{"id":6447,"date":"2022-11-15T13:19:01","date_gmt":"2022-11-15T13:19:01","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6447"},"modified":"2022-12-05T16:21:25","modified_gmt":"2022-12-05T16:21:25","slug":"jose-saramago-do-escritor-ao-filosofo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/11\/15\/jose-saramago-do-escritor-ao-filosofo\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Saramago,\u00a0do escritor ao fil\u00f3sofo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No ano em que se celebram os cem anos do nascimento de Jos\u00e9 Saramago, entrevistamos S\u00e9rgio Letria, diretor da Funda\u00e7\u00e3o a ele dedicada, que nos falou do escritor, do homem e do \u201cfil\u00f3sofo\u201d: \u201cAo enorme reconhecimento do Jos\u00e9 Saramago enquanto escritor, vai-se aprofundando o Jos\u00e9 Saramago enquanto fil\u00f3sofo, grande pensador do nosso tempo\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quando foi criada a Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9&nbsp;Saramago?<\/p>\n\n\n\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o foi criada a 29 de junho de 2007, em Lanzarote. A Pilar [del R\u00edo] e um grupo de amigos de Jos\u00e9 Saramago (JS) lan\u00e7aram-lhe essa ideia. Inicialmente ficou calado, depois acabou por entender a ideia e anuir [Pilar conta-o em \u201cA intui\u00e7\u00e3o da Ilha\u201d, publicado recentemente]. A ideia inicial seria trabalhar para manter viva a obra do escritor, a sua interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e c\u00edvica. Conhecendo a obra de JS \u00e9 f\u00e1cil entender o que aconteceu a seguir: escreveu uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, o documento orientador do trabalho da Funda\u00e7\u00e3o, onde enumera as \u00e1reas que a Funda\u00e7\u00e3o deve trabalhar: a defesa da Cultura, Direitos Humanos e Ambiente. Tem at\u00e9 uma frase curiosa: \u201cComo se v\u00ea, n\u00e3o vos pe\u00e7o muito, pe\u00e7o-vos tudo. Inicialmente a Funda\u00e7\u00e3o esteve no edif\u00edcio na Rua do Almirante Gago Coutinho e em 2012 abrimos a sede na Casa dos Bicos, fruto de um processo que tinha come\u00e7ado em abril de 2008, por proposta da C\u00e2mara Municipal de Lisboa e do Minist\u00e9rio da Cultura que apadrinharam a proposta de cederem a Casa dos Bicos \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o, por per\u00edodos de dez anos. O primeiro foi at\u00e9 2018, o segundo vai at\u00e9 2028 e, \u00e0 partida, estamos em crer que ser\u00e1 renovada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">\u00c9 poss\u00edvel conhecer Jos\u00e9 Saramago lendo&nbsp;a sua obra?<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 um dos fasc\u00ednios da literatura, embora muitos autores defendam que a partir do momento em que o livro \u00e9 escrito, o autor acaba de alguma forma por morrer. JS defendia que cada livro leva dentro o autor e tamb\u00e9m o leitor, e isso \u00e9 ainda mais vis\u00edvel porque, em toda a sua obra liter\u00e1ria h\u00e1 quase como uma voz do narrador permanentemente a interpelar o leitor, puxando-o para dentro do livro, da narrativa, convidando-o a tomar a iniciativa de fazer qualquer coisa. Podemos cruzar isto com v\u00e1rias frases de Jos\u00e9 Saramago em entrevistas e confer\u00eancias. Quando afirma que \u201cno Mundo, h\u00e1 duas superpot\u00eancias, os Estados Unidos e tu pr\u00f3prio\u201d, isso \u00e9 um convite para que &#8211; di-lo nos discursos de Estocolmo -, \u201ctomemos n\u00f3s ent\u00e3o cidad\u00e3os comuns a palavra e a iniciativa\u201d. Em toda a sua obra \u00e9 isso que acontece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">\u00c9 uma carater\u00edstica comum em toda a sua obra?<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1999 Jos\u00e9 Saramago d\u00e1 uma confer\u00eancia em Turim, j\u00e1 depois do Nobel, a que deu o t\u00edtulo \u201cDa Est\u00e1tua \u00e0 Pedra\u201d. A\u00ed, anuncia que a sua obra tem duas fases: a da Est\u00e1tua e a da Pedra. A mudan\u00e7a d\u00e1-se quando muda a sua resid\u00eancia para Lanzarote, e resulta de uma influ\u00eancia muito direta daquela paisagem crua, \u00e1spera, cinzenta, escura e dura na sua escrita. O primeiro livro que escreve em Lanzarote \u00e9 precisamente o \u201cEnsaio sobre a Cegueira\u201d. O que ele diz \u00e9 que, at\u00e9 a\u00ed, tentava colocar na sua obra todo o detalhe, toda a beleza, todo o pormenor que existe nas est\u00e1tuas. O ter ido para Lanzarote, nesse contacto com o entorno, fez com que a sua escrita passasse para a fase da Pedra, muito mais direta, crua, dirigida a uma coisa mais org\u00e2nica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como se caracteriza essa fase da Pedra?