{"id":6649,"date":"2023-03-14T15:10:09","date_gmt":"2023-03-14T15:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6649"},"modified":"2023-03-14T15:10:10","modified_gmt":"2023-03-14T15:10:10","slug":"a-voz-que-nasceu-ha-140-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/a-voz-que-nasceu-ha-140-anos\/","title":{"rendered":"A Voz que nasceu h\u00e1 140 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Com cerca de 5 mil s\u00f3cios e 250 trabalhadores, tem espa\u00e7os na Gra\u00e7a, Ajuda e Restelo na cidade de Lisboa e na Baixa da Banheira, Lavradio e Laranjeiro, nos concelhos da Moita, Barreiro e Almada. Mais de 1100 alunos passam diariamente pelas diferentes escolas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, da creche ao 6.\u00ba ano, num modelo de ensino alternativo, progressista e democr\u00e1tico, inspirado na Escola Moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 muito mais do que uma escola. A interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do apoio social \u00e9 uma realidade que acompanha a institui\u00e7\u00e3o desde a sua funda\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m do centro de conv\u00edvio com atividades para maiores de 55, A Voz do Oper\u00e1rio d\u00e1 apoio domicili\u00e1rio a quem n\u00e3o consegue fazer a sua vida dom\u00e9stica. Simultaneamente, a cantina social serve refei\u00e7\u00f5es \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais carenciada e h\u00e1 at\u00e9 um cabeleireiro que faz a sua arte a um pre\u00e7o reduzido para s\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma hist\u00f3ria impressionante, a biblioteca \u00e9 outro dos espa\u00e7os que revelam a marca do tempo, com obras in\u00e9ditas e com um inestim\u00e1vel patrim\u00f3nio liter\u00e1rio, sobretudo no campo do marxismo e do movimento oper\u00e1rio. Por outro lado, conserva um conjunto de protocolos com diferentes associa\u00e7\u00f5es que encontram aqui um espa\u00e7o para desenvolver a sua atividade em proximidade com os s\u00f3cios d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. \u00c9 o caso da EIRA e as Produ\u00e7\u00f5es Real Pel\u00e1gio, que desenvolvem a sua atividade no Espa\u00e7o do Teatro da Voz.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecida pela programa\u00e7\u00e3o cultural que promove, o quase centen\u00e1rio sal\u00e3o do edif\u00edcio na Gra\u00e7a abrilhanta qualquer atividade com a sua beleza. Concertos, pe\u00e7as de teatro, festivais de cinema e festivais de m\u00fasica s\u00e3o presen\u00e7a regular neste espa\u00e7o, onde tamb\u00e9m todos os anos a Gala de Fado traz a celebra\u00e7\u00e3o e reconhecimento deste g\u00e9nero musical.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nas Festas de Lisboa, a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 marca de alegria com o seu conhecido Arraial e com a participa\u00e7\u00e3o da sua marcha infantil nos desfiles das Marchas Populares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Verdes anos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2018, A Voz do Oper\u00e1rio lan\u00e7ou um livro com os 135 anos de hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o, a cargo de Alberto Franco. Fruto de uma profunda investiga\u00e7\u00e3o, o autor conta que o trabalho dos oper\u00e1rios tabaqueiros come\u00e7ava cedo e prolongava-se por 14 ou 15 horas di\u00e1rias. Sempre em sil\u00eancio. Se algu\u00e9m ousasse falar, era castigado com dias de suspens\u00e3o e, se fosse rapaz, era alvo de chibatadas. Raul Esteves dos Santos, que investigou a fundo o trabalho nas f\u00e1bricas de tabaco e dirigiu durante v\u00e1rios anos A Voz do Oper\u00e1rio, escreveu que os oper\u00e1rios que nessa ind\u00fastria empregavam a sua atividade trabalhavam em \u201cp\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es higi\u00e9nicas, com mat\u00e9rias-primas que lhes danificavam e auferindo vencimentos insignificantes, sofriam uma vida miser\u00e1vel\u201d. Antes da sa\u00edrem da f\u00e1brica, os oper\u00e1rios eram revistados para que n\u00e3o houvesse qualquer roubo de tabaco.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 uma pequena parte da riqueza produzida chegava aos bolsos destes trabalhadores. As fam\u00edlias oper\u00e1rias viviam amontoadas em zonas pobres de Lisboa como Xabregas, Beato, Alc\u00e2ntara, Alfama, Gra\u00e7a e Mouraria. Era o tempo das mulheres e homens que nunca puderam ser meninos. Em 1881, havia 4021 oper\u00e1rios tabaqueiros e era a ind\u00fastria mais valiosa da economia portuguesa, mas uma dura crise levou ao desemprego e ao decrescimento na produ\u00e7\u00e3o com uma quebra importante nos sal\u00e1rios reais. Com a fome a visitar a casa destes trabalhadores, s\u00f3 a Associa\u00e7\u00e3o Uni\u00e3o Fraternal dos Oper\u00e1rios da Fabrica\u00e7\u00e3o de Tabacos, organiza\u00e7\u00e3o mutualista, fundada em 1863, veio em