{"id":6645,"date":"2023-03-14T12:15:33","date_gmt":"2023-03-14T12:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6645"},"modified":"2023-03-14T12:15:34","modified_gmt":"2023-03-14T12:15:34","slug":"um-mundo-entre-quatro-paredes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2023\/03\/14\/um-mundo-entre-quatro-paredes\/","title":{"rendered":"<strong>Um mundo entre quatro paredes<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>Dos arraiais durante as Festas de Lisboa \u00e0 Gala de Fado, dos debates ao Teatro d\u2019A Voz, para al\u00e9m das in\u00fameras iniciativas culturais, recreativas e desportivas que fazem parte da atividade associativa d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, h\u00e1 um universo interligado de respostas sociais, um jornal e tamb\u00e9m aquilo pelo que \u00e9 mais conhecida: o seu modelo educativo que engloba a creche, o pr\u00e9-escolar, o 1.\u00ba e o 2\u00ba ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos melhores exemplos da transversalidade de todos os n\u00edveis de ensino est\u00e1 no Projeto Interdisciplinar, uma disciplina criada pelo 2.\u00ba ciclo em que os alunos fazem projetos, de acordo com o modelo pedag\u00f3gico, com a particularidade de que estes projetos envolvem v\u00e1rias disciplinas e s\u00e3o acompanhados por professores de v\u00e1rias disciplinas. \u00c9 o professor Pedro Passarinho, um dos coordenadores do 2.\u00ba ciclo, que explica como funciona.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO objetivo \u00e9 tentar englobar o m\u00e1ximo n\u00famero de disciplinas. No ano passado, com a Feira das Culturas, como estud\u00e1mos os pa\u00edses do mundo, ou estud\u00e1mos o mundo, acab\u00e1mos por conseguir criar um projeto em que conseguimos abordar as disciplinas todas. Eles foram aprender m\u00fasicas do mundo, dan\u00e7as do mundo porque \u00e9 um conte\u00fado de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, comigo desenvolveram uma pesquisa sobre artesanato e patrim\u00f3nio dos pa\u00edses que eles estavam a estudar, em hist\u00f3ria e geografia andaram a estudar a cultura, a hist\u00f3ria, factos hist\u00f3ricos dos pa\u00edses, a pr\u00f3pria geografia do pa\u00eds, em ci\u00eancias andaram a estudar os animais, a fauna, a flora, a alimenta\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m \u00e9 um conte\u00fado de ci\u00eancias, alimenta\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis, menos saud\u00e1veis, em matem\u00e1tica a estat\u00edstica, portanto, relacionada com a popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses e foi um projeto que culminou na Feira das Culturas\u201d, descreve.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de janeiro terminou outro projeto bem sucedido, desta vez um ch\u00e1 com scones confeccionados pelos pr\u00f3prios alunos, com um desfile de roupa, envolvendo, uma vez mais, v\u00e1rias disciplinas e tamb\u00e9m alunos do 1.\u00ba ciclo. O objetivo \u00e9, segundo Pedro Passarinho, aproximar os dois ciclos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas dentro de cada ciclo, a verdade \u00e9 que as turmas s\u00e3o mistas, trazendo grandes benef\u00edcios para os alunos. \u201cA premissa \u00e9: n\u00e3o h\u00e1 conte\u00fados de quinto, n\u00e3o h\u00e1 conte\u00fados de sexto, obviamente que, se calhar, em matem\u00e1tica ou em portugu\u00eas eles t\u00eam conte\u00fados que t\u00eam que ser sequenciais, mas, regra geral, eles podem estar no quinto ano a estudar conte\u00fados de sexto e no sexto a estudar conte\u00fados de quinto\u201d, explica. O objetivo \u00e9 chegarem ao fim dos dois anos com os conte\u00fados aprendidos permitindo aos alunos come\u00e7arem por estudar temas de que gostam mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspeto que distingue as escolas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 o funcionamento participativo e democr\u00e1tico. Pedro Passarinho recorda que esse \u00e9 um dos pilares do Movimento da Escola Moderna. \u201cN\u00f3s fazemos Conselhos de Coopera\u00e7\u00e3o, e o Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento durante a semana em que lhes \u00e9 pedido que tomem decis\u00f5es sobre a vida deles, escolar. Ou seja, situa\u00e7\u00f5es que aconte\u00e7am no recreio, no refeit\u00f3rio, em sala de aula, \u00e9-lhes pedido a participa\u00e7\u00e3o deles. Ou seja, \u00e9 preciso decidir se vamos para a direita ou se vamos para a esquerda, e \u00e9-lhes perguntado, e s\u00e3o eles que decidem se vamos para a direita ou se vamos para a esquerda. Com a nossa ajuda, estamos l\u00e1 para ajudar, \u00e0s vezes para puxar por eles e para lhes alertar para as consequ\u00eancias ou para os efeitos de se ir para a direita ou para a esquerda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m neste espa\u00e7o que os alunos fazem a avalia\u00e7\u00e3o do Plano Individual de Trabalho (PIT). Quinzenalmente, avaliam o PIT e, na outra quinzena, fazem a leitura do di\u00e1rio de turma, que \u00e9 onde se tomam as decis\u00f5es. \u201cSe houver alguma coisa muito urgente, obviamente, \u00e9 tratada antes, se for alguma coisa que pode esperar \u00e9 tratada no Conselho. O Conselho \u00e9 isto, \u00e9 feito e \u00e9 onde eles podem tomar decis\u00f5es sobre um conjunto de coisas que os afeta a eles\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as vantagens de aprender num espa\u00e7o como A Voz do Oper\u00e1rio com tanta a acontecer, B\u00e1rbara Ramirez, coordenadora educativa d\u2019A Voz, refere que \u201cnem sempre a gest\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de fazer tendo em conta o n\u00famero de pessoas que aqui se movem com tantas val\u00eancias e atividades desde antes das 8h at\u00e9 horas tardias\u201d. Os espa\u00e7os s\u00e3o geridos de modo a promover momentos em que cada grupo ou grupos podem deles usufruir e tamb\u00e9m com outros momentos em que se pode ganhar muito por estarem todos juntos. \u201cA proximidade de val\u00eancias t\u00e3o diferentes d\u00e1-nos muitas possibilidades de aprendermos mais uns com os outros\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a escola, como A Voz do Oper\u00e1rio, est\u00e1 aberta \u00e0 comunidade. \u00c9 o que acontece com o Coro Capella de S\u00e3o Vicente, destaca B\u00e1rbara Ramirez. \u201c\u00c9 um projeto que envolve todas as turmas do 2.\u00ba ciclo, como oferta complementar, inclu\u00edda no tempo letivo do 2.\u00ba ciclo. Este projeto visa trazer o ensino do canto coral e conhecimentos de m\u00fasica que \u00e0 partida n\u00e3o est\u00e3o ao acesso de todos, a alunos que n\u00e3o estudam m\u00fasica\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m alunos de outras escolas fazem parte deste projeto, onde aprendem, desde outubro, a usar o aparelho vocal para cantar em coro com o professor Pedro Rodrigues, um dos fundadores do Coro Capella de S. Vicente. Fruto desse trabalho, todos estes alunos, incluindo d\u2019A Voz, deram um concerto no Convento de Mafra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma resposta social com prest\u00edgio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito mais do que uma escola, A Voz do Oper\u00e1rio inclui um departamento de A\u00e7\u00e3o Social com tr\u00eas servi\u00e7os em destaque: o Centro de Conv\u00edvio, o Servi\u00e7o de Apoio Domicili\u00e1rio e o Refeit\u00f3rio Social. De acordo com a coordenadora de A\u00e7\u00e3o Social, Rita Governo, cada um deles tem um prop\u00f3sito muito espec\u00edfico. \u201cO Refeit\u00f3rio Social presta apoio em refei\u00e7\u00f5es confecionadas a