<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios livros de JS nasceram de inquieta\u00e7\u00f5es e de quest\u00f5es que ele pr\u00f3prio se colocava. O \u201cEnsaio sobre a cegueira\u201d, esta fase da pedra, \u00e9 a fase dos grandes romances universais, sem localiza\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e temporais precisas, onde JS tenta p\u00f4r em pr\u00e1tica e questionar algumas teses e defender outras: o \u201cEnsaio sobre a cegueira\u201d, o \u201cEnsaio sobre a lucidez\u201d, \u201cAs intermit\u00eancias da morte\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como dialoga o autor atrav\u00e9s da sua obra?<\/p>\n\n\n\n<p>Saramago, enquanto pessoa pol\u00edtica, militante comunista at\u00e9 ao fim dos seus dias, ao longo da sua vida teve uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vast\u00edssima e muito atenta e isso pode ser comprovado com o que lemos nas suas interven\u00e7\u00f5es nos anos 90, a prop\u00f3sito da constru\u00e7\u00e3o europeia, por exemplo. Em plena crise no in\u00edcio deste s\u00e9culo, na Funda\u00e7\u00e3o, pegamos nesses textos em que Jos\u00e9 Saramago falava do que poderia vir a ser o papel da Alemanha na constru\u00e7\u00e3o europeia, de se transformar em algo que secaria tudo \u00e0 sua volta e que comandaria os destinos da Europa. N\u00e3o h\u00e1 aqui qualquer dote adivinhat\u00f3rio; \u00e9 a capacidade de analisar, de p\u00f4r as coisas em perspetiva, a partir da realidade. A sua interven\u00e7\u00e3o foi sempre marcada pela import\u00e2ncia dada \u00e0s quest\u00f5es locais e mundiais. Desde antes do 25 de Abril de 1974, h\u00e1 textos sobre a pol\u00edtica Cultural em Portugal, de uma atualidade extraordin\u00e1ria. E, depois, \u00e0s grandes quest\u00f5es do Mundo, com os direitos humanos \u00e0 cabe\u00e7a e n\u00e3o \u00e9 por acaso que a Funda\u00e7\u00e3o tem como documento orientador, para al\u00e9m da declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, a Declara\u00e7\u00e3o Universal de Direitos Humanos. Tudo \u00e9 um manifesto a favor dos direitos humanos, da igualdade, de uma maior justi\u00e7a social. O di\u00e1logo \u00e9 totalmente poss\u00edvel entre o que foi a vida de JS, a sua interven\u00e7\u00e3o enquanto homem e cidad\u00e3o e a sua interven\u00e7\u00e3o como escritor, sem que as suas obras tenham sido panflet\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Obras como Ensaio sobre a cegueira parecem acomodar realidades recentes. S\u00e3o nestas alturas mais procuradas pelos leitores?<\/p>\n\n\n\n<p>Temos total consci\u00eancia disso, at\u00e9 porque vamos vendo, via tecnologias, mas tamb\u00e9m pelos contactos que temos com entidades e pessoas de todo o mundo e que nos interpelam, enviam propostas, convites que nos desafiam para se organizarem coisas a partir da obra de JS. H\u00e1 esses nexos de rela\u00e7\u00e3o entre coisas que est\u00e3o a acontecer ou quando vemos, em variad\u00edssimos artigos de jornais, refer\u00eancias \u00e0 obra de JS para ilustrar ou enquadrar situa\u00e7\u00f5es. Nestes anos da pandemia, o \u201cO Ensaio Sobre a Cegueira\u201d voltou a ter uma atualidade enorme muito centrada nesta quest\u00e3o da pandemia, fechando-nos em casa ainda antes de sermos obrigados a faz\u00ea-lo, o que tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 um sintoma. S\u00e3o variad\u00edssimos os casos, grupos de teatro que nos contactam por quererem adaptar a obra de JS para salas ou escolas. Os alunos que nos visitam, cerca de 10 mil por ano \u2013 n\u00fameros pr\u00e9-pandemia, que j\u00e1 estamos a recuperar \u2013 e com os quais temos uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima, ouvem o que lhes temos para dizer, mas tamb\u00e9m pedimos que nos digam o que pensam a partir da obra de JS, ou como relacionam as obras com as suas vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O que \u00e9 mais celebrado hoje em dia, a obra ou o homem que dialoga atrav\u00e9s da sua obra?