socorro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1879, oito anos depois da forma\u00e7\u00e3o do primeiro governo oper\u00e1rio da hist\u00f3ria com a Comuna de Paris, um grupo de oper\u00e1rios aproveitou a pausa do almo\u00e7o para debater problemas laborais. Cust\u00f3dio Gomes, analfabeto, queixou-se da falta de um jornal que retratasse a dura realidade dos trabalhadores tabaqueiros: \u201cSoubesse eu escrever, que n\u00e3o estava com demoras. J\u00e1 h\u00e1 muito que t\u00ednhamos jornal; bem ou mal, o que l\u00e1 se disser \u00e9 o que \u00e9 a verdade. Amanh\u00e3 re\u00fane a nossa Associa\u00e7\u00e3o e hei de propor que se publique um peri\u00f3dico que nos defenda a todos e mesmo aos nossos companheiros de outras classes\u201d. No dia seguinte, era aprovada a proposta de lan\u00e7ar A Voz do Oper\u00e1rio, jornal que est\u00e1 hoje entre as dez publica\u00e7\u00f5es mais antigas do pa\u00eds em circula\u00e7\u00e3o.<br>O primeiro diretor, Cust\u00f3dio Braz Pacheco, expressou assim a miss\u00e3o do jornal: \u201cpugnar denodamente pelos interesses materiais e morais da classe que representa; concorrer quanto poss\u00edvel para a educa\u00e7\u00e3o profissional e moral da classe oper\u00e1ria e instru\u00e7\u00e3o do povo, defender os que sofrerem injusti\u00e7as, vexames e viol\u00eancias; promover o desenvolvimento da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio, e trabalhar incessantemente para o bem estar social em harmonia com o presente programa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A funda\u00e7\u00e3o da Sociedade Cooperativa A Voz do Oper\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas anos mais tarde, em agosto de 1882, a publica\u00e7\u00e3o enfrenta problemas de financiamento e a administra\u00e7\u00e3o pede a colabora\u00e7\u00e3o de todos os assinantes para evitar a suspens\u00e3o. No m\u00eas seguinte, apela-se a uma assembleia geral para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. A via para garantir a sobreviv\u00eancia do jornal foi a cria\u00e7\u00e3o de uma cooperativa com o mesmo nome. Em 13 de fevereiro de 1883, h\u00e1 140 anos, numa Assembleia Geral dos \u201cassinantes auxiliares\u201d do ent\u00e3o seman\u00e1rio, nasceu a Sociedade Cooperativa A Voz do Oper\u00e1rio.<br>\u201cUm jornal e uma carreta funer\u00e1ria, assim come\u00e7a A Voz do Oper\u00e1rio\u201d, escreveu o historiador Fernando Piteira Santos. O facto \u00e9 que muitas fam\u00edlias n\u00e3o tinham sequer meios para pagar as despesas com a morte dos seus membros. Com a nova cooperativa, os funerais passaram a ter alguma dignidade e a assist\u00eancia funer\u00e1ria teve um enorme impacto social, pela sua rela\u00e7\u00e3o com os sentimentos mais profundos da massa oper\u00e1ria. A presta\u00e7\u00e3o de tal servi\u00e7o aumentou substancialmente o n\u00famero de associados, permitindo que A Voz do Oper\u00e1rio se abalan\u00e7asse a outro tipo de projectos, nomeadamente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de escolas. Com a proposta de uma das comiss\u00f5es administrativas presididas por Miguel Jos\u00e9 Mendes, a educa\u00e7\u00e3o assumiu um papel de destaque na atividade d\u2019A Voz. Por meio do ensino, arrancar-se-iam \u201c\u00e0s densas trevas do embrutecimento e da ignor\u00e2ncia, a grande maioria analfabeta\u201d, proclamava o primeiro n\u00famero d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. A primeira aula foi dada a 11 de outubro de 1891. Em 1904, oram aprovados novos estatutos, \u201cinstituiu-se um cofre de benefic\u00eancia para o qual cada s\u00f3cio pagaria uma quota anual de 10 r\u00e9is, a cobrar em dezembro, destinado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de fato e cal\u00e7ado para os alunos pobres bem como para os \u00f3rf\u00e3os de s\u00f3cios quando carecessem de aux\u00edlio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra relevante medida assistencial foi a abertura de uma cantina escolar. Domingos da Cruz, empossado em 1924 como secret\u00e1rio dos Servi\u00e7os de Instru\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, foi o impulsionador dessa medida. Oficial da Marinha e deputado republicano, ativo divulgador do associativismo e dos princ\u00edpios mutualistas, Domingos da Cruz era s\u00f3cio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio desde 1911.