{"id":6500,"date":"2022-12-05T16:21:28","date_gmt":"2022-12-05T16:21:28","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6500"},"modified":"2023-01-05T15:46:53","modified_gmt":"2023-01-05T15:46:53","slug":"aumento-dos-precos-ha-produtos-sobreinflacionados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/12\/05\/aumento-dos-precos-ha-produtos-sobreinflacionados\/","title":{"rendered":"Aumento dos pre\u00e7os:\u00a0h\u00e1 produtos sobreinflacionados"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Os pre\u00e7os nos supermercados disparam e as grandes empresas do setor da distribui\u00e7\u00e3o continuam a acumular lucros. Apesar da elevada infla\u00e7\u00e3o, h\u00e1 agricultores que afirmam que haveria margem para os pre\u00e7os serem mais baixos e reclamam mais equidade na reparti\u00e7\u00e3o de rendimentos entre a cadeia de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as prateleiras do supermercado, Rita Soares procura os produtos mais baratos e de marca branca. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Todas as semanas, a diretora t\u00e9cnica do Centro Unit\u00e1rio de Reformados, Pensionistas e Idosos de Odivelas surpreende-se com a subida constante dos pre\u00e7os. \u201cFazemos compras uma vez por semana. Compramos, sobretudo, queijo, fiambre, leite bolacha maria, iogurtes, gelatinas, pudins e fruta para organizar os lanches para os nossos utentes\u201d, explica. \u201cTodas as semanas, levamos o mesmo dinheiro e com o mesmo dinheiro trazemos cada vez menos coisas. Isto sente-se todas as semanas. O leite disparou, por exemplo. Compr\u00e1vamos a 69 c\u00eantimos e agora custa cerca de 85. Acontece o mesmo com a fruta. Ao mesmo pre\u00e7o, s\u00f3 mesmo os iogurtes de marca branca, que se t\u00eam mantido mais ou menos o mesmo\u201d, descreve. A institui\u00e7\u00e3o tenta usar a imagina\u00e7\u00e3o para que esta subida dos pre\u00e7os n\u00e3o tenha consequ\u00eancias no servi\u00e7o prestado. Mas isso reflete-se nas contas deste centro de dia porque h\u00e1 outros custos associados como o combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas este \u00e9 um problema que afeta tamb\u00e9m a maioria das fam\u00edlias a bra\u00e7os com a gin\u00e1stica financeira para contornar evitar a fal\u00eancia da economia familiar. Para al\u00e9m de diretora t\u00e9cnica desta institui\u00e7\u00e3o, Rita Soares visita os supermercados diariamente para abastecer a sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Admite que, l\u00e1 em casa, alteraram h\u00e1bitos de consumo. \u201cConsumimos mais produtos de marca branca, \u00e9 praticamente tudo de marca branca, e tentamos desperdi\u00e7ar o m\u00ednimo poss\u00edvel\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados de um estudo do Eurostat divulgados no fim de novembro, a infla\u00e7\u00e3o piorou as condi\u00e7\u00f5es de vida na Uni\u00e3o Europeia. As san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia e a guerra na Ucr\u00e2nia fizeram disparar os pre\u00e7os e, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de It\u00e1lia, a percentagem da popula\u00e7\u00e3o que consegue sobreviver com facilidade ou muita facilidade baixou em compara\u00e7\u00e3o com o primeiro trimestre de 2022. Sem acompanhar a infla\u00e7\u00e3o, as atualiza\u00e7\u00f5es salariais avan\u00e7adas pelo governo v\u00e3o ser insuficientes para impedir a perda do poder de compra e os sindicatos exigem solu\u00e7\u00f5es para garantir rendimentos dignos aos trabalhadores e tamb\u00e9m mecanismos de controlo de pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Pre\u00e7os injustificados mant\u00eam lucros na distribui\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Houve subidas no pre\u00e7o da mat\u00e9ria prima mas a verdade \u00e9 que a Galp e a EDP Renov\u00e1veis foram as principais respons\u00e1veis pelo recorde de lucros na bolsa portuguesa nos primeiros nove meses do ano. Segundo a ECO, registaram um crescimento dos lucros de 86% e 181%, respetivamente, acumulando 549 milh\u00f5es de euros, o equivalente a 54% dos 1,1 mil milh\u00f5es de euros que as empresas do PSI lucraram a mais este ano face ao per\u00edodo hom\u00f3logo de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor da distribui\u00e7\u00e3o os n\u00fameros s\u00e3o tamb\u00e9m positivos apesar da infla\u00e7\u00e3o, uma tend\u00eancia que j\u00e1 vem de outros anos. Ou seja, no que diz respeito ao aumento dos pre\u00e7os, nem tudo pode ser atribu\u00edvel ao aumento dos pre\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o, mesmo com a subida dos valores da energia e do combust\u00edvel. E isso \u00e9 ainda mais claro em produtos hort\u00edcolas e frut\u00edcolas, sem qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o associado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Mercados Agr\u00edcolas (SIMA), na semana que come\u00e7ou a 12 de setembro, o pre\u00e7o de um quilo de cebolas vendido pelos produtores \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o era de 0,53% e o pre\u00e7o desse mesmo quilo de cebolas vendido nas prateleiras dos supermercados era, em m\u00e9dia, de 1,24 euros, uma diferen\u00e7a de 134%. Mas n\u00e3o \u00e9 sequer o produto com maior disparidade. Um quilo de alface lisa estava a 1,02 euros e era vendida depois a 3,47, uma diferen\u00e7a de 241%.