{"id":6653,"date":"2023-03-14T15:20:47","date_gmt":"2023-03-14T15:20:47","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6653"},"modified":"2023-03-14T15:20:48","modified_gmt":"2023-03-14T15:20:48","slug":"a-minha-vida-e-o-movimento-associativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/a-minha-vida-e-o-movimento-associativo\/","title":{"rendered":"\u201cA minha vida \u00e9 o movimento associativo&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Nasceu e cresceu em Lisboa, no Bairro Alto. Que mem\u00f3rias tem da sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>Vivi no Bairro Alto at\u00e9 h\u00e1 25 anos. Ou seja, quase sempre. A minha inf\u00e2ncia, do ponto de vista familiar, foi triste. O meu pai morreu quando eu tinha 12 anos. Comecei a trabalhar nessa altura e, portanto, nunca pude ser crian\u00e7a, digamos assim. O que tamb\u00e9m me levou, desde muito cedo, a participar em movimentos associativos, numa s\u00e9rie de atividades, porque depois tinha de me expandir para algum lado, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Em que come\u00e7ou por trabalhar?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu trabalhei numa latoaria. Na altura, era uma coisa interessante. As primeiras m\u00e1quinas que se produziram para assar frangos eram feitas nessas latoarias e eu era um dos ajudantes. N\u00e3o tinha qualifica\u00e7\u00e3o nenhuma, era servente, mas marcou para sempre a minha mem\u00f3ria. Era ali na parte de baixo do Cam\u00f5es, e eu morava l\u00e1 mais acima. Ficou sempre na minha mem\u00f3ria aquele meu primeiro pontap\u00e9 de sa\u00edda depois do falecimento do meu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>O meu pai trabalhava no Museu de Arte Popular, em Bel\u00e9m, e eu acabei, depois, por conversas da minha m\u00e3e, por ir para paquete do ent\u00e3o chamado SNI, (Secretariado Nacional de Informa\u00e7\u00e3o) que era o Minist\u00e9rio da Propaganda. E fui para l\u00e1. De maneira que a minha inf\u00e2ncia foi assim, a trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Era uma fam\u00edlia grande?<\/p>\n\n\n\n<p>A minha m\u00e3e e mais dois irm\u00e3os. Eu era o mais velho. E a minha m\u00e3e estava sozinha, empregada de limpeza, de maneira que o seu sal\u00e1rio era uma coisa tamb\u00e9m reduzida. Uma coisa reduzida como \u00e9 hoje, que isto est\u00e1 tudo a voltar ao mesmo. Era necess\u00e1rio ajudar e, portanto, aquele sal\u00e1rio que eu recebia l\u00e1, como paquete, foi uma ajuda importante para a casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"perguntas\">Quais foram as primeiras atividades associativas?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei a ter atividade associativa ainda antes de ser paquete quando, l\u00e1 na colectividade do bairro, comecei como desportista. Joguei de tudo. \u00c9 a minha liga\u00e7\u00e3o ao movimento associativo. O movimento associativo \u00e9 uma coisa da minha constitui\u00e7\u00e3o, da minha forma de estar. Eu andei nas \u00e1reas do futebol, como toda a malta andava; andei na \u00e1rea do atletismo e, depois, fui seccionista de mais duas, e era muito giro. Uma foi o boxe ou pugilismo. Na altura, no Bairro Alto, era uma coisa muito importante. Tamb\u00e9m cheguei a ser seccionista de andebol. Isto tudo no Lisboa Clube Rio de Janeiro, que era a colectividade do bairro. Ainda hoje existe. Ainda fa\u00e7o parte dos corpos gerentes ao fim destas dezenas de anos. E costumo dizer que \u00e9 o clube do meu pai, a \u00fanica que existia no Bairro Alto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E os primeiros contactos pol\u00edticos?<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 no CENI, acabei por ter os meus primeiros contactos, de um ponto de vista pol\u00edtico, com os cat\u00f3licos progressistas. Eu nem sabia muito bem o que era aquilo. Foi por volta de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu era dos poucos putos que n\u00e3o se importava e que gostava de andar nos carros a fazer o transporte das cartas no CENI. Ent\u00e3o, queriam-me l\u00e1 na reda\u00e7\u00e3o. Eu, durante um tempo, quando n\u00e3o tinha nada que fazer, entretinha-me ali a tentar valorizar-me, a escrever \u00e0 m\u00e1quina, e t\u00ednhamos os duplicadores. E \u00e9 nessa altura que sou abordado por amigos. Havia documentos contra a guerra colonial e de apologia da luta contra o fascismo. A parte interessante \u00e9 que essas coisas eram feitas dentro de s\u00edtios onde se controlava o poder, como o Minist\u00e9rio da Propaganda. Portanto, o facto de estar ali sozinho deu condi\u00e7\u00f5es para algumas destas atividades serem assim. Foi a\u00ed que comecei a envolver-me mais. Primeiro, inconscientemente, porque um gajo se tivesse um bocado de consci\u00eancia do que andava a fazer, na toca do lobo, era comido. Mas a minha inconsci\u00eancia era tal, que dei, sem me ter apercebido da gravidade, alguma contribui\u00e7\u00e3o a esta luta antifascista.