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A sede d\u2019A Voz<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1906, o redator do jornal, Jos\u00e9 Fernandes Alves, prop\u00f4s que se pedisse um terreno para a constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o com a dimens\u00e3o que a atividade regular exigia. O primeiro-ministro, Jo\u00e3o Franco, concedeu um terreno na zona onde se encontra a atual sede d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. O lan\u00e7amento da primeira pedra aconteceu a 13 de outubro de 1912 na presen\u00e7a de Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da Rep\u00fablica. Uma multid\u00e3o de oper\u00e1rios enchia as ruas e soavam foguetes enquanto chegavam tamb\u00e9m os principais dirigentes d\u2019A Voz, o professor Agostinho Fortes, representante da C\u00e2mara Municipal de Lisboa, o arquiteto Norte J\u00fanior, o almirante Ferreira do Amaral e Ant\u00f3nio Maria da Costa, o construtor da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira parte do edif\u00edcio viria a ser inaugurada em dezembro de 1922 tamb\u00e9m em ambiente de festa. O sal\u00e3o foi oficialmente inaugurado em 1930, no decurso das comemora\u00e7\u00f5es do 51\u00ba anivers\u00e1rio do jornal, e era j\u00e1, como hoje, fonte importante de receitas para a institui\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje, tem sido palco de in\u00fameros g\u00e9neros musicais mas o fado marca a hist\u00f3ria musical d\u2019A Voz, tamb\u00e9m quando ainda era visto como pouco respeit\u00e1vel e se limitava a tabernas e prost\u00edbulos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma Voz que o fascismo n\u00e3o se atreveu a apagar<\/h2>\n\n\n\n<p>A 28 de maio de 1926, d\u00e1-se o levantamento militar que imp\u00f5e uma ditadura que se h\u00e1 de prolongar at\u00e9 1974. Logo de in\u00edcio, nas p\u00e1ginas do jornal, o redator Jos\u00e9 Fernandes Alves assume que n\u00e3o aceita a ideia da sujei\u00e7\u00e3o a uma ditadura militar. \u201cSabemos perfeitamente o que se tem passado na It\u00e1lia e na Espanha, com as odiosas ditaduras de Mussolini e de Rivera. Nesses dois pa\u00edses, a classe trabalhadora vive esmagada, calcada pelo tac\u00e3o da bota dos odiosos ditadores. (\u2026) Ditadura militar n\u00e3o a aceitaremos n\u00f3s, n\u00e3o a aceitar\u00e1 o povo portugu\u00eas, cioso da sua liberdade e das suas regalias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os primeiros anos do fascismo, A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 o ref\u00fagio de muitos opositores e sindicalistas perseguidos pelo novo regime. V\u00e1rios deles s\u00e3o presos e torturados. Perante o prest\u00edgio e a influ\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o, a ditadura opta pelo n\u00e3o encerramento das instala\u00e7\u00f5es e cria uma comiss\u00e3o para gerir A Voz do Oper\u00e1rio. Muitos artigos do jornal foram alvo de censura mas a publica\u00e7\u00e3o prosseguiu o seu trabalho at\u00e9 aos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A revolu\u00e7\u00e3o que derrubou a ditadura<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante os anos finais da luta contra o fascismo, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es encontraram na Voz um espa\u00e7o para se reunirem. Foi o caso dos sindicatos que logo deram origem \u00e0 CGTP-IN. Quando a revolu\u00e7\u00e3o toma as ruas do pa\u00eds, a institui\u00e7\u00e3o toma o lado dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A 10 de maio de 1975, A Voz do Oper\u00e1rio recebeu uma chamada an\u00f3nima informando que da\u00ed a meia hora rebentaria uma bomba suas instala\u00e7\u00f5es. \u201cChegou a hora de calar A Voz do Oper\u00e1rio\u201d, foi assim que terminou o telefonema. As centenas de crian\u00e7as que se encontravam dentro do edif\u00edcio foram imediatamente evacuadas e a pol\u00edcia revistou as instala\u00e7\u00f5es sem ter encontrado qualquer engenho explosivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, A Voz do Oper\u00e1rio foi palco de uma intensa atividade social e pol\u00edtica pela democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds lan\u00e7ando as sementes para o seu futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Voz do Oper\u00e1rio celebra no dia 13 de fevereiro 140 anos de uma longa trajet\u00f3ria que come\u00e7a quatro anos antes, ainda em 1879, na sequ\u00eancia de uma conversa durante a pausa para o almo\u00e7o de um grupo de oper\u00e1rios tabaqueiros. Hoje, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, de m\u00e9rito reconhecido pelas autoridades, mas, sobretudo, pela comunidade onde se insere. Enraizada nos valores daqueles trabalhadores de h\u00e1 quase s\u00e9culo e meio, A Voz do Oper\u00e1rio nunca deixou de estar ao servi\u00e7o dos mais desfavorecidos, defendendo o progresso, a justi\u00e7a social e a paz.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6651,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[55,43],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6649"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6649"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6649\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6652,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6649\/revisions\/6652"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6649"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}