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, ao enorme reconhecimento de JS enquanto escritor<strong>,&nbsp;<\/strong>vai-se aprofundando o JS fil\u00f3sofo, grande pensador do nosso tempo. \u00c9 um caminho que j\u00e1 est\u00e1 a ser trilhado h\u00e1 muito tempo e que vai aprofundar-se cada vez mais, tendo como ponto de partida a obra liter\u00e1ria e todas essas par\u00e1bolas, todas essas cria\u00e7\u00f5es que JS constr\u00f3i e que n\u00f3s depois conseguimos relacionar com o dia a dia, com todo este mundo terr\u00edvel que estamos a viver, mas tamb\u00e9m com este lado da interven\u00e7\u00e3o que foi muito importante. JS foi, dos Pr\u00e9mios Nobel, se n\u00e3o o mais, pelo menos um dos mais interventivos ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O Pr\u00e9mio Nobel deu-lhe essa possibilidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha chegado a dizer que o Nobel tamb\u00e9m podia ser quase visto como uma esp\u00e9cie de concurso de beleza, em que as pessoas ostentavam uma esp\u00e9cie de faixa durante um ano e depois era esquecido, teve a capacidade para, juntamente com a Pilar, a muito custo, \u00e0s vezes, manter-se muito presente. Tinha a perspetiva de que a sua interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia apenas a partir dos livros, tamb\u00e9m com tudo que tinha para dizer no mundo. E h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o muito direta dos seus princ\u00edpios ideol\u00f3gicos, de vida e tamb\u00e9m da sua origem, de algu\u00e9m que nasce numa fam\u00edlia de camponeses pobres sem terra, e se constr\u00f3i lendo muito, sem condi\u00e7\u00f5es para frequentar uma universidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como foi sendo constru\u00edda a obra?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Saramago nasce em 1922. Com 25 anos escreve o primeiro livro publicado com o t\u00edtulo \u201cA Terra do pecado\u201d, O livro ser\u00e1 reeditado em breve e sair\u00e1 desta vez com o t\u00edtulo que ele tinha escolhido, \u201cA Vi\u00fava\u201d, e que o editor n\u00e3o quis. Passados seis anos, JS escreve um outro livro que se chama \u201cClaraboia\u201d, que foi apresentado a uma editora que n\u00e3o o quis publicar e nunca lhe deu resposta. Nos anos 80, JS recebeu uma carta na qual um editor lhe dizia que tinha encontrado o original no arquivo e que o queriam muito publicar. JS tinha ficado profundamente magoado, n\u00e3o por n\u00e3o terem publicado, isso \u00e9 uma prerrogativa do editor, mas por n\u00e3o lhe terem dado qualquer resposta. Na altura, n\u00e3o autorizou que o publicassem. Depois deu indica\u00e7\u00f5es \u00e0 Pilar que esse livro poderia sair ap\u00f3s a sua morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Foi a segunda obra de Saramago.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi escrito em 1953 e publicado em 2011. Coloca-nos a espreitar por essa claraboia e a ver o que acontece em cada um desses apartamentos de um pr\u00e9dio de Lisboa, nos anos 50, durante a ditadura. Vamos percebendo essa ditadura a partir da forma como essas pessoas vivem. Mas, nesse pr\u00e9dio, no r\u00e9s do ch\u00e3o, h\u00e1 um sapateiro que tem um quarto para arrendar e h\u00e1 um jovem que aparece para arrendar esse quarto. H\u00e1 di\u00e1logos extraordin\u00e1rios entre essas duas personagens. Encontramos o jovem Jos\u00e9 Saramago e j\u00e1 muito daquilo que era o pensamento que depois se comprova ao longo da sua obra. \u00c9 um g\u00e9nero de embri\u00e3o do grande escritor Jos\u00e9 Saramago, atrav\u00e9s de uma personagem do livro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Regressa ao romance com o \u201cO Manual de Pintura e Caligrafia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muitos anos, JS n\u00e3o escreve, por achar que n\u00e3o tinha nada para dizer ao Mundo. Fez o seu percurso profissional, como editor, teve v\u00e1rias profiss\u00f5es, depois de ter sido serralheiro mec\u00e2nico, mec\u00e2nico de autom\u00f3veis, mas nestes dois primeiros livros j\u00e1 vamos percebendo muito do que viria a ser o JS. Ainda de forma incipiente, mas j\u00e1 o conseguimos perceber. E depois podemos dizer que o