{"id":6342,"date":"2022-10-06T10:31:13","date_gmt":"2022-10-06T10:31:13","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6342"},"modified":"2022-12-05T17:46:38","modified_gmt":"2022-12-05T17:46:38","slug":"tap-publica-ou-um-voo-no-escuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/10\/06\/tap-publica-ou-um-voo-no-escuro\/","title":{"rendered":"TAP p\u00fablica ou um voo no escuro"},"content":{"rendered":"\n<p>Na Assembleia da Rep\u00fablica o primeiro-ministro Ant\u00f3nio Costa foi confrontado com a pergunta de Carlos Guimar\u00e3es Pinto, deputado da IL, sobre a possibilidade da TAP vir ser privatizada nos pr\u00f3ximos 12 meses. \u201c\u00c9 o que est\u00e1 planeado\u201d, respondeu Ant\u00f3nio Costa. Perante a persist\u00eancia do deputado no tema e \u00e0 pergunta se o \u201cEstado conta perder dinheiro com a privatiza\u00e7\u00e3o, Costa respondeu: \u201cEspero que n\u00e3o!\u201d, mas admite que isso \u201cpossa acontecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia, em mar\u00e7o de 2020, interrompeu o plano de revers\u00e3o feita pelo governo de Ant\u00f3nio Costa, quando o acionista David Nielman \u201csaiu por incapacidade financeira\u201d tendo o Estado que negociar a sua sa\u00edda, \u201cassumindo a quase totalidade do capital\u201d, refere o sindicalista. Paulo Duarte refere que, em 2020, \u201co governo portugu\u00eas submeteu a Bruxelas um plano de reestrutura\u00e7\u00e3o para salvar a companhia.\u201d O dirigente do Sitava considera que \u201cBruxelas mitigou as ajudas p\u00fablicas, obrigando a grandes sacrif\u00edcios dos trabalhadores, quase 3 mil postos de trabalho destru\u00eddos pela n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o a termo e acordos de rescis\u00f5es por m\u00fatuo acordo, aos quais se somaram um despedimento coletivo de cerca de 70 pessoas\u201d. A TAP, que tinha 9 mil trabalhadores a 1 de janeiro de 2020, chegou ao fim de 2021 com cerca de 6500 trabalhadores. \u201cFoi uma destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de todas as categorias profissionais: pessoal de terra, pessoal navegante, comercial e t\u00e9cnico, tripulantes de cabine e pilotos. Foi um massacre na TAP\u201d, afirma Paulo Duarte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que, acrescenta, \u201cdesde essa altura, pela voz do pr\u00f3prio ministro, a TAP n\u00e3o poderia mais viver sozinha, desligada de um grande grupo. Mas n\u00f3s tivemos sempre uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, defendemos sempre que a TAP s\u00f3 tinha viabilidade se dependesse de capitais p\u00fablicos, e que n\u00e3o era for\u00e7oso que o Estado tivesse que estar permanentemente a financiar a empresa. A empresa tinha de ser organizada de forma a ser autosuficiente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, acrescenta o sindicalista, \u201cesta resposta do primeiro-ministro e a pressa manifestada por alguns provavelmente n\u00e3o contabiliza o verdadeiro custo social e econ\u00f3mico-financeiro da aliena\u00e7\u00e3o deste ativo\u201d, e explica: \u201cO Estado vai p\u00f4r no total 3,2 mil milh\u00f5es de euros. N\u00e3o \u00e9 um empr\u00e9stimo a algu\u00e9m que pediu uma ajuda, o Estado capitalizou um ativo seu que tem uma import\u00e2ncia capital na economia\u201d, explica o dirigente sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Duarte enumera as raz\u00f5es que tornam a TAP uma companhia apetec\u00edvel: \u201ctem muito bons ativos em termos de slots, tem posi\u00e7\u00f5es em geografias muito importantes como \u00e9 o caso da Am\u00e9rica do Sul, voando para 12 cidades do Brasil, com mais de 80 voos por semana. Nos Estados Unidos tem tamb\u00e9m uma muito boa posi\u00e7\u00e3o, com slots nos principais aeroportos e uma posi\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a toda a \u00c1frica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A este peso estrat\u00e9gico por parte da TAP no mercado, soma-se ainda a exporta\u00e7\u00e3o da companhia a\u00e9rea portuguesa de \u201cmais de 2 mil milh\u00f5es de euros; a compra no mercado nacional a mais de mil empresas portuguesas; transporta para Portugal cerca de 19 milh\u00f5es de passageiros\u201d, refere Paulo Duarte que conclui: \u201cSe tivermos em conta que o Aeroporto da Portela, em 2019, teve 31 milh\u00f5es de passageiros, e que a TAP era um bocadinho mais de 50% do movimento da Portela, ficamos com a dimens\u00e3o do turismo e da import\u00e2ncia que a TAP tem neste Aeroporto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, de resto, um estudo da Confedera\u00e7\u00e3o de Turismo que, garante Paulo Duarte, \u201cd\u00e1 a ideia da import\u00e2ncia que a TAP tem, e sem falar na capacidade que a companhia a\u00e9rea portuguesa tem de transportar clientes para Portugal. Mais de 80% da receita da TAP \u00e9 do estrangeiro, portanto s\u00e3o exporta\u00e7\u00f5es\u201d. Logo, conclui Paulo Duarte, com a privatiza\u00e7\u00e3o da companhia \u201ctudo o que era exporta\u00e7\u00e3o passaria a ser importa\u00e7\u00e3o e a empresa n\u00e3o comprava a empresas portuguesas, comprava a empresas do seu pa\u00eds. A m\u00e3o de obra altamente especializada de 8 a 9 mil postos de trabalho diretos, tem a montante mais de 100 mil postos de trabalho\u201d, remata o dirigente sindical: \u201cA TAP \u00e9 um mundo \u00e0 volta de si pr\u00f3pria\u201d, conclui o dirigente sindical.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liberais e primeiro-ministro manifestam pressa na privatiza\u00e7\u00e3o da TAP, mas Paulo Duarte, secret\u00e1rio-geral do SITAVA, convida-os a fazerem bem as contas dos preju\u00edzos financeiros e humanos que implica a aliena\u00e7\u00e3o deste ativo, em que o Estado j\u00e1 investiu 3,2 mil milh\u00f5es de euros. O dirigente sindical garante: \u201corganizado de forma a tornar-se autosuficiente, pode voltar a ser um dos grandes motores da economia portuguesa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6345,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6342"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6342"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6521,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6342\/revisions\/6521"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6342"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}