{"id":6659,"date":"2023-03-14T15:24:20","date_gmt":"2023-03-14T15:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6659"},"modified":"2023-03-14T15:27:35","modified_gmt":"2023-03-14T15:27:35","slug":"viver-a-gaita-de-foles-ao-som-do-associativismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/viver-a-gaita-de-foles-ao-som-do-associativismo\/","title":{"rendered":"Viver a gaita de foles <strong>ao som do associativismo<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o s\u00e3o poucas as vezes, ao fim da tarde, que se ouve o som de gaitas de foles nos corredores d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Entre as muitas atividades a que a institui\u00e7\u00e3o serve de casa, a aprendizagem deste instrumento encontra o seu poiso, desde setembro de 2020, no edif\u00edcio da Gra\u00e7a. Tiago Morais, o atual presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa para o Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o da Gaita de Foles, explica que A Voz tem sido um espa\u00e7o onde todos se sentem em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesenvolvemos o nosso trabalho de ensino assim como os ensaios da Orquestra de Foles n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, na Gra\u00e7a. Este \u00e9 um protocolo que nos tem trazido um conforto e estabilidade de extrema import\u00e2ncia. Conseguimos concentrar toda a nossa atividade educativa, permitindo com isso que a nossa escola funcione como um todo e que existam v\u00e1rios pontos de contacto entre as disciplinas, gerando uma maior partilha e sentimento de perten\u00e7a entre os alunos\u201d, considera.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um outro ponto chave do trabalho da associa\u00e7\u00e3o e pelas m\u00e3os destes professores j\u00e1 passaram centenas de alunos que \u201caprenderam e aprofundaram o seu conhecimento pela gaita de fole e outros instrumentos ligados \u00e0 cultura popular\u201d. O resultado mais vis\u00edvel do trabalho da escola da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a Orquestra de Foles, a banda que representa a associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tal, contribui tamb\u00e9m o peso hist\u00f3rico e simb\u00f3lico \u201cmuito impregne nos valores do associativismo e solidariedade\u201d com os quais tamb\u00e9m se identificam, num espa\u00e7o que consideram ideal para desenvolver atividades como apresenta\u00e7\u00f5es, oficinas e eventos. Foi o caso do LiberFolk em abril de 2022, um evento que querem voltar a repetir e que entendem s\u00f3 fazer sentido acontecer n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. \u201cPor tudo o que representa e pelos valores que o festival tamb\u00e9m pretende transmitir\u201d, defende Tiago Morais.<\/p>\n\n\n\n<p>No ensino e promo\u00e7\u00e3o da cultura musical e das tradi\u00e7\u00f5es, defende que coletividades como A Voz do Oper\u00e1rio s\u00e3o \u201cesteios da cultura popular\u201d e que, mais que patrimoniais, s\u00e3o edif\u00edcios \u201cde uma enorme eleva\u00e7\u00e3o humana\u201d. Segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa para o Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o da Gaita de Foles, isto acontece \u201cpor toda a hist\u00f3ria que carregam dentro, por serem espa\u00e7os de partilha, de conv\u00edvio, de sabedoria e aprendizagem\u201d mas tamb\u00e9m por entender que Lisboa \u00e9 uma cidade cada vez mais plural, \u201ccom tudo o que isso tem de bom e tamb\u00e9m de mau\u201d, que precisa de coletividades como A Voz do Oper\u00e1rio para \u201ccongregar e unir as pessoas em torno destas a\u201dtividades e n\u00e3o s\u00f3\u201d. Esta institui\u00e7\u00e3o tem, entende, \u201cuma responsabilidade social onde a m\u00fasica pode e deve ter tamb\u00e9m o seu espa\u00e7o bem vincado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O amor \u00e0 m\u00fasica cresce<\/h2>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa para o Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o da Gaita de Foles foi fundada a 24 de mar\u00e7o de 1999 depois de um grupo de pessoas interessadas no instrumento, incluindo alguns m\u00fasicos profissionais, se terem juntado para criar um coletivo de gente com o objetivo de revitalizar o uso da gaita de foles. Cinco anos depois, Tiago Morais aderiu a esta associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde jovem que frequentava festivais Folk, entre outros, nomeadamente o festival Interc\u00e9ltico de Sendim, que teve grande import\u00e2ncia no meu percurso\u201d, descreve. No ver\u00e3o de 2004, soube que havia aulas deste instrumento dinamizadas pela associa\u00e7\u00e3o na Incr\u00edvel Almadense, coletividade de grande import\u00e2ncia e longa hist\u00f3ria, com 175 anos ao servi\u00e7o da comunidade. Ent\u00e3o, Tiago Morais estava longe de saber que se dedicaria em exclusivo a esta atividade. \u201cH\u00e1 qualquer coisa no som da gaita de fole que nos cativa quando a escutamos pela primeira vez. A curiosidade fez o resto e felizmente tive bons professores que me motivaram a aprender mais e mais\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento \u00e9, simultaneamente, o diretor musical da Orquestra de Foles, que prepara o seu segundo disco. \u201cA par disso tenho o meu projeto Alma Menor, um duo de acorde\u00e3o e gaita de foles que trabalha repert\u00f3rio de cria\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Colaboro tamb\u00e9m com o grupo Fadomorse, que celebra este ano os seus 25 anos de carreira, entre outros projetos mais pontuais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa para o Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o da Gaita de Foles, que encabe\u00e7a, desenvolve o seu trabalho em v\u00e1rias \u00e1reas. Ao n\u00edvel da investiga\u00e7\u00e3o. Tiago Morais descreve que come\u00e7aram por fazer o ponto da situa\u00e7\u00e3o, realizando uma \u201crecolha exaustiva de todos os dados existentes em rela\u00e7\u00e3o ao instrumento e ao universo musical e social em que ele se insere, incluindo iconografia sobre gaita-de-foles em Portugal, fontes escritas e fontes fonogr\u00e1ficas, fotogr\u00e1ficas e audiovisuais\u201d. Esta pesquisa culminou na produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es, sendo esta outra das componentes mais importantes da associa\u00e7\u00e3o. A obra mais recente saiu em abril de 2022 sob o t\u00edtulo Gaiteiros de Sesimbra, enquadrada dentro de uma cole\u00e7\u00e3o com o nome Gaiteiros da Estremadura, cujo objetivo \u00e9 refor\u00e7ar e dar a conhecer a import\u00e2ncia deste patrim\u00f3nio musical nesta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das metas da associa\u00e7\u00e3o tem sido a promo\u00e7\u00e3o de encontros e eventos que possam impulsionar o fen\u00f3meno social em torno deste instrumento. Tiago Morais d\u00e1 os exemplos dos v\u00e1rios Encontros Nacionais de Gaiteiros que tiveram um papel fundamental para que tocadores tradicionais de distintas regi\u00f5es do pa\u00eds se conhecessem pela primeira vez. \u201cTivemos assim tocadores estremenhos, minhotos , transmontanos e da Beira Litoral juntos pela primeira vez em plena partilha social e musical, fen\u00f3meno que se mant\u00e9m at\u00e9 aos dias de hoje nos v\u00e1rios eventos promovidos pela associa\u00e7\u00e3o ou em parceria ou apoiados por esta\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, em julho, a associa\u00e7\u00e3o vai estar na organiza\u00e7\u00e3o, em Palmela, do primeiro Encontro Internacional em Portugal com a participa\u00e7\u00e3o de tocadores de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A gaita de foles \u00e9 patrim\u00f3nio cultural<\/h2>\n\n\n\n<p>Os registos mais antigos deste instrumento em Portugal remontam \u00e0 Idade M\u00e9dia, um pouco \u00e0 imagem daquilo que aconteceu um pouco por toda a Europa, assim como no Norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente, onde a gaita de foles assumiu import\u00e2ncia na cultura de muitos destes povos e onde \u00e9 utilizada de forma popular e cerimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm Portugal vi eu ja, em cada casa pandeyro, e gayta em cada palheyro e de vinte anos aca, nam hahi gayta nem gayteyro\u201d, escreveu Gil Vicente no Triunfo do Inverno, de Gil Vicente, de 1529.<\/p>\n\n\n\n<p>A gaita de foles foi tocada em grande parte do territ\u00f3rio portugu\u00eas, incluindo aquelas regi\u00f5es \u00e0s quais atualmente n\u00e3o se associa este instrumento, como o Alentejo, onde era tocada pelo menos ainda no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o in\u00fameras as romarias que ainda hoje em dia n\u00e3o dispensam a tradi\u00e7\u00e3o do gaiteiro. Na pen\u00ednsula de Set\u00fabal, o costume est\u00e1 associado aos C\u00edrios, onde o gaiteiro assume principal destaque em v\u00e1rios dos momentos destas festividades, quer no pedit\u00f3rio para a festa como depois na sua parte mais cerimonial e festiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em Alenquer, na Festa do Divino Esp\u00edrito Santo, uma das mais antigas festividades de cariz popular ainda em atividade em Portugal, com mais de 700 anos, \u00e9 o gaiteiro quem marca presen\u00e7a na frente da prociss\u00e3o como manda a tradi\u00e7\u00e3o, indo \u00e0 frente do padre, do cardeal e do bispo em muitos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o centro, na zona de Coimbra, s\u00e3o in\u00fameras as festas patronais que n\u00e3o dispensam os gaiteiros, quer \u00e0 frente das prociss\u00f5es, quer depois na anima\u00e7\u00e3o e baile.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Tr\u00e1s-os-Montes, distrito de Bragan\u00e7a, \u00e9 o gaiteiro quem d\u00e1 o mote e acompanha as habituais festas de inverno, onde as m\u00e1scaras e os trajes s\u00e3o a principal atra\u00e7\u00e3o para muitos dos turistas e curiosos que ali acorrem quer por altura do Natal, quer depois, por altura do Entrudo, mas onde o gaiteiro \u00e9 uma figura indispens\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em Entre Douro e Minho, os c\u00e9lebres Z\u00e9s Pereiras s\u00e3o marca de algumas das mais famosas e concorridas romarias do pa\u00eds, onde os gaiteiros acompanhados dos poderosos grupos de bombos s\u00e3o tamb\u00e9m eles s\u00edmbolos e refer\u00eancias identit\u00e1rias da cultura daquela regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, na final da Ta\u00e7a de Portugal de futebol, o hino nacional foi tocado por gaiteiros, entre outros instrumentos tradicionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia ap\u00f3s dia, h\u00e1 quem d\u00ea vida \u00e0s gaitas de foles, repetindo um gesto com s\u00e9culos de tradi\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds. O fasc\u00ednio por este instrumento est\u00e1 mais vivo do que nunca e a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa para o Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o da Gaita de Foles faz d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio a sua casa.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6660,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6659"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6659"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6659\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6661,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6659\/revisions\/6661"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6659"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}