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Pedro Santos, dirigente nacional da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura (CNA), h\u00e1 de facto aumentos brutais na mat\u00e9ria prima e d\u00e1 exemplos. \u201cDesde janeiro de 2021 que isso tem sido not\u00f3rio e tudo aquilo de que os agricultores precisam para produzir foi ficando mais caro. A guerra na Ucr\u00e2nia aumentou tudo de forma exponencial. Temos produtos, fertilizantes por exemplo, que aumentaram 300%. A energia e os combust\u00edveis aumentaram brutalmente tamb\u00e9m\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esta diferen\u00e7a abismal entre os pre\u00e7os de quem produz e os pre\u00e7os de quem vende os produtos nas prateleiras de supermercado, Pedro Soares contesta a falta de controlo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma verdadeira correspond\u00eancia entre os verdadeiros custos da produ\u00e7\u00e3o e o valor que \u00e9 pago aos produtores\u201d, sustenta. As grandes superf\u00edcies \u201cfazem o que querem\u201d. Segundo o dirigente nacional da CNA, isto n\u00e3o quer dizer que seja tudo margem de lucro mas as diferen\u00e7as s\u00e3o \u201cbrutais\u201d. Nesse sentido, d\u00e1 o exemplo de produtos hort\u00edcolas, em que n\u00e3o h\u00e1 um processo de transforma\u00e7\u00e3o associado. \u201c\u00c9 f\u00e1cil ver que h\u00e1 qualquer coisa que n\u00e3o est\u00e1 bem na cadeia porque a distribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ficar com grande parte do valor gerado\u201d, considera. S\u00e3o muitos os produtores que se queixam da falta de distribui\u00e7\u00e3o equitativa tendo em conta os custos com que chegam os produtos aos supermercados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Santos considera que a economia de mercado est\u00e1 a funcionar de uma forma \u201cbastante desregulada\u201d e recorda que, apesar de a auto-regula\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio mercado estar sempre em cima da mesa, o que se v\u00ea s\u00e3o pequenos e at\u00e9 grandes produtores sem conseguirem enfrentar o \u201cquero, posso e mando\u201d da distribui\u00e7\u00e3o na imposi\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Agricultores exigem regula\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas, a pol\u00e9mica estalou entre o governo e o setor da distribui\u00e7\u00e3o depois de o executivo liderado por Ant\u00f3nio Costa ter anunciado uma taxa de 33% sobre os lucros extraordin\u00e1rios destas empresas. Esta medida pretende taxar os lucros excedent\u00e1rios referentes aos anos de 2022 e 2023, considerando-se lucro extraordin\u00e1rio o que supere em 20% de aumento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia dos lucros obtidos entre 2018 e 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Empresas de Distribui\u00e7\u00e3o (APED), que representa os empres\u00e1rios do setor, reagiu contra a decis\u00e3o e amea\u00e7ou ir para os tribunais. De acordo com Gon\u00e7alo Lobo Xavier, diretor-geral da associa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem havido lucros extraordin\u00e1rios, sublinhando que toda a cadeia de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 a sofrer aumento de custos e que o setor n\u00e3o estar\u00e1 a passar a totalidade desse aumento para os consumidores. Ao ECO, afirmou isso mesmo, referindo que \u201capenas 35% do aumento de custos\u201d chega aos clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Santos acha que a medida n\u00e3o vai resolver o problema mas n\u00e3o entende as declara\u00e7\u00f5es da APED. \u201cQuando se est\u00e1 a falar em lucro, j\u00e1 se retiraram os gastos. Acredito que a atividade destas empresas tamb\u00e9m tenha tido um aumento de custos. Disso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Os aumentos da energia e dos combust\u00edveis levam a isso mas n\u00e3o se est\u00e1 a falar de taxar essa parte. Fala-se de taxar lucros, depois de apurados os custos e os proveitos\u201d, considera.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a CNA, faltam medidas que impe\u00e7am a forma de operar das grandes superf\u00edcies. \u00c9 preciso ter em conta os \u201cpre\u00e7os pagos pelos v\u00e1rios elos da cadeia e os custos de cada um dos elos\u201d. Isso \u00e9 \u201cfundamental\u201d, explica, porque \u201csem isso, n\u00e3o h\u00e1 equidade\u201d. Na opini\u00e3o de Pedro Santos, se assim fosse, n\u00e3o era preciso taxar lucros porque tudo estaria \u201cmais equilibrado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os agricultores, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u201cperfeitamente identificada e sabem-se as causas\u201d e at\u00e9 recordam que o Minist\u00e9rio da Agricultura vai avan\u00e7ar para a cria\u00e7\u00e3o de um observat\u00f3rio que, sendo importante, para dar alguma transpar\u00eancia ao mercado, n\u00e3o resolve o problema de regula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre a atividade destas superf\u00edcies, dando o exemplo da legisla\u00e7\u00e3o espanhola mais eficaz no combate \u00e0 venda com preju\u00edzo, o chamado dumping.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Pedro Santos explica que quando a CNA defende pre\u00e7os justos para a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se est\u00e1 a dizer que isso tem de se refletir nos pre\u00e7os para os consumidores. \u201cH\u00e1 todo um caminho em muitos produtos que pode ser feito, pela diminui\u00e7\u00e3o das margens\u201d, defende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pre\u00e7os nos supermercados disparam e as grandes empresas do setor da distribui\u00e7\u00e3o continuam a acumular lucros. 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