{"id":6271,"date":"2022-09-09T13:23:46","date_gmt":"2022-09-09T13:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6271"},"modified":"2022-10-06T10:59:31","modified_gmt":"2022-10-06T10:59:31","slug":"uma-escola-um-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/09\/09\/uma-escola-um-lugar\/","title":{"rendered":"Uma Escola, Um Lugar"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos certamente pertinente falar, nesta fase,&nbsp;daquilo a que chamamos, nas escolas, de \u201cadapta\u00e7\u00f5es\u201d. Este \u00e9 o per\u00edodo que normalmente se inicia nos primeiros dias de Setembro e que se caracteriza pela chegada de novos membros a cada comunidade educativa e adapta\u00e7\u00f5es a novas val\u00eancias educativas. Sabemos que h\u00e1 um potencial risco ao falar-se sobre o futuro mas o risco aqui \u00e9 menor do que se poder\u00e1 pensar. Chamemos aquilo que nos guia, para j\u00e1, de convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as adapta\u00e7\u00f5es, existem v\u00e1rias coisas que a experi\u00eancia nos d\u00e1 como absolutamente certas e que refor\u00e7am o nosso estado de esp\u00edrito. Quando os meses de setembro e outubro tiverem passado, foram enxutos em papel litros de l\u00e1grimas, apaziguadas horas de solu\u00e7os e suspiros, abra\u00e7adas e aconchegadas odisseias de sonos curtos e inquietos, adiada vezes sem conta a morte das saudades mais infinitas e opressoras. Repetiu-se, literalmente, dezenas de vezes, o mais profundo medo em deixar e ser deixado, obliterado pelo mais feliz al\u00edvio do reencontro. Vinte, trinta vezes foram muito poucas para uns, as suficientes para outros. A ang\u00fastia de quem deixou nas m\u00e3os de outros o futuro das suas vidas, enquanto espera pela hora de voltar a ser colo do que de mais precioso se tem, estar\u00e1 quase extinta e vai dando espa\u00e7o \u00e0 confian\u00e7a de saber que o mundo, afinal, n\u00e3o terminou e que h\u00e1 mais coragem e resist\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o do que se imaginou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa altura a palavra&nbsp;<em>obrigado<\/em>&nbsp;foi tantas vezes dita como as palavras&nbsp;<em>bom dia<\/em>,&nbsp;<em>at\u00e9 amanh\u00e3<\/em>,&nbsp;<em>pai<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>m\u00e3e<\/em>. Porque o s\u00edtio onde tudo isto se vive, ser\u00e1 cada vez mais um lugar, tal como Marc Aug\u00e9 o definiu. Porque todas as escolas, ainda que come\u00e7ando por ser n\u00e3o-lugares, t\u00eam de ser lugares.<\/p>\n\n\n\n<p>Aceitemos que todas as escolas come\u00e7am por ser espa\u00e7os alheios ao conhecimento da generalidade das pessoas e n\u00e3o carregam em si significado suficiente para serem considerados lugares. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 qual o tempo que os adultos das escolas est\u00e3o dispostos a deixar passar para que a crian\u00e7a veja na sua escola, um lugar \u2013&nbsp;<em>o seu lugar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das crian\u00e7as mais pequenas da Voz do Oper\u00e1rio &#8211; e arriscamos a dizer, alguns adultos &#8211; mesmo enquanto estas linhas s\u00e3o lidas, n\u00e3o o sabem ainda, mas a sua escola j\u00e1 \u00e9 o seu lugar. Elas poder\u00e3o ainda n\u00e3o acreditar, mas desde que, pela primeira vez, os adultos da Voz do Oper\u00e1rio assumiram responsabilidades educativas sobre os seus percursos educativos, deixaram de ser an\u00f3nimas na escola.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro dia em que uma crian\u00e7a entra, pela primeira vez, numa das nossas escolas, j\u00e1 horas de partilha entre adultos se passaram. Visitas, entrevistas, reuni\u00f5es, conversas, para se saber tudo e um par de botas, com o intuito de tornar cada espa\u00e7o educativo, no lugar de cada um, para ser o lugar de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, n\u00e3o ser an\u00f3nimo n\u00e3o implica estar, desde o primeiro momento, feliz. Para a maioria das crian\u00e7as e adultos, \u00e9 precisamente a descoberta da escola enquanto lugar, que vence a ang\u00fastia que caracteriza os primeiros tempos. E \u00e9 porque cada crian\u00e7a tem j\u00e1 o seu lugar que \u00e9 justo e merecido um devido esclarecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A Voz do Oper\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma escola perfeita. Mas \u00e9 um lugar pejado de muitos dos mais dedicados trabalhadores e trabalhadoras que qualquer lugar poder\u00e1 ambicionar. Pessoas que se dedicam por inteiro a fazer do dia de cada crian\u00e7a, o melhor dia que j\u00e1 viveram, mesmo num dos piores momentos das suas vidas. Pessoas que se adaptam a quem chega, independentemente de onde venha e da hist\u00f3ria que carregue, com a mais genu\u00edna disponibilidade de aconchegar o caminho que, em conjunto, ir\u00e1 ser percorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os anos sem excep\u00e7\u00e3o, este movimento de adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 feito por adultos que escolheram dedicar a sua for\u00e7a de trabalho \u00e0s nossas escolas, para transformar o mundo dos mi\u00fados num lugar melhor. \u00c9 por isso que podemos escrever sobre o futuro, sem medo. Poucos riscos se correm. Porque a confian\u00e7a de hoje \u00e9 forjada sobre a hist\u00f3ria que constru\u00edmos ontem e sob o c\u00e9u que definimos para amanh\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre o momento em que estas linhas s\u00e3o escritas e a sua leitura editada no jornal d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio, ter\u00e1 passado menos de um instante. Assim sendo, propomo-nos a escrever aquilo a que alguns chamariam de \u201cum texto arriscado\u201d. Arriscado porque discorremos sobre uma viagem que est\u00e1, em grande medida, a come\u00e7ar, com a absoluta convic\u00e7\u00e3o do porto seguro aonde iremos chegar, mesmo que ainda nos falte passar pelas mais duras tempestades.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":6272,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[109],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6271"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6271"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6387,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6271\/revisions\/6387"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6271"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}