{"id":6701,"date":"2023-03-14T16:39:38","date_gmt":"2023-03-14T16:39:38","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6701"},"modified":"2023-04-10T13:00:53","modified_gmt":"2023-04-10T13:00:53","slug":"heterogeneidade-em-1-o-ciclo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/heterogeneidade-em-1-o-ciclo\/","title":{"rendered":"Heterogeneidade em 1.\u00ba ciclo"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde 1974 (ou 75) que o espa\u00e7o f\u00edsico da nossa escola \u00e9 gerido e organizado pel\u2019A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde essa altura, os professores que aqui trabalham est\u00e3o ligados ao Movimento da Escola Moderna e organizam o seu trabalho tendo em conta os pressupostos do modelo pedag\u00f3gico proposto por esta organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-profissional de educadores e professores.<\/p>\n\n\n\n<p>A escola da Ajuda nem sempre teve um n\u00famero constante de alunos e, durante alguns anos, n\u00e3o havia inscri\u00e7\u00f5es suficientes no primeiro ciclo para fazer mais do que duas turmas. Assim, as professoras come\u00e7aram a organizar uma turma de primeiro e segundo ano e outra de terceiro e quarto, criando din\u00e2micas de trabalho que n\u00e3o estavam assentes nas idades das crian\u00e7as mas sim nos seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00e9-escolar, a organiza\u00e7\u00e3o das salas era feita de forma heterog\u00e9nea h\u00e1 j\u00e1 muito tempo e as crian\u00e7as cresciam e aprendiam de uma forma muito feliz, sem barreiras que os dividissem por idades.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo de docentes, que constantemente aprofunda a sua reflex\u00e3o sobre o trabalho que \u00e9 desenvolvido, decidiu organizar os grupos do primeiro ciclo da mesma forma e deixar de dividir as crian\u00e7as por grupos de idade, formando grupos de crian\u00e7as com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebemos que a diferen\u00e7a que existe entre as pessoas \u00e9 de facto a for\u00e7a motriz nos projetos de aprendizagem, alterando assim a forma como organizavam a abordagem de pessoas, em contexto escolar bem como a sua aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto nas outras escolas e contextos a diferen\u00e7a de idade \u00e9 considerada um obst\u00e1culo para a gest\u00e3o do curr\u00edculo, na nossa escola, passou a ser um belo ponto de partida, ineg\u00e1vel, nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas. Ao contr\u00e1rio da escola da transmiss\u00e3o, baseada no ensino dos saberes, em que a diferen\u00e7a perturba a a\u00e7\u00e3o do instrutor que assegura a transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, aqui o curr\u00edculo integra-se nos projetos de trabalho desenvolvidos por crian\u00e7as e adultos<\/p>\n\n\n\n<p>Baseamos o nosso trabalho na apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento, recorrendo \u00e0 heterogeneidade do grupo. Como tal, nunca \u00e9 objetivo normalizar ou homogeneizar as pessoas. N\u00e3o se pretende colocar ningu\u00e9m de parte devido a vari\u00e1veis que existam entre as pessoas, seja em termos de idade, hist\u00f3ria de vida, conhecimento ou de pontos de vista. Diariamente, tentamos cruzar estes elementos com o conhecimento que cada um transporta consigo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tudo sobre as diferen\u00e7as que existem entre n\u00f3s. Estimulamos o conv\u00edvio, a explicita\u00e7\u00e3o de ideias e a defini\u00e7\u00e3o de uma plataforma de trabalho na qual n\u00e3o se pretende de submissa e acr\u00edtica concord\u00e2ncia. Pretendemo-la de di\u00e1logo constante, de continuada concord\u00e2ncia e discord\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 o nosso intuito criar uma escola pensada na ideia das crian\u00e7as aprenderem a rela\u00e7\u00e3o laboral, que consiste em negociar o tempo de trabalho vendido e comprado, como prepara\u00e7\u00e3o para o mercado de trabalho, como explica Enguita (1998). Este autor lembra-nos existir uma clara rela\u00e7\u00e3o entre a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho industrializado e a organiza\u00e7\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o escolar, dividido em pacotes de tempo precisos.<\/p>\n\n\n\n<p>O proposto na escola da Ajuda \u2014 e em que se baseia o seu trabalho \u2014 \u00e9 que para as pessoas se apoderarem do conhecimento, a organiza\u00e7\u00e3o deve basear-se na produ\u00e7\u00e3o de obras originais, que partam das curiosidades ou vontades de alguns e que s\u00e3o depois negociadas entre todos, para serem posteriormente comunicadas ao grupo. Sabemos que, entre crian\u00e7as, nem sempre s\u00e3o necessariamente os mais novos que aprendem com os mais velhos.<\/p>\n\n\n\n<p>O modo de trabalho assenta no paradigma da comunica\u00e7\u00e3o. Recorremos \u00e0 aprendizagem dialogada. Cada pessoa do grupo traz elementos da sua hist\u00f3ria de vida, da bagagem pessoal, a busca do conhecimento e gera assim aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Pretende-se estimular a apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento e a produ\u00e7\u00e3o de olhares originais sobre este mesmo conhecimento. As crian\u00e7as s\u00e3o convidadas a pensar em conjunto, partindo de pontos de vista diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os projetos de aprendizagem s\u00e3o a atividade principal dos grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esta organiza\u00e7\u00e3o, todos participam em comunidades diversas em todos os aspetos, pois assim, o acesso ao conhecimento e \u00e0s ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 facilitado. A gest\u00e3o do tempo \u00e9 feita em fun\u00e7\u00e3o desses mesmos projetos de aprendizagem<\/p>\n\n\n\n<p>Nas turmas seriadas, pede-se que cada aprendente tenha uma atitude colaborante com a a\u00e7\u00e3o do professor. Todo o saber necess\u00e1rio aos alunos \u00e9 organizado pelo professor, pronto a consumir por cada um. Aqui, pretende-se a coopera\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o de obra em conjunto. Queremos fomentar o pensamento cr\u00edtico, a partilha de ideias, o aprender com o outro, a amizade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos, atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o que tem sido feita relativa \u00e0s comunidades de aprendizagem, que a intera\u00e7\u00e3o com pares ganha com a diferen\u00e7a entre pessoas. Investimos diariamente para criar uma comunidade de autores cooperantes e procuramos impedir a exist\u00eancia de uma classe de oper\u00e1rios executantes, colaboradores de um projeto em cuja g\u00e9nese n\u00e3o participaram activamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa ainda dizer que n\u00f3s n\u00e3o invent\u00e1mos nada. Apenas nos queremos distanciar da escola Lassaliana. N\u00e3o queremos uma escola em que o aprendente \u00e9 apenas um objeto da a\u00e7\u00e3o do docente. Queremos uma escola que forma cidad\u00e3os que pensam, que interv\u00eam, que participam ativa e conscientemente no mundo em que vivem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1974 (ou 75) que o espa\u00e7o f\u00edsico da nossa escola \u00e9 gerido e organizado pel\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. 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