<\/p>\n\n\n\n<p>E, claro, continuo o meu percurso na coletividade. Fiz parte da comiss\u00e3o cultural em que organiz\u00e1mos exposi\u00e7\u00f5es; lev\u00e1mos, como todas as coletividades, o Coro Lopes Gra\u00e7a. Fazia parte da frente antifascista. T\u00ednhamos uma exposi\u00e7\u00e3o de livros quando levo a minha primeira pris\u00e3o. J\u00e1 nessa altura estava no partido e envolvi-me numa primeira a\u00e7\u00e3o de propaganda num 1.\u00ba de Maio em 1972 ou 1973. Era ali no Bairro Alto que eram guardados muitos documentos. O que \u00e9 facto \u00e9 que entraram pela minha casa adentro. Eu sempre estive preso por pouco tempo, de quatro a cinco meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E a segunda vez?<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez sa\u00ed no dia 24 de Abril, no dia antes do 25 de Abril de 1974, porque estavam a despejar as pris\u00f5es para come\u00e7ar a prender a malta do 1.\u00ba de Maio. Na altura, decidiu-se formar uma cooperativa. Faz parte da hist\u00f3ria antifascista, muito conhecida. Uma cooperativa de livros em Benfica, que era uma farsa; era uma forma de a gente poder reunir. Est\u00e1vamos l\u00e1 mais de 50 camaradas. Uma coisa extraordin\u00e1ria, olhando \u00e0quela altura. A pol\u00edcia chegou, prendeu-nos, levou-nos para o Governo Civil e \u00e9 da\u00ed que transitamos para Caxias. Para mim, j\u00e1 era a segunda vez. Na primeira pris\u00e3o, ao ser preso individualmente, um tipo fica muito mais fragilizado. Na segunda, era tanta gente; meteram-nos a todos naquelas partes velhas da Pris\u00e3o de Caxias porque j\u00e1 n\u00e3o tinham s\u00edtio para nos p\u00f4r. E isso contribuiu para nos organizarmos, de maneira que os pides, quando eu fui interrogado, al\u00e9m dos nomes que chamavam, diziam \u201caquela merda, aquela merda dos livros\u201d. Eu estava l\u00e1 para isso dos livros, o que \u00e9 que eu podia dizer? Tinham cometido esse erro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, chego a casa no dia 24 de Abril, e j\u00e1 me tinham dado a entender que eu ia voltar para a pris\u00e3o mais depressa do que estava a pensar. E relacionava isso com o 1.\u00ba de Maio. No dia 25 de Abril, come\u00e7am aos murros \u00e0 minha porta \u00e0s sete da manh\u00e3 e eu achava que eram os pides. Eram os meus amigos a dizer que havia perturba\u00e7\u00f5es com tanques. O in\u00edcio do caminho para a liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Vivia bem perto do Largo do Carmo. Como foi esse dia?<\/p>\n\n\n\n<p>Nas primeiras horas, houve gente que esteve recolhida em casas, porque se houvesse algum problema, teria de haver alguma defesa. Tenho uma fotografia com o Lino no Largo de S. Roque. O MFA apelava a que a popula\u00e7\u00e3o ficasse em casa e o partido [PCP] dizia o contr\u00e1rio. Passei o dia em cima de uma daquelas \u00e1rvores em frente ao Quartel do Carmo onde vejo a rendi\u00e7\u00e3o do Marcelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como se d\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 A Voz do Oper\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Estive no Sindicato dos Ferrovi\u00e1rios por muitos anos. Eu j\u00e1 era s\u00f3cio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio porque o meu filho mais velho era aluno, mais tarde tamb\u00e9m o Joj\u00f3, o Z\u00e9 Miguel e at\u00e9 os meus netos. Portanto, a liga\u00e7\u00e3o d\u00e1-se enquanto pai, embora com grandes dificuldades devido \u00e0 falta de disponibilidade por causa da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, nos anos 80, concorremos aos \u00f3rg\u00e3os e somos eleitos. Sou dirigente d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio h\u00e1 38 anos e fui vice-presidente quase sempre. S\u00f3 fui presidente da dire\u00e7\u00e3o num per\u00edodo em que houve um problema com o ent\u00e3o presidente que acabou por se demitir.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, isto complicou-se e era necess\u00e1rio ter algu\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o a tempo inteiro. Isto n\u00e3o era uma coletividade de pequena dimens\u00e3o. Tinha escolas, muita gente. N\u00e3o podia continuar a ser gerido por malta que s\u00f3 vinha aqui ao fim do dia, e com problemas muito graves que precisavam de ser resolvidos na altura. Foi ent\u00e3o que passei a ser diretor a tempo inteiro. Nos primeiros meses, a situa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o permitia que A Voz me pagasse o sal\u00e1rio e foi o Sindicato dos Ferrovi\u00e1rios que assegurou esse pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Que momentos foram mais marcantes neste percurso?<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles foi o m\u00eas em que conseguimos, fruto do trabalho de todos, deixar de ter sal\u00e1rios em atraso. Fa\u00e7a-se justi\u00e7a, particularmente aos professores, que nunca viraram as costas a isto.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dos passos que penso que foi importante foi quando conseguimos abrir os 2.\u00ba e 3.