{"id":6690,"date":"2023-03-14T16:20:44","date_gmt":"2023-03-14T16:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6690"},"modified":"2023-03-14T16:20:45","modified_gmt":"2023-03-14T16:20:45","slug":"mensagem-do-presidente-da-direccao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/mensagem-do-presidente-da-direccao\/","title":{"rendered":"Mensagem do presidente da direc\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Come\u00e7am a surgir os primeiros elementos estat\u00edsticos relativos a 2022 e eles mostram que foi um ano de agravamento das desigualdades em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao principal indicador, o Produto Interno Bruto (PIB), os dados provis\u00f3rios divulgados pelo INE apontam para um crescimento de 6,7%, o mais elevado dos \u00faltimos 35 anos (deve notar-se que o PIB \u00e9 registado a pre\u00e7os constantes, ou seja, sem o efeito da infla\u00e7\u00e3o, em termos correntes, o seu acr\u00e9scimo foi superior a 14%). Trata-se assim de um aumento real da riqueza produzida em Portugal. Mas como podemos constatar, as condi\u00e7\u00f5es de vida agravaram-se para a grande maioria dos portugueses. Ent\u00e3o onde foi parar aquele acr\u00e9scimo de riqueza? Essa \u00e9 a pergunta que deveria ser feita e debatida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. E porque ser\u00e1 que n\u00e3o a fazem?<\/p>\n\n\n\n<p>Para os trabalhadores e reformados n\u00e3o foi comprovadamente. Os sal\u00e1rios e as pens\u00f5es tiveram atualiza\u00e7\u00f5es bem abaixo da infla\u00e7\u00e3o, pelo que estes viram o seu rendimento real degradar-se face ao ano anterior (ainda n\u00e3o existem n\u00fameros detalhados, mas tudo aponta para uma forte redu\u00e7\u00e3o do peso dos sal\u00e1rios no PIB).<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta \u00e9 simples, o grande capital n\u00e3o s\u00f3 se apropriou na \u00edntegra do aumento do rendimento gerado no nosso pa\u00eds, como ainda foi buscar mais uma importante maquia ao rendimento de quem trabalha ou trabalhou.<\/p>\n\n\n\n<p>A comprovar este facto est\u00e3o os n\u00fameros que v\u00e3o sendo conhecidos relativos aos lucros que os principais grupos econ\u00f3micos obtiveram em 2022, designadamente no setor energ\u00e9tico, na banca e na grande distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Galp anunciou lucros de 1.104 milh\u00f5es de euros e tudo aponta para que outros grupos econ\u00f3micos do sector apresentem igualmente n\u00fameros astron\u00f3micos nos seus resultados, naturalmente obtidos \u00e0 custa da especula\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os da energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os lucros da banca, que aos poucos se v\u00e3o conhecendo, tamb\u00e9m apontam para um grande crescimento. Os bancos privados ter\u00e3o lucrado 4,4 milh\u00f5es de euros por dia. Isto naturalmente \u00e0 custa dos portugueses que viram os custos dos seus cr\u00e9ditos (habita\u00e7\u00e3o \u00e0 cabe\u00e7a) ter um enorme crescimento, provocados pelo acr\u00e9scimo das taxas de juro, ao mesmo tempo que a banca manteve as comiss\u00f5es que cobra a um n\u00edvel alt\u00edssimo e praticamente n\u00e3o remunera as parcas poupan\u00e7as dos portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 natural, o aumento dos encargos com o cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o tem um efeito direto no aumento do valor das rendas de casa, tornando cada vez mais dif\u00edcil o acesso a habita\u00e7\u00e3o digna para largas camadas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nestas alturas h\u00e1 sempre um banqueiro que, do alto dos seus privil\u00e9gios, vem afirmar que afinal o povo vive bem de mais. H\u00e1 uns anos, um desses senhores disse que era necess\u00e1rio baixar as condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas, que o povo \u201caguenta, aguenta\u201d. Agora vem o presidente do Santander Totta, criticar o comportamento dos portugueses, com \u201cpadr\u00f5es de consumo elevados, a jantarem fora \u00e0 sexta-feira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sabermos que infelizmente muitos portugueses n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para jantar fora nem sequer uma vez por m\u00eas, a postura deste senhor \u00e9 elucidativa do que pretendem. Para eles pr\u00f3prios, todas as regalias e benesses deste mundo. Para a generalidade dos portugueses, uma vida que se cinja \u00e0 mera reposi\u00e7\u00e3o da sua capacidade de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a grande distribui\u00e7\u00e3o se prepara para apresentar lucros que apontam para um forte crescimento relativamente a 2021 (ano em que os seus lucros j\u00e1 tinham sido muito avultados, tendo representado um dos seus melhores anos).<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como no sector energ\u00e9tico, o aumento dos produtos alimentares n\u00e3o teve no essencial a ver com o aumento do custo dos fatores (que o digam os agricultores e outros pequenos produtores, que ao inv\u00e9s viram as suas margens reduzirem-se).<\/p>\n\n\n\n<p>Como se comprova, o aumento real da riqueza gerada em 2022 n\u00e3o foi parar ao bolso da generalidade dos portugueses, mas sim ao de uns tantos. A grande maioria dos portugueses viu a sua situa\u00e7\u00e3o deteriorar-se com o desmesurado aumento do custo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, a pol\u00edtica do Governo PS segue no essencial os des\u00edgnios dos partidos da direita e dos grandes grupos econ\u00f3micos, pol\u00edtica que sempre acarreta o empobrecimento da generalidade da popula\u00e7\u00e3o. Mas devemos ter presente que quem produz a riqueza \u00e9 quem trabalha. O povo n\u00e3o se resigna e tem o futuro nas suas m\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7am a surgir os primeiros elementos estat\u00edsticos relativos a 2022 e eles mostram que foi um ano de agravamento das desigualdades em Portugal. 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