fam\u00edlias que se encontram em vulnerabilidade socioecon\u00f3mica, o Centro de Conv\u00edvio funciona como um espa\u00e7o de desenvolvimento ao longo da vida para os nossos s\u00f3cios acima dos 55 anos, com diferentes tipos de atividades, e o Servi\u00e7o de Apoio Domicili\u00e1rio presta cuidados na habita\u00e7\u00e3o daqueles que j\u00e1 n\u00e3o conseguem satisfazer as suas atividades de vida di\u00e1rias\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os dias estes servi\u00e7os v\u00e3o para l\u00e1 daquilo que s\u00e3o os objetivos mais evidentes. Rita Governo recorda que no Centro de Conv\u00edvio \u201cchega a prestar-se apoio de acompanhamento m\u00e9dico a pessoas que est\u00e3o isoladas, que vivem sozinhas e que n\u00e3o conseguem ir sozinhas fazer um exame ou ir a uma consulta\u201d. Coisas t\u00e3o simples como levantar dinheiro, tratar de servi\u00e7os, meter o IRS ou ir ao banco muitas vezes t\u00eam o apoio da equipa d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. O mesmo acontece no Servi\u00e7o de Apoio Domicili\u00e1rio. \u201cO que acontece dentro da casa de uma pessoa que vive isolada tamb\u00e9m ultrapassa, todos os dias, aquilo que s\u00e3o os servi\u00e7os que est\u00e3o contratados, portanto, at\u00e9 podes ter uma pessoa a quem contratualmente serves alimenta\u00e7\u00e3o e ajudas com a sua higiene pessoal mas, quando l\u00e1 vais, ajudas a tratar de servi\u00e7os da vida, como pagar uma conta da luz, como ajudar na organiza\u00e7\u00e3o da medica\u00e7\u00e3o, ajudar a ler cartas de pessoas que n\u00e3o sabem ler\u201d, descreve. \u201cNo Refeit\u00f3rio Social j\u00e1 ensinei uma pessoa a contar dinheiro, por exemplo, para n\u00e3o ser enganada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Rita Governo, a experi\u00eancia \u00e9 muito rica para todos e sublinha o lado mais relacional, no sentido de comunidade que estas pessoas encontram n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. \u201cSejam utentes do Refeit\u00f3rio Social que desenvolveram redes de apoio entre si e que se conheceram aqui, sejam s\u00f3cios nossos que frequentam o Centro de Conv\u00edvio e cuja rela\u00e7\u00e3o passou a existir para al\u00e9m d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, assumindo-se como recursos de uns para os outros no seu dia-a-dia e fora daqui. Ou seja, o papel que n\u00f3s assumimos, mais do que funcional e mais do que os objetivos mais expet\u00e1veis dos servi\u00e7os que temos, eles superam-se todos os dias em coisas que n\u00e3o seriam da nossa compet\u00eancia\u201d, destaca referindo que isso distingue a institui\u00e7\u00e3o de muitas outras. \u201cQuando algu\u00e9m nos pede alguma coisa, ou quando alguma necessidade surge, que n\u00e3o se encaixa necessariamente naquilo que \u00e9 a nossa fun\u00e7\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o fechamos a porta e n\u00e3o dizemos \u2018eu n\u00e3o tenho nada a ver com isso\u2019\u201d, explica. \u201cMesmo que n\u00f3s n\u00e3o consigamos efetivamente prestar essa ajuda, ningu\u00e9m vai embora sem que tenha sido encaminhado para algum s\u00edtio que possa responder a isso\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrar no edif\u00edcio da Gra\u00e7a d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 mergulhar num corrupio de atividades cujas fronteiras n\u00e3o se esgotam nas paredes da sede desta institui\u00e7\u00e3o que agora celebra 140 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6646,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6645"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6647,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6645\/revisions\/6647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6645"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}