{"id":6213,"date":"2022-08-03T17:14:00","date_gmt":"2022-08-03T17:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6213"},"modified":"2022-08-03T17:14:01","modified_gmt":"2022-08-03T17:14:01","slug":"area-ardida-em-2022-ja-ultrapassa-os-piores-registos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/08\/03\/area-ardida-em-2022-ja-ultrapassa-os-piores-registos\/","title":{"rendered":"\u00c1rea ardida em 2022 j\u00e1 ultrapassa os piores registos"},"content":{"rendered":"\n<p>Se face aos inc\u00eandios de outubro de 2017 na regi\u00e3o Centro, que provocaram 49 mortos e cerca de 70 feridos e a destrui\u00e7\u00e3o de cerca de 1 500 casas e mais de 500 empresas, as expectativas apontavam para que se transformassem num ponto de viragem no que respeita \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao combate aos inc\u00eandios, a realidade veio desmenti-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros traduzem desde logo duas outras realidades: os inc\u00eandios ocorrem em zonas mais despovoadas e as \u00e1reas entre povoamentos e a floresta s\u00e3o as mais afetadas. S\u00e3o estes os factos que o Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF) revela no seu relat\u00f3rio provis\u00f3rio que faz o balan\u00e7o dos inc\u00eandios em Portugal entre 1 de janeiro e 15 de julho de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o ICNF \u201ca base de dados nacional de inc\u00eandios rurais regista, no per\u00edodo compreendido entre 1 de janeiro e 15 de julho de 2022, um total de 6 164 inc\u00eandios rurais que resultaram em 40 102 hectares de \u00e1rea ardida, entre povoamentos (21 288 ha), matos (14 328 ha) e agricultura (4 486 ha)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se compararmos os valores de 2022 com o hist\u00f3rico dos 10 anos anteriores, verificamos que \u201cse registaram menos 5% de inc\u00eandios rurais e mais 89% de \u00e1rea ardida relativamente \u00e0 m\u00e9dia anual\u201d do per\u00edodo em quest\u00e3o. Verifica-se ainda que \u201co ano de 2022 apresenta, at\u00e9 ao dia 15 de julho, o 5\u00ba valor mais elevado em n\u00famero de inc\u00eandios e o 2\u00ba valor mais elevado de \u00e1rea ardida, desde 2012\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A culpa \u00e9 da \u201cm\u00e3ozinha\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Costa, perante as previs\u00f5es de um per\u00edodo de maior calor e potencialmente mais sujeito \u00e0 ocorr\u00eancia de inc\u00eandios, disse que \u201cs\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 inc\u00eandios se a m\u00e3ozinha humana n\u00e3o os provocar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A refer\u00eancia \u00e0 m\u00e3o criminosa como respons\u00e1vel pela maioria dos inc\u00eandios \u00e9 tamb\u00e9m desmentido pelos n\u00fameros, j\u00e1 que 80% dos casos de inc\u00eandios provocados por m\u00e3o humana s\u00e3o atos negligentes e n\u00e3o dolosos.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Ainda que os factos o desmintam, o uso da express\u00e3o pode mesmo \u201calimentar puls\u00f5es populistas\u201d, alertava na altura o PCP pela voz de Jo\u00e3o Fraz\u00e3o que lamentava ainda a responsabiliza\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es individualmente, em particular dos pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios. Pelo contr\u00e1rio, sustenta o dirigente pol\u00edtico, \u201c\u00e9 na defesa da pequena e m\u00e9dia agricultura, da pastor\u00edcia e da pecu\u00e1ria e na sua dinamiza\u00e7\u00e3o que se pode garantir a fixa\u00e7\u00e3o de pessoas no mundo rural e a cria\u00e7\u00e3o de zonas tamp\u00e3o, particularmente em torno dos aglomerados populacionais\u201d. Defende ainda como crucial a \u201cInterven\u00e7\u00e3o do governo na regula\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da madeira\u201d, e como indispens\u00e1vel \u201cque o mercado seja transparente e se garantam pre\u00e7os justos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no que respeita ao combate aos meios humanos de combate aos inc\u00eandios, tamb\u00e9m a trag\u00e9dia de 2017, ocorrida em Pedr\u00f3g\u00e3o e Figueir\u00f3 dos Vinhos, parece ter tido pouco peso nas decis\u00f5es, entretanto adotadas pelo Executivo, designadamente no que respeita ao refor\u00e7o de meios, quer humanos quer materiais, para uma das regi\u00f5es mais afetadas pelos inc\u00eandios.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorde-se que \u201cmais de 80% da Mata Nacional de Leiria, que tem 11 062 hectares e ocupa dois ter\u00e7os do concelho da Marinha Grande, ardeu nestes inc\u00eandios\u201d de 2017, referia-se na carta aberta enviada pelo presidente da Associa\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria de Bombeiros da Marinha Grande, Pedro Franco ao ministro da Administra\u00e7\u00e3o Interna, Jos\u00e9 Lu\u00eds Carneiro e ao presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Ant\u00f3nio Nunes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma carta, Pedro Franco queixa-se de \u201cfalta de recursos humanos\u201d e \u201cnecessidade de renova\u00e7\u00e3o\u201d da frota e garante que se ocorrer outro inc\u00eandio semelhante aos de outubro de 2017 \u201cresta ter f\u00e9\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 agora, ainda o ver\u00e3o est\u00e1 no seu in\u00edcio, a \u00e1rea ardida em Portugal j\u00e1 se aproxima do dobro da \u00e1rea ardida em 2020, o ano em que mais hectares foram percorridos pelas chamas, e este ano, lamentavelmente, j\u00e1 com perdas humanas.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6214,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6213"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6213"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6215,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6213\/revisions\/6215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6213"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}