\u00ba ciclos. Cheg\u00e1mos a ter tudo isto n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Tamb\u00e9m registei com satisfa\u00e7\u00e3o termos ganho o concurso da Seguran\u00e7a Social para ficarmos com a gest\u00e3o de v\u00e1rios outros espa\u00e7os. Conseguimos fazer um trabalho extraordin\u00e1rio de aproxima\u00e7\u00e3o aos pais. A parte pedag\u00f3gica n\u00e3o tem nada a ver com o que era antes. Quando estamos aqui de manh\u00e3 \u00e0 noite e fins-de-semana, mas vemos que as coisas andam, isso enche-nos de alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas temos trabalhado para que A Voz n\u00e3o seja apenas uma escola. Temos de ser, em primeiro lugar, uma coletividade que tem muitas coisas, que tem um jornal, t\u00e3o importante; que tem exposi\u00e7\u00f5es, que tem atividade cultural e recreativa. E depois, que tem uma escola, est\u00e1 claro. Devemos continuar a trabalhar para alargar a nossa atividade associativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Depois de todos estes anos, est\u00e1 satisfeito?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu penso que este trabalho n\u00e3o \u00e9 um trabalho individual, mas sempre coletivo. N\u00e3o fazemos nada sozinhos. Quando fa\u00e7o uma an\u00e1lise geral do trabalho que desenvolvemos, A Voz do Oper\u00e1rio n\u00e3o seria o que \u00e9 hoje se estes passos n\u00e3o tivessem sido dados. Comigo a coordenar, \u00e9 certo, mas foi devido ao empenho de muita gente, quer em termos profissionais, quer em termos de dire\u00e7\u00e3o, mas particularmente devido aos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Passou a vida quase toda ligado a diferentes coletividades. Que peso t\u00eam na sua vida?<\/p>\n\n\n\n<p>A minha vida \u00e9 o movimento associativo. Tive v\u00e1rias propostas, incluindo regressar ao meio sindical, porque cheguei a trabalhar num sindicato. Mas a minha paix\u00e3o foi sempre trabalhar dentro do movimento associativo. Nasci a\u00ed. Na coletividade do Bairro Alto. Noutras colectividades, na pr\u00f3pria CNIS [Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade]; cheguei a ser do conselho geral da pr\u00f3pria CNIS. Continuo a ser presidente da assembleia geral do Oper\u00e1rio Futebol Clube de Lisboa. At\u00e9 sou presidente da assembleia geral de um parque de campismo. Sou presidente da assembleia geral da Associa\u00e7\u00e3o das Colectividades de Lisboa. Eu nem me conseguia ver a dar a minha contribui\u00e7\u00e3o noutra \u00e1rea que n\u00e3o fosse esta. Se calhar porque fui ensinado e empurrado para isto, mas tamb\u00e9m porque, em termos pessoais, me sinto uma pessoa realizada. Acabo esta fun\u00e7\u00e3o n\u2019A Voz, enquanto diretor geral, sete anos depois de ter pedido para sair devido \u00e0 idade. O problema da malta que vai tendo muita idade \u00e9 que cada vez vai tendo mais certezas de que tem raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A dire\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio decidiu atribuir-lhe o reconhecimento de s\u00f3cio honor\u00e1rio. O que significa para si?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando isto foi proposto na dire\u00e7\u00e3o, a minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi dizer que n\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o destas homenagens a s\u00f3cios honor\u00e1rios tem a ver com propostas que fiz, pessoalmente, para dar mais brilho ao anivers\u00e1rio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio e, para mim, as pessoas serem s\u00f3cios honor\u00e1rios desta casa \u00e9 serem pessoas com vulto cultural, intelectual, e que tragam mais apoios \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio. A dire\u00e7\u00e3o respondeu de forma un\u00e2nime que a minha posi\u00e7\u00e3o estava correta mas que a institui\u00e7\u00e3o ficava melhor se pudesse homenagear, desta forma, algu\u00e9m que trabalhou aqui quase quatro d\u00e9cadas. E eu fiquei sem palavras em rela\u00e7\u00e3o a isto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio sem referir o ex-diretor geral e atual vice-presidente da dire\u00e7\u00e3o. Filho do Bairro Alto, come\u00e7ou a trabalhar numa latoaria ainda crian\u00e7a e foi preso duas vezes, por motivos pol\u00edticos, durante o fascismo. Assistiu \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o de Marcello Caetano em cima de uma \u00e1rvore, no Largo do Carmo, e avan\u00e7ou no meio de um cord\u00e3o humano no Chiado, em dire\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos militares fi\u00e9is do regime, antes da derrota final. Dedicou a maioria da sua vida ao movimento associativo e \u00e9 o homenageado no \u00e2mbito do 140.\u00ba anivers\u00e1rio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6654,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6653"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6653"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6657,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6653\/revisions\/6657"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6653"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}