, a professora da sala 1. Imperturb\u00e1veis alunos e professora respondiam: \u201cOl\u00e1!\u201d O sorriso da Susana n\u00e3o retirava aten\u00e7\u00e3o ao sentido da conversa, mas dava o conforto das boas-vindas aos intrometidos rep\u00f3rteres.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia estava luminoso e a luz das janelas viradas \u00e0 cal\u00e7ada apagava sombras. As outras duas salas, com passagem para o corredor, comunicavam entre si, como se falassem a mesma linguagem. As crian\u00e7as poderiam entrar e sair livremente, aparentando sempre um prop\u00f3sito. E, naturalmente, as entradas na sala e a passagem para o terra\u00e7o, onde um grupo de alunos preparava o corso carnavalesco fiel a um tema, \u201cOs 140 anos d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio\u201d, faziam-se sem perturba\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6709\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-768x512.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk-220x147.jpg 220w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/DSCF0388_300cmyk.jpg 1575w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os 140 anos d\u2019A Voz foram o mote para as cria\u00e7\u00f5es de carnaval.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1, naquela atitude dos inquilinos deste recanto da velha secretaria do Reino, uma esp\u00e9cie de aura m\u00e1gica que amea\u00e7a permanentemente consumir todo o saber que se esconde nos livros, que se absorve nas tert\u00falias entre alunos e professores, mesmo quando os petizes n\u00e3o sabem ainda decifrar esses caracteres que murmuram hist\u00f3rias. Uma curiosidade inconformada que d\u00e1 vida intensa \u00e0 sala de aula, esteja ela onde estiver, porque, como referimos, a sala \u00e9, qual saltimbanco, um local errante que apenas segue as coordenadas da curiosidade e da vontade de interpelar. Que diferente forma de iluminar a raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Damo-nos conta de que uma m\u00fasica \u00e9 sussurrada de uma outra sala de um anexo no recreio. Abrimos as portas e, a pequenada, sentada em c\u00edrculo, bate ritmadamente com baquetas improvisadas num bombo, tamb\u00e9m ele improvisado de caixotes de pl\u00e1stico. Seguem, pelo que parece, as indica\u00e7\u00f5es de um maestro, o professor Daniel Morgado. A cad\u00eancia vai-se acertando at\u00e9 que os pequenos bombos respondam em un\u00edssono, como se fora s\u00f3 um. A m\u00fasica, nesta grande sala da harmonia, torna, neste caso, un\u00edssono o som de cada um, sem atropelos, sem destaques, todos t\u00eam lugar nesse som coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Num outro canto do espa\u00e7o exterior, os mais novos, chamamos-lhe carinhosamente fraldinhas, inventam tamb\u00e9m o seu mundo novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, mas aten\u00e7\u00e3o! H\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o. Voltando ao corredor que nos trouxe aqui, h\u00e1 uma porta encostada, n\u00e3o fechada, que d\u00e1 aceso a uma outra sala onde se evita o ru\u00eddo e a luz natural. \u00c9 escura, silenciosa. Perguntamos \u00e0 Dora \u2014 O que se passa aqui? \u2014 Sussurra, \u201c\u00c9 a sala onde os pequenos dormem a sesta\u201d. Certo! Parece-nos, afinal, coerente. N\u00e3o faria sentido que com tanto espa\u00e7o para os sonhos acordados, as crian\u00e7as n\u00e3o tivessem o seu espa\u00e7o para os sonhos dormidos.<\/p>\n\n\n\n<p>No corredor, h\u00e1 mais tr\u00eas espa\u00e7os: cozinha, casas de banho e sala de refei\u00e7\u00e3o, por onde circulam atarefadas e silenciosamente a Teresa, a Aline, a V\u00e2nia Gon\u00e7alves, a Sinamor, a T\u00e2nia, a V\u00e2nia Lopes e a In\u00eas Tavares. Movem-se como agentes secretos. E, n\u00e3o raras vezes, diz-nos Dora, os pequenos voluntariam-se para as apoiar nesta importante fun\u00e7\u00e3o log\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 aqui uma escada? A escada que d\u00e1 acesso aos fundos. Fundos, quais fundos? \u2014 Bom essa escada d\u00e1 acesso \u00e0s velhas cavalari\u00e7as \u2014 responde-nos Dora \u2014 Cavalari\u00e7as? Trata-se de uma cave onde funcionavam as velhas cavalari\u00e7as do tempo do Marqu\u00eas, ou talvez do bar\u00e3o do Bonfim, agora transformadas em espa\u00e7os de arrumos e de trabalho administrativo tamb\u00e9m. Ora, \u00e9 aqui que o ambiente de escola se perde por instantes e, das paredes, parece brotar o esp\u00edrito da velha secretaria do Reino. A luz volta a dar espa\u00e7o ao desconforto da sombra. Mas algo nos surpreende. Ultrapassada uma ombreira em arco aparece uma biblioteca pejada de livros, de saber, portanto.