romancista JS escreve em 1976 um livro chamado \u201cManual de Pintura e Caligrafia\u201d, uma esp\u00e9cie de ensaio, onde liga a pintura \u00e0 escrita. Mas o grande romance \u00e9 \u201cOs Levantados do Ch\u00e3o\u201d que nasce de uma ida para o Alentejo. Jos\u00e9 Saramago \u00e9 despedido do DN. Fica sem trabalho. Depois, o C\u00edrculo dos Leitores, convida-o a fazer uma viagem a Portugal, para escrever um livro, descrevendo o que fosse vendo. Com o dinheiro desse trabalho, consegue ir para o Alentejo durante algum tempo e l\u00e1 contacta com a hist\u00f3ria de v\u00e1rios camponeses alentejanos. A partir da\u00ed, nasce essa epopeia chamada \u201cLevantados do Ch\u00e3o\u201d. JS fixa um per\u00edodo terr\u00edvel da hist\u00f3ria portuguesa (antes do 25 de Abril), um per\u00edodo de grandes dificuldades, de grande dureza. \u00c9 um romance importante em termos de conte\u00fado, e tamb\u00e9m por literariamente ter algumas ferramentas que vai utilizando: por exemplo, contar epis\u00f3dios de tortura no posto da GNR com os olhos de formigas. Diz, em entrevistas, que gostava de ser aquele que levanta as pedras para ver o que est\u00e1 por baixo. A\u00ed nasce o estilo saramaguiano, das frases longas, da n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o dos pontos finais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que se d\u00e1 esse processo?<\/p>\n\n\n\n<p>Saramago escreve 21 p\u00e1ginas do \u201cLevantados do Ch\u00e3o\u201d, para. Volta atr\u00e1s e come\u00e7a a escrever novamente o livro j\u00e1 dessa forma, com esse estilo, essa forma de pontuar o texto. Disse que queria que a sua escrita tivesse dentro de si a oralidade, a profus\u00e3o de vozes que tamb\u00e9m ouviu quando esteve no Alentejo. Por isso disse tamb\u00e9m que quem tivesse dificuldade em ler os seus livros os lesse em voz alta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 hoje em dia quem siga esse estilo&nbsp;saramaguiano?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, j\u00e1 em conversas com alguns escritores que \u00e0s vezes nos citam, alguns j\u00e1 confidenciaram que quando come\u00e7aram a fazer as suas primeiras tentativas de escrita, tentaram escrever como Saramago, at\u00e9 com uma forma de pontua\u00e7\u00e3o diferente. Mas a literatura \u00e9 de tal forma um campo de liberdade que podem existir sempre alguns seguidores de Saramago, ou porque pegam num determinado tema ou porque escrevem de uma determinada maneira, mas n\u00e3o acho que isso seja o mais importante. O mais importante \u00e9 garantir que a literatura continua a ser mais um desses espa\u00e7os de liberdade que a arte deve ter e que hoje em dia \u00e9 condicionada por tantas coisas. E, depois, cada um far\u00e1 o seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Entretanto foi criado o Pr\u00e9mio Jos\u00e9&nbsp;Saramago.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s receber o Nobel, foi criado o Pr\u00e9mio Jos\u00e9 Saramago que era atribu\u00eddo aos escritores at\u00e9 aos 35 anos. Entretanto passou a ser at\u00e9 aos quarenta. Foi uma forma de ter um pr\u00e9mio que apoiasse os jovens escritores que n\u00e3o tivessem de passar por aquilo que o JS passou, que s\u00f3 numa fase avan\u00e7ada da sua vida conseguiu sobreviver da escrita. E premiou grandes escritores ao longo das v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es, mas da\u00ed dizermos que s\u00e3o seguidores, n\u00e3o! Cada um tem o seu percurso e \u00e9 muito interessante que assim seja, todos eles, n\u00e3o digo debaixo do chap\u00e9u no sentido de condicionar, mas com esse selo que se coloca no livro &#8211; Pr\u00e9mio Liter\u00e1rio Jos\u00e9 Saramago &#8211; de alguma forma ajuda a abrir algumas portas, e ainda bem porque de facto todos eles t\u00eam muito talento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano em que se celebram os cem anos do nascimento de Jos\u00e9 Saramago, entrevistamos S\u00e9rgio Letria, diretor da Funda\u00e7\u00e3o a ele dedicada, que nos falou do escritor, do homem e do \u201cfil\u00f3sofo\u201d: \u201cAo enorme reconhecimento do Jos\u00e9 Saramago enquanto escritor, vai-se aprofundando o Jos\u00e9 Saramago enquanto fil\u00f3sofo, grande pensador do nosso tempo\u201d. 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