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Ultrapassada uma ombreira em arco aparece uma biblioteca pejada de livros, de saber, portanto.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ora, pensamos n\u00f3s, est\u00e1 explicado. Mas que grande met\u00e1fora. O Marqu\u00eas haveria de deixar o seu sinal: a raz\u00e3o ilumina o poder. Azar dos T\u00e1voras, \u00e0s vezes somos tra\u00eddos pelo anacronismo. N\u00e3o podemos ignorar que uma das marcas da governa\u00e7\u00e3o pombalina foi a Reforma da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Subimos ent\u00e3o os degraus de volta ao corredor, a pensar na met\u00e1fora e damos de caras com o turbilh\u00e3o do fim de dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pequenada dispersa-se pelas salas como se o caos ganhasse uma ordem. Um dos pequenos leva na m\u00e3o a esfregona e deixa o brilho por onde passa. Outro limpa mesas deixando-as vazias do material did\u00e1tico e os objetos, como que por toques de magia, regressam \u00e0s respetivas prateleiras. Tudo tem uma ordem e s\u00e3o centenas as m\u00e3os que se cruzam no espa\u00e7o da sala sem que se atropelem.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante o nosso espanto, Dora resolve explicar: \u201cO dia tamb\u00e9m tem as suas rotinas. Mal chegam \u00e0 escola arrumam as suas coisas e depois, alguns, os que levam almo\u00e7o de casa, v\u00e3o ao frigor\u00edfico deixar as marmitas. \u201cEles t\u00eam autonomia para ir ao frigor\u00edfico\u201d, adiantaria a nossa cicerone nesta visita. \u201cDepois, brincam at\u00e9 as 9h30 e v\u00e3o para as salas. S\u00e3o tr\u00eas salas e todos t\u00eam uma tarefa\u201d. \u2014 Ent\u00e3o? \u2014 perguntamos n\u00f3s. \u201cNo in\u00edcio da semana t\u00eam o Conselho onde, entre outras coisas, definem tarefas\u201d coletivas e individuais. E ent\u00e3o, explica Dora, \u201ca tarefa de dirigir o conselho, normalmente duas crian\u00e7as, dar a palavra, encher as garrafas de \u00e1gua, varrer a sala, o guardi\u00e3o das folhas brancas, porque elas desaparecem, o que distribui o material quando h\u00e1 essa necessidade, dar presen\u00e7as e sa\u00eddas e registando faltas, marcar tarefas, escrever a ata nos conselhos, o mapa do tempo e gerir a aten\u00e7\u00e3o plena. De manh\u00e3 fazemos sempre uma pequena massagem na cabe\u00e7a, para acalmar. No in\u00edcio da manh\u00e3 h\u00e1 um momento de Yoga, a que chamamos&nbsp;aten\u00e7\u00e3o plena, para quando v\u00eam do recreio um pouco mais agitados. No in\u00edcio da tarde, h\u00e1 um momento de leitura individual para ajudar a acalmar. S\u00e3o estrat\u00e9gias para que se sintam mais focados\u201d, explica a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>E continua, \u201co Conselho re\u00fane-se \u00e0 sexta-feira, para fazer a avalia\u00e7\u00e3o dos planos individuais e do plano semanal e, \u00e0 segunda-feira, para fazer a discuss\u00e3o do di\u00e1rio de turma e debater o que de bom e de mau aconteceu na semana. Tudo o que o grupo quer fazer, passa pelo di\u00e1rio e depois pela discuss\u00e3o \u00e0 segunda-feira de manh\u00e3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que \u00e9 a mostra de produ\u00e7\u00f5es? Responde-nos desta vez a Carolina. \u201cServe para mostrar qualquer coisa que n\u00f3s possamos produzir\u201d. E o Luca complementa: \u201ca leitura de textos, por exemplo, \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 turma de um texto que escrevemos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>Num \u00e1pice, a sala fica arrumada, a pequenada mostrou em poucos segundos como todo aquele caos \u00e9 aparente.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Num \u00e1pice, a sala fica arrumada, a pequenada mostrou em poucos segundos como todo aquele caos \u00e9 aparente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos da escola cantarolando uma m\u00fasica que nos ficou na cabe\u00e7a e que ouvimos a pequenada cantar, sentada em redor do professor Daniel Morgado: \u201cEu sou um porco cheio de estilo, um bocadinho redondo, mas n\u00e3o vazio!\u201d. Os mi\u00fados cantavam como se se fossem transformando em personagens daquela f\u00e1bula e n\u00f3s olhamos para tr\u00e1s, n\u00e3o v\u00e1 o Marqu\u00eas lan\u00e7ar uma sonora gargalhada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O encontro ficara marcado para o n\u00famero 234 da Cal\u00e7ada da Ajuda. Dois p\u00e1tios interiores fechados por casas que se intercomunicam como espa\u00e7os da mesma comunidade. Este velho p\u00e1tio do segundo quartel do s\u00e9culo XVIII tem uma longa hist